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BRASIL, Sudeste, VOTUPORANGA, VILA MARIN, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Esportes, Informática e Internet
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BLOG DO ROBERTO LAMPARINA
 


MAN AND WOMAN IN WHITE

          Eu detesto gente de branco, principalmente os (as) dentistas. Não a pessoa em si, mas aquela figura que invade sua boca de forma permissiva e vai escarafunchando tudo lá dentro, sempre nos passando a idéia de que, como são conhecedores de todas as técnicas e segredos bucais, jamais teriam suas bocas invadidas por uma cárie, ou quem sabe um tártaro.

          Eu acho que tenho este trauma desde criança. Meu primeiro grande trauma odontológico veio ainda muito cedo, no tempo dos terríveis trailers odontológicos que ficavam estacionados periodicamente nas escolas e o temível homem de branco, ia engolindo um a um, lá pra dentro daquele centro de tortura, até que passasse em revista todos os alunos. Naquele tempo o carrasco chamava-se Dr. Asis de alguma coisa que, já não mais me lembro.

          Pra minha infelicidade geral, ainda tinha que me chamar Antonio e ser logo um dos primeiros da classe a ser deflorado odontologicamente na ordem alfabética pelo sádico carrasco, que certamente como todo carrasco que se preze, devia ter um orgasmo a cada vez que notava na vítima um espasmo muscular de dor.

          Hoje em dia o profissional da boca tem todo um preparo técnico e também psicológico para transparecer tranqüilidade ao paciente, porém a trinta e poucos anos atrás, acho que as técnicas eram outras. Além do que, o tratamento odontológico hoje é bastante indolor, na maioria das práticas odontológicas, porém naquele tempo, para uma criança de sete anos, sentar naquela cadeira era um calvário inominável. A técnica do Dr. Asis era meio de desafiar a masculinidade do indivíduo. Ele enfiava aquela agulha que ia parar lá dentro do cérebro e quando você manifestava involuntariamente aquele espasmo muscular de pânico, ele dizia – Um homão desses com medo de agulha!!! Não vai doer nada. Continuava a enfiar aquela agulha até que se sentia a boca virar uma bola murcha.

          Eu tinha sete anos e nunca havia estado na presença de um dentista, daí imaginem o tanto de trabalho que eu dei ao carrasco. Foram umas quatro ou cinco obturações e duas ou três extrações, todas devidamente acompanhadas das terríveis hemorragias, pois o carrasco advertia para os cuidados pós-extração, como não ficar ao sol e movimentar-se o mínimo possível, porém eu não podia deixar de atender ao chamado dos peladeiros da escola e com o cair da noite, chorava e passava a noite toda com febre, fazendo bochechos com vinagre e sal.

          Na minha primeira hemorragia, meu pai assustado, levou-me ao consultório de um outro dentista, que examinou o serviço do carrasco primeiro, receitando um analgésico e uma boa quantidade de sorvete para ajudar no estancamento da sangria. A dor era horrível, mas pelo menos poderia sorver uma boa quantidade de sorvete em contrapartida.

          Recuperado deste terrível trauma, voltei ao dentista lá pelos meus treze anos, aí eu já era um adolescente. O dentista era primo do meu pai, aqui da nossa vizinha Tanabí, um senhor já com muita experiência e muita paciência, com todos os truques e malandragens da profissão, com todas aquelas técnicas de desviar a atenção do paciente e ficar fazendo perguntas que, como você está com a boca cheia de tarecos, só dá pra responder com uma negativa ou afirmativa, levantando e abaixando o polegar. Foi menos traumático, porém ainda com aquelas lembranças do meu deflorador carrasco, uma câmara de pânico, parcialmente elevada ao grau médio.

          Lá pelos meus vinte, fui obrigado novamente a fazer uma visita ao dilacerador de bocas por conta de um dente duplicado que aparecera na arcada inferior e mais algumas pequenas revisões. Novamente outro trauma. A dentista desta vez era uma mulher e ainda por cima, estava grávida, já em estado adiantado de gestação. Na hora da extração do dente duplo, depois de anestesiado, começou a puxar com aquele boticão e o dente nada de amolecer. Escarafunchou ao redor do dente afastando a gengiva e puxava - meio que rodando para amolecer -, com toda a sua força. Buscou por várias posições diferentes e não conseguiu extrair o dente. Achei que ela daria a luz naquele momento, a moça suou e gemeu e, com a aflição dela, nem senti a pressão psicológica do momento. Ela desistiu, disse que eu deveria procurar um outro profissional especializado naquele tipo de extração, que fizesse o serviço através de uma intervenção cirúrgica. Quando passou o efeito da anestesia, senti muita dor, tanta dor que tenho este dente duplo até hoje em minha boca e ai daquele que disser que eu devo extraí-lo.

          Depois disso, passei a freqüentar mais ativamente os consultórios odontológicos e entre bons e não tão bons profissionais, tive a boca invadida por diversos outros seres de branco. Entre extrações de sisos, restaurações e tratamentos de canal em molares outros, sofri várias vezes da terrível dor de dente, dor esta que nada cura, nada desvia a atenção e nada faz passar. Lembro-me de uma vez em que o dentista abriu-me um molar para tratar o canal. Fazendo o primeiro curativo, fechou-o com massa e me disse – Se doer, me liga a qualquer hora que eu venho no consultório e abro. Cheguei em casa e conforme foi passando o efeito do anestésico, a dor aumentava, até o ponto em que não havia mais espaço pra mim na casa. Minha esposa ligou pro dentista e ele mandou que eu fosse direto ao consultório, pois ele já estava indo. Quando minha esposa foi pegar a chave do carro pra me levar, eu já estava indo a pé, eu não tinha parada. Cheguei ao edifício onde se localizava o consultório do dentista e o ascensorista veio ao meu encontro e se ofereceu para acionar o elevador, mas a dor não me permitia ficar parado, peguei logo a escada e fui subindo impacientemente os degraus. Pra minha sorte, quando cheguei na porta do consultório, o dentista acabara de entrar e já foi logo providenciando a abertura do dente, não antes de me perguntar sadicamente se estava doendo muito. A resposta foi curta e grossa – Só dói quando respiro. Não existe coisa pior do que dor de dente.

          Contudo, ainda acho que os dentistas são sádicos perfeitamente satisfeitos com as agruras do ofício. Eles se deleitam quando empunham aquele motorzinho diabólico, suas almas são alimentadas com aquela baba sugada por aquele aspirador de saliva, mas os orgasmos múltiplos, só acontecem quando são premiados com aquele dentão envolto por aquele terrível instrumento de tortura chamado boticão e eles o atiram naquela bacia de metal que sempre está ao lado da cadeira odontológica, fazendo questão de mostrar aquela aberração toda cheia de raízes e resquícios de sangue. Neste momento você olha para a feição do sádico e sente que ele acabara de ter um orgasmo, não um orgasminho normal desses com dez ou doze contrações anais não, mas um longo e duradouro orgasmo, com mais ou menos uma centena de contrações consecutivas.

          Outra coisa pavorosa no interior de um consultório odontológico é a espera interminável. Porque eu entendo que hora marcada, deveria ser hora marcada e não hora marcada para quinze ou vinte minutos depois da hora marcada. Então você chega lá no consultório cinco minutos antes da sua hora marcada e provavelmente só será atendido pelo menos meia hora após àquela sua hora marcada. Aí você pega aquela revista, quase sempre uma Veja (aquela que tenta esconder tudo – Então por que se chama veja?) ou uma Caras (onde todas as artistas gostosas aparecem na ilha de Caras mostrando as bundas), duas revistas absolutamente desnecessárias a qualquer individuo parcialmente com algum intelecto, ainda por cima datadas do ano passado. Pra mim este problema da data não faz muita diferença, pois pouco tempo tenho para este tipo de leitura, porém..., não daria pra disponibilizarem uma revistinha melhor, quem sabe uma Carta Capital..., no mínimo uma Isto É, ou então colocar logo à disposição, aquelas pornográficas mais famosas, estampando o Vampeta se amparando naquela bengala – Será que aquilo era mesmo uma bengala? Pras crianças, deixa uns gibis do Tio Patinhas e outros dos Irmãos Metralhas, que é pra eles irem se acostumando com a realidade do nosso município.

          Estressado com as revistas, você presta atenção na tv, pra não ficar olhando com a visão periférica para as outras vítimas que estão ao seu lado na sala. Olha só o que está passando na tv na Sessão da Tarde, Irmãos Gêmeos, aquele filme quase inédito, com o Danny Devito e o Arnold Schwarzenegger. Dá vontade de ir embora, mas dentistas têm um sério problema da ordem dos direitos do consumidor, gostam de receber adiantado e fazem pressão para tal. Eu, um velho socialista convicto, não só na coesão ideológica, mas também na maneira de viver independente daquilo que escraviza o ser, não possuo contas bancárias e nem cartões de crédito, só lido com dinheiro em espécie e geralmente só o gasto quando o tenho. Sendo assim, quando estou lá pra executar os reparos, certamente é porque já paguei pelo tratamento todo e não dá nem pra sair correndo. Esta prática já me rendeu prejuízos, pois uma vez, depois de já ter pago pelo tratamento todo, tive péssimas referências do profissional e em algumas sessões percebi a imperícia do mesmo. Abandonei o tratamento e nunca mais voltei lá, nem pra tentar reaver o meu crédito.

          Mas, a natureza é perfeita e descobri um dia desses que dentistas também têm dentes. Cheguei ao consultório de um dentista e não tinha ninguém na recepção, somente aquele sensor que toca um alarme quando alguém passa pela porta. Como ninguém apareceu na sala de espera, fui entrando corredor adentro e abri a porta de uma das salas. Deparei-me com uma cena absolutamente indescritível, o dentista estava sentado na sua cadeira de tortura, com a boca aberta e uma senhora de branco estava lhe escarafunchando o “portal do inferno”. Quase tive um orgasmo.

          Pena que muitos dentistas casam-se também com mulheres do mesmo ofício e isso atrapalha um pouco a nossa sensação de vingança, mas mesmo assim, é muito prazeroso assistir a execução de um carrasco. 



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 14h07
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DITADURA-DEMOCRÁTICA

            O mundo está virando um lugar esquisito de se viver.

          O atirador de elite se prepara, faz mira e atinge um bandido que ameaçava a vida de uma mulher. Tiro certeiro, desta vez a vitória foi do atirador, que às vezes passa a vida toda treinando e se preparando para aquele tiro e, se aposenta profissionalmente, sem que seja necessário fazer uso daquele disparo. Desta vez foi preciso e o policial foi certeiro, a ameaça caiu morta e estrebuchando ao solo. A vítima está salva. Parabéns ao atirador, ele cumpriu com a missão da qual foi preparado, talvez também fosse necessária uma promoção de patente para que o seu trabalho seja merecidamente recompensado de forma material e verdadeira, afinal abraços e obrigados, não põe à mesa.

          Mas não..., o comando permitiu o encontro da vítima com o atirador sob os holofotes da mídia. Não bastava um encontro de agradecimento de forma discreta, tinham que expor o profissional e colocá-lo publicamente na tv – Mas, não seria mais seguro se os carrascos permanecessem sob a proteção do capuz? Afinal, aquele que precisou ser eliminado era bandido, porém devia ter amigos, companheiros, comparsas, quem sabe até familiares, irmãos, primos e etc... Ainda mais no Rio. Pobre policial, agora terá que viver o resto dos seus dias se escondendo e se imaginado vítima de uma ação traiçoeira retalhadora da parte daqueles a quem, por ofício, teve que ceifar a vida de um ser.

          As coisas estão acontecendo de forma tão assustadora que você não consegue mais se situar no universo seguro das ações e intenções. Será que ninguém pensou que expondo este policial estariam também expondo as suas relações, inclusive a parte mais frágil do indivíduo que é a família? O policial está preparado para todos estes acontecimentos possíveis - pelo menos deveria estar -, porém sua família e todos que o rodeiam – Será que estão preparados para esta exposição desnecessária?

          Ainda continuando com as esquisitices que a mídia usa para comercializar seus produtos e suas intenções, um leitor me chamou a atenção para um fato – Por que será que o Golpe de Estado que estão dando em Honduras, está sendo tão protegido e amenizado pela Globo? Fiquemos ligados então nesta política nazista global, pois ao embutir este conceito de ditadura-democrática, estão novamente nos condicionando ao papel de pleiteantes a esta nova invenção ideológica, criada justamente por esta direita desesperada e ainda detentora de todo este arsenal midiático que está aos seus serviços. Esta então é a nossa preocupação, pois depois de esgotadas todas as possibilidades possíveis no terreno ideológico, o próximo arsenal a entrar em campo, é o bélico.

          Alguns alienados políticos dirão – Mas o mundo desenvolvido jamais aceitaria novamente esta intervenção armada de ditadores plantados pela elite interesseira, em um universo democrático constituído.

          O exprobro deveria ser total, porém o mundo move-se por interesses maiores que na maioria das vezes nem ficamos sabendo quais são. Assim, os Aliados invadiram o Iraque e o Afeganistão, a China mantém uma supremacia militar absoluta sobre o Tibet, desde 1950 e ninguém mais se lembra dos motivos usados para estas apropriações indevidas.

          Não esperemos que as Nações do mundo corrijam as injustiças, pois na maioria das vezes, são elas quem planejam, financiam e proporcionam a existência destas injustiças, tudo devidamente sedimentada em interesses outros. Tenhamos sempre em mente as injustiças e as manobras usadas para usurpar as riquezas no Continente Africano. São dois séculos de guerras e guerrilhas étnicas promovidas por aqueles que querem usurpar seus legítimos donos das suas riquezas, desestabilizando-os e renegando a uma existência miserável, em um território cercado de riquezas infinitas.

          Honduras sofre na atualidade um golpe em sua frágil democracia. Alguns grandes formadores de opinião pelo mundo, ao invés de buscarem a divulgação verdadeira das ações que lá estão acontecendo, buscam esconder este golpe por trás de termos inexistentes, como este de intitular golpista como Presidente em exercício, criando assim esta atual democracia ditatorial, como se no termo democracia, estivesse incluído uma margem para a imposição fomentada pela força de ações que visam um regime totalitário.

          No verdadeiro estado democrático, o Presidente é eleito por sufrágio direto e universal, não sendo este o termo dedicado ao golpista Roberto Micheletti, que se apoderou do poder por manobras políticas outras, caracterizando assim, a ruptura do estado democrático e entrando na classificação de estado totalitário, devidamente até cabendo-lhe o termo de Presidente, porém o termo seguinte, deveria ser obrigatoriamente “golpista”.

          Para nós que já estamos acostumados com esta linguagem e estas colocações levianas levadas todos os dias ao ar pela Globo e pelos seus também parceiros golpistas daqui (PIG), está tudo certo, porém estão levando esta leviandade pelo mundo todo através das agências de notícias e telejornais internacionais.

          Como se já não bastasse aquela outra classificação que renomeou a ditadura militar brasileira como “ditabranda”, pelo braço escrito do PIG nacional, a líder do braço televisivo tenta imputar ares de normalidade em um golpe de estado em Honduras.  É histórico que este grupo sempre nutriu acalento por ditadores e usurpadores que promoveram o seu crescimento, porém com esta visibilidade, jamais.

          Será que não estariam criando lacunas para estabelecerem esta ditadura democrática também em solo brasileiro? Se a ditadura de vinte anos que levou milhares de pessoas para os porões de torturas e cemitérios clandestinos, foi branda, bem que poderiam inventar uma democrática aqui também!!!                

         



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 20h10
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