A MENOR DISTÃNCIA ENTRE DOIS PONTOS
Mais uma novela se foi e a outra já está aí com tudo. Mal digerimos ainda os conceitos que nos foi gentilmente passados pela que terminou e temos que misturar tudo com o inicio da nova trama, digo, nova armadilha. Esta está bem suavezinha, o Maneco gosta das realidades urbanas do Rio poético e boêmio dos tempos da sua juventude, das classes A, B e C sempre se misturando - como se isso fosse possível na prática -, das suas Helenas, dos seus doutores Morettis e o seu Leblon do meio do século passado, aquele que é bem longe da realidade atual, cercado pela bandidagem que insiste em manter toda a orla carioca em estado permanente de sítio, melhor dizendo, de exceção. Normalmente só policiam os limites de domínio, porém vez por outra resolvem que barbarizar é a forma de se sustentarem no poder e o fazem com pavor. Mas, voltando à velha que acabou de acabar... Aprendemos coisas indispensáveis com esta última lição, tais como: descobrimos que o berço do capitalismo mundial e o parque de diversões dos mais ricos e mais famosos mudou-se para os Emirados Árabes, mais precisamente em Dubai. Todo mundo deu um pulinho em Dubai o tempo todo. Ninguém deveria morrer sem antes ter a oportunidade de visitar Dubai (vou mandar um e-mail pro Lula e sugerir para a campanha da sua Dilma em 2010, o bolsa-Dubai) Nos foi ensinado também que, apesar das duas culturas - que se contrastaram o tempo todo -, apresentarem diferenças gritantes, no fundo, bem lá no fundinho, as duas buscam as mesmas pretensões, ou seja, lá, que os das castas superiores continuem dando as ordens e os dalits continuem cumprindo-as rigorosamente dentro das tradições, com a crença espiritual assinando por este sacrilégio. Aqui, como não se consegue a persuasão por este apelo espiritual incondicional, mandam mesmo, aqueles que possuem mais dígitos depositados em suas contas bancárias e o resto, obedecem pacificamente, dominados por diversos outros meios e fatores. Por fim, a nossa grande lição de vida nos foi revelada nos capítulos finais, onde tivemos a oportunidade de nos revelarmos e as verdades ocultas que povoam as aspirações em nossas relações humanas mais íntimas. Os homens só querem mesmo é serem felizes e nada mais, não se importando com a traição adultera dos seus parceiros, pois o amor fala mais alto do que os seus impulsos animalescos da carne, mera herança maldita dos resquícios da sua recente evolução – Você não vale nada, mas eu gosto de você e pronto!!! Resumindo, Miami já era, pobre é pobre e é lixo aqui ou na Índia e a monogamia está completamente fora da nossa realidade, pelo menos parcialmente, afinal você pode viver com um sujeito e dividir com ele as suas angustias e todos os outros momentos da vida, sempre se esfregando com o resto da vizinhança. Se um dia ele perceber alguma coisa, convença-o de que você não vale nada, mas o ama e fica tudo certo. Se isso tudo não funcionar, ferva bastante água quente e leve sempre consigo em uma garrafa térmica a tiracolo, para quando você estiver andando tranqüilamente pelas ruas e se deparar com a sua cadela “engatada” num beco escondido com algum qualquer, jogue a fervura bem nos seus costados. Costuma desgrudar - pelo menos funciona sempre com os cachorros -, desfazendo a possessão demoníaca, em seguida, leve-a para casa e a envolva em seus braços protetores, lhe curando de todas as feridas. Os ricos e afortunados já praticam este conceito há muito tempo e tem dado certo, agora querem fazer com que os pobres percam o mínimo da dignidade e decência que ainda possuem. Pelo jeitão, logo tentarão ressuscitar a “jus primae noctis”, uma leizinha fdp que vigorou na Idade Média, onde o Senhor Feudal, por direito, tinha a prioridade de inaugurar todas as noivas do seu feudo. Dizem que no sertão nordestino brasileiro a lei ainda vigora e a coronelada insiste em manter a tradição, porém não se preparam mais com aquelas garrafadas de antigamente, com nó-de-cachorro, pau-de-resposta, unha de cateto, carqueja, cipó da Jane, ginsengue, ginkobiloba, marapuama, catuaba e pau de macaco torrado, tudo devidamente curtido em vinho branco barato, com uma pitadinha de noz-moscada. Hoje vão logo na farmácia e pedem o azulinho do Pelé, o efeito é mais rápido e duradouro. A nova das nove já veio ditando a moderníssima fórmula da felicidade. Um milionário que não se sabe bem de onde vem toda a sua gastosura, deve ser lá do pessoal do consórcio demo/tucano, aqueles que ficaram milionários vendendo as nossas estatais na década de 90. Um luxuoso iate, carrões velozes e potentes, vôos a qualquer tempo de helicóptero e jatinho fretados... Não há dúvida nenhuma, o gastosão é dá turminha do Daniel Mendes, digo, Gilmar Dantas, opa, misturei tudo..., aquele brilhante senhor que ganhou dinheiro mole, as custas do pobre e idiota zé povinho. O Maneco só está cometendo um pecado, as pretinhas não são de casar, são para outras finalidades, no máximo para povoar uma garçoniere no Leblon para um alívio vespertino. Tem sido assim durante muitos anos, precisamente desde os tempos em que as negrinhas vinham das senzalas para servirem os seus senhores à mesa e acabavam servindo-os por obrigatoriedade, também na cama. Por que será que ele está querendo mudar as regras agora? O resto das intenções, somente assistindo aos próximos capítulos, mas vou logo dando algumas pistas – Preto parado é suspeito, correndo é ladrão e dirigindo no estacionamento daquela rede de hipermercado gigante..., é melhor falar logo que é o motorista e que a madame já está vindo, senão a borracha come no lombo. Todos sabemos que a menor distância entre dois pontos é uma reta, porém se esta reta for percorrida de carroça, demora-se um pouco mais a chegar. Partimos então de Dubai a bordo do jatinho fretado pelo nosso milionário gastosão multirracial e veremos onde nos levará mais esta tendenciosa saga. O povo em geral está vindo de carroça, certamente demorarão alguns anos mais para entenderem as verdadeiras intenções. Quem sabe quando assistirem novamente no vale a pena ver de novo!!!
Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 15h32
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