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BRASIL, Sudeste, VOTUPORANGA, VILA MARIN, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Esportes, Informática e Internet
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MOSCA NA SOPA

                                                

 

 

         

          Custou chegar, mas cá estou eu de volta, depois de um longo tur pelo Norte e Nordeste.

          As coisas estão se deslocando muito mais rápido do que deveriam. No dia em que eu saí de casa, no dia 30/05, o senado era uma instituição parcialmente séria, envolta por mil suspeitas, um tapete da vovó, mas devidamente blindado pelo foro de honestidade presumida, o Sarney era só um poeta de sorte que fez fama e fortuna com a vida pública, no Maranhão e no mundo, o Michael Jackson era só um pedófilo confesso que teve que barganhar toda a sua fortuna em troca da impunidade para os seus crimes (ainda dizem que a justiça americana é cega) e Votuporanga era só uma cidadezinha de menos de cem mil habitantes que, vive o drama de não ser grande e nem pequena, onde as pessoas se conhecem e se reconhecem pela mesmice das suas cotidianas realidades, quase sempre.

          Pois bem, não é que na minha volta pra casa encontrei todo este cenário de pernas pro ar. O Senado se apresenta mais sujo do que pau de galinheiro, com o Pedro Simon implorando para que o Sarney se retire da presidência do Senado e se afunde num pântano, pelo menos até o esquecimento público das suas facetas. O Michael Jackson, aquele “coisinha” que não é branco nem negro, nem homem e nem mulher, que dava pinta dando aqueles passinhos deslizantes e teve que abrir mão da fortuna pra não ir em cana..., morreu. E finalmente Votuporanga, aquela cidadezinha que perdeu a identidade e, não mais se reconhece e aos seus novos problemas, agora, decidiram os que mandam - os de fato e os por se autoproclamarem -, que precisam coibir os abusos praticados há décadas na Av. João Gonçalves Leite. Até aí tudo bem, agora sair por aí enquadrando as pessoas que estão livremente pelo local, sem nenhuma suspeita individual formalizada de nada e levar todo mundo na presença de um delegado no plantão policial, aí vocês estão completamente desatualizados dos meios e táticas de contenção e, da repressão preventiva da criminalidade, além de estarem mal utilizando o aparato público de segurança e todo o efetivo civil e militar.

          Os senhores deveriam saber que um flagrante bem sucedido é aquele precedido por uma investigação minuciosa e uma indicação segura que leve ao apontamento certeiro dos suspeitos e dos seus atos ilícitos, não desperdiçando os recursos públicos em vão, nem causando a perplexidade e o descrédito dos cidadãos para com as instituições que zelam pela sua segurança. Entrar abafando em local público e conduzir dezenas de jovens que por ali estão exercendo livremente o seu direito de cidadania, até um plantão policial e até a presença de um delegado, sem uma suspeita devidamente fundamentada, é um disparate e uma insensatez, demonstrando claramente o desconhecimento e o despreparo dos senhores responsáveis pela nossa segurança pública.

          Tem duas coisas que certamente eu posso me orgulhar nesta vida, uma é a certeza de nunca e em tempo nenhum, ter pagado o mico de ter ido para uma pista de dança imitar a performance do Michael Jackson e a outra, é o fato de jamais ter consumido drogas ilícitas, apesar de ter passado a minha juventude na companhia daqueles que faziam uso delas. Como filho da terra e criado livremente por estas nossas ruas, fui acompanhante constante daqueles que faziam uso daquele inofensivo fuminho malcheiroso, estive por diversas vezes na porta das chamadas bocas de fumo em companhia dos amigos “viajantes”. Naqueles tempos tinha umas duas ou três bocas ali na São João, outras no Matarazzo e algumas ali na Vila América, no mais eram um ou outro varejista distribuído e distribuindo pelos outros cantos da cidade. Eu ficava sempre me perguntando – Se eu que era um Zé Ruela e nem usuário era, sabia o endereço dos boqueiros, então porque a polícia nunca conseguia chegar até eles? Esta minha indagação interna só me foi elucidada anos mais tarde, quando um amigo passou no concurso para a Civil e descobriu o mistério do “eu finjo que não estou vendo e você finge que não está passando”. O Raul tinha razão na equação da mosca, “você mata uma e vem outra em seu lugar”, então é melhor você continuar supervisionando à distância, a atuação da mosca conhecida. O problema é que esta supervisão à distância, causa uma impunidade a olhos vistos.

          Os anos se passaram e as lembranças saudosas dos meus dezoito ou vinte, se confundem com a realidade controversa dos meus quarenta. No meio desta estrada, muitas coisas mudaram, o tráfico se atualizou, também a logística se expandiu e com ela, os negócios se proliferaram. O traficante varejista não precisa mais se expor, nem ele e nem o otário, digo o usuário, contam com os serviços delivery, ou free service, onde a droga pretendida é levada no endereço contratado, por um motoboy safo. Naqueles tempos só existiam as “mulas”, sujeitos pobres que para viverem nas festas e na companhia dos filhinhos de papai, se sujeitavam a ir até as bocas para buscarem o produto pros riquinhos e assumirem a bronca pra que eles não caíssem no descrédito familiar e nem enfartassem o papai. Eu poderia citar o nome de todas as mulas e de todos os riquinhos da napa mole também, porém isso não vem ao caso.

          A polícia, pelo visto, ainda continua com a velha tática do “mão pra parede e esvazia os bolsos”, toma a muca mocosada no All Star sem meia (toda suada e cheia de chulé) do otário usuário, junta meia dúzia de mucas e chama a imprensa pra tirar fotografia ao lado do símbolo do departamento de combate a entorpecentes. Na manchete nota-se o termo “grande apreensão” em letras garrafais. Não conseguem sequer reprimir o varejista e uma pergunta se faz necessária – Cadê o atacadista, aquele que abastece as bancas do varejo? “... E não protejo general de dez estrelas / Que fica atrás da mesa com o cú na mão...”. O varejista todos nós conhecemos, ele é seu vizinho, passa na minha rua, estuda com os nossos filhos, tem nome completo e identidade conhecida – Porque então não os prendem e os obrigam a dar o serviço? “... você mata uma / E vem outra em seu lugar...”.

          O que não dá pra entender é o porquê destes sinistros ataques de combate ostensivo repentino, já que nas edições do Carnavotu, ninguém estava nem aí para as coisas que estavam ocorrendo livremente e pelos péssimos atos que se entranham por estas vias, bem no seio na nossa comunidade. Ninguém ordenou bloqueios para coibir o tráfico e nem o uso indiscriminado de drogas, ninguém fez operações surpresas para coibir outras práticas absurdas que ocorrem nas edições destas orgias legalizadas e aqui neste espaço, devidamente denunciadas.

          Senhores (ir) responsáveis pela segurança pública das Brisas, os senhores se fazem incompetentes por natureza, estão se submetendo covardemente aos desígnios dos interesses políticos, pois muitos dos senhores se fizeram jovens e adolescentes, assim como eu, por estas mesmas ruas e conhecem muito bem toda esta nossa realidade. Não querendo dar uma de Pedro Simon, mas discretamente e sem barulho, peçam pra cagar e saiam! Se repressão a usuários e amedrontamento de possíveis, desse resultado, muitos dos senhores delegados e oficiais PMs que passaram pelo comando das nossas instituições, não teriam chegado ao cúmulo de terem os próprios filhos aliciados por traficantes. Vocês não querem que eu cite nomes, querem? Agora só falta os senhores assumirem que foram performáticos do Michael Jackson nas brincadeirinhas dos anos 80 e nas gincanas escolares!

          Quando os senhores deixam de fazer bem as vossas atribuições, não é somente a sociedade que está pagando o preço pela incompetência, afinal vocês também possuem família, filhos, etc... e é muito duro descobrir que também na vida familiar de cidadão comum, se está assinando atestado de incapacidade.

          E não adianta

          Vir me detetizar

          Pois nem o DDT

          Pode assim me exterminar

          Porque você mata uma

          E vem outra em meu lugar...

          Eu presumo ser a mosca do bem, espero que os senhores tentem exterminar a do mal, afinal a retórica poderá ser a mesma. Temos com o que nos indignar, só não se indigna quem não quer. São os resquícios da velha síndrome de cagalhão!!!

 

 

PS; Desculpem os termos, porém um dia desses eu recebi um e-mail de uma professora universitária gaúcha, lá de Porto Alegre e entre as parabenizações pelas escrevinhadas do blog, tascou uma crítica. Disse-me ela, que tenho que deixar transparecer mais o lado podre que me habita, deixando mais à mostra a pureza da minha alma e liberando o meu veneno rodrigueano.  Em resumo, disse que eu tenho que ter a alma mais pura do que a da Madre Teresa e a boca mais suja do que a do Nelson Rodrigues. Será...?



Escrito por roberto.lamparina às 19h56
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