A TERRA AINDA CONTINUA EM TRANSE
Falar de saúde pública é algo que engloba uma complexidade muito grande. É um esforço máximo que deveria partir dos três níveis de governo, cada um complementando e melhorando a atribuição deficitária do outro, tendo como compromisso único o bom atendimento ao usuário do sistema de saúde pública. Quando eu me referi no post TERRA EM TRANSE a uma situação local, onde o usuário do sistema público de saúde se encontrava no leito da Santa Casa, com o fêmur com diagnóstico aparente de fratura e, precisando urgentemente ser submetido a uma tomografia para um diagnóstico definitivo e a seqüência clínica apropriada, estava tão somente me referindo ao fato de que para este paciente e seus familiares, não importa de onde sairão os recursos para cobrir as despesas com este exame, haja visto que é necessário, urgente e um direito de todo o cidadão. Não deveria ser uma ação que demande envolvimento político, mas sim humanidade. Eu bem sei que para as pessoas que convivem com a rotina hospitalar, esta humanidade sofre um endurecimento, até certo ponto, deveras necessário. Porém pra mim, por uma visão estritamente social, é impossível pensar que não exista uma determinação municipal e um orçamento extraordinário automático, imediatamente disponibilizado, no sentido de se fazer o que for possível para complementar e reparar esta falha no sistema, cobrindo estas pequenas despesas imediatamente, sem esta cobrança política e este marketing administrativo indigno submetido aos pacientes e aos seus familiares, que naquele momento se encontram totalmente fragilizados pela fatalidade dos acontecimentos. Quer dizer então, que se alguém lá da prefeitura não assinar a fatura, o sujeito permanecerá em situação indefinida até que a família providencie os recursos necessários para o pagamento do exame? Um leitor que se intitula Bastião, enviou um comentário no Blog e provavelmente interpretou-me mal. Todos nós sabemos que saúde pública é implicação dos três níveis de poder e com recursos advindos destas fontes, porém, dos “nossos” governantes, o único que freqüenta a nossa realidade cotidiana, é o prefeito, ficando assim responsável direto e possível pelas atitudes emergenciais. Senhor Bastião..., longe das ideologias e do partidarismo que nunca povoaram as minhas verdadeiras intenções – Pra pagar rega-bofe no Lanchopão, no Filó e em outros points da city, hospedar fulano e cicrano no Maduga Palace Hotel, é só assinar a notinha e ir receber na prefeitura. Ninguém fica sabendo pra quantos e nem para que finalidade se destinam a “banquetada orquestrada”, porém pra pagar uma tomografia pra um cidadão legítimo, usuário (vítima) do sistema de saúde pública, é preciso mobilizar todo o aparato municipal e se ajoelhar diante de políticos imorais que se imaginam a última bolacha recheada do pacote! Senhor Bastião..., seguindo ainda com o raciocínio lógico, o prefeito é detentor por quatro anos da chave do cofre, porém o cofre é nosso e na minha visão, ainda estritamente social, os nossos recursos, preferencialmente deveriam ser usados em questões mais urgentes e nobres, inclusive esta de aliviar a dor da nossa gente, depois e se sobrar algum..., até poderiam fazer um rega-bofe nos points da city e agraciadamente bancado pelos nossos recursos públicos, com a total certeza e a consciência flutuante do dever cumprido. Finalmente finalizando..., seu Bastião, o Senhor acha que agindo desta forma leviana, o dever está sendo cumprido a contento? A pergunta se estende aos demais “bastiãos” da vida!
Escrito por roberto.lamparina às 16h43
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