VIAJANDO . COM
Aos meus amigos e prosélitos, estou de saída para um pulinho lá em Sapezal - MT. Espero que não permitam baixar a pressão e o calor da fogueira na minha ausência. Estou tentando me informar sobre as mudanças e transformações pretendidas pela prefeitura no centro comercial. Prefeitão de coragem este, muitos já tentaram exterminar esta capitania hereditária dos privilegiados em ter o cliente parando na sua porta comercial e não tendo que andar, muito possivelmente comparando preços. Para que um interesse seja sobreposto, imagina-se que outros maiores se vislumbrem num horizonte próximo. Como no enigma da Esfinge, “decifra-me ou te devoro”.
Escrito por roberto.lamparina às 17h25
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TERRA EM TRANSE
Como admirador da obra do Glauber, não poderia deixar de nomear este texto com uma referência nominal homônima, fazendo-lhe esta pequena homenagem, mesmo porque, a relação com os tempos atuais é total, estando o longínquo 1969 separado por quarenta anos de profundas mudanças até o atual 2009 e ao mesmo tempo, ainda tão igual, muito distante de uma realidade aceitável. Uma república fictícia, salvadores da pátria de araque e uma absoluta maioria de manobrados por estas velhas técnicas de domínio. É uma velha retórica, um folhetim cênico bem desgastado, porém sempre e devidamente atualizado com os novos recursos dos novos criadores e mercadores de ilusões. Entre as flechas lançadas pelos brigões do STF, é fácil perceber os porquês de esta república ainda continuar uma fraude, devidamente montada para dar credibilidade jurídica e legalidade no grande jogo do poder público - repleto de ilegalidades - a maioria delas, vindo causar o êxodo dos tostões do cidadão e migrando para os cofres infindáveis da péssima gestão pública. Tudo devidamente virando passagens aéreas, mordomias e muito balacobaco nos cabarés da velha providência que, de tudo providencia, menos caráter ilibado e gente com vergonha na cara. No final, é aquela velha estória dos dois diabos, o bonzinho e o malzinho, vez por outra, eles invertem os papéis e um é obrigado a ocultar o rabo, porém a fantasia é a mesma, sendo o rabo, o diferencial único. Com o rabo oculto, fica difícil o reconhecimento imediato, tendo que se fazer uma análise mais profunda das suas ações e atuações. Neste quesito, o presidente Gilmar Dantas, digo, Mendes, leva ligeira desvantagem, pois agiu como advogado de defesa do “brilhante” - segundo algumas personalidades nacionais importantes -, Daniel Dantas, deixando o rabo bem a mostra. O fato é que notoriamente o diamantesco Daniel Dantas, por méritos, deveria estar ocupando uma sela no sistema prisional federal, pois se destaca entre a bandidagem do colarinho branco a pelo menos quinze anos. É bandido perigoso, muito mais perigoso do que a maioria dos que lá estão. O pior dos bandidos é aquele que usurpa do dinheiro público, pois com esta ação, condena de uma só vez, milhares de pessoas a se privarem dos recursos que poderiam estar sendo aplicados na diminuição da dor e do sofrimento das pessoas. E como temos bandidos neste seguimento e, quando um é identificado, não é da atribuição do presidente do STF se dedicar exclusivamente e exaustivamente a livrá-lo do cárcere. O apoio da população ao Ministro Joaquim Barbosa não é apenas por ser o único negro a ocupar o cargo no STF, ter um histórico pessoal admirável, ou mesmo por ter sido indicado pelo popular presidente Lula, mas por ter se colocado com o seu grande conhecimento jurídico, contrário a algumas imposições jurídicas manobradas pela sustentação ideológica do presidente da Casa. Lamentavelmente o Dr. Gilmar Mendes não dará as caras na rua pra saber o que pensa dele a população esclarecida, porém deve ter uma vaga idéia pelo tanto de e-mails que congestionou a sua caixa de mensagens. Eu mesmo gostaria muito de lhe recomendar que enfiasse a sua toga, os seus artifícios jurídicos, o seu cinismo de representante oculto (nem tanto) dos interesses dos abastados e a sua poderosa língua de chefe supremo de um dos três poderes gerenciadores da República, no mesmo lugar onde se encontram as bases da sua sustentação ideológica. Já o Dr. Joaquim Barbosa, que acumulava alguns bônus por ter agido imparcialmente no desenrolar do “mensalão”, agora estourou a banca e está em evidência positiva. Este é o objetivo dos que jogam o jogo do poder, estar sempre em evidência positiva. Não dá pra falar em usurpação, corrupção e malversação de dinheiro público, sem nos lembrarmos da nossa realidade, do nosso cotidiano de cidadão dependente das políticas públicas e muitas vezes, fragilizado por esta dependência, que certamente chega as raias de ser criminosa. É uma vergonha, é um misto de ódio e desesperança, uma sensação de impotência diante do absolutamente possível. Eu estou agora me referindo ao descaso que estão fazendo com a nossa saúde pública. Saúde pública virou também uma mercadoria no balcão de negócios da política e só tem acesso irrestrito aos seus direitos, aqueles que se articulam, ou se alinham com o poder vigente. Na semana retrasada um amigo sofreu um acidente de motocicleta e teve fraturado o fêmur na altura do quadril. Dando entrada na Santa Casa para os primeiros procedimentos médicos e diante da suposta indicação de fratura, foi informado de que o SUS não cobriria os gastos com a tomografia que teria que ser feito para a confirmação do diagnóstico e teria que pagar o exame com seus próprios recursos. Pela intervenção de um médico do corpo clínico que, diz ter conseguido a liberação do exame junto à prefeitura municipal, o exame lhe foi disponibilizado gratuitamente. Se não fosse por esta manobra então – Estaria entregue o paciente no leito hospitalar da SC até hoje, sem ter comprovado o diagnóstico? Depois da comprovação do diagnóstico, teve que aguardar oito dias a espera de leito no HB de Rio Preto para que sofresse a intervenção cirúrgica reparadora, haja visto que aqui, a cirurgia não poderia ser feita pela falta da prótese necessária para a intervenção. É profundamente lamentável que uma família fragilizada pelo infortúnio do seu ente, tenha que, no calor dos acontecimentos, recorrer de artifícios e das articulações políticas para ter disponibilizado aquilo que é de seu inteiro e total direito assegurado por lei, sendo um dever daqueles que são os responsáveis pela saúde pública. É mais lamentável ainda que a conta política deste gesto seja cobrada do paciente e dos seus familiares, que não querem nem saber quem iria assinar a fatura do exame. Naquele momento só queriam dar andamento no procedimento clínico necessário o mais rápido possível para aliviar a dor do seu. É desumano fazer política com a saúde pública, é atitude de gente covarde, de gente que, por não precisar da saúde pública - pois podem pagar convênios de luxo -, abusam da própria tolerância humana. Ao médico que providenciou a assinatura da fatura pelo senhor prefeito, o meu muito obrigado - em nome da família - pela articulação, porém ajudaria muito se o senhor tornasse isso público e levasse ao conhecimento das autoridades para que na próxima vez que acontecer uma coisa dessas, o senhor apenas tenha que executar a tarefa da qual é devidamente preparado e com os recursos necessários disponibilizados para o atendimento médico. Médico é médico, é o clínico, o profissional preparado para a sua atividade, não é embaixador da boa vontade. A política deve ser deixada lá no bar do Gorayeb, na Câmara Municipal e até no Paço, na Santa Casa é lugar de pacientes e profissionais da saúde, com todos os recursos disponíveis. Quem indisponibiliza estes recursos é um criminoso, seja lá o cargo que ocupe e em qualquer esfera. Como diria a devota irmã em fé de São Serapião Ana Maria Braga – Acorda meu senhor..., acorda minha senhora!!!
Escrito por roberto.lamparina às 16h32
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