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BRASIL, Sudeste, VOTUPORANGA, VILA MARIN, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Esportes, Informática e Internet
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BLOG DO ROBERTO LAMPARINA
 


CAPITOLINA

 

          Por obrigação curricular, eu fui obrigado a ler Dom Casmurro no Ginasial. Naquela época era impossível ler Machado de Assis sem se entediar.  É por isso que alguns alunos tomam certo pavor pela leitura. O fato de esta não ser adequada à determinada faixa etária e não transmitir conhecimentos nem experiências compatíveis, nem aguçar a curiosidade prendendo o leitor de alguma forma. Dentre os títulos que me foram obrigatórios e tremendamente entediante, eu destacaria A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo, Noite na Taverna/Macário de Álvares de Azevedo, As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Diniz, Vidas Secas de Graciliano Ramos, Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, entre outros títulos obrigatórios da época que, ainda mantenho todos empoeirados em uma velha estante a servir de aeroporto para as moscas. Quem se interessaria por ler tais obras hoje em dia? Só os loucos, nerd's ou similares, no que estão completamente certos os jovens de hoje. Com todas as informações disponíveis na internet e em tudo quanto é lado, perder tempo com este tipo de leitura, seria no mínimo um despautério. Alguns educadores e saudosistas daquele tipo de leitura e daquela época, talvez contestem, porém hoje, sem os caroços de milho e sem a palmatória, seria impossível obrigar alguém a conhecer tais leituras.

          Hoje em dia, seria muito fácil um professor indicar um livro da saga Harry Potter e o aluno já conhecer espontaneamente todos os volumes da série.

          Tenho que admitir que já na minha faixa etária, foi muito interessante assistir a curtíssima minissérie exibida pela Globo, baseada no romance Dom Casmurro, mas que levou o título de Capitu. Pude também entender determinadas passagens do livro que não ficaram muito claras desde a minha primeira leitura ainda na adolescência. Foi de fato esta condição de deixar alguma coisa no ar, a arma do autor para prender a leitura, sempre deixando em aberto situações que podem produzir interpretações diversas.

          Capitu traía ou não traía Bentinho? Eis a questão principal desenvolvida em parte do enredo. Na minissérie esta traição consegue ficar mais clara do que no livro. Outro detalhe importante é que as técnicas de metalinguagem utilizadas brilhantemente por Machado de Assis, foram mantidas na televisão em uma versão bem moderna de uma realidade muito distante da geração atual, que só conhece tais personagens da televisão e dos programas de época.

          Os costumes e hábitos da época deixam uma clara visão do que era a sociedade brasileira lá pelos idos de 1900 e de forma realista, sem ser muito contaminada com uma deformação fantasiosa.

          A visão moderna do tema, tão atual quanto ontem, porém hoje, absurdamente escancarado ao domínio público, dá a pitada de certeza de que evoluímos somente nos números e nas maneiras, porém os relacionamentos humanos e os seus desencontros continuam sendo uma inesgotável fonte de inspiração e da criação literária.

          A montagem televisiva está de parabéns por conseguir adaptar uma obra de época dentro de contextos e trilhas sonoras atuais, sem que esta perca a sua identificação no tempo. Certamente muitos não gostaram e, com certeza as críticas serão diversas.

          Contrariando o renomado colunista Ancelmo Góis que, afirmou não entender a minissérie, mas deve elogiar para não parecer pouco inteligente, ela se transpôs para a televisão nos mesmos moldes do livro, no meu entender com um pouco mais de claridade nas ações principais dos personagens que, no livro eram mais ocultas. Então, se não entendeu, é porque não leu.

          Aos que se questionam sobre se houve ou não a traição de Capitu, estou pelo lado do imperador César que, depois de matar a mulher por suspeitas de adultério disse: "minha mulher não basta ser inocente, ela tem que parecer inocente".

         

         

         

         

 

 

 

 

                                              



Escrito por roberto.lamparina às 18h18
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OS GRANDES FILHOS DA PU...LÍTICA

 

          Governar alguma coisa não é fácil, quando você contenta um grupo, descontenta dezenas de outros. Infelizmente esta máxima é verídica e absoluta.

          Na tentativa de incentivar a venda de automóveis que praticamente parou depois do agravamento da crise econômica do Tio Sam, o governo brasileiro lança um pacote para incentivar a venda dos automóveis que estão encalhados nas montadoras e nos pátios das concessionárias, onde um dos principais atrativos para o retorno do consumidor em adquirir o produto do sonho capitalista do automóvel próprio, foi à redução do IPI que, deixou, ou deixará substancialmente os preços mais acessíveis para o consumidor. Presumi-se é claro, pois num país como o Brasil, onde os tubarões mesmo estando com o apetite saciado, engolem os míseros peixinhos apenas para acumularem superávit de gordura, com as desculpas mais esfarrapadas possíveis, custo a acreditar que os índices de redução serão repassados para o consumidor com a devida honestidade comercial que deveria condicionar a indústria, o comércio e o consumidor final.

          Parece estar tudo certo, reduz-se o imposto, alguma coisa terá que abaixar no preço final. O consumidor iludido com esta manobra rápida do Mister M, então volta a consumir os automóveis que estão encalhados para que os novos possam ser construídos e, se manter assim a pirâmide do capitalismo em desenvolvimento.

          Parece que alguns prefeitos não entenderam a equação e, certamente não entenderam porque fugiram da escola, não tendo aprendido a tabuada do zero. Não sabem que qualquer expressão numérica multiplicada por zero, resultará em um grande zero. Os senhores prefeitos estão esbravejando, pois entenderam que a medida acarretará uma diminuição nas receitas das suas cidades, pois o IPI é um dos impostos federais que compõem o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). No entanto, não estão fazendo o cálculo correto, pois continuando como estava, com a paradeira no mercado e com a redução brusca nas vendas, aqueles índices robustos que rendiam também gordas quantias para os caixas das prefeituras, também sofreram um processo de grande inanição nos últimos meses. Ou seja, adequando o imposto para índices mais justos, mesmo que temporariamente, o mercado tende ao aquecimento e, a perda parcial no índice se refletirá no aumento de arrecadação com o aumento da comercialização dos veículos que deverão retornar a normalidade.

          É difícil explicar isto para prefeitos que só conseguem assimilar e dominar bem aquelas intermináveis reuniões em Campos do Jordão ou qualquer outro paraíso desses deste nosso maravilhoso território, onde eles, ao acaso, resolvem se reunir para tomar medidas conjuntas nas suas diversas realidades municipais, regados a deliciosos banquetes em hotéis cinco estrelas, muito vinho do Porto, chocolate quente e o calor acalentador da primeira-dama municipal, ou não, pois Campos do Jordão é uma cidade serrana de baixas temperaturas e não dá pra dormir sem cobertor de orelhas. Isso quando não se organizam naquelas comitivas mistas com o legislativo municipal para conhecer a realidade de outros países e trocar experiências, tudo devidamente com relatórios de despesas comprobatórias dos dois poderes, porém providos da mesma arca, o nosso erário público.  Pelo menos é o que dizem os nossos respeitáveis representantes públicos municipais, que estão em viagem de trabalho, buscando aperfeiçoamento, trocando experiências, etc. - Você  acredita nisso? Quando em campanha, sabem de tudo e possuem todas as respostas, depois de eleitos, precisam trocar experiências, ou inexperiências, seria o termo mais correto.

          Um dos prefeitos queixosos, o nosso vizinho Valdomiro Lopes (o que na campanha fazia de tudo), agora já tem desculpas para não cumprir plenamente as suas promessas - Abaixaram os repasses advindos do IPI. É tudo o que eles queriam!

          Eu gostaria de sugerir a estas autoridades que se reúnem com grande freqüência que, para que possam ter um choque de diversidade, agendem estas reuniões exaustivas e cansativas em lugares que realmente lhes possam fornecer algum conhecimento e lhes rendam alguma experiência. Deveriam se congregar em Lagoa da Confusão-TO, município que produz boa parte das melancias que são deliciosamente consumidas por todos os lados no Brasil e, possam ter noção do que é administrar uma cidade onde à economia gira em torno de uma cultura tão trabalhosa e tão refém de todos os percalços naturais ou advindos de um mercado tão instável, onde um frio inesperado nas regiões consumidoras pode ser a diferença entre perder milhões em uma lavoura que não espera. Ou colhe-se o produto e vende-se bem ou mal, ou apodrece no pé e só se contabilizam os prejuízos.

          Poderiam se encontrar também lá em Goianésia-PA, região de conflito entre os madeireiros que querem continuar a devastar a floresta amazônica e os funcionários do IBAMA, que não estão nem aí se eles vão derrubar, serrar, enleirar e atear fogo, contanto que paguem as devidas propinas combinadas como sempre fizeram. Não produzem nada, a não ser tristes notícias e destruição, onde os agentes do progresso insistem em devastar a natureza e acumular terras e riquezas indiscriminadamente.

          Reconheço que se eu fosse um prefeito, também gostaria de estar em Campos do Jordão, aquela bela cidade de arquitetura européia, povo acolhedor e clima alpino. Eu já estive lá por diversas vezes, a trabalho de verdade, como motorista de ônibus de turismo. No entanto, se eu fosse um verdadeiro administrador público, eu queria mesmo era conhecer as outras realidades do meu país, para copiar as boas idéias administrativas como a da prefeitura de Teresina-PI que, decretou a proibição da lavação domiciliar de automóveis com água tratada. Determinou um local único na Av. Maranhão, que margeia o rio Parnaíba (que corta parte da cidade), como exclusivo para este segmento e lá estabeleceram-se todos do ramo em situação de igualdade. A água para a lavação é captada no rio e depois escoada pelo sistema de esgoto municipal. Os trabalhadores procuram fazer o serviço bem feito com o menor consumo de água possível e com preço justo, demonstrando acima de tudo, a sua consciência ecológica. Esta é a melhor forma de poupar o meio ambiente da agressão, distribuir oportunidades de trabalho digno com bons rendimentos e, alimentar a paixão dos brasileiros por carros limpos e encerados. Além do que, a área virou ponto turístico sempre muito freqüentado. As margens de um grande e belo rio como o Parnaíba, você aprecia a paisagem, lava o seu automóvel e ainda toma uma "loirita" bem gelada, ou um dos deliciosos sucos de caju, açaí, cupuaçu ou outra dessas maravilhas regionais, nas dezenas de botecos que existem na região, aproveitando o footing das belas teresinenses e se refrescando do intenso calor daquela região.

          É..., mas infelizmente o campo de visão dos nossos valorosos administradores não converge neste sentido e daqui a pouco teremos que engolir também aquele aumento do número de vereadores nas câmaras municipais como tanto querem todos aqueles que se ocupam da política. Será mais uma lástima imposta contra a vontade da maioria do povo. É mais uma facada na buchada da população que não possui defensores reais, somente agressores covardes, árduos por também se credenciarem a receber seus dividendos da arca inesgotável da viúva, com toda a segurança que os mandatos públicos lhes conferem. O povo mais uma vez que sifu!

          



Escrito por roberto.lamparina às 14h03
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