FEITOR BENDITO
Os tempos são de crise econômica mundial e de tantos contra-sensos internos que, até nos faz pensar que estamos evoluindo apesar dos pesados pilares democráticos alicerçados em areia movediça.
O TSE confirmou a cassação dos mandatos do governador da Paraíba Cássio Cunha Lima e do seu vice José Lacerda Neto, acusados de distribuírem dinheiro público para eleitores na campanha de 2006. Como se esta dupla que, na época administrava a máquina pública e tentava a reeleição, fosse à única a usar estes métodos em campanhas. O governador cassado ainda pode recorrer ao STF, porém o recurso não tem efeito suspensivo, devendo o segundo colocado nas eleições de 2006 assumir o Palácio da Redenção, assim que a decisão for publicada no Diário de Justiça.
O presidente Lula assinou o decreto presidencial que permitirá a compra da Brasil Telecom pela Oi, fusão esta que possibilitará a criação de uma supertele, cujas intenções e as origens do dinheiro necessário na operação, são tão cinzentas quanto à presença do Oportunitty, do “satiagrarrado” Daniel Dantas no negócio.
Fora isso, ainda tem o lance da anistia preparada para os pps (políticos picaretas), através da MP da filantropia que, planejava absolver as entidades enroladas em irregularidades e as credenciariam novamente a novos repasses governamentais. Por sorte, não tiveram a cara-de-pau de seguir em frente com esta picaretagem nestes moldes. Certamente vão encobrir o conteúdo picaretesco, fazendo-o passar despercebido por debaixo de alguma outra dessas MPs qualquer.
Para se redimirem destas escorregadelas, o ministro da Fazenda Guido Mantega, propõe o perdão para os devedores que têm dívidas de no máximo cinco anos de até R$ 10 mil com a Receita Federal. Não é exatamente um perdão, é a visualização clara da inviabilidade jurídica de se fazer esta cobrança. Nestes termos então, o perdão contemplará mais de dois milhões de pequenos devedores. Esperamos que não seja uma porta aberta para que os grandes devedores, agora triturados pela crise econômica, também se postulem merecedores do perdão.
Os números reais da freada da economia só irão se refletir no próximo ano, porém muitos já perceberam nossa entrada em uma economia recessiva. O país está paralisado.
Não é um setor ou outro, tudo está parado. A agricultura está paralisada, muitos agricultores ainda não conseguiram os recursos para o plantio que deveria ter iniciado nas primeiras chuvas de outubro. Outros para continuar plantando, não pagaram as dívidas dos financiamentos das máquinas agrícolas e estão vendo as suas máquinas sendo levadas pelos credores que, não sabem o que fazer com elas, já que este tipo de equipamento usado, quando o setor está em crise, não se tem o que fazer com ele - Vender pra quem?
A indústria automobilística impulsionada pelo crédito fácil, retraiu com a dificuldade de crédito e, estão sobrando carros novos no pátio das montadoras. A de caminhões, sem perspectivas diferentes, deverão rasgar aquelas listas de espera de mais de seis meses que todas as montadoras mantinham na incapacidade anterior de entregarem os seus pedidos efetuados. Assim seguem equilibrando na corda bamba todos da cadeia produtiva destes setores.
Os novos investimentos esperados principalmente para o setor canavieiro, estão paralisados, sendo tocados somente os projetos que já estão em andamento, ainda assim, a passos de jaboti. Aquele grupo do mega-empresário da internet que está investindo uma fábula para produzir bioenergia no Brasil, diante da crise americana e da quebradeira dos seus investidores que, impulsionavam esta indústria do futuro, terão que rever os seus planos.
Grupos empresariais nacionais como Sadia, Perdigão, Bertin, Independência e outros menores que estavam impulsionando o setor da construção com obras de grande porte de instalações industriais pelo Brasil, se vêem diante de uma nova realidade bem no meio do caminho.
O brasileiro é acostumado com o arrocho econômico, já passou por tantos aperreios que o fez especialista em gerenciar crises. Foram tantas que até já nos foge da memória, porém agora que estávamos entrando para o seleto grupo dos capitalistas que trocam de carro cada três anos, andam de avião e ficam hospedados a trabalho em hotel cinco estrelas, vem esses americanos caloteiros para puxar o nosso tapete.
Eu bem desconfiei que essa orgia financeira não fosse durar muito. Há alguns meses atrás, antes da crise, eu estive nas obras de uma mineradora de ouro que está sendo implantada nos arredores de Pontes Lacerda-MT e fiquei bestificado com a movimentação financeira disponibilizada no canteiro de obras e, com todo o desperdício de recursos e de mão-de-obra verificado. A empresa que empreende a construção é contratada de um grupo Canadense que toca obras pelo mundo todo. Certamente deve ter estranhado os baixos preços da mão-de-obra brasileira e do aluguel barato de máquinas e equipamentos pesados. Efetuaram a descarga de estrutura da minha carreta com um guindaste daqueles de R$ 1.000 reais à hora, enquanto podiam ter feito com um munck destes pequenos de R$ 100 reais, haja visto que nenhuma das peças pesavam mais de 1 ton. Sem falar que um guindaste daqueles de grande porte, demora três vezes mais pra fazer o mesmo serviço, pois demora em desenrolar e abrir as lanças, enquanto o munck é ágil, prático e barato. Os chefes e engenheiros disso e daquilo, vivem se trombando (em caminhonetes daquelas japonesas de mais de R$ 100 mil, com ar condicionado...) no canteiro de obras, sucateando um equipamento caro daqueles, num terreno onde a força e a robustez, não o luxo, se fazem necessários. Sem falar em peões de quinhentos ou seiscentos contos que, andam a esmo pela obra, sem terem muito no que se ocupar.
Estas empresas de fora, acostumadas a pagar salários dez vezes maiores para funcionários nos países desenvolvidos, vêem no Brasil um paraíso, onde por quinhentos contos, conseguem comprar o trabalho de um peão que fica oito horas a disposição. Mesmo não se fazendo “feitor maldito”, exigindo pouco no serviço, ainda continuam feitores pelos baixíssimos salários pagos. Idem, máquinas e equipamentos alugados e arrendados.
A crise para os brasileiros, não muda muita coisa. Não soubemos aproveitar as oportunidades quando a tivemos. Poderíamos ter dado um salto social quando tivemos a oportunidade nas mãos. Hoje, com a escassez dos recursos, continuaremos escravos dos quebrados capitalistas mundiais, talvez agora com os nossos feitores andando de F-1000, ou D-20 véia, ao invés das luxuosas japonesas que com a crise, estão fora de moda.
Ps; Ainda é muito cedo, o mercado está muito instável, porém o barril de petróleo já está sendo cotado a quase metade do que estava há alguns meses atrás. Ninguém fala em abaixar os preços ao consumidor que, continua subsidiando o financiamento público da crise. É sempre assim, é do couro que sai a correia!
Escrito por roberto.lamparina às 16h05
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