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BLOG DO ROBERTO LAMPARINA
 


A MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA

Não..., não é a saga do Zé Mojica Marins, o Zé do Caixão, é só uma maldição da F1.

 

 

          O Galvão aprontou de novo. Desta vez foi pra cima do Massa.

          O cara pilotou com toda a estratégia, sangue frio e talento, fez a sua parte para se sagrar campeão mundial, porém esqueceu do olho ruim e da língua do Galvão. Quando ele cruzou a linha de chegada e ganhou a prova, estavam todos os elementos cósmicos naquele instante reunidos e decididos a lhe facilitar a conquista do campeonato, inclusive tendo mandado chuva pra atrapalhar o adversário imediato e tudo. No entanto isso foi modificado depois daquele grito antecipado do Galvão sagrando o Massa campeão mundial e, que foi subitamente substituído pela frustração imediata da diminuição da velocidade do carro do alemão Glock que não suportou a carga ocular do Galvão. Todas as forças do universo conspiravam para uma vitória completa do Felipe e, aquele ato “pimentesco” do Galvão, alterou todos os acontecimentos.

          Pobre Felipe, dizem que ele já está preocupado, quase em pânico com a possibilidade de também ser acometido da maldição Barrichello.

          Comenta-se nos bastidores da F1 que o mandão lá da Ferrari sugeriu em bom italiano – Não precisa abater o sujeito, basta cortar um pedaço da língua dele!

          O Galvão não toma jeito mesmo. Durante a transmissão da corrida ele nos privilegiou com a notícia do provável abandono de carreira do Rubinho. Na tentativa de vangloriar o pupilo que ele criou e ele mesmo destruiu - No caso do Galvão o título certo seria “a mão que balança o berço, é a mão que empurra ladeira abaixo”, então, tentando glorificar o modesto piloto, afirmou que o Rubinho teve uma grande carreira na F1. Entre os feitos fantásticos ele enumerou os dois vice-campeonatos mundiais. Agora que o povo já estava quase esquecendo do Rubinho, vem o Galvão e remove todo o monturo de novo. Desde quando vice-campeonatos glorificam alguém?

          Teria sido legal se ele tivesse atentado para outras características mais peculiares do piloto como; a de ter sido guarda-costas do Michael (como ele gostava de se referir ao alemão genial), para poder dirigir uma Ferrari; a de ter sido camarada com os outros corredores, sempre dirigindo suavemente pra não causar acidentes; ou a dura missão que ele teve na Ferrari de testar o sistema de direção hidráulica, contribuindo para a evolução do sistema, porque o tanto de vezes que ele quebrou esta direção hidráulica, só poderia estar em teste de pista. O Galvão poderia ainda, em nome dos milhares de usuários que desfrutam desta tecnologia de direções hidráulicas nos carros de passeio, agradecer o Rubinho por ter nos possibilitado este avanço tecnológico que, tornou possível com apenas um dos dedos que, você possa manobrar suavemente o seu carro sem nenhum esforço.

          Não..., ele tinha que lembrar dos dois vice-campeonatos pra jogar o nome do rapaz novamente na lama.

          O Rubinho até que tinha muita vontade, porém era muito peso depositado nos seus ombros, além é claro da maldição imposta pelo Galvão ao pobre.

          Se eu pudesse definir a trajetória do Rubinho na F1, ele teria um perfil mais ou menos parecido com o daquelas pessoas que compram um bilhete para brincar no tromba-tromba e depois passam o tempo todo tentando se desviar dos outros carrinhos. Ele pagou o preço para poder andar naquele carrão, porém diminuído com a visível preferência da equipe pelo alemão que acumulava e esbanjava resultados, passou o tempo todo tentando se esquivar desta condição de número dois.

          Poderia ter traçado um caminho brilhante em outras equipes, porém preferiu não arriscar, contentando-se em ser o vice, ou o primeiro perdedor.

          Domingo, teve o seu epitáfio profissional narrado brilhantemente com toda a emoção na voz eloqüente do Galvão Bueno, o que lhe deve custar mais uns dez anos de azar!

          Pra se livrar desta maldição, tem um jeito. Só resta ao Rubinho comprar a coleção completa de CD’s da Bíblia Sagrada, narrada na intimidante voz do Cid Moreira e, ouvi-la três vezes por dia durante 365 dias que, estará liberto. Aposentando-se, não vai fazer nada mesmo, terá tempo!

          Com o final da temporada da F1, eu também entrei em pânico. É que agora o Galvão poderá ficar aqui no Brasil e narrar os jogos principais da reta final do brasileirão. Espada de São Jorge, cruz credo três vezes, três batidas na madeira, vá de reto belzebu..., bem agora que o Tricolor tá embalado. No Morumbi não..., vá narrar jogo lá no chiqueiro dos porcos, ou Parque Antártica, como preferir!

         

         

         

 



Escrito por roberto.lamparina às 12h36
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BALANÇO DOS 40

          Com a agonia dos meus quarenta que, inevitavelmente chega de intruso e sem ser convidado neste mês, tenho que admitir que talvez esteja ficando velho. Os sintomas são visíveis. Primeiro foi uma barriga dura que foi ficando mole e se perdendo pra fora da calça, entre outras coisas que já foram duras e estão ficando cada vez mais moles. Depois o afinar das canelas, outro ponto que a nossa fraqueza diante dos anos, insiste em tornar notório e determinante que o tempo está vencendo a guerra. Não entrando nos deméritos do meu ofício escolhido por paixão que, alimenta a minha alma, porém devora a minha carcaça como em nenhum outro.

          Tudo que não se deve fazer, eu fiz. Fui escravo do tabaco por algum tempo, do trabalho e das necessidades que insistiam em atropelar a simplicidade do meu viver. Do tabaco me livrei. O trabalho, com o tempo aprendi a administrar, no entanto até adquirir este conhecimento trabalhei muito, no sol, na chuva, no frio da noite, no calor do dia.  Lembro-me do meu pai dizendo quando eu tinha vinte e poucos anos – um dia você ainda vai se arrepender de todas estas agressões a que você submete o seu corpo. Pois bem, o tempo começou a cobrar a conta.

          Quase vinte anos com o pé na estrada e, estou bem próximo de ser agraciado com o primeiro brinde do ofício, um belo óculos de grau. Depois com trinta, você ganha um par daquelas meias de compressão elástica pra ajudar na circulação do sangue nas pernas e pés e, por fim, para os sortudos que chegarem aos quarenta, uma linda cadeira de rodas personalizada. Que maravilha, não vejo à hora de chegar ao prêmio máximo!

          Também não foram só espinhos, teve os banhos nas águas puras e cristalinas do Rio Papagaio no MT, nas praias de águas sempre quentes do Nordeste, nas geladas de Santa Catarina e do R. G. do Sul, nas prainhas de areias brancas as margens do Araguaia no GO e TO. Os dias em que contemplei o nascer do sol pelas frestas do mato fechado numa picada aberta para se chegar até o limite do progresso, compartilhando o cantar e a revoada de muitos pássaros nativos das florestas nos estados da Região Amazônica.

          Assisti ao longo destes anos, o mato ser derrubado pelo homem e o progresso imposto por aqueles que não acreditam que o mundo sobreviverá a sua própria existência. Tem gente que não acredita que nós passaremos pelo mundo, ele se reestruturará e continuará depois da nossa partida. Assim tem sido por milhões de anos e continuará a sua rotina.

          Fui testemunha ocular de fatos que gostaria de esquecer, como no dia em que o Governador Mário Covas (que já foi muito tarde), ordenou a PM a usar a truculência e a força policial contra os motoristas grevistas na grande paralisação de 99, vitimando vários trabalhadores e pais de família. As voltas que o mundo dá se encarregaram de aplicar o castigo no algoz que, certamente hoje deve ser arrecadador em alguma praça de pedágio na estrada de terra toda esburacada que liga o “purgatório ao inferno”, sem direito a assento almofadado e água..., só natural, o que lá no inferno, deve ser bem quentinha!

          Presenciei muitos acidentes e mortes, estando envolvido uma única vez em um, no qual tive a oportunidade dada por DEUS de naquela trágica manhã chuvosa e cheia de serração, não ser a vítima fatal e nem o causador, porém ainda por noites, lembro-me das feições daquele senhor e daquela criança que perderam a vida vítima da imprudência por ele mesmo causada ao volante. Quem já esteve nesta situação, sabe o que um segundo representa na vida de uma pessoa e, determina o tempo em que você está ali cheio de vida. Passados alguns segundos, completamente morto, sem vida, só um corpo preso em ferragens retorcidas que, os curiosos mórbidos insistem em apreciar ali exposto ao domínio público, pra depois relatar os detalhes a outros. Perdi alguns companheiros tragicamente e dentre eles não poderia deixar de citar o saudoso “Careca”, cujo nome de batismo constava como Elídio de Paula Vitor que, como eu, carregava a paixão pelo transporte como herança genética. Em nossas veias não circula sangue, é puro óleo diesel e o dele se esvaiu em um acidente nas proximidades de Juscimeira-MT.

          Contrariando o Bial, não usei filtro solar e, hoje carrego as marcas estampadas no braço que fica do lado da janela, aquele típico vermelhão que caracteriza e diferencia o outro que fica no interior da cabine.

          Como pai, tentei me fazer presente, apesar da ausência e, acredito estar cumprindo com a minha obrigação, entregando pro mundo um menino educado, respeitador e de boa índole, criado com toda dignidade da qual fui herdeiro dos meus pais.

          Como cidadão, também tentei me fazer presente e tive a oportunidade de dar contas de tudo aquilo que vi nos últimos dez anos para a minha comunidade, como colaborador espontâneo no Diário. Aqueles que não tiveram a oportunidade de verem pelos seus próprios olhos, viram pela minha visão, na qual priorizei ser a mais verdadeira e transparente possível, desinteressada de qualquer outro foco, senão a verdade.

          Enfim, não fugi das lutas e, portanto estou apto para pleitear pelo menos mais vinte, só o tempo de conseguir ser merecedor do prêmio máximo. Não sei se a carcaça agüenta, porém a minha inquietude do desconhecido, continua ávida pelas descobertas como no início, mesmo depois de já ter percorrido quase todos os caminhos, ainda está faltando alguma coisa e algum lugar pra desvendar os mistérios.

          A sombra do cajueiro eu vi os nordestinos esperando calmamente o tempo passar, só zelando pelas dádivas que a terra lhes deixou por herança e, na espera da chuva para novos ciclos. Nos adversos terrenos do Sul do país, eu vi os brasileiros de descendência européia lutar dentro de um mínimo de terra, fazendo-a produzir com muito esforço familiar e dedicação. No Sudeste, a administração e as lutas do progresso a qualquer custo, sem planejamento e movido pela necessidade de acomodar todos os que aqui buscam esperança de dias melhores.

          Nos projetos pessoais, tenho me dedicado a escrever dois projetos literários que, por falta de tempo e de recursos, continuam apenas fragmentos escritos de próprio punho, esperando que as prioridades os vislumbrem com contornos de realidade. Estes projetos eu espero conseguir concretizar, assim como o do prêmio máximo do ofício.

          Se a vida não me der a oportunidade de terminar estes projetos, ou me fazer vítima de uma das suas armadilhas dispostas no caminho, eu estive por aqui, não fiquei em cima do muro, carreguei a bandeira e, dela fiz arma pra combater os possíveis inimigos que tentaram macular a sua brancura. Os contrários talvez me rotulem de quixoteano, porém não esperei pelas mudanças do mundo de uma hora para a outra, tentei...

          Nasci Antonio consagrado no batismo, porém aquele que me deu este nome, eu nunca o ouvi pronunciá-lo. Dos meus quatro nomes, ficou Berto do Roberto, depois do serviço militar, Martins e, de algum tempo pra cá, Lamparina por autodeterminação. O Lamparina tem uma estória, mais aí já são outros quarenta!

 

         

           



Escrito por roberto.lamparina às 16h22
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