ELEIÇÕES 2008 - DEPÓSITO DE RESERVA IMORAL
Definitivamente tivemos a certeza nestas eleições municipais de que a Justiça é cega. A Eleitoral então, deve ser cegueira genética, daquelas que passa de pai pra filho.
A maior covardia a que estamos submetidos nós os eleitores brasileiros, chama-se “reeleição”. Outras manobras cênicas também compõem a apresentação do ato. Como alguém pode pensar que um político que tem em suas mãos toda uma estrutura de poder, poderá abrir mão do seu uso em causa própria e não tentar se perpetuar e aos seus iguais no poder? Será que existe uma única criatura neste país que ainda acredita na veracidade daquelas prestações de contas de campanha? Só mesmo a Justiça Eleitoral pra acreditar numa papagaiada dessas!
Nós vivemos em uma pequena cidade, interiorana, porém com a tendente verticalização dos recursos públicos inundando as cidades, descentralização esta de recursos que se iniciou propriamente com grande força, após a redemocratização do país, a força política e o poder dos que governam se agigantou. Ninguém quer perder este poder sob hipótese nenhuma e nesta, usam de todos os meios possíveis e impossíveis, legais e ilegais para se perpetuarem no poder. Quem perde com tudo isso é a transparência nas ações públicas e o povo, pois o progresso que deveria estar sendo gerado e distribuído, ao invés das politicagens, dão lugar a uma campanha alucinógena que faz uso de vários métodos de ilusão e enganação.
Na campanha eleitoral, todos sabemos quanto cada candidato a vereador, daqueles da coligação forte e dos grandes “puxadores” de votos, tiveram milagrosamente depositado nas suas contas para fazerem politicagens e consolidarem o abuso do poder econômico. Todos nós sabemos que o cara não tem onde cair morto, mas conseguiu seis carros de som pra trabalhar pra ele na campanha. Todos nós sabemos quanto cada um dos líderes de partidos levou para fechar negócio e apoiar a coligação. E o que é pior, todos nós sabemos de onde saíram estes recursos que não caíram do céu. Então, porque só a Justiça Eleitoral não fica sabendo dessas coisas que todos nós já sabemos?
A facilidade com que tudo acontece diante dos olhos de todos, inclusive dos representantes da Justiça Eleitoral, nos remete a uma certeza, a Justiça Eleitoral também convalesce da mesma enfermidade da mãe. Está, ou já nasceu cega?
Quanto ao uso da máquina administrativa com fins eleitorais, aí já nem é uma questão discutível, é mesmo como diria Odorico Paraguaçu (personagem de Dias Gomes), “um malcaratismo praticante”. Os políticos que inventaram a reeleição pra uso próprio, deixaram está lacuna pra se beneficiarem mais adiante. É mais ou menos um exemplo de reserva imoral.
Aí o cara está lá, pilotando a máquina, o dinheiro saindo por todo e quanto é lado... O expoente aliado nas altas esferas do poder assinando debaixo dos seus delírios, pois quando chegar à vez dele delirar, também terá o apoio incondicional a sua loucura. Ganhar é inevitável!
E o que poderíamos fazer pra acabar com tudo isto? Como mecanismo prático e de resultados reais, primeiro acabar com a reeleição no Executivo. Depois no Legislativo, acabar com o coeficiente eleitoral. Com candidatos destituídos diretamente da máquina e, tendo seu desejo de perpetuação no poder abortado, em condições de igualdade para a apreciação do eleitor, sem o aglutinamento tendencioso das coligações na hora do cálculo do coeficiente eleitoral, resta que a Justiça Eleitoral se faça presente e seja dotada de rigor imediato pra punir os infratores tornando-os inelegíveis já neste pleito em disputa.
Livrar a Justiça Eleitoral da cegueira em que está mergulhada, é dever não só dos senhores que se ocupam da política por ofício, como do cidadão comum e de bem que, vê o seu voto consciente sendo arrastado num mar de inutilidade, enquanto os senhores politiqueiros fazem da ignorância da maioria, um paraíso para as suas manobras imorais de comércio de votos, de influência e do poder.
Será que a Justiça Eleitoral acha normal que um candidato a Deputado Federal, por exemplo, que tenha a sua base política em determinada região do estado, consiga se eleger com uma votação extraordinária onde ele nem sequer é conhecido?
Este é o comércio de votos moderno. Na maioria das vezes, o cabo eleitoral vende uma quantidade de votos ao candidato e recebe a compensação financeira, porém usa somente a sua influência e a sua liderança junto ao seu reduto eleitoral que, lhe entregam os votos em confiança e, não recebem sequer a sua parte da compensação financeira auferida nesta transação.
Não adianta tanta modernidade e agilidade no trabalho eleitoral no dia do processo cívico, se o processo todo está irremediavelmente contaminado e sob suspeita.
A eleição como está, é um grande circo, onde os artistas se revezam no picadeiro com direito a duas apresentações no papel principal e infinitas como coadjuvantes. Aí, somos obrigados a assistir pela TV local, uma entrevista da nossa futura primeira-dama ainda em êxtase com a vitória do marido que, acabara de ter a confirmação da vitória nas urnas. Nem assumiu o picadeiro para o primeiro espetáculo no papel principal e, ela já o está recomendando para um segundo. Depois ainda poderá voltar novamente como coadjuvante. É um épico interminável, digno das sagas de Hollywood!
Escrito por roberto.lamparina às 14h52
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SARCÓFAGO ELEITORAL VI
Depois de muito labutar por todos os corredores do Direito Público, parece que o prefeito descobriu um jeito de transferir a grana pretendida dos cofres da SAEV para a sua PM. Quem trombou no seu caminho, dançou. Alguns estão prometidos em “dança” na próxima gestão. Outros que ousaram não assinar debaixo do mando do chefe supremo municipal, tiveram suas cabeças separadas do resto do corpo por uma lâmina invisível chamada “poder”.
Descobriram que manda quem pode, obedecem incondicionalmente os que são capachos e, perdem as cabeças os retos e de boa conduta que não se sujeitam ao espúrio.
Ps; Um leitor curioso me questionou sobre o título da coluna. A resposta não poderia ser mais óbvia e simples – Sarcófago, no único sentido da palavra, é mesmo o lugar onde repousam as múmias. As interpretações múltiplas em sentido figurado ficam por conta da imaginação de cada um!
Escrito por roberto.lamparina às 13h50
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