A REVOLTA DAS GALINHAS
Como eu gostaria de ver a cara de alguns desses candidatos a vereador que estão gastando uma fortuna tentando uma “boquinha” pra encostarem-se à câmara municipal e, que lamentavelmente, a passagem é estreita, não cabe todo mundo. Os que já estão na roda da fortuna, desfrutam das vantagens, porém aqueles que elegeram a edilidade como necessidade básica das suas existências, estão gastando o impossível pra chegarem lá.
A nova legislação eleitoral proibiu o showmício, os bonés e as camisetas, porém ainda deixou escapar o financiamento “candidático” do churrasquinho de fundo de quintal. O termo acho que ainda não existe, mas ficou bastante clara a ação. Ainda bem que esta eleição está chegando ao fim, senão o meu fígado não iria agüentar tanta cerveja na faixa.
Eu tenho um amigo que fez aniversário três vazes só no mês de setembro e foram três festas inesquecíveis bancadas com os recursos intermináveis dos futuros edis. O pior de tudo é que ele me confessou – Não vou votar em nenhum dos três. Coisa de um verdadeiro punguista eleitoral.
Contrariando as campanhas do TSE na televisão que diz pro eleitor não vender o seu voto, por experiência própria eu diria exatamente o contrário – Venda o seu voto pelo maior preço possível, pois o bom mercador merece encontrar a mercadoria almejada. Não pense que eu estou ficando louco, ainda..., espere pela moral da estória. Use a moral daquela piadinha antiga que fala da diferença do turco e do libanês – Os dois vendem até a mãe, porém o turco não a entrega. Então, tire o maior proveito possível do seu voto, é a única hora que alguém lembra da sua existência, que eles lembram que você está desempregado e precisando urgentemente trabalhar, que você precisa esperar na fila do SUS para ter atendimento médico, que você tem filhos precisando de formação e preparo para ingressar no mercado de trabalho e ou de cursar o ensino superior, até lembram, imaginem só, que você também faz aniversário, só pra oferecerem um providencial patrocínio e participar da festinha lá debaixo da jabuticabeira, no fundo do seu quintal, lá do lado do galinheiro.
Quem diria que aquele sujeito que passa todo dia defronte da sua casa, imponente no seu carrão importado e nem sequer se dá ao trabalho de dizer um bom dia, iria freqüentar os bastidores do galinheiro da sua casa. Mas, muito cuidado, esconda as galinhas, senão você pode ter surpresas na recontagem delas.
Enfim, faça do seu título de crédito, digo título de eleitor, um cartão de crédito e recarregue-o para os próximos quatro anos de esquecimento. A transação comercial envolvendo o seu voto, é um negócio em confiança, não se estabelecem garantias e muito menos obrigações, sequer morais, pois que moral tem quem tenta comprar votos.
O meu..., ainda estou em negociações. Já tive diversas propostas, porém não senti ainda em nenhuma delas, a consistência da materialização dos meus anseios mais profundos. Então, que ninguém nos ouça, para que o candidato comprador não sofra punição do TRE, mas aquele que conseguir trazer a Flora da novela das oito pra passar uma semana na minha casa, já tem o meu voto.
É que eu fiz um seguro de vida pra minha muié de trezentos paus e, sou o único beneficiário. Ao invés de contratar um guacheba pra dar cabo da megera e, correr o risco de despertar a atenção policial, vou trazer a Flora. Ali mata sem dó nem piedade! Nunca fui bom negociante, porém com um pouco de sorte, posso negociar a visita da Flora com um candidato e quem sabe com outro, conseguir trazer o Silverinha pra ajudar no crime perfeito!
Escrito por roberto.lamparina às 19h09
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JESUS CHOROU
Poucas ou nenhumas são as surpresas. Votuporanga recusa-se a inverter a ordem das coisas por um processo de massificação total da ignorância de uma população que, dependente das ações públicas, estão sendo manipulados por grupos que possuem interesses pessoais dentro da administração municipal e de lá, estão retirando o combustível que está alimentando em fogo alto, queimando as nossas esperanças de termos uma cidade livre de interesses maiores escusos que se sobrepõem aos da população comum, excluída das decisões e manipuladas num manto sórdido de ignorância que encobre as ações sujas, com políticas demagogas de crescimento e de bem estar.
Quem sofrerá por mais quatro anos, seremos nós o povo, pois pra eles, os tubarões, não existe sofrimento, tudo está correndo dentro do planejado e do estabelecido. Os filhos deles têm bolsa pra estudar na faculdade deles ou se quiserem, têm os estudos custeados pelo papai numa cidade distante. As empresas deles são fornecedoras da administração municipal que eles inventaram. Quando precisam crescer, esta é providenciada pela estrutura municipal com o nosso erário público e, fazem festas, promovem eventos e outras ações ilusórias pra enganarem o pobre povo que depende da saúde pública que não funciona, que depende das empresas que eles não permitem instalar no município, pra não fazer frente ao mercantilismo próprio e caseiro dos interesses que eles implantaram.
Outro dia eu estava incauto, tranquilamente tomando uma cervejinha gelada que até os socialistas têm direito, com um amigo em um tradicional point da cidade. Enquanto sopravam as brisas suaves que nomeiam a “Vila”, a mesma fez ecoar o conteúdo da mesa ao lado. Uma mesa de jovens que pela aparência, não passava nenhum dos vinte, da geração pokemon. Um deles altivo, imponente e com tendências pra oratória, dizia – Só tem um candidato, eu vou votar no grupo micareteiro, que me deu emprego na prefeitura e paga a minha faculdade. O que podem me oferecer os outros? Na saída, pagaram a conta com o cartãozinho de crédito, provavelmente carregado pelo papai, cada um entrou em um automóvel, o dá oratória, numa caminhonete importada daquelas de mais de cem mil e, protegidos pelo escudo de aço milagrosamente disponibilizado pelos milagres do capitalismo moderno, se foram pra outras festas, pois a vida pra estes, é uma grande festa.
Eu, um socialista convicto, não por indução e sim pela busca própria do conhecimento, pois somente conhecendo os dois lados, você pode optar por um e, não se deixar influenciar por professores, formadores amadores de opiniões, ou mentores de botecos, fiquei ali a me questionar e a pensar – O pior de tudo é que eles estão certos. O que podem oferecer os outros dois candidatos, senão esperança? Quem já tem tudo, não precisa de esperança, já são possuidores de todas as certezas. O povo que depende da esperança, vive embrulhado nas promessas daqueles que só oferecem as certezas aos seus.
Há poucos dias atrás um articulista do Diário, usou uma coluna de domingo para expressar as suas opiniões pessoais e da vertente por ele escolhida para compor os seus ideais de vida e divulgar o seu conhecimento próprio das ideologias.
Usou o seu conhecimento e recorreu às teorias do pai do pensamento econômico e o mais importante teórico do liberalismo econômico, o avô do nosso capitalismo avassalador de hoje em dia. Começou com os feitos maravilhosos da atual administração municipal que tentam tornar perpétua com a opressão econômica implacável e criminosa, devaneou entre as maravilhas obtidas pela sua ideologia neste campo e terminou o sufrágio, com uma bela lembrança do perdão de Cristo à beira da morte. Bastante emocionante. Eu particularmente quase chorei me atirando ao chão de joelhos em gratidão as graças obtidas!
Se não fosse eu um estudante de toda a vida do assunto, estaria entre os arrebatados, porém conheço as teorias de Adam Smith, não estas que os capitalistas adaptaram as suas necessidades, mas aquelas que ele tão inocentemente difundia nos anos da sua existência. O filósofo e economista da terra do bom malte, provavelmente inebriado pela ação de umas três ou quatro garrafas do seu ótimo produto, criou realmente um padrão teórico até hoje seguido, porém já muito e devidamente adaptado aos dias de hoje. Quando Adam Smith se referia a liberdade e a isenção que o Estado deveria ter diante dos interesses egoístas daqueles que buscavam a grandeza econômica, ele pregava esta isenção sempre (na riqueza e na pobreza) e, não apenas quando lhes fosse conveniente, como praticam hoje os seus adeptos discípulos.
Dá forma como praticam as teorias liberais hoje, fica fácil. Você solta a coleira e libera os ideais egoístas do capitalista, aí ele põe em prática os seus instintos de crescimento. Se tudo der certo, parabéns, ele empreende e retorna com aquela mízera estrutura que alimenta o sistema social. Se der errado, é o Estado e o cidadão quem pagará a conta.
Talvez você não mais se lembre da crise do álcool por que passamos há algum tempo atrás, antes dessa explosão de interesses que o setor despertou depois dos altos preços do petróleo no mercado internacional, porém naquela época os empresários capitalistas do setor sucroalcoleiro colocaram uma faca no pescoço do Estado (que foi exatamente quem os empreendeu com os nossos recursos de forma absolutamente criminosa nos tempos do governo militar) e fizeram da dependência econômica causada pelo setor e pelos empregos que eles criaram, moeda de troca pra obrigar o Governo Federal a aumentar o índice de adição do álcool nos outros combustíveis para absorver e desovar os estoques do produto que estava encalhado nas usinas. Oras senhor articulista, quando tudo ia bem, ninguém repartia os lucros. Viravam jatinhos, fazendas, encontros amorosos com estrelas globais, viagens ao primeiro mundo para saborear uma autêntica massa napolitana, financiamento de parlamentares e expoentes políticos, porém quando a “casa caiu”, o Estado, aquele que deveria ser independente, segundo Adam Smith, foi quem teve que socorrer o capitalista de ocasião e repassar a conta para a população que comprou cinco por cento a mais de álcool adicionado nos combustíveis e pagou a conta da incompetência sem ter pra quem reclamar.
As teorias liberais do filósofo escocês, como as contrárias do alemão que me norteiam, são só teorias do passado e estão adaptadas aos interesses modernos. Não podemos nos apegar a elas. Provavelmente se fosse vivo hoje e visse a aplicação das suas teorias, de forma tão desumana como está, o senhor Smith certamente colocaria o pau-de-fogo que coincidentemente leva o seu nome à boca e, puxaria o gatilho.
Aos que se apegam nesta mentira e fazem dela uma retórica, só podemos nos lamentar por eles e suplicar ao Pai Grandioso, “Senhor..., perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem, muito menos o que dizem...”
Ps; Eu sou do povo, eu ouço a voz das ruas, eu li Maquiavel e a leitura incomum e proibida do Marquês de Sade enquanto tomava um gole de café preto com pão feito em casa, passado na manteiga que meu pai batia a mão, antes de ir pra escolhinha pobre da vila onde crescí. Eu passei anos tentando entender as teorias socialistas de Karl Marx, Engels, Trotski & Cia., bem como as contrárias. Eu gosto de ouvir o Chico, o Gil, o Caetano e ouço também a voz que ecoa do povo oprimido e sem cultura, sem esperança e ainda por cima, enganado por aqueles que deveriam zelar pelo seu bem estar. É por isso que também ouço Racionais e me coloco dentro da nossa realidade verdadeira de milhões de esquecidos pelo sistema. Experimente!
O que é, o que é?
Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada... Tem sabor de mar,...
Escrito por roberto.lamparina às 15h04
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