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Blog de roberto.lamparina
 


SABONETE FINO

  

 

          Eu estou tomando muito ódio do tal de Valdomiro Lopes. Esse cara apareceu na televisão com aquela musiquinha sonoricamente indecente para acabar com o meu sossego. E tem outra coisa, é desleal um cara massacrar a mente das pessoas com uma campanha absolutamente perfeita como aquela. Tem tudo que precisa pra enganar as pessoas desatentas. Trilha sonora perfeita, letras que se encaixam completamente no perfil que ele está querendo deixar a mostra, um homem bem postado, fala pausadamente diante das câmeras com aquela calma de monge budista e, naturalmente. Ele não se porta como os nossos candidatos daqui que deixam bem claro que estão lendo alguma coisa no mural ali na sua frente e, na busca por uma pronúncia correta, perdem aquela nossa naturalidade de caipira.

          É lógico que candidato tem que mostrar saber e conhecer tudo e, nesta de ser “o cara”, às vezes o Valdomiro derrapa nas curvas. Eu não voto em Rio Preto, mas se eu votasse lá, seria obrigado a votar nele, pelo meu lado artístico que de vez em quando aflora. O cara é perfeito, um artista completo combinando com o melhor marketing eleitoral da região. Na cara de pau, ele só perde pro Edinho Araújo, ali é “sabonete fino”.

          A parte de nossas vidas que estão entrando em conflito é no que diz respeito a algumas tarefas domésticas que eu não consigo encontrar tempo pra executar. Tem um soquete no quarto que entrou em curto e derreteu, um vazamento em uma das torneiras que precisa ser sanado, um chuveiro que está entupido e não sai água, os azulejos da cozinha que estão caindo, o terreno do lado que está tomado pelo mato, etc. Eu me vejo ilhado por todos esses problemas e não consigo resolver nenhum. Aí eu ligo a televisão e vejo aquele projeto de gordo barbudo e sacana, todo certinho, resolvendo tudo que é problema de todo mundo. Minha mulher chegou ao cúmulo de me dizer que preferia ser casada apenas por um dia com o Valdomiro Lopes do que viver amasiada com um imprestável como eu há tantos anos. Isso porque ela sabe que a palavra casamento pra mim é o mais feio dos palavrões.

          Mas nessa eu não vou levar a pior, vou lutar com as próprias armas do inimigo. Deixa ela vir com aquela conversa – E o soquete derretido, o vazamento da torneira, o chuveiro entupido, o azulejo caído, o terreno cheio de mato? Aí então, está na ponta da língua o que eu vou responder – Chama o Valdomiro, ele é quem faz!

          Os marketeiros do Valdomiro descobriram o segredo do sucesso. Músicas, versos e rimas, esta é a magia da campanha dele.

          Eu gostaria de gravar uma letra que eu fiz pro Valdomiro e obrigar ele a ficar ouvindo assim como ele faz comigo. Seria mais ou menos assim:

E o soquete derretido? – Valdomiro trocou.

E o vazamento na torneira? – Valdomiro concertou.

E o chuveiro entupido? – Valdomiro limpou.

E o azulejo caído? – Valdomiro assentou.

E o terreno cheio de mato? – Valdomiro carpiu.

          Ao final, eu terminaria em prosa, pois a palavra carpiu e o lugar pra onde eu pretendo enviar o nobre parlamentar, não costuma dar boa rima.

 

         

       



Escrito por roberto.lamparina às 00h15
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P. Q. PARIU PISA NO FREIO ZÉ!

 

 

          As pessoas normalmente desenvolvem um dispositivo de contenção próprio para os seus ímpetos, baseado nas suas próprias fraquezas e incapacidades. Esta teoria é facilmente verificada nas experiências do nosso cotidiano. Eu mesmo desenvolvi este mecanismo ao longo dos meus muitos anos vivendo nas estradas. No começo, eu me revoltava com aquela perseguição policial em cima dos caminhoneiros. Dava vontade de voar pra cima do corrupto e rasgar ele na unha, se não desse pra ser de outro jeito. Aí então eu pensava – Depois serei espancado pelos seus companheiros, que normalmente usam da superioridade numérica como fator de desigualdade. Destas técnicas covardes, até aí eu sobrevivo, o problema é a prisão, que também dá até pra puxar uma cana legal, mas o que eu não consigo me acostumar, é com o fato de ter que fazer o número dois com os companheiros de martírio olhando, já que latrina de prisão não tem porta. Isso eu já não tenho capacidade, provavelmente eu ficaria lá uns quinze dias empachado e, depois teria que ser levado para um hospital e fazer todo aquele processo desumano de desentupimento, o da mangueirinha colocada no..., é melhor esquecer! Então, quando me deparo com o elemento corrupto, dou a ele o que ele quer, ele me deseja boa viagem e eu o desejo bom trabalho, como se a partir daquele momento, eu pudesse ter mesmo uma boa viagem e, se aquilo que ele está fazendo, fosse um trabalho.

         Ainda seguindo esta teoria, outro dia meu celular tocou e era um amigo meu, desses que não perdem uma oportunidade de fazer uma piada e, quando ela surge, seja onde ele estiver, me liga pra dar o recado – Eu só te liguei pra falar que têm umas menininhas bem novinhas e jeitosas aqui no trevo de Cardoso e eu até pensei em dar uma carona pra elas, porém pensei melhor e lembrei do caso daquele comerciante antigo da cidade, aquele que teve suas iniciais do nome freqüentando as páginas policiais por estar acompanhado intimamente de uma menor... Agora, provavelmente desfrutando da notoriedade obtida, ele até é candidato a vereador. Até aí estava tudo normal, é uma ocorrência que pode acontecer com certa freqüência. A piada estava contida no dito popular que vinha em seguida – É... , porque homem quando perde a vergonha na cara, ou vira “”pulícia” ou vira “pulítico”! Quem será que estabelece estes parâmetros tão próximos da realidade!

          Um outro amigo, mais íntimo com o ambiente carcerário, me colocou a par das últimas regras que norteiam o ambiente deveras restrito. Disse-me ele, que quando o sujeito vai fazer o número dois, por precaução, é melhor enrolar um pedaço de papel higiênico em forma de nó, do jeito que a gente faz quando vai acender a churrasqueira e, atear fogo. O papel queima em cinzas feito um incenso e, esta medida simples pode dissipar todo o péssimo odor exalado naquele ato comum a todos e não despertar a ira do chefe da cela, mantendo a sua integridade física intacta e não te fazendo escravo daquelas tarefas desagradáveis como; lavar e passar as roupas do chefe, inclusive às cuecas; providenciar material de higiene pra todos na cela e a conservação diária da latrina, além de outros préstimos ainda mais degradantes da conduta humana.

          Apenas por precaução, não tente fazer isso em casa, pode ser perigoso, quando você estiver ao ar livre num momento de reflexão caipira, experimente, os resultados são altamente satisfatórios.

          Ainda bem que a nossa perfeita constituição humana desenvolve estes mecanismos de freio, senão..., olha em nossa frente o tamanho dos buracos que estão em nossos caminhos, só esperando pra nos engolir!

          Outro dito popular e que virou até recurso poético, exprime fielmente o significado prático deste nosso freio instintivo – Quem tem c´..., tem medo!

        

 

 

 

 

 

         

    

 

 

      



Escrito por roberto.lamparina às 00h12
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...ANOS DE QUATRO

   

          Trocadilho infeliz este do título, porém infelizmente verdadeiro. O publicitário que criou aqueles apelos publicitários sobre as eleições 2008 para o TSE é um verdadeiro gênio. Eu gostaria de saber de onde saiu tanta criatividade pseudoeleitoral. Aquele sujeito que sapateia quando fica nervoso, é algo hilário e tão surreal que até parece possível à existência de tal comportamento motivado por aquela situação sugestionada. O cara da abelha no ouvido, bem que poderiam ter dado aquele papel pro Dunga. O pobre ficou ouvindo tanta conversa pra formar a equipe olímpica..., ordem do Ricardo Teixeira pra escalar este e aquele, do patrocinador pra ressuscitar garoto propaganda em fase terminal..., depois aquele fracasso horroroso em campo. Ele deve ter mesmo uma abelha dentro do ouvido, o problema é que a abelha dele não vai durar quatro anos. Talvez até esteja com óbito decretado para depois dos dois próximos jogos  das eliminatórias.

          Mas, voltando ao criativo publicitário que criou aquelas pérolas, poderia ter descolado também um papelzinho pro Roberto Carlos, não o rei cantor, mas aquele ex-lateralzinho esquerdo da Seleção que ficava arrumando à meia, enquanto o adversário avançava pelas suas costas e marcava gol. Na narrativa, ele apareceria com aquele sotaque de espanhol de butiquim misturado com italiano de cabaré, que ele mascaradamente adquiriu nos muitos anos que desfrutou dos prazeres do Velho Mundo – Quatro anos..., eu tenho um problema que vai durar quatro anos. Toda vez que o adversário vai cobrar uma falta pra dentro da grande área, eu tenho que me abaixar pra arrumar a meia e, eles fazem gol. Quatro anos..., é o tempo que vai levar pra esquecerem de mim!

          Os apelos são realmente muito criativos, pena que para uma finalidade imutável. Não representa absolutamente nada no contexto do eleitor que se deixa levar no bico pela enxurrada de promessas falsas e pela fortuna não declarada e sabe-se lá de onde amealhada, que os candidatos estão gastando pra chegar ao sonho de serem dignos representantes do povo. Por que será que o candidato gasta sempre mais na campanha do que irá receber de salário no período do seu mandato? Deveria ser por aí que o TSE começaria a moralizar as eleições, resolvendo esta equação vergonhosa.

          É..., período eleitoral é realmente uma época em que os brasileiros esbanjam criatividade. Deveria ter uma eleição todos os anos, assim nós não teríamos crises disso ou daquilo, só aquela eufórica sensação de paraíso decretada pelo período eleitoral.

         Outro dia eu estava no MT e um amigo me passou uma mensagem dizendo – não precisa se preocupar mais, a saúde pública vai se igualar aos planos privados, vamos entrar em um período onde sobrará postos de trabalho, aquela área de esportes e lazer pública que ninguém teve coragem de construir na Vila Marin, logo estará pronta e, se prepara pra última..., quando li estas afirmações, até pensei que eu tivesse sofrido um surto catatônico desses em que a pessoa dorme por muitos anos e depois acorda em outra realidade. A última, era que o Meidão não tinha sido eleito. Aí que eu percebi que este meu amigo estava me passando um trote eleitoral. O Meidão não ser eleito..., só pode ser trote, o Meidão é meio igual ao Zagalo na Seleção, membro vitalício. Se por algum desses acasos da vida, o Meidão não for eleito pra algumas dessas legislaturas futuras, teremos que mandar fazer uma estátua dele e entronizar na Câmara, só pra que não pareça que a Casa esteja vazia. Guardadas as devidas diferenças, o Meidão é meio igual marido que bate na mulher, mas não deixa faltar nada em casa. Ruim com ele, pior sem.

          Ano eleitoral é um grande primeiro de abril que dura até o dia da apuração, depois tudo volta à rotina, falta verba pra isso, pra aquilo, não é desta alçada, estamos buscando os recursos... Antes da eleição, todos sabiam de onde viriam os recursos, porém depois, é uma incógnita. Tudo precisa ser muito bem planejado e organizado, afinal o cara tem quatro anos pra levar o povo no bico, pra que a pressa.

          Eu tento não pensar naquela campanha publicitária do TSE, mas não consigo. Ela é muito forte e obsessiva. Com a devida licença poética, eu preciso mandar um recado pra uma pessoa – Quinze anos..., eu tenho um problema que já dura quinze anos. No começo, o problema era jovem e bonita e, estes atributos escondiam os defeitos. Agora parece bicicleta de pedreiro, toda chapiscada de reboco, enferrujada e remendada. Quinze anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem como deveriam!

         

    



Escrito por roberto.lamparina às 00h07
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