SARCÓFAGO ELEITORAL III
As maravilhas prometidas pelos políticos aqui da região ultrapassaram as fronteiras da noroeste paulista. Colaboradores diretos do presidente Lula afirmam que o presidente ficou tão satisfeito com as maravilhas noticiadas pelos passarinhos fofoqueiros de Brasília sobre todas as maravilhas que estão prometendo os nossos políticos, que até sugeriu para alguns ministros que por hora seria melhor dar uma parada nos projetos das obras de transposição do São Francisco – Caso o Valdomiro Lopes e o Juninho Marão ganhem e, cumpram um terço das promessas de campanha, seria muito mais barato levá-los até a nascente do São Francisco na Serra da Canastra e descer pelo leito operando o milagre até o Oceano Atlântico. Economizaríamos os dividendos públicos e resolveríamos os problemas da seca centenária do Nordeste, logicamente consultando antes São Carlão e São Edinho Araújo, os dois milagreiros antecessores que diante do poder dos novos milagreiros, mais parecem dois vídeo games ultrapassados e obsoletos, daqueles que as crianças só lembram da existência quando o moderno está quebrado.
O presidente Lula, fanático por futebol e pelo Corinthians, atentou para a possibilidade de um pedido especial aos dois milagreiros:
_Me lembrem de quando eu estiver naquela região, pedir uma graça especial pra ver se eles conseguem trazer de volta o Timão pra primeirona!
Escrito por roberto.lamparina às 23h30
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AME OU ODEIE
Em período eleitoral todos vendem o peixe como sendo fresco, mesmo sabendo que peixe é peixe, não dá pra avaliar pelo cheiro, somente pelos seus aspectos específicos. Se estiver fedendo, não só não está fresco, como possivelmente estará podre.
Você vai até o postinho de saúde do seu bairro e procure por um médico que possa atendê-lo com alguma urgência. Você descobrirá que o peixe além de não ser fresco, é podre, não precisa nem cheirar.
O sistema A.M.E implantado é até bom, se ele funcionasse. Na teoria, o usuário passaria por um atendimento onde teria diagnosticado o seu caso e seria encaminhado de acordo com a gravidade da sua situação para um exame mais apurado e conclusivo. Aí é que o peixe começa a feder. Em primeiro lugar não existem profissionais em número suficiente e dentro das devidas especializações para esta tarefa. Em segundo, feito esta triagem e o usuário do sistema sendo encaminhado para uma seqüência clínica, a agenda é muito longa e a espera é absurda. O sistema de saúde batizado sugestivamente como AME, a partir do momento em que você passa a precisar dele, muda o nome para ODEIE. Os milhares de atendimentos e exames verificados nos balanços do sistema, vira retórica política diante das necessidades não supridas da população e, a certeza de que tudo ainda está por fazer.
Senhores administradores do serviço público de saúde, o que os faz pensar que um paciente possa esperar trinta ou quarenta dias para ser atendido e ainda estar satisfeito com esta baderna que vocês conseguiram fazer na saúde pública? Saúde pública não é política, o povo não se importaria em ser atendido debaixo das mangueiras lá da vila América se fosse por um profissional respeitado, qualificado e na hora da sua necessidade.
Uma pessoa me procurou dizendo ter procurado dias atrás um oftalmologista com urgência no postinho do seu bairro e, lá foi informada de que não havia um oftalmologista para atendê-la. A atendente do postinho ligou para todos os outros e, não conseguiu atendimento para a paciente. No AME, só poderia ser agendado um atendimento para trinta dias depois e, diante desta situação a paciente teve que se sujeitar a ser atendida por um clínico geral que naquele momento estava atendendo no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Sem estar qualificado para o atendimento, o clínico receitou um remédio que a paciente não teve confiança para sequer adquiri-lo, já que este medicamento não estava disponível gratuitamente como deveria no posto. A paciente, não se sentindo segura em usar um medicamento receitado por um médico que não possui especialização na área, no dia seguinte procurou um médico particular e pagou uma consulta, onde foi devidamente medicada e já está recuperada da moléstia que a atingira.
Eles contam com esta nossa passividade para continuar com esta lambança na saúde pública – não tem médico..., ninguém quebra nada, ninguém faz um escândalo como deveria, ninguém tem um surto psicótico, uma atuação digna de “Um dia de Cão”, só abaixa a cabeça e vai ao médico particular, muitas vezes aquele mesmo que ganha para atender lá no postinho, mas por ser uma quantia irrisória a recebida pelo Estado, não se mobiliza para fazê-lo pelo serviço público e, condena o usuário do sistema público a pagar duas vezes pelo mesmo serviço ou a virar vítima de cabresto nas mãos de politiqueiros (vereadores e aspirantes a tal), que vivem da péssima gestão dos serviços de saúde pública e, exploram as suas ramificações políticas e o seu trânsito articulado no sistema, para arrumar, descolar, encaixar um atendimento médico. Eu estou louco para deixar escapar as iniciais de pelo menos dois ou três desses vermes, porém a ética me impede. A função do vereador é tentar mudar isso tudo que está aí, na tribuna, denunciando e exigindo os devidos reparos das autoridades competentes e não se aproveitar desta situação para semear um fértil campo eleitoreiro driblando as agruras do sistema com esperteza ensaboada.
Todo este papo que a gente ouve em épocas eleitorais, é uma tremenda canalhice por parte daqueles que fazem da saúde pública uma retórica que abastece o jugo eleitoreiro – Médico de família? Você já ouviu falar de uma trapaça maior do que esta? Que médico de família é este, se nós não temos sequer um disponível para cuidar das nossas necessidades coletivas. O médico tem que estar disponível lá no postinho e não lotado nas planilhas de pagamento da secretaria de saúde, exercendo uma função que ninguém vê o resultado prático.
O AME, jamais poderia ter um agendamento que ultrapassasse o limite de três dias, três e não trinta. Nós pagamos os nossos impostos e se não temos médicos disponíveis, que o Estado os contrate e os disponibilize.
Saúde, educação..., são plataformas muito difundidas nas campanhas políticas, porém, depois de eleitos, os políticos tendem a esquecer dos seus planos e das suas promessas de campanha e dar uma bela banana para o eleitor. Assim tem sido e pelo jeito, assim continuará a ser.
Escrito por roberto.lamparina às 15h15
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