VOCAÇÃO SICILIANA
Nossa cidade, talvez pela grande influência da colônia de italianos existentes, segue firme com o domínio econômico e político como nas antigas confrarias mafiosas da Sicília ou de Chicago. Estamos vivendo sob a influência de um grupo que exerce o seu poder de forma absoluta e dominadora. Os nossos Alphonse Capone mudam de tempos em tempos e respondem pelos sobrenomes da meia dúzia dos senhores confrades ou que pelas “Famílias” foram abençoados com as dádivas do poder. São quase quarenta anos de uma direção em que por apenas dois mandos ficaram de fora do poder municipal, justamente pelo grande poder empreendedor do Sr. Mário Pozzobon e que depois também conseguir eleger o seu filho, que na época elegeu-se somente baseado na boa gestão do pai, sem nenhuma experiência e nem envolvimento político relevante. Depois da saída do Dr. Atílio Pozzobon do poder, novamente as Famílias arrebataram o poder municipal e imperam soberanas, espalhando e ramificando a sua influência no sistema municipal de gestão.
A cidade por sua vez cresceu e cresce independente das ações deste ou daquele grupo. Cresce por pura vocação de crescimento, pela boa geografia, pela ótima localização regional, entre outros bons motivos. Nos últimos quinze anos, empreendemos um crescimento diferenciado, graças aos bons momentos da economia brasileira e aos recursos extras advindos da garimpagem dos poderes estadual e federal, que com a sedimentação do regime democrático na estrutura política do país, permitiu esta distribuição mais efetiva através dos poderes legislativo e executivo, vindo estes recursos pararem nos cofres dos municípios.
Os senhores confrades fazem propaganda enganosa quando atribuem o bom crescimento somente as suas ações de governo ao longo desta longeva administração, pois contam com o desconhecimento geral da população. Digam-me eles, quantas foram às empresas de porte médio ou grande que eles instalaram no município nos últimos oito anos? Nós não vamos muito longe com as comparações. Na vizinha Aparecida do Taboado-MS, ali depois do rio Paraná, aquela dos sessenta dias apaixonado, foram mais de vinte empresas entre médias e grandes, inclusive uma grande empresa do ramo de fabricação de colchões e várias metalúrgicas, de galvanização de metais, fábrica de confecções em geral.
Seguindo com as comparações, um pouco mais longe, chegamos até Três Lagoas-MS, onde este número é duas vezes maior e tendo no seu parque industrial se instalado uma grande indústria de biscoitos, sendo esta uma das maiores do Brasil, indústrias de fibras e tecidos, um curtume de grande porte, uma indústria de papel e celulose que está em adiantada fase de construção, indústria e montagem de geladeiras e freezers, além de ter aumentada à capacidade de produção de uma das maiores empresas do ramo da indústria da soja que já está a tempos na cidade e, da crescente demanda aumentada na atividade de extração e serra de madeiras reflorestadas, vocação regional já explorada há muitos anos e agora muito presente nas necessidades industriais.
Ainda seguindo o caminho do desenvolvimento perseguido, a nossa currutela vizinha Valentin Gentil, tem sido muito mais atraente e empreendedora do que a nossa cidade, tendo agigantado o seu parque industrial pelo menos umas três vezes nestes últimos anos, atraindo as empresas do ramo de móveis e metalurgia usada no setor.
Então nos perguntamos, fora aquela grande empresa de equipamentos rodoviários local que empreende grande desenvolvimento, quantas foram as empresas que se instalaram aqui no município? Cadê aquela grande fábrica de suco prometida pelo prefeito viúva Porcina (o que foi, sem nunca ter sido), por que não conseguimos atrair o empreendedorismo e os nossos vizinhos conseguem? Até Tanabí, terra que não consegue ter disponível a luz do sol, pois fica metade do dia sob a sombra dos prédios de Rio Preto e a outra metade sob a sombra de Votuporanga, conseguiu empreender mais do que nós. Sem falar é claro que perdemos uma unidade daquela grande indústria de laticínios que depois de muitos anos de atividade na cidade, fechou e foi embora.
Então, chegamos à conclusão que o nosso bom desempenho é factício, artificialidade gerada pelos recursos advindos da politicagem e, nisto o desempenho dos nossos confrades, temos que admitir, foi perfeito. Só não podemos nos esquecer que os recursos oriundos da garimpagem política, não produzem o bem estar que os advindos da produtividade gerada pelos diversos setores da economia de forma sustentável, pois as obras, equipamentos e serviços contratados com o dinheiro da política, podem ser até necessários e por algum tempo alimentar as necessidades econômicas, porém com prazo pra acabar, dependente de novos direcionamentos políticos, refém das barganhas e negociatas, enquanto que o gerado pela produtividade, tende a se sedimentar e se prolongar na cadeia econômica local e regional.
As gerações que foram se multiplicando dentro do poder municipal, aumentaram ainda mais o poder econômico pessoal de cada um dos membros da confraria e distribui estas benesses entre eles, não admitindo sequer em pesadelo, a hipótese de perderem este poder. Com a máquina pública ao seu dispor, o poder econômico persuasivo e a opressão direta em cima dos seus próprios funcionários, fica difícil dar errado, porém lá na solidão da urna, naqueles seus poucos segundos de verdadeira liberdade, você é o senhor dos seus atos e pode decidir se quer continuar nesta velha receita programada de sucesso para poucos, ou tomar parte na receita que irá confeitar um bolo onde todos terão a possibilidade de abocanhar um pedacinho. Lá é certeza que não sobrará absolutamente nada pra você!
Escrito por roberto.lamparina às 17h22
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