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PODER... PRA QUE TI QUERO?

          Com os candidatos já praticamente definidos, a corrida eleitoral para a prefeitura em nossa cidade sai dos bastidores sombrios das agremiações políticas e dos pensamentos mais secretos dos sempre atuantes senhores que coordenam este processo de escolha dos candidatos, logicamente cada qual retirando e colocando para a apreciação pública o melhor dentre os da sua espécie.

          Seguindo esta teoria, certamente teremos a eleição mais tranqüila da região. Os dois possíveis combatentes de primeira grandeza, já estão em campanha há muito tempo e estamos muito bem representados, diga-se de passagem. O que está fazendo a diferença é o restante dos soldados que estão perfilados de cada lado.

          Um, talhado pelo grupo que hoje representa o poder municipal, há muito tempo se prepara para assumir o Paço. Do seu lado estão todas as velhas raposas políticas locais dispostas nos clubes de serviço, algumas entidades de classe e em muitas entidades assistenciais, a se digladiarem entre si para ver quem colocará ou indicará quem para qual cargo na vitória praticamente certa que já vislumbram. Vão com tanta sede ao pote que até pecam na retórica dos discursos quando tentam antecipar os fatos, ao invés de lograrem êxito primeiro nesta guerra que se inicia, já começaram a gastar munição no embate mais adiante para o Planalto, onde ideologicamente o consórcio é oposição.           Os senhores da política acostumados com as falácias da época, estão a distribuir por aí, quase que em regime de lavagem cerebral que a alternância de poder é fator indispensável para a gestão límpida do governante e do bom andamento da “coisa pública”, porém esquecem que este pequeno detalhe também deveria se aplicar ao nosso terreiro, já que a atual administração vem de uma reeleição e se prepara para passar por cima de quem quer que ameace este poder que julgam soberano. Fechará um ciclo de oito anos no poder com possibilidades muito reais de amealhar o poder por mais quatro, no mínimo. Aí a alternância de poder não é vista com bons olhos e, eles se escondem por trás da máxima de que é o povo quem escolhe. Certamente se não estivessem satisfeitos com os resultados atuais, escolheriam a outra opção.

          O outro, embalado pela boa votação obtida no último pleito para a Assembléia Legislativa, onde mesmo tendo uma ótima votação, não conseguiu cadeira. Já tendo experiência administrativa comprovada e experiência no legislativo, agora tenta o executivo municipal. Preparado, capaz, idôneo, assim como o primeiro, porém os que perfilam ao seu lado, nem chegam perto do poder de convencimento dos alinhados ao primeiro. A missão é difícil, quase impossível, somente com uma estratégia muito acertada para reverter esta desvantagem, aproveitando ao máximo o carisma e a dedicação profissional de médico popular e humano, adjetivos que o “doutor” sempre usou como arma em política.

          A campanha do jovem empresário se baseia na continuidade da situação atual de prepor em um ritmo muito forte para agregar recursos oriundos de todos os corredores da estrutura política e aplicar estes recursos, embasado na forte publicidade de uma gestão capaz e transparente.  Foi esta a estratégia aplicada no primeiro mando do Carlão que sufocou a mídia local com a imagem diária do prefeito estampada nas manchetes e escrito em letras garrafais, os resultados práticos das suas viagens e ações. Em uma pequena pesquisa, eu descobri que não passou um único dia sem que a figura do prefeito não aparecesse estampada em um veículo de mídia local no seu primeiro ano de governo. Nos seguintes, baixou a freqüência, mas a massificação continuou. O segundo mando lhe foi conferido pelo povo como presente. Na falta de um adversário a altura, não precisou esforço da máquina política, nem recursos de cena. O grupo fechado que concentrou o poder da máquina municipal e com isso conseguiu muitos bons resultados, está a serviço do jovem candidato.

          A campanha do doutor vem com abre-alas de orçamento participativo e governo popular, práticas políticas e administrativas adotadas em alguns lugares e com bons resultados obtidos, além de prepor o oposto do seu oponente, uma distribuição de poder mais popular e abrangente. Certamente partirá para o corpo-a-corpo, não tendo efetivo com capacidade de massificar a sua figura, terá que cativar o eleitorado, se preciso um por vez. Aquela coisa mais pessoal, conhecer o rebanho pelo nome, organizar e freqüentar as reuniões com os simpatizantes e lá demonstrar as suas intenções de governo - Tomar hóstia na missa da manhã, comer do pão e beber do vinho no culto da noite e na madrugada, se embriagar na cachaça, dando uns tapas no “bagulho” que seria oferecido aos santos mais matreiros nos terreiros, além é claro de invocar no consultório os trabalhos do Dr. Fritz. Será que o doutor está preparado fisicamente para esta maratona? Se quiser competir em igualdade, terá que se condicionar. Adversário a altura, ele é.

          As boas intenções partem dos dois lados, nós é que temos que ficar atentos e verdadeiramente encararmos o âmbito municipal como o da nossa realidade, onde nós vivemos, trabalhamos e nos realizamos como pessoa e como cidadão, não permitindo que aquela falácia emitida pelos senhores da política local se torne uma realidade bem debaixo dos nossos narizes. A alternância de poder com a finalidade específica de coibir as práticas corruptas e dificultar a instalação das engrenagens lesivas ao sistema, é uma necessidade dentro dos três níveis de poder e não só naquele que se almeja no momento.

          As necessidades da nossa comunidade precisam ser supridas, seja pelo grupo A ou B, executar este poder com honestidade e responsabilidade, é o que esperamos dos nossos governantes.

         

         



Escrito por roberto.lamparina às 01h02
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A BALADA DOS ESQUECIDOS

          Com a proximidade do dia de São Cristóvão, protetor dos motoristas, é sempre bom lembrar daquele que com humildade carregou o peso do mundo nas costas e atravessou o Senhor do Mundo ainda menino até o outro lado do rio e, martirizado foi por este ato de devoção ao Senhor.

          Também martirizados estão os protegidos de São Cristóvão que sofrem os tormentos de uma atividade esquecida por todos e que ainda são as vítimas silenciosas de uma atividade vital em todos os setores da economia, porém herdeiros do descaso governamental, assim como do reconhecimento e do respeito público da sociedade.

          O prefeito da maior cidade da América Latina se vê pressionado pela população que não consegue ter disponíveis as alternativas de transporte público a altura das necessidades como linhas de metrô e ônibus suficientes. Por isso o trânsito está caótico e congestionado. O cidadão não tendo disponível o transporte público digno, se vê forçado a tirar da garagem aquele seu automóvel popular financiado por toda a sua vida e que o sonho capitalista elegeu como objeto de desejo indispensável e, ir dirigindo sozinho até o trabalho. O problema é que a maioria da população tem a mesma necessidade ao mesmo tempo. O resultado é o congestionamento e, a solução lógica então seria... - Proibir a entrada de caminhões em uma determinada área da cidade! Mas o que os caminhões têm a ver com isso? Ninguém vai passear de caminhão no centro de São Paulo, quem está lá, está trabalhando e transportando tudo o que se produz, se fabrica, se compra e se vende.

          A solução lógica seria de imediato, restringir o trânsito de automóveis de forma mais hostil do que a velha prática do rodízio já utilizado e depois buscar formas complementares de melhorar as condições do trânsito nos horários de pico, até promover na forma de incentivos municipais, as empresas que priorizassem o transporte de funcionários de forma coletiva, com ônibus fretado pelas empresas para o serviço, impedindo que o indivíduo se deslocasse para o trabalho sozinho dentro de um automóvel e dando o conforto e a segurança para o funcionário que seria coletado em um ponto próximo do seu endereço, descongestionando o transporte público típico e priorizando o comunitário de forma individualizada.

          Ao invés disto, é mais fácil restringir os direitos de liberdade de uma classe muda, incapaz de se mobilizar para resolver os problemas que afligem todo o seguimento.

          O movimento gay consegue sensibilizar e parar a cidade por um dia e exigir os seus direitos de liberdade e de escolha. Os caminhoneiros cerceados dos seus direitos de liberdade de ir e vir na cidade, não consegue sequer serem ouvidos pelas autoridades competentes.

          Assim segue a balada dos esquecidos. O Estado não consegue oferecer infra-estrutura rodoviária, mas não tem problema, porque quem está morrendo feito moscas no melado envenenado é só caminhoneiros. O que não pode é cair avião, porque aí a sociedade se revolta. O efetivo da PRF não pode vislumbrar uma carreta no horizonte que corre para o meio da estrada como uma criança que espera ansiosa por um pirulito, pois cidadãos influentes como membros do judiciário, políticos, advogados e agentes da corregedoria não andam em caminhões, só caminhoneiros andam em caminhões, parece algo óbvio demais. Empresas com regras absurdas ostentam uma série de ordenamentos tão irreais e imorais quanto à mente doentia de quem as criam com a falsa ilusão de que as regras necessariamente produzem organização, enquanto simplesmente ignoram os conceitos mais básicos a que um ser humano, mesmo diante de tantos avanços da ciência, continua refém. Infelizmente ainda somos obrigados pela nossa frágil condição humana, a usar o sanitário várias vezes por dia para urinar, defecar e pelo menos uma vez por dia, tomar um banho, mesmo que alguns dispensem esta última modalidade.

          Deve ser pó isso que os requisitos necessários para se tornar um bom profissional do volante são; não tomar banho, não beber leite e não ir à missa. Estes três atos acabam com a carreira de qualquer um na estrada.

          Seguindo com a intenção de denunciar aqueles que não respeitam os profissionais da estrada, semana passada eu me defrontei com uma destas empresas. A unidade da Pirelli de Barueri-SP que não produz nada, apenas é um centro de distribuição, tem todo o cuidado de se proteger da classe que tanto auxilia na sua prosperidade que até possui um departamento de segurança específico e uma longa lista de proibições, inclusive que proíbe o motorista de ir tomar banho de chinelo, tendo os funcionários da segurança o cuidado de ensinarem os caminhoneiros como fazer pra se deslocar até a sala de banho calçando os sapatos e lá, retira-los, calçar o chinelo e depois de tomar o banho, calçar novamente os sapatos para se deslocar pelo pátio. Ao chegar ao banheiro você descobre que a falsa impressão de ordem é notória, sanitários completamente inadequados e imundos, um único chuveiro gelado, trancado por um cadeado como se fosse um tesouro que necessitasse de proteção constante. Os direitos eles exercem, os deveres eles ignoram.

          Agora respondam – de quem é a carga mais pesada? De São Cristóvão... ao  qual seu peso mais excessivo foi o Senhor do Mundo, ou dos caminhoneiros que se obrigam a operar nas condições críticas atuais e dentro de empresas como a Pirelli, o Grupo Votorantin, o Grupo João Lyra, entre outras que aqui já foram denunciadas por ignorarem a classe. E ainda agora sóbrios, vê se isso é possível, sóbrios...!

         



Escrito por roberto.lamparina às 00h59
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