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PEC 666, A DA BESTA

          A CPMF ameaça voltar ao repasto governista com outro nome, CSS. Políticos rasteiros e sem nenhum compromisso com o povo brasileiro que, diga-se de passagem, rejeita ferozmente a aprovação da PEC 333 e que foi batizada popularmente como a PEC 666, a da besta, brigam para terem mais esta armadilha da politicalha disponível já nestas eleições. A inflação teve o maior índice dos últimos anos e, este é o cenário tumultuado da atualidade.

          Com a falsa alegação de que aumentando o número de vereadores, aumentaria a representatividade da população, políticos que não tem compromisso com a verdade e seus ardilosos colaboradores implantados estrategicamente no seio da sociedade formadora de apinião, labutam na busca de apoio para divulgarem esta idéia sórdida e novamente encherem as Câmaras Municipais de funcionários públicos muito bem remunerados, cheios de privilégios e regalias e que mal sabem direito qual o seu papel e as suas atribuições na Casa.

          Cidades do porte da nossa, bastariam três vereadores, número suficiente para decidir tudo dentro das suas atribuições. Preferencialmente que exercessem o trabalho de edil gratuitamente. Assim, só se candidatariam ao posto, somente as pessoas que tivessem mesmo interesse em contribuir com o seu município por amor e respeito por aqueles que nele vivem, tendo disponibilidade total e experiência no trato com o povo e, o povo sabendo que o único interesse do sujeito seria ajudar. Os munícipes então, se empenhariam em procurar verdadeiramente os seus representantes e exigir deles as suas necessidades e exporem as suas sugestões para o bem comum. Hoje o cidadão só procura o vereador na surdina para pedir benefícios pessoais ou para os seus mais próximos, não objetivando a coletividade.

          Zé Ruélas que usam a sua popularidade “butequeira”, o seu perfil de narrador de bingo de frango na quermesse da igreja e, que muitas vezes usam o seu cargo público dentro do funcionalismo municipal ou estadual para politicagem, estariam com os seus dias contados, dando lugar para aquela pessoa vivida, com situação econômica independente e que não teria que armar “esquema” nem com situação e nem com oposição, nem com a distribuição de cargos e muito menos com conchavos entre partidos de ideologias furada.

          Três, este é o número, nem nove, nem doze, nem vinte, nada mais do que três seriam necessários para fazer andar este mesmo sistema político podre que só onera a máquina pública e deturpa o sentido de DEMOCRACIA. Afinal, dentro de uma Câmara Municipal como a nossa, é um número muito próximo de três, os que verdadeiramente reúnem as condições de estarem ali representando os pobres munícipes que pagam os seus altos salários. Acredito e tento me convencer de que não seja o nosso caso, no entanto, como noticiam os jornais com certa constância, muitas vezes para representarem os interesses de grupos e não os daqueles que deveriam e a quem juraram fidelidade.

          Nos outros níveis do Legislativo a situação é a mesma. Nós não precisamos de pessoas que fingem nos representar para poder venderem o lobby desta representação mentirosa para os interesses escusos. O que nós precisamos é de representantes que tenham compromisso com a verdade, com a justiça e não que se arrastam num pântano imundo com o passado tão sujo que precisa da garantia do foro privilegiado de parlamentar para poder driblar a Justiça até arrumar uma forma de se safar judicialmente por uma destas manobras impetradas pelos grandes causídicos que são iguais a urubus, vivem a rodear as carniças.

          O nosso papel de cidadão de bem que cumpre com as obrigações e não temos o devido respaldo na contrapartida, há muito tempo está maculado por estes elementos que povoam o cenário político. A sociedade já pediu socorro a todos os níveis dos poderes constituídos e não está tendo a resposta que merece.

          Qualquer dia desses, não se surpreenda se este país entrar num colapso tão profundo a ponto de a sociedade não mais pedir providências para os órgãos que representem legitimamente a população, pois na falta de compromisso destes órgãos de representação legítima, nos colocaremos de joelhos diante do PCC, do Comando Vermelho e de outras instituições ilegais e criminosas que colocarão os seus exércitos de desgraçados sociais nas ruas e combaterá o poder constituído em nome do povo, o mesmo povo que não teve respaldo dos seus constituintes e das suas instituições legalmente constituídas.

          A Globo então, fará comerciais onde a nova ordem e os novos heróis serão os anti-heróis de ontem, onde figurarão sorridentes e acenando para o povo com aquele gesto típico de dedos indicando vitória, o próprio Fernandinho Beira-Mar, ou o Marcola, pois a sociedade precisa de uma força que a defenda, seja esta força lá de onde vier, se cumprir com os compromissos assumidos com o povo, será instituída legalmente e terá o apoio das massas.

          Não tomem este comentário como uma ciência política absolutamente distante da nossa realidade, pois a bandidagem possui os recursos para tal, um exército de invisíveis recrutado e sem nada a perder e, se ainda não fizeram, foi por pura falta de visão dos seus líderes. Não pense você leitor que isto seja um delírio só porque os que estão encarcerados e cumprem penas, estão privados dos seus direitos políticos, pois neste país, as leis são fabricadas de acordo com a conveniência daqueles que detêm o poder econômico, podendo ser facilmente factível da noite pro dia, dependendo da pressa de quem está pagando.  Eu no comando de uma instituição criminosa destas, aprisionado e com tempo e capital de sobra para idealizar a estratégia de combate, já estaria implantando um plano que me colocaria pra fora do presídio e pelas mãos do próprio povo.

           Votar em bandidos não é uma novidade, é coisa da nossa realidade, então que votemos nos melhores, ou nos mais cruéis e piores!

 



Escrito por roberto.lamparina às 23h15
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MOCORONGO

          Outro dia folheando o jornal, li uma reportagem do chefe de instrução atual do Tiro de Guerra, onde ele relatava a dificuldade de seleção para compor o efetivo de instrução para o período.

          Lembrei-me então dos meus tempos de Atirador e da figura do então Sargento Denerval Meneghini, pobre alma que teve a incumbência de arrastar para a formatura os setenta e tantos selecionados para o serviço militar obrigatório no ano de l987.

          Naqueles tempos, servir o exército não era algo assim tão mortificado e tinha até os que se alistavam como voluntários, mesmo ainda não estando dentro do prazo para tal.

          Lembrei-me do velho trote que os veteranos faziam no processo de seleção em que erguiam a barra de medir altura e soltavam na cabeça dos calouros, tudo sob a supervisão do velho sargento, que fingia que não estava vendo, já fazia parte do aprendizado militar – era pro mocorongo ficar esperto – como ele dizia. No próximo ano, os mesmos que iniciaram o ano com um galo na cabeça, estavam a distribuir galos nos novos mocorongos.

          As filas de seleção com mais de duzentos alistados, todos seguindo o ritual e as ordens do chefe de instrução e de vez em quando no meio da molecada..., um com um jeitinho mais delicado, nem tentava disfarçar a sua pederastia e, o velho Sargento tão acostumado com este ritual anual, esforçava-se para conter o riso.

          Com os selecionados escolhidos começava o período de instrução. Para o velho Sargento, era só mais uma turma. Aquela conversa toda de que Atirador não podia se dirigir diretamente ao Sargento, primeiro tinha que passar o assunto para o Cabo Monitor e depois ele levava ao conhecimento do Sargento. Aquela fábula que ele contava todos os anos que quando ele xingasse ou ofendesse a mãe de alguém, não era aquela que estava a nos esperar em nossas casas e sim a nossa Mãe Gentil Pátria, a Bandeira.  Atirador com ele, só tinha três conversas - sim senhor, não senhor e quero morrer!

          Passados alguns dias de instrução, aquele senhor ranzinza e exigente, nada mais se tornava do que um pai, ajudando todo mundo a modelar o caráter, ter e assumir responsabilidades, companheirismo e aprendendo noções básicas de cidadania, aliado ao aprendizado militar obrigatório. Foi um ano que passou muito mais rápido do que os demais. Velhos amigos reencontrados, novas amizades que se firmavam e uma camaradagem que permanecerá por toda a minha vida.

          As estórias são muitas, porém esta acontecida em 87 é só uma amostra das muitas dificuldades que o pobre Sargento Denerval enfrentou. Como de costume, o Sargento chegava e de vez em quando ia para o portão do TG surpreender os Atiradores motociclistas que não estavam usando os capacetes. Um dia ele viu encostar um táxi que trazia um dos seus Atiradores no banco do passageiro. No segundo dia, novamente o Atirador desembarcou de um táxi, o Sargento não teve dúvidas, na hora da instrução ele vai até a cadeira do Atirador e pergunta – fulano, por que você vem todo dia pro TG de táxi? Todos sabiam que ele morava com um transexual na ZBM e foi aquela gargalhada geral. O pobre rapaz além de agüentar as piadinhas de todo mundo, daquele dia em diante também teve sua vida perseguida de perto pelo Sargento que arrumou-lhe um emprego em uma fábrica de móveis e o fez voltar a morar com a sua mãe.

          O velho Sargento era mesmo uma mãe, chamava todo mundo de mocorongo e exigia o máximo de todos, porém era um caráter digno de um homem talhado e com carta branca para formar cidadãos de bem. O Sargento Denerval só tinha um defeito, era o de se achar bom de bola. Já com seus quarenta e tantos anos, bem fisicamente como não poderia ser diferente, porém o talento de “boleiro” ele não tinha. Era só um trombador que tentava romper na força. Depois da educação física, normalmente ele selecionava o time dele dentre os seus Monitores e um grupinho nosso dos que também gostavam muito de bater uma bolinha. Era uma guerra, tinha dia que o time dele vencia o nosso no cansaço. Todo mundo pedindo pra acabar a partida que tínhamos que ir pro trabalho e ele tocava um apito que vivia em seu pescoço e dizia – quem manda aqui sou eu e só vai acabar a partida a hora que eu mandar, depois passem lá na secretaria e peguem um atestado de meio período com o Fábio - que era o secretário do TG. Se o time dele não empatasse ou passasse na frente do placar, provavelmente estaríamos jogando até hoje.

          Ali, não existiam sobrenomes, era todo mundo no mesmo nível e para o Sargento éramos só um número. Grandes personalidades que hoje comandam negócios diversos, inclusive pessoas que figuram dentro da administração municipal, era só um mocorongo com um número na gandóla. As brincadeiras, os dias de tirar serviço, as sementes e folhas daquela erva proibida que aparecia por ali e logo virava um cigarro passando de mão em mão, os banhos tomados na caixa d’água no corpo da guarda, depois ver o resto da turma beber daquela água..., era uma diversão. Senhores de meia idade de hoje, jovens cheio de energia naqueles tempos e muitas estórias pra contar.

          Depois da formatura, cada um seguiu o seu caminho e poucas vezes eu vi o Sargento que depois da nossa formatura, merecidamente foi promovido a Sub-Tenente e no ano seguinte lá estava ele novamente com a mesma ladainha e outra turma de mocorongos para que ele os transformasse em homens e cidadãos, reservistas de segunda categoria do Exército brasileiro.

          Hoje, certamente gozando da merecida aposentadoria, não sei por onde anda o velho Sargento, ele era oriundo de Catanduva e provavelmente deve ter voltado para a sua terra natal, porém deixou muitos filhos nesta terra. Eu sou só um dos muitos mocorongos que ele formou no ano de l987, o de número l5 do segundo GC (grupo de combate), do primeiro pelotão, cujo nome de guerra era gravado orgulhosamente no peito do lado do Brasão do Exército – AT  MARTINS, sim senhor, Sargento!

         

           



Escrito por roberto.lamparina às 02h11
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ATÉ QUANDO...

          Até quando o povo paulista tolerará a criminosa condição que nos é imposta com as atuais regras que conduzem à malha rodoviária paulista que está sob concessão privada.

          Que contratos são estes que permitem que o interesse público seja obrigatoriamente lesado a bem do interesse privado e ninguém faz absolutamente nada para impedir esta ação mafiosa das concessionárias.

          Outro aumento está a caminho e, ainda tem gente que acha completamente normal um automóvel de passeio gastar quase cem reais para chegar até a capital, ou um veículo de carga ser aliviado em trezentos e tantos reais para poder chegar com o produto que garante o PIB brasileiro até o porto de Santos.

          Não é só lamentável a questão do preço abusivo garantido pelos contratos que lesam o cidadão, como também a falta de compromisso que as concessionárias que exploram a malha, têm para com o usuário.

          Tomemos como exemplo a Rodovia Washington Luís (SP310), depois da implantação das praças de pedágio nos dois sentidos, os postos de combustíveis que sobreviviam unicamente do comércio proveniente do movimento da estrada, fecharam, ficando somente aqueles que possuíam uma sólida relação comercial local, pois o movimento caiu muito, com os usuários procurando por alguns poucos caminhos alternativos que ainda restam. A grande maioria dos postos de combustíveis nesta rodovia encerraram suas atividades pela inviabilidade comercial, ou estão a caminho disto. Além dos motoristas usuários de um sistema que lhes é lesivo ver extorquidos os seus recursos na forma da lei, ainda perderam os pontos de apoio que agora estão fechados, ficando sem ter onde tomar um banho e fazer a sua higiene pessoal, ou ter opções para fazer suas refeições e ponto seguro onde pernoitar.

          Esta situação ainda está gerando um risco iminente para todos os usuários, pois sem ter onde pernoitar, veículos pesados usam uma área as margens das praças de pedágio para fazer este pernoite e, como o trânsito nesta rodovia está sendo muito utilizado por veículos tanques que estão transportando o álcool que vai das usinas da região para ser distribuído pela unidade da Petrobrás em Paulínia, ou o óleo diesel que sai também da refinaria em Paulínia em direção aos estados do MT e MS principalmente, as praças de pedágios estão abarrotadas no período noturno de carretas tanques e nesta época do ano a neblina proveniente do período, dificulta a visibilidade dos outros motoristas que estão em movimento, configurando o risco de graves acidentes de proporções catastróficas e que poderiam ser facilmente evitáveis.

          Já que as tarifas de pedágio inviabilizaram o ramo de comércio de combustíveis ao longo desta rodovia, nada mais justo do que a concessionária construir áreas destinadas a este estacionamento seguro para pernoite, higienização e alimentação para os profissionais da estrada em quantidade suficiente que atenda a demanda do movimento nesta estrada, afinal como ridiculariza o folclore popular, motorista de caminhão mora em casinha de lata, mija em pneus, come restos de comida dos outros e quase sempre morre na estrada, mas apesar destas peculiaridades, não é cachorro.

          As proporções dominadoras e o poder que as empresas concessionárias adquiriram nos fazem pensar até quando admitiremos esta situação. Um dia desses, por um lapso momentâneo, errei a saída de Valinhos no sentido para São Paulo e acabei por voltar sem ter aonde e nem como retornar, até a praça de pedágio na Via Anhanguera. Chegando lá, encostei antes da cabine de cobrança e procurei a administração para tentar abonar esta manobra errada com o recibo de pedágio que eu acabara de pagar no lado contrário. O funcionário, com a falta de educação que lhes são sempre peculiares, foi logo ordenando que ou eu pagasse novamente a tarifa, ou ele iria chamar uma viatura da polícia rodoviária para fazer qualquer autuação no meu veículo. Depois disso, eu o questionei qual seria a autuação que ele poderia efetuar nestes casos, já que eu não estava nem tumultuando e nem me evadindo da praça. Ironicamente ele me respondeu que depois que o policial viesse, ele inventaria uma.

          Esta cumplicidade tendenciosa é facilmente comprovada nas balanças portáteis que estão em funcionamento. Não tendo capacidade nem local apropriado para efetuar a pesagem, os funcionários das empresas encarregados desta tarefa, contam com a ajuda do efetivo da polícia rodoviária estadual para obrigarem os motoristas a trafegar por longas filas no acostamento para que possam efetuar a verificação do peso. O comando militar rodoviário e estes policiais, certamente não devem ter o conhecimento de que trafegar pelo acostamento é uma infração de trânsito gravíssima e que eles é que estão induzindo os motoristas ao cometimento desta infração. Esta condição de conveniência em desacordo com a coerência da lei, é profundamente lamentável, ou é proibido trafegar pelo acostamento em todas as ocasiões, ou não. Vocês decidem se querem cumprir a lei, ou a ordem das concessionárias. Quem será que está pagando os vossos salários?



Escrito por roberto.lamparina às 16h25
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