SOB EFEITO DA MARIA DOIDA
Aos que se queixam da popularidade de modelito populacho do presidente Lula, temos que lembrar que notoriamente o Brasil sempre esteve representado historicamente por lideranças digamos muito mais business do que deveriam. Quer sujeito mais business do que o ex-presidente Jânio Quadros, ou o Collor com sua trajetória política toda marcada pelo marketing político encomendado e pré-fabricado feito uma criação de super-herói em desenho animado. E o Maluf que se não tiver o seu nome envolvido em alguma “transa” naturalmente, ele providencia para que ele se inclua automaticamente nela.
O Brasil tem artistas de sobra para compor estes personagens business. Dizem que o maior deles foi o ex-governador Leonel Brizola. Nascido no Rio Grande do Sul e, tendo escolhido compor a sua vida política no Rio de Janeiro, mesmo depois de já ter sido governador pelo R. G. do Sul, carregou por toda a sua existência as marcas desta criação eclética. Aquela falácia cantada gaúcha recoberta pelas escoras lingüísticas típicas do sul do país, misturado com a malandragem carioca que ele adquiriu nos muitos anos que viveu no Rio de Janeiro.
Águia política que sempre foi, sabia das necessidades e dos atalhos para compor a linha paralela entre as necessidades reais e as necessidades possíveis do seu povo. Diz o folclore político que ao ser eleito para o primeiro dos dois mandos de governador no estado do Rio de Janeiro, depois de retornar do exílio, sua primeira atitude depois de eleito, foi convocar todas as lideranças da criminalidade local para uma churrascada bancada pelo Palácio da Guanabara. Promovidos os devidos acertos, ele pode exercer o seu mandato governamental livre das intervenções e das interferências da bandidagem nas suas ações de governo. Esta festa ficou conhecida como “cada um no seu cada um”, depois mais tarde o Zeca Pagodinho se encarregaria de musicar o evento.
Políticos digamos, sem a expressão conciliadora do Brizola também tentaram imitar esta ação governamental de resultados práticos e deveras muito mais econômicos, porém acabou por não dar muito certo. Um destes políticos inexpressivos foi o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, que assumiu o Palácio dos Bandeirantes pela porta dos fundos com o desligamento do governador Geraldo Alckmin para concorrer às eleições presidenciais em 2006. Percebendo a fragilidade da administração, a bandidagem organizada em facções criminosas, decretou a eclosão da violência no estado com uma série de atentados criminosos contra as forças de segurança pública estadual e que obrigou o governador do estado a se deslocar do Palácio e negociar a paz pessoalmente com a criminalidade dentro de um presídio de segurança máxima onde o suposto líder da bandidagem cumpria sua pena.
Esta é a diferença entre o político que conhece a máquina que opera e o que pensa conhecer. Na festa do Brizola para a bandidagem, reza a lenda que foram servidas bebidas nacionais e importadas para os convidados. No emergencial encontro secreto do Lembo com o Marcola, o então governador teve que amargar a difícil ingestão de “maria doida”, aguardente fermentado na cadeia pelos próprios detentos. Ele, sendo visita que bate a porta pedindo ajuda, ou como diríamos no trato chulo popular, pedindo penico, não poderia desprezar o oferecimento do cicerone e teve que engolir o aperitivo a seco. Não que o Marcola facilmente não pudesse servir o governador de um doze anos legítimo da sua reserva pessoal, mas só pra delimitar os territórios ele teve que ir mesmo de maria doida Não tenho nem idéia do que pode ter sido o prato principal. Dizem que o ex-governador Lembo sofre crises hepáticas até hoje pela ingestão do veneno etílico.
No linguajar penitenciário, brizola quer dizer cocaína, não tenho a mínima idéia do porque. Gostaria que alguém mais interado do assunto me esclarecesse!
Só pra relembrar do evento;
Cada um na sua onda
Cada um na sua prancha
Eu não vou lá no teu barco
Tu não vem na minha lancha
Cada um com seu cada um
Deixa o cada um dos outros...
Escrito por roberto.lamparina às 12h15
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