ESQUIZOFRENIA
Eu estou passando por um conturbado período de distúrbios do sono, seguido de visões e acontecimentos irreais horríveis. Imaginem vocês que eu estou sendo vítima de pesadelos continuados completamente inadmissíveis para os momentos atuais. Segunda dia 07/04, foi o início do meu martírio onde eu sonhei que meia dúzia de índios haviam bloqueado a Br 364 bem na hora em que eu precisava chegar com urgência em Cuiabá, pois terça, era feriado pelo aniversário da cidade. No meu delírio esquizofrênico, os índios em questão, de diversas etnias, por trinta horas bloquearam o trânsito completamente, impedindo a passagem de tudo que é veículo, inclusive submetendo até as ambulâncias a uma vistoria criteriosa por parte de um dos destemidos guerreiros pra ver se o doente transportado realmente necessitava de emergência médica. Tudo isso aconteceu porque transferiram a sede da FUNAI de Cuiabá para Juína, cidade situada no extremo norte matogrossense, onde ainda existem matas e algumas áreas de florestas onde o homem ainda não devastou e nem corrompeu a natureza, teoricamente o paraíso para os indígenas, só teoricamente. Outros mais abusados ainda atribuíam o bloqueio ao fato de que o novo índio civilizado não pode ficar por aí andando nestas Toyotas Bandeirantes que a FUNAI distribui para as comunidades indígenas. Aquilo nem tem ar condicionado, a suspensão é mais dura do que de uma carroça, nem hidráulica é. Eles querem aquela outra japonesa, mais macia, mais compacta e com um ar condicionado capaz de transformar a crueldade do calor cuiabano em suaves brisas de um paraíso tropical no caribe.
Eu lamentavelmente estou sempre na hora e no lugar errado. Presenciei tudo isso estupefato. Aqueles nossos nativos todos pintados pra guerra, vestindo camisas de clube de futebol e calçando tênis da Nike, arco e flechas nas mãos a vista e, escondidos atrás de um caminhão que serviu como logística e apoio aos manifestantes, muitas garrafas e tambores com gasolina para possíveis artefatos de guerrilha, os conhecidos coquetéis caseiros incendiários, tudo para coibir as intenções de possíveis corajosos que tentassem furar o bloqueio imposto.
Por trinta longas horas eles dançaram ao redor de uma fogueira e de vez em quando jogavam um líquido combustível e aquele fogo se revoltava o que se transformava num grito de glória coletivo dos nativos. O trânsito se amontoou a beira da Br em um dos principais corredores produtivos deste país, desde o Posto de Fiscalização Estadual na entrada de Cuiabá, até no alto da Serra de São Vicente, onde todos os veículos se amontoavam nos postos de combustíveis e nas diversas bodegas e recantos onde são servidas refeições caseiras, normalmente para motoristas e usuários constantes da Br. Do outro lado, do lado do perímetro cuiabano, idem.
Nos ônibus, cheios de passageiros que muitas vezes saem desprevenidos para viajar e só contam com a passagem e alguns tostões pra um lanche ou uma refeição rápida e barata, muitos passageiros se viram reféns desta arbitrariedade desumana dos brasileiros nativos, que sem aviso prévio, só visaram o seu próprio bem estar, pois no acampamento indígena, comida e água mineral patrocinadas pelo contribuinte, rolava com fartura. Dois ônibus da Viação Gontijo que estavam estacionados no mesmo recanto onde eu me refugiei, os seus passageiros e motoristas se diluíam no calor do caldeirão cuiabano sem ter pra onde ir, pois a esta altura, o trânsito estava completamente impossível, mesmo que pela possibilidade de retornar para Campo Verde ou fazer a volta pelo caminho alternativo passando pela Chapada dos Guimarães.
Os irmãos Villas Bôas que me perdoem, eu sempre respeitei os direitos dos indígenas, porém nesta, eles passaram dos limites.
Eu relatei dias atrás uma passagem onde os caminhoneiros de Rondonópolis e região, também fizeram um protesto na Br pra que uma lei arbitrária fosse revista e a decisão de um juiz desinformado fosse dotada de realidade aplicativa e que terminou com a dissolução do movimento com a força e a truculência da PRF que não titubeou em cumprir uma ordem de desobstrução com o uso da força, assinada por um outro irresponsável de toga que confortavelmente se senta em uma cadeira e lá do conforto do seu gabinete, assiste tudo pela emissora de TV local e se sente absoluto à direita de DEUS. Os caminhoneiros não estavam obstruindo a passagem de viaturas oficiais, nem carros de passeio e muito menos de ônibus, somente impediam os próprios colegas de ofício de boicotarem o movimento, ordeira e pacificamente, sem armas nas mãos e muito menos recursos de guerrilha.
A lei deveria ser aplicada igualmente a todos, porém o movimento indígena terminou quando lhes conveio e com a promessa dos burocratas de Brasília em receber uma comissão de indígenas lá no Planalto Central pra resolver a pendenga, certamente com passagens e hospedagens bancada pelo nosso erário público. Já o movimento dos caminhoneiros, terminou com pauladas, escoriações e ferimentos em pais de família e na classe que tem a maior jornada trabalhista entre os trabalhadores deste país, sem dizer na depreciação moral e da imagem já apodrecida pela conduta corrupta do efetivo da PRF e que passou muito perto de virar mais uma tragédia nacional desnecessária.
Os meus pesadelos não pararam por aí, não há de vê que eu estou retornando para o meu sagrado descanso na minha abençoada terra das brisas realmente suaves e, no Posto de Fiscalização do Rio Corrente, divisa fiscal entre os estados de MT e MS, inexplicavelmente o efetivo de fiscalização está sob o canalhesco aplicativo de “operação tartaruga”. Em pleno período de safra de grãos na região, a fila alcançou a incrível marca de mais de vinte km de paralisações em poucos minutos do horário de pico e eu demorei mais de oito horas para efetuar as obrigações do calvário fiscal. Se o Estado não está aparelhado pra cumprir com a inspeção tributária, ele deve abrir as fronteiras e fiscalizar itinerantemente e não submeter o contribuinte a esta terrível situação vergonhosa e de prejuízos individuais extremos.
Alguma coisa neste país está errada, do jeito que estão tratando o Brasil, seguramente vai faltar lata pra tanta m... Com os interesses classistas acima de tudo e sem resguardar os direitos dos outros, certamente evoluiremos de República das Bananas para efetivamente uma República Federativa das Bananas, pois com a injustiça e o caos vigente, legitimado pela total falta de representatividade de uma ordem que realmente represente os direitos de todos e faça valer as leis que existem, impera por todos os estados da federação a desordem geral. Neste momento nos perguntamos cadê a OAB, a ABI e outros representantes da sociedade organizada que deveriam nos defender deste jogo sujo de interesses maiores?
Na segurança da minha cidade e do meu lar, eu acordei deste pesadelo – isso só pode ser coisa da água. Com este período de chuvas intensas, o Córrego Marinheirinho possivelmente transbordou e os afluentes que abastecem a represa de captação de água devem ter sido contaminados pelo esgoto que escorre sem nenhum tratamento e está provocando estes delírios. Um bom copo de água mineral antes de dormir e estes pesadelos desaparecerão. Só de pensar nesta situação, esta noite também promete... É melhor me prevenir e alugar Psicose do Hitchcock. É muito mais salubre e normal do que a minha realidade.
Escrito por roberto.lamparina às 23h44
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