VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE Á LUTA
Os governadores querem a CPMF aprovada, os governistas não podem nem pensar em perdê-la. A oposição quer vender o pleito o mais caro possível, porém dois dos seus caciques que já estão presidenciáveis há muito tempo, não podem permitir a possibilidade de extingui-la. Se não, como farão eles pra governar depois?
Em tempos de referendo na América Latina, o Evo faz, o Chávez faz, então por que será que o Lula também não faz um referendo pra ver se nós queremos ou não continuar pagando este imposto ridículo? Isso sim seria governar pela vontade popular e da maioria!
E desde quando os governos governam pela vontade da maioria?
Então, acho que devemos iniciar urgentemente uma reforma política que possa garantir que o desejo da maioria não vire uma retórica política. Mas como podemos iniciar uma reforma política se não conseguimos sequer eleger pessoas capazes de conduzir o processo de seleção das nossas prioridades?
São perguntas que jamais teremos respostas, num país onde um corrupto confesso como o Maluf é eleito como deputado mais votado, um estilista decadente se elege com a plataforma única de abalar as estruturas da Capital Federal e um cantor de forró que nem se deu ao luxo de ter alguma plataforma, somente com a popularidade conseguida nos palcos com um talento a meu ver duvidoso, vira Deputado Federal da ala dos forrozeiros, como se estivesse num desfile de carnaval.
No entanto, esta gente sem compromissos, sem histórico e somente querendo compor repertório para o seu enredo pessoal, só estão lá porque os que deveriam estar preenchendo este vazio ideológico fugiram da luta. Com esta história de que “eu não sou político, odeio política, política, religião e futebol eu não discuto”, pessoas que bem poderiam estar lá e defendendo os nossos direitos, dão lugar a estes seres inomináveis.
Louvável é o desempenho do Ministro Gilberto Gil que sempre conciliou a sua carreira artística e a militância política desde a juventude. Este não fugiu as lutas e segue sendo o artista consagrado desde sempre e uma figura política que busca estar defendendo os interesses da sua gente. Cadê o Chico, o Caetano, o Tom Zé, o João Gilberto, a Fafá de Belém o Tony Ramos, o Pelé, etc..., estes sim com histórico, com militância e em condições de defenderem um mandato político.
Estando em aberto estas vagas, outro dia eu ouvi em um noticiário de fofocas goiano que afirmava as intenções do cantor sertanejo Leonardo em candidatar-se a governador do estado para as próximas eleições e já em plena campanha. Como um total desconhecedor do assunto, ele não está pensando em candidatar-se para um cargo no Legislativo Municipal de Goiânia e depois de adquirir experiência para tal, pleitear um passo mais adiante, quer logo o poder máximo no estado. E não pense você que ele com todo o clamor público que possui precisaria de muito esforço para tal. As pessoas confundem o carisma artístico com qualificação e preparo para exercer a representação dos seus direitos democráticos e, sem a devida representação qualificada, vivemos reféns deste despreparo e dos que manipulam este tipo de exploração da imagem e do prestígio popular, com toda a certeza para fins escusos.
Os políticos e os bastidores, sempre exploraram a imagem dos artistas para formarem opiniões, quem não se lembra do famoso “medo” emplacado pela atriz Regina Duarte que quase desestruturou toda a campanha de marketing do então candidato Lula, porém nós não podemos permitir que este carisma exerça um vínculo com a competência para o cargo público pretendido.
Escrito por roberto.lamparina às 16h24
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SEGUINDO OS PASSOS DO CURUPIRA
Todo o processo do conhecimento das questões práticas que estão a nossa volta não teria nenhuma valia se você não possuir a percepção para diferenciar os conceitos ideológicos que estão contidos em cada período ou no ciclo dos acontecimentos. Ao conhecimento das questões práticas, vão sendo adicionados os conceitos ideológicos e aí então é que se começa a vislumbrar a resposta para que possamos entender o porquê de as coisas serem como são. Conhecendo a realidade e toda a carga ideológica que a constituiu, você pode chegar a uma conclusão muito próxima da realidade.
Dentro desta lógica histórica e real, nos podemos afirmar então que os estados que compõem a região Centro-Oeste, pelas suas próprias características de relevo, com grandes extensões de terra plana, são os preferidos na exploração da agricultura em grande escala, dos grandes latifúndios; produtivos ou não e, mais recentemente das indústrias de grande porte ligadas ao agronegócio que alavancou um crescimento rápido a centros estratégicos como Rio Verde e Jataí no Goiás e Rondonópolis e Cuiabá no Mato Grosso. Junto com todo este crescimento seguiu-se uma falta de compromisso total, tanto governamental como daqueles que estão se servindo desta exploração gigante e relâmpago onde os prejudicados como sempre, são aqueles que fazem o papel de mão-de-obra pra todo este crescimento e não possuem sequer o conhecimento dos seus direitos trabalhistas, trabalhando jornadas excessivamente longas, sem equipamentos que se fazem obrigatórios para certas funções, entre outras irregularidades.
Entre os empreendedores de todo este progresso, poderíamos nomear meia dúzia de sobrenomes que estão eternizados nas certidões de propriedade nos cartórios e que possuem a supremacia e o controle nestes três estados. Dentro desta meia dúzia de sobrenomes está o do governador do Mato Grosso e do grupo que ele representa.
No Nordeste, a coisa não é muito diferente do ponto de vista da distribuição do poder. Vivendo da mesma forma secular da exploração da miséria, velhos caciques são substituídos por novos (é ACM pai, filho, neto...) e o sistema de perpetuação do poder é o mesmo. Não permitem que nada se desenvolva para não perderem o cabresto político e eleitoreiro que direciona a grana das subvenções da seca para abastecer as finanças de um sistema corrupto que gerencia toda esta miséria para muitos e o poder e o luxo também concentrado na mão de uma meia dúzia.
Entre os estados com maior equilíbrio em todas as suas potencialidades indiscutivelmente estão os da região Sul. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, constituem-se de um relevo levemente desfavorável, inadequado para a moderna agricultura (como dizem por lá, plantam de estilingue e colhem de laço), porém uma vocação agrícola natural da população e não da região, fizeram uma reforma agrária invisível e voluntária. Com pequenas e médias propriedades e uma característica agricultura familiar implantada naturalmente, a população do campo consegue sobreviver no seu pequeno lote de terra, não sendo empurrada pelo êxodo rural a inchar as cidades. Talvez o segredo maior seja a resistência à monocultura. Lá todas as propriedades se dedicam às diversas áreas da agricultura e da economia do campo. O agricultor tem uma pequena área de lavoura, tem umas vacas de leite, um barracão de suínos pra abate outro de aves e assim nunca está refém de um setor único.
No Norte, tudo é novo e as potencialidades todas estão esperando para serem exploradas, porém o lucro rápido e a necessidade governamental de gerar e desenvolver rapidamente esta região são os inimigos da exploração sustentável e da longevidade que poderia alongar este ciclo explorativo da maneira correta, cedendo lugar a uma exploração indiscriminada na fase primária do ciclo e que condena o meio ambiente e extermina a fauna e a flora regional sem antes mesmo de dominarmos as técnicas e termos o conhecimento das suas benesses.
Aliado a esta exploração indiscriminada, está instalado um sistema de desenvolvimento regional que propicia a proliferação de aproveitadores e picaretas que se valem das lacunas no sistema que rege a livre tributação das “Zonas Franca” e fazem fortunas levando tudo para as regiões livres e depois trazendo parte de volta, embolsando as alíquotas de IPI total e parcial do ICMs, tudo em nome do desenvolvimento regional. É importante e reconhecidamente louvável que Manaus se manteve em franco desenvolvimento depois do fracasso do ciclo da borracha pelo capital empreendido pelos exploradores da Zona Franca, porém cidades como Guajara-Mirim-RO e Brasiléia-AC, que são áreas livres de tributação nos seus respectivos estados, somente são um refúgio para picaretas que lá nada empregaram, estão só colhendo as bênçãos de uma tocaia que se inicia nos gabinetes e se espalha pelos interessados como fator indispensável para o desenvolvimento.
Somente conhecendo todas estas variantes, você pode fazer um julgamento de como é impossível que se mude alguma coisa neste imenso Brasil e o que a mínima possibilidade de mudança pode representar para aqueles que sobrevivem de todos estes filões abertos. Ao público todos esbravejam por mudanças, no íntimo, anseiam pela permanência de tudo devidamente como está.
Escrito por roberto.lamparina às 11h46
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