A MÁQUINA BIENAL DE PRODUZIR MISÉRIA
As voltas com uma oposição que não se decide se oposição ou já quase pretensa situação, o governo do presidente metalúrgico não tem com quem embater e, na falta deste inimigo de tantas batalhas, se esmera na sua própria incapacidade de conquistar de vez todas as classes da sociedade. Aos pobres, ele já os tem nas mãos, com a distribuição de benefícios que estão fazendo com que a gangrena social instalada ao longo da nossa frágil república de bananas, parcialmente se estanque. A classe média é o ponto fraco da gestão vermelha, massacrada com impostos que a prometida reforma tributária iniciada nos palanques eleitorais e que não se estendeu nem se criou na realidade administrativa, sufoca a classe mais produtiva da sociedade com impostos que não retornam na contrapartida gerencial. Os ricos, para estes não têm tempo ruim, estão bem organizados em federações e em associações e fazem valer os seus desejos e as suas vontades de acordo com as suas necessidades, só lamentam pela infeliz companhia de terem que viajar naquelas intermináveis caravanas financiadas pela União, naquela luxuosa aeronave adquirida pela Presidência da República sob o comando supremo de um ex-proletário e não de um burguês que adquiriu e compartilhou o seu conhecimento em uma Sorbonne ou em Harvard e que saiba apreciar um bom caviar regado a champanhe francês, não um devorador de viradinho com torresmo do butiquim da esquina em São Bernardo.
A pobreza dominada, a classe média parcialmente revoltada e os abastados indiferentes, produzem a síntese do atual momento social e político, porém para o ano que vem, tudo muda, é ano eleitoral e, mais uma vez será reativada a máquina de produzir mentiras e miséria. As cidades toda enfeitadas com as bandeiras coloridas dos condidatos, ambulâncias que levam pra todo e qualquer lugar, doentes ou não, a trabalho ou a passeio. Desempregados que por aquele empreguinho temporário vendem as suas almas na defesa de indivíduos que nem os seus mais próximos ousariam defender, tudo em troca de uma vaguinha no comitê. Exames médicos serão feitos com rapidez e eficiência, documentos ágeis e facilitados expedidos a “toque de caixa” sem a tradicional burocracia operante, viagens gratuitas para Aparecida do Norte, oferecida pelo candidato católico apostólico romano que mesmo em um tumultuado período de campanha, não perde a sua fé na padroeira. Remédios que nunca estão nos Postos de Saúde, por encanto aparecem, sem falar naquele encontro tradicional da tarde, regado a muito suco da confusão (cerveja) e a espetinho de gato amaciado no leite de mamão que agora mudou de nome, o tal do Zeca hora, tudo financiado pelo capital interminável do candidato.
Na quarta-feira de cinzas, a carruagem vira abóbora, e o sapatinho de cristal vira “pargata roda”. Eleito, ou não o seu preferido, você está desempregado novamente e só lhe resta aquele bico no moto-táxi, o SUS está em greve e pra você retirar aquele documento que você perdeu na festa eufórica da vitória, só daqui a dois meses, pois os funcionários da Seccional estão passando por uma reestruturação e o sistema está sobrecarregado. Você solicita uma ambulância para socorrer o seu ente e é informado de que as ambulâncias não estão operantes porque acabou a cota de combustível contratada que não foi suficiente para o período.
Cansado e desapontado com tudo, você resolve por fim a todo este sofrimento, porém descobre que será impossível, pois o plano mortuário que preventivamente você fez, está com a parcela atrasada e você não tem nem aonde cair morto. Só o que lhe resta é continuar sobrevivendo até daqui a dois anos quando tudo começa novamente e as esperanças se renovam!
Escrito por roberto.lamparina às 20h04
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DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL
Um leitor educadamente me ligou e depois de me agradecer pelo artigo “Cidadão Kane em Duas Caras”, confessou não concordar com a afirmação de que a Rede Globo de Televisão claramente demonstra suas preferências religiosas em suas programações diárias. O mesmo que eu lhe respondi, novamente eu coloco o assunto em evidência com uma pergunta – vocês conhecem algum ator ou atriz dentro do quadro de profissionais da Globo que tenha identificação pública imediata com a população evangélica? Eu não conheço, certamente porque, pouquíssimas vezes esta emissora de televisão reconheceu nas suas programações a existência desta população tão gigante e que cada vez mais consegue seguidores e adeptos da sua crença e forma de viver. Contrapondo-se a isso, facilmente podemos nomear atores que por diversas vezes atuaram no papel de padres e de imediato ostentam este reconhecimento por parte do público. Aí então você dirá – é, mais o Brasil é o maior país católico do mundo com mais de setenta por cento da população se declarando serem católicos, é natural que esta massificação religiosa esteja focada na maioria esmagadora! No entanto, ninguém consegue explicar porque tanto empenho em carregar esta massificação juntamente com a difusão da doutrina espírita e do candomblé, que não possui a representatividade numérica sequer próxima da evangélica e o porquê de todo este desdém insidioso com os nossos irmãos evangélicos.
Têm atores globais que até já se especializaram em representar papeis de pai ou mãe-de-santo, médiuns, etc..., porém não conseguem dignificar e bem representar a população evangélica por puro desconhecimento e preconceito que esta massificação exagerada criou.
Nada contra a doutrina espírita e muito menos o candomblé que é uma manifestação não só espiritual como cultural do nosso povo, porém estão faltando com este percentual tão grande da nossa população que são os evangélicos e é uma falta tendenciosa. Não é só uma disputa mercantil e comercial com aquele pastor que usou e usa táticas espiritualmente nebulosas; ou não, isso não está em questão e, levantou um império econômico e de mídia. Afinal, as condições em que a Rede Globo de Televisão se tornou este monstro da mídia, não foram nada ortodoxas e nada menos nebulosas.
Na programação global, existe um compromisso em garantir a inclusão inter-racial na programação, assegurando assim, a permanência no mercado de trabalho para os atores negros, orientais, índios, etc..., deveria se criar paralelamente também uma inclusão inter-religiosa e garantir a representatividade digna igualmente a todas as crenças quando estas forem usadas para compor personagens que estão representando não só os conceitos espirituais de um grupo, como também toda a sua forma de viver.
A TV pública é uma concessão do Estado que não está tendo adequadamente a representação de todas as suas camadas como deveria.
Ps; antes que alguém conteste o título, o que tem sido muito comum, quem assistiu a histórica e marcante obra do cineasta Glauber Rocha, imediatamente se sintonizará nas paralelas.
Escrito por roberto.lamparina às 14h02
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