CIDADÃO KANE EM DUAS CARAS
Lamentavelmente mais uma vez a televisão do Cidadão Kane que não é o do Orson Welles e sim o do Channel Four britânico, aquele que produziu um filme que conta a verdadeira história da Rede Globo de Televisão e que foi proibido sua disseminação desde 1994, graças aos esforços do seu supremo mandatário o falecido Dr. Roberto Marinho, novamente usa da sua capacidade em manipular a grande mídia para em horário nobre e na sua maior fonte de controle das massas, a novela das oito, darem contornos pessoais e declararem as suas intenções e as suas preferências sociais, políticas e espirituais de uma só vez.
Com uma invasão completamente sem objetivos e sem sentido na universidade particular da personagem Branca, vivida pela atriz Suzana Vieira, ridiculariza e minimiza as ações dos movimentos sociais que verdadeiramente lutam pelos interesses daqueles que buscam esta associação para poder defender-se dos que os oprimem e os escravizam, buscando as soluções para os problemas e as injustiças comuns a todos.
Colocam de forma inoportuna no ar, de forma injusta pela visão de alguém que notoriamente já tem uma escolha religiosa, as nossas escolhas espirituais, demonstrando preferências e ridicularizando outras religiões como a evangélica que na versão do autor Aguinaldo Silva, não passa de um bando de fanáticos e neuróticos que acreditam na figura de Jesus Cristo como a solução de todos os problemas práticos e espirituais, desprezando os outros que não compartilham das mesmas convicções. Criticam radicalmente a forma de vida e as crenças dos evangélicos, parcela muito importante da nossa sociedade e que vem à custa de muito preconceito e discriminação, conseguindo avanços significativos na mudança de postura da nossa sociedade, inclusive sacudindo as outras instituições religiosas no sentido de buscarem uma proximidade mais ampla dos seus fiéis e cuidarem não só da alma, como também dos interesses do indivíduo como ser exposto a todas as injustiças e mazelas desta vida. Sempre ignorou a existência de outros segmentos religiosos que não aqueles que sempre ostentaram claramente nas suas preferências, agora forçados pela necessidade de apresentarem os outros segmentos que se agigantaram no gosto popular, o fazem com desdém e sempre ridicularizando os milhões de fiéis que se guiam por estas vertentes espirituais.
Distorcem fatos históricos, fazendo com que a verdade e a mentira pareçam somente uma miragem, dependente da condição e do foco de onde se está observando e não fatos passados, vividos e que ainda permeiam o nosso cotidiano como a nossa injusta distribuição de renda, o nosso total desamparo estatal e os verdadeiros fatos que levaram até esta situação caótica. Privilegiam e glorificam a maneira banal de vida das elites e ignoram a grande maioria de esquecidos que se amontoam nas favelas e nas sub-moradias, mergulhados dentro de um pântano de preconceitos raciais, sociais e humanos, criando um personagem imaginário, que por sempre eles combateram, pois a figura do personagem Juvenal Antena não é nada mais do que um Guevara ou um Castro que levemente igualitário, branco e autoritário, porém viu na união da sua gente a sua razão de viver dentro de um modelo mínimo de ordem e progresso, luta para agrupar e mobilizar a sua gente, dividindo o seu tempo entre uma audiência pública para compor os moldes da “favela dos sonhos” (se isso é possível), controlar a milícia que lhe dá este suporte e, de vez em quando dar umas “chineladas” em uma negrinha pra não parecer um líder racista, tudo devidamente oculto dentro do talento interpretativo do ator Antonio Fagundes.
Este é o verdadeiro papel-de-parede que envolve a novela Duas Caras que verdadeiramente reflete os pensamentos e atitudes ocultas de um dos maiores conglomerados de mídia do mundo e definitivamente como a novela, de duas faces, a que criou o modelo de sociedade que hoje vivemos nos moldes estabelecidos pelos que a inventaram para ser a voz do poder, submissa e corporativa e, a gigante de mídia que se tornou, tentando conviver com todas as nuances das ideologias políticas, econômicas, sociais e todas as vozes longínquas, mesmo carregando na bagagem este histórico negativo desde a sua fecunda criação até a sua morna e interesseira atuação de hoje.
Escrito por roberto.lamparina às 18h59
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ALIEN X PREDADOR = JASON
A insatisfação é geral, porém conduzida dentro dos limites das nossas necessidades, é imprescindível para o nosso crescimento e amadurecimento democrático. Outro dia assistindo um debate pela TV Cultura, em uma mesa redonda discutindo os problemas da educação, estavam diversas autoridades e entendidos no assunto, membros da sociedade organizada e representações de classes. O assunto era um balanço sobre a lei de cotas inter-raciais nas universidades. Pra quem conhece nosso histórico de injustiças e desigualdades, isso certamente seria a mais límpida equiparação de distribuição da justiça e igualdade. Porém os posicionamentos e as variáveis são tão complexos que você que tem uma condição definida e uma opinião formada a respeito, se coloca novamente em dúvida. Alguns defendem a opinião de que as cotas representam a garantia à inclusão dos excluídos. Outros garantem que estas cotas representam um atraso na educação garantindo uma colocação nas carteiras das universidades para pessoas que por conhecimento acadêmico ou por méritos próprios, possivelmente não estariam ali. Alguns representantes dos movimentos negros, se colocam extremamente contra, alegando ser esta medida uma forma de preconceito, sendo os negros submetidos à garantia de ter assegurado o seu acesso a universidade por meio de cotas e não igualmente aos outros concorrendo pelo mérito. No entanto, como deve ser em uma sociedade justa, a maioria está prevalecendo e a lei de cotas está valendo e com resultados finais muito expressivos, nos mostrando que os governos têm que governar pela vontade da maioria e não da minoria esbravejante que consegue valer os seus desejos através da sua representatividade econômica e política, fazendo da sua minoria uma voz tão alta capaz de calar a imensa maioria física.
Outra questão também muito polêmica é a do suposto assistencialismo que eu no meu humilde entendimento é tão somente uma dívida imensa que a Pátria tem para com os seus e, que está parcialmente tentando quitar em parcelas muitíssimo homeopáticas e sendo assim, o devedor que reconhece a sua dívida, não importando a forma de pagamento, esteja tentando amortiza-la. Talvez pela minha formação política e por toda uma experiência cigana de muitos anos percorrendo este país e presenciando todas as dificuldades da nossa gente na prática e no dia-a-dia eu pense assim, porém você que esteve ou está sentado na carteira de uma universidade e tendo o seu conhecimento sido repassado por um mentor que também nunca de lá saiu, pense diferente. O importante é que todas as formas de pensamentos cheguem a todos para que possamos fazer os devidos ajustes e chegarmos a uma conclusão de consenso em que a maioria esteja sendo representada nas ações do poder público.
Um artigo assinado pelo Senhor Orlando Ribeiro no dia 02 de Novembro, intitulado “Milhos aos porcos”, relata a sua opinião através de uma fábula e assim ele com muitos méritos, expressou o seu ângulo de visão e expôs os seus conceitos indicando o caminho pela estrada que ele sugere supostamente como segura.
Não compartilhando das mesmas opiniões, e usando das minhas premissas democráticas, estou aqui da mesma forma a ilustrar as minhas opiniões com uma fábula e lhes apontar o caminho que considero seguro, com garantias também supostas de chegada. A fábula é antiga, dos meus tempos de estudante primário. “O pai já velho e vendo aproximar-se o dia da sua morte, percebendo que entre os três filhos não havia notado em nenhum o interesse e o apego em manter a pequena propriedade onde cultivara as melhores uvas de toda a região por toda a sua vida, chamou-os no seu leito de morte e lhes afirmou ter enterrado nos limites da sua propriedade, um tesouro que conseguiu angariar em toda a sua vida de trabalho. Depois da morte e do sepultamento do pai, os três filhos, imediatamente iniciaram a busca pelo tesouro indicado pelo pai. Escavaram e escarafuncharam todo o limite da pequena propriedade e nada encontraram. Cansados de procurar o suposto tesouro, decidiram voltar à atividade de cultivo das uvas e novamente plantaram parreiras que naquelas terras toda sulcada e remexida pela busca do tesouro, frutificou uma qualidade excepcional de uvas e uma produtividade nunca alcançada pela labuta e dedicação exemplar do pai. Então os filhos entenderam que este foi o tesouro indicado e deixado pelo pai como herança”.
Quando eu era jovem e sem experiência nenhuma, muitas vezes esta fábula norteou os meus caminhos e indicou claramente a estrada, porém hoje, eu entendo que é só uma fábula e nos dias de hoje, com todas as mudanças incrementadas nas técnicas de agricultura moderna, sabemos que está fábula é ilusória, pois na prática, sabemos que quanto mais se mecaniza e se mexe com a terra, menor é a sua produtividade alternando as camadas mais nutritivas e misturando as já desgastadas pela ação do tempo, vide o “plantio direto” no serrado, técnica que elimina as pragas, diminui os custos e promove a conservação do solo no menor trânsito possível de máquinas e implementos agrícolas sob o terreno.
Então esta é a estrada que eu vos coloco a disposição, nem tudo o que parece ser, é. Recursos poéticos e fantasiosos parecem ilustrar e conduzir a uma sinergia perfeita, porém para se chegar ao caminho real, é necessário uma ponderação e um estudo de todos os ângulos da questão, os verdadeiros demonstrados pela história ao longo dos tempos e os fabricados por aqueles que sempre tiveram interesses em adequar e adaptar fábulas que vão de encontro com as suas necessidades e interesses.
Escrito por roberto.lamparina às 14h20
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