TROPA DE ELITE
Pra quem já assistiu o filme “Tropa de Elite”, mesmo antes do seu lançamento oficial, pirateado é claro, sabe que o sucesso já é garantido, não por estrelar alguns astros globais que fazem sucesso nas novelas e programas da Globo ou por ter como produtor e roteirista o capitão Rodrigo Pimentel, mas por tocar no nosso ponto fraco, nas nossas mazelas que estão escancaradas todos os dias nos jornais, revistas e todo tipo de mídia. A guerrilha urbana e a violência gerada pelo tráfico de drogas que não se restringe apenas as favelas do Rio de Janeiro, mas a todos os bolsões de pobreza deste nosso Brasil, atinge e envergonha a todos, os moradores dos locais dominados, porque estão diretamente sob o comando de marginais e facínoras e, eventualmente quando a polícia sobe o morro, no meio do fogo cruzado e também de certa forma, na mesma situação e todos nós brasileiros que vemos expostos pelo mundo todo este cancro social que hora se apresenta sem nenhum controle e que cada um dos órgãos e das autoridades que deveriam exercer este controle, faz de tudo para tirar proveito próprio deste descontrole.
O filme mostra com os requintes lingüísticos típicos do cinema nacional (palavrões e xingamentos), como se forja no dia-a-dia em meio a tanta corrupção policial em todos os níveis de comando, um combatente do “BOPE” (Batalhão de Operações Especiais), como se separa o joio do trigo, onde os verdadeiros homens da lei são apartados dos demais para que se cumpra o trabalho sujo que é necessário para que tudo pareça transcorrer devidamente em paz.
Além da sujeira habitual que de vez em quando escapa do controle das nossas instituições, o filme mostra um pequeno grande ator em cena. O ator Wagner Moura, que brilha na novela das nove como o vilão Olavo, dá um show de talento interpretando o capitão Nascimento. A voz imponente e firme ele já tem, porém todos os trejeitos incorporados para compor o personagem que não tem absolutamente nada a ver com a figura física do ator, é puro talento pessoal de interpretação.
Enfim, é um bom filme, uma história que assistimos todos os dias no nosso cotidiano, longe ou perto. Mesmo a visão final sendo composta pela formação de um homem que se criou dentro daquele sistema e está oferecendo a sua versão e a sua visão dos fatos, é uma prova de que eles existem, estão lá contidos nos nossos monturos humanos diários e precisam urgentemente ser revistos e reavaliadas as suas conseqüências urgentemente.
Outra coisa que fica bem claro no filme é a falta de comando e a falta de um órgão que apure e aponte o envolvimento dos oficiais de alta patente da PM carioca com o crime organizado. Já que o exemplo vem de cima para baixo, um oficial comandante não tem como se impor perante a sua corporação tendo indícios claros da sua má conduta expostos diante dos seus comandados, abrindo a porteira pro efeito contrário.
Assistam ao filme, pirateado ou não, o filme é muito bom, o elenco é ótimo e até o Aderbal do Zorro Total, está falando no filme.
Esperamos que para produzir o filme o capitão Pimentel não tenha cometido nenhuma das transgressões moral e ética que ele nos apresenta no filme.
Escrito por roberto.lamparina às 14h30
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