O BOM CORDEIRO NÃO BÉRRA
Os muitos anos que vivemos sob o domínio de um poder autoritário e centralizador nos condenaram a perdas irreparáveis, porém nenhuma se compara a esta condição de subserviência que nos remeteu e nos remete a este atraso perverso e silencioso que nos conserva inertes diante das exigências mínimas dos nossos direitos de cidadania. Diante deste fato, serão necessários esforços incansáveis dos que não se conformam com esta mansidão da nossa população que por muitas vezes paga duas ou três vezes pelo mesmo serviço e não consegue ter satisfeitas as suas necessidades a contento.
Sob a batuta do poder autoritário, a saúde pública andava muito mal, porém não nos permitiam reclamar e nem manifestar descontentamento. Com a redemocratização, a saúde pública continuou muito ruim, contudo mesmo podendo manifestar nosso descontentamento, não estávamos acostumados a demonstrá-lo e, o nosso suado dinheiro público, também mal gasto com a nossa angustiante saúde pública, continuou a escorrer pelas burras da república democrática, sem que pudéssemos ver surtir os efeitos necessários e esperados.
Aí então, com o pretexto de melhorar o sistema de saúde e aliviar as obrigações do Estado com aquela parcela da população que supostamente pudesse pagar um plano privado para complementar o custeio dos serviços de saúde que o Estado não conseguia oferecer, governos passados afrouxaram o cinto e permitiram que as administradoras dos planos de saúde privado se agigantassem e se tornassem o monstro que são hoje. Devoram visivelmente a frágil economia dos brasileiros, conspiram contra os que se atrevem a discordar dos seus métodos (médicos e funcionários do setor de saúde), financiam lobys poderosos e com todos estes poderes, se tornaram incontroláveis.
Com a saúde pública agonizante que nos disponibilizam, só nos restou à possibilidade infeliz de nos entregarmos as exorbitantes quantias cobradas pelos planos das empresas privada e que também pela ineficácia dos serviços prestados, é hoje um dos setores que ostenta o vergonhoso título de campeão nacional no ranking de reclamações dos órgãos de defesa do consumidor.
Resumindo, contribuímos com os nossos impostos para recebermos como contrapartida entre outras coisas, uma saúde pública digna e, não recebemos. Privamos nossas famílias de um merecido conforto para juntarmos os tostões para pagarmos um plano de saúde privado que também não disponibiliza a contento os serviços contratados.
Até quando permaneceremos dóceis e compreensivos com tamanha falta de comprometimento dos nossos governantes e obedecendo fielmente as regras do setor que cria suas próprias regras para nos extorquir?
Precisamos romper com este ranço do autoritarismo que ainda vaga pelo nosso inconsciente e reaprendermos a protestar com veemência, a brigar e a exigir os nossos direitos, senão, certamente eles logo darão um jeitinho de inventar um outro imposto qualquer com o pretexto de custear a saúde pública. Você se lembra com que pretexto foi criado a CPMF? Se você não se lembra, provavelmente também não se importará em “contribuir obrigatoriamente” com uma outra sigla que significará muitos milhões no caixa do Estado e a continuidade da nossa saúde pública falida e abandonada.
Ainda em tempo, parabéns a votuporanguense Karla de Moraes Dumbra, por tentar desfazer esta muralha que separa os dignificados por possuírem os recursos financeiros e os indignos reféns do SUS que isolados estão atrás da fortaleza da mansidão, humildade e da ignorância que nos impuseram por décadas.
Ps; As razões apresentadas pela administração da Santa Casa de que coíbe a entrada de parentes e visitantes para obter um controle rígido nas infecções hospitalares, não colou. Inventem outra, pois nas alas particulares este trânsito é livre e, lá não se propagam as infecções hospitalares? A verdade é que os amigos e parentes dos pacientes, estando por um tempo maior no interior da instituição, começam a enumerar as falhas e a questionarem os serviços. Esta é a verdadeira infecção que os dirigentes querem erradicar.
Escrito por roberto.lamparina às 11h28
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NAÇÃO DOENTE
Praticamente quase tudo nesta vida é transitório e está sujeito a constantes modificações. Você pode casar-se e no dia seguinte se assim desejar, separar-se. Você pode ter uma vida toda dedicada a desvendar os preceitos espirituais caminhando por caminhos como o ditado pelo catolicismo, por exemplo e, um belo dia ser tocado pelo fervor espiritual que habita a alma dos evangélicos e tornar-se um deles, um eloqüente pregador da “palavra”, pra tudo e para todos.
Exemplificando melhor, o cantor Michael Jackson nos mostra que se você estiver cansado de ser negro, dá até pra dar um jeitinho e dar uma clareadinha na pele. As nossas vivências diárias nos mostram que dá até pra ser um mutante congênito, feito uns caras que têm por aí que passam o dia todo falando grosso, dando ordens e a noite se transformam, a começar pela voz suave e o andar desfilante - aqui na minha terra, isso tem outro nome!
Você pode até ser um militante convicto das ideologias de esquerda e um dia tornar-se exatamente o contrário, um admirador apaixonado pelo poder do Capital, vide o saudoso jornalista Paulo Francis.
Você pode ser um completo analfabeto e depois de algumas aulinhas, tornar-se um conhecedor das letras, logo formará palavras e quem sabe até, formará opiniões.
A única coisa que é imutável é a paixão pelo time do coração. Depois de escolhido livremente o da sua preferência, esta possibilidade se torna inadmissível. Eu bem que tentei alertar o meu filho e o meu sobrinho, porém eles não me deram ouvidos e optaram pelo caminho mais exaustivo, agora estão descobrindo da maneira mais dolorosa que time do coração é imutável, a gente se glorifica e se afunda na lama junto com ele.
O governo federal deveria intervir na administração do Corinthians, devido ao grande número de torcedores, ser corintiano em época de crise é um problema de saúde pública. A mão-de-obra na indústria não vai nada bem. Em dia de ressaca pós derrota, os produtos saem com problemas das linhas de montagem, os funcionários faltam por estarem psicologicamente abalados e não conseguirem suportar a gozação dos colegas rivais, muitos mergulham em uma depressão profunda pelas seguidas derrotas do timão.
Eu quase ia esquecendo que o próprio presidente da república é um corintiano doente. Deve ser por este motivo que têm acontecido tantas coisas esquisitas lá em Brasília! Será que o Renan também é corintiano?
Escrito por roberto.lamparina às 11h23
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