O VOTO E O VETO
Em meio a tantas discussões e poucos resultados realmente práticos, continuamos a ver estampados nos jornais e nos noticiários diários, a quase inércia do legislativo diante das necessidades inadiáveis que precisariam ser apreciadas e votadas imediatamente e, que numa maré completamente desfavorável da opinião pública diante da imagem tão desgastada destas Casas, mais uma vez os nobres parlamentares vão empurrando as decisões importantes legislatura adentro.
Reforma Política; fazem o maior carnaval em torno do tema, quando a única prioridade que todos têm, é confundir o eleitorado e a opinião pública no sentido de aprovarem os financiamentos públicos de campanha. Todo o resto é a mais pura tramóia confabulada nos corredores entre as lideranças ávidas para picaretar com os nossos recursos públicos. É lista aberta ou lista fechada? Quem seria o dono do mandato, o partido ou seria o candidato? O certo de tudo isso, é que no final das contas, quem pagará a conta seremos nós, pois aprovado ou não o financiamento público de campanha, o que é um tremendo erro do ponto de vista prático, pois o financiamento público jamais conseguirá frear a entrada de outras formas de financiamentos ilícitos que sempre rondaram as campanhas em busca do poder e do retorno dos investimentos aplicados devidamente acrescidos de juros e correção monetária. Se não existe um sistema que intimide esta entrada com leis severas e devidamente regulamentada, com mecanismos que impeçam a entrada destes recursos, eles usufruirão dos recursos públicos e ainda continuarão a alugar os seus mandatos para defesa de possíveis interessados que legislarão nas suas causas próprias, assim como é hoje, em nada mudará.
Agora, se forem criadas estas regras severas e um sistema rígido com poderes punitivos imediatos, assim que apuradas as irregularidades, esta farra termina. Venha de onde vier, se bem identificado e muito bem documentado a sua aplicação, devidamente aprovada ou reprovada a prestação de contas do candidato antes mesmo do dia das eleições, pois eu preciso ter a certeza se posso ou não votar no meu candidato, a começar pela licitude da sua campanha, teremos eleições limpas e não esta vergonha que temos visto nas últimas campanhas.
A verdadeira reforma política, teria que começar pela valorização do voto, ou seja, dando ares verdadeiramente democrático ao voto, pois na forma como está hoje, o candidato vencedor não é o que congrega a vontade da maioria dos eleitores e sim o que tem a maioria dos votos.
Em um exemplo bastante simples e direto, explicarei. O candidato Paulo Maluf foi eleito com 739.827 votos, conseguidos graças a um cabresto político mantido por diversos mandatos públicos exercidos. O Paulo Maluf construiu muitas casas populares e fez milagres eleitorais diversos com os recursos públicos e nesta caminhada política ele conseguiu congregar a confiança destes 739.827 seguidores e depositários da confiança no político desonrado que todos nós, o resto do universo total dos eleitores, sabemos que ele é. Então ele não foi eleito democraticamente pelo voto da maioria e sim com a maioria dos votos. Porém se existisse um sistema que desse ao eleitor o direito a um voto e a um veto, isso certamente não aconteceria. O cara teria o direito de votar no candidato da sua preferência e boicotar a entrada de um desses vermes que se aproveitam dessas brechas para se estabelecerem no poder. O veto nem precisaria ter o mesmo valor do voto, que fosse um décimo do valor. Tenho plena certeza que se uma medida desta fosse colocada em prática, não teríamos tantos canalhocratas se habilitando para preencher uma vaga no legislativo, pois certamente correriam o risco de terem uma votação desgraçadamente em números vermelhos.
Escrito por roberto.lamparina às 17h59
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PIA BATISMAL
Apenas complementando um artigo escrito pelo Dr. João Fidélis no dia 19 de Junho de 2007, “Lamarca, herói brasileiro”, Carlos Lamarca está realmente muito longe da figura de um herói, pois suas atitudes o remeteram mais pra figura de um terrorista do que propriamente um herói. Porém sabedores que somos da trajetória histórica deste período dos acontecimentos, quem poderia dizer com toda a certeza quais foram os bandidos e quais foram os mocinhos?
O Ministro da Justiça Tarso Genro no intuito de exaltar e premiar a esquerda e os familiares de Carlos Lacerda, privilegiou seus herdeiros com o reconhecimento de uma generosa promoção seguida dos fartos vencimentos na carreira militar interrompida pela insubordinação e deserção do mesmo. No entanto, os efeitos desta ação surtiram exatamente o contrário, conduziu Lacerda até a mesma pia batismal onde estão dispostas as figuras dos seus ex-comandantes a espera de muita água para que possam ser purificadas.
Para quem já teve algum contato mais íntimo com a caserna, sabe que dentro das forças armadas poucas eram as atitudes contrárias diante de um poder que rompeu com o curso democrático da história política brasileira e que governou totalitariamente o Brasil por vinte anos. Então qualquer que seja a ação no sentido de brecar esta insanidade militar apoiada por aproveitadores e vampiros civis que estão por aí perambulando até hoje, já seria algo louvável e merecedor dos nossos agradecimentos. No entanto, isto não o classifica como herói, mas só um cidadão que fez o que achou direito e por isso pagou o preço. Muitos preferiram na base do ame-o ou deixe-o, abandonar-nos. Foram para o exterior convidados a partir, uns continuaram lá fora com a militância e a luta pelos nossos direitos. Outros simplesmente se aproveitaram da situação e da ocasião para obterem vantagens e tirarem um amplo proveito da situação sem ao menos lembrarem-se dos compatriotas que aqui ficaram debaixo de um manto negro de perversidade de um regime cruel que não só se contentava em prender, torturar, mutilar, matar covardemente e, esta é a pior de todas as covardias, não dar o direito a uma mãe de saber se o seu filho estava vivo ou morto, pois nem os corpos permitiram que fossem entregues aos seus. Não lhes importavam se fosse homem ou mulher, jovem ou idoso, declararam guerra a todos que nas suas mentes doentias, representassem um perigo eminente.
Se condenarmos completamente a figura de Carlos Lacerda, também teremos que condenar o Fernando Gabeira, o Franklin Martins, o José Dirceu, o Luís Travassos, o Paulo de Tarso, o Wladimir Palmeira, a Vera Sílvia de Araújo, o Manoel Cirilo de Oliveira e tantos outros jovens estudantes que se transformaram em guerrilheiros e participaram de ações dos movimentos revolucionários que se posicionaram contra aquela infame aliança do mal que por vinte anos conspirou contra os nossos direitos.
Para os Generais e apadrinhados, a Bete Mendes, esta mesmo que vemos nas novelas da Globo, hoje uma senhora pacata e tranqüila, era uma perigosíssima terrorista militante da Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-P) e que teria participado da ação terrorista que explodiu um veículo repleto de artefatos na entrada de um quartel no Ibirapuera, matando na ação o soldado Mário Cosel Filho. Em uma guerra, não se combate com rosas. Houve muitas baixas, principalmente do lado mais fraco, porém a pior de todas as baixas é ter transformado jovens inocentes e idealistas em terroristas ameaçadores e caça-los, tortura-los e mata-los sem leis e nem regras, sem nenhum embasamento lógico e moral, tudo em nome de um ideal que não representava o desejo de ninguém, a não ser dos próprios milicos e dos seus parceiros vampiros.
Contrapondo-se a isso, jamais tivemos a coragem de exigir ou levar qualquer destes “senhores da guerra” que deliberaram esta insana ação militar que começou sob o falso pretexto de restaurar a ordem pública e sorrateiramente estendeu-se por vinte anos, ao banco dos réus e condena-los pela desonra dos ideais militares que estavam sob juramento. Morreram e estão morrendo de velhice, agora interessados somente no anonimato para continuarem recebendo os pomposos soldos de oficiais de última patente e que suas famílias herdarão como lembrança do velho senhor da guerra que um dia de dentro de um gabinete militar mandou prender e mandou soltar, matou e permitiu nascer esta sociedade que os repudia com todas as nossas forças por todos aqueles atos covardes e desnecessários. Hoje, os que ainda estão sendo castigados com o ato de viver, relegados estão a um fraldão geriátrico verde oliva, sentados nas suas poltronas de estar, esbravejando com os comunistas que estão no poder – comunista bom, é comunista morto.
Portanto, até que os tais Generais ou as suas memórias, indignas do soldo que recebem, forem julgados, Carlos Lacerda foi só um soldado que tombou no campo de batalha e assim deveria permanecer, sem privilégios e nem comendas, só um comandado que por insubordinação não cumpriu a ordem do comandante e passou para o outro lado e assim deveria ser também os generais em questão, terem seus soldos suspensos pela conduta desonrosa e a traição do povo brasileiro que pagamos os seus salários pontualmente, chova ou faça sol.
Escrito por roberto.lamparina às 15h54
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