ORDEM É PROGRESSO?
Com um mundo repleto de posicionamentos definidos, pré-definidos ou bem próximos de uma definição permanente, existem coisas que eu gostaria muito de saber - de quem partiu tamanha explosão de incoerência e total instinto sacana.
É certo, que em tudo e em todos os lugares, regras e normas fazem parte da engrenagem que faz com que as coisas funcionem com certa cadência ordeira, porém, às vezes esta nossa mania de nos igualarmos a todos os conceitos que importamos de supostas sociedades mais desenvolvidas, nos remetem a um grau de atraso e que deprecia os nossos próprios valores individuais.
Eu gostaria de saber, por exemplo, qual seria o critério utilizado pelos mentores destas certificações que hoje, quase todas as empresas têm ou estão tentando conseguir na busca por uma uniformidade empresarial e um conceito positivo das empresas detentoras destas certificações.
Alguém decidiu que um prestador de serviço não pode adentrar na empresa se não estiver trajando calça comprida, sapato fechado e camisa com manga. Num calor de 40 graus você está todo adequado ao ordenamento. Então você vai até o escritório na administração e a recepcionista está trajando uma mini-saia tão comprida que deve ter sido feita a partir de uma gravata borboleta desmanchada, que pelo tamanho da saia, ainda deve ter sobrado tecido! O engraçado é que você é quem está no sol e está todo paramentado e suando na cauda e, a bela jovem da administração toda arrepiadinha de frio no ar condicionado central ligado no último. Aí então você questiona alguém a respeito e ele diz – a culpa é do ISO.
Este tal de ISO, até que trouxe algumas idéias produtivas, como a implantação da coleta seletiva do lixo nas empresas, a adoção de algumas práticas de organização pessoal ou de grupo, a implantação de políticas visando um melhor aparelhamento físico e humano dos funcionários, entre outros benefícios, porém existem alguns ordenamentos que simplesmente são inoperantes.
É claro que o indivíduo dentro de uma unidade fabril que produza gêneros alimentícios, certamente não deveria estar trajando uma bermuda ou chinelo tipo sandália, porém temos várias outras atividades em que o traje mais leve, ajudaria em muito o desempenho do funcionário e dos prestadores de serviço.
Quem conhece as áreas litorâneas, sabe o que eu estou falando. Frentistas de postos de gasolina, vendedores de lojas comerciais, a própria Policia Militar, possui um traje adequado para cada realidade. Este sendo confortável e não sendo ultrajante a decência do indivíduo, está apropriado.
Agora enchem todo mundo de equipamentos, é capacete, é óculos, é mascara, é luva, botina de segurança e todos estes equipamentos só tornarão o indivíduo que não está acostumado ao seu uso, ainda mais exposto aos acidentes. O cara que não está acostumado a usar capacete bate a cabeça em tudo que é lugar, pois perde a sensibilidade natural dos cabelos que são os nossos sensores naturais de perigo. Os óculos normalmente diminuem muito a visão dos que não estão habituados ao seu uso constante, além de que estão sempre riscados e manchadas as suas lentes.
Há casos que às vezes podemos fazer um juízo equivocado, porém uma grande maioria está equivocadamente iludida pela falsa impressão de segurança e ordenamento que estas regras causam.
Um dia desses, eu perguntei para um soldado da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar, a popular ROTA, grupo de Elite da PM da capital, como ele fazia para correr atrás de um bandido com todo aquele equipamento e aquele traje pesado que a corporação usa. A resposta foi imediata – nós não estamos aqui pra correr atrás de ninguém, o nosso negócio é outro. Articulando o dedo indicador, ele me explicou qual era a sua especialidade.
Escrito por roberto.lamparina às 00h18
[]
[envie esta mensagem]

O CÔNCAVO E O CONVEXO
Um dos meus péssimos defeitos pessoais, é colocar-me, ou por algum momento imaginar-me na condição da pessoa de que eu gostaria de obter um perfil, ou hipocritamente exercer a minha condição de ser humano, ou seja, julgar o comportamento dos outros, na certeza de que os outros estarão julgando o meu.
Nesta prática comum, às vezes me deparo com uma equação que não fecha, não consigo obter um resultado lógico.
Sendo eu um sujeito abastado, proprietário de um grupo empresarial que domina diversos setores da economia nacional como, a extração do cimento, a fundição e o comércio de ferro, aço e alumínio, a produção de papel e celulose em todos os seus ciclos produtivos até o comercial, instituições bancárias e recentemente também agindo no mercado de seguros e gerenciamento de riscos. Sendo eu um sujeito já de idade avançada e que consegui todo este crescimento insuperável graças a uma combinação de fatores que provavelmente eu não saberia especificar em uma cartilha o que impulsionou todo este crescimento, a não ser a simples palavra “destino”.
Inegavelmente os meus funcionários e colaboradores, ajudaram muito. No entanto, como será que eu deveria proceder para recompensar aqueles que dedicaram toda uma vida servindo-me e impulsionando o meu crescimento pessoal? Transferir parte da minha fortuna pessoal para uma fundação sem fins lucrativos ajuda, porém, é preciso muito mais do que isto, pois eu preciso fazer chegar a minha gratidão a todos que participaram desta minha caminhada vitoriosa até aqui. É certo também que tudo o que construí, ficará como herança aos meus herdeiros diretos que continuarão esta trajetória e manterão os empregos e o bem estar social dos que me servem. Também é certo que é impossível eu recompensar justamente, os milhares de funcionários que tenho espalhados por todo o Brasil. Porém aqueles que me servem diretamente, estes eu tenho como recompensá-los pela dedicação de toda uma vida.
Seria inadmissível que eu sendo um dos empresários de maior sucesso no Brasil, terminasse os meus “dias”, tendo como colaboradores pessoais, motoristas, empregados domésticos, secretários pessoais, etc..., vivendo todos os dias, o côncavo e o convexo da existência humana. No horário comercial, desfrutando de todo o luxo e de todos os recursos que o dinheiro possa obter. Depois do horário comercial, volta a ser somente o indivíduo que pega um lotação lotado ao final do expediente a caminho do subúrbio onde todos os seus outros problemas o aguardam para uma segunda jornada em uma submoradia, que foi o único lugar onde o seu salário de servidão o possibilitou chegar.
Eu poderia usar uma das minhas instituições bancárias para criar uma linha de crédito para os meus colaboradores, onde eles pudessem adquirir uma casa digna em local digno e fossem homeopaticamente quitando estes débitos de acordo com os seus vencimentos.
Outra coisa que certamente eu faria, seria ordenar a derrubada imediata dos sanitários da Expedição na minha Companhia Brasileira de Alumínio, em Alumínio-SP, à bem da saúde pública, pois um local onde diariamente executam as suas funções humanas mais de cem motoristas e ajudantes, não poderia estar instalado dentro do prédio da Expedição e, passando por uma única limpeza diária.
Escrito por roberto.lamparina às 13h14
[]
[envie esta mensagem]

|