ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
Existem pessoas que quando olham para uma cadeira, vêem apenas um objeto, ou um móvel destinado principalmente ao simples ato de sentar. Existem outras com maior profundidade no olhar, que reparam nos materiais outros que podem envolvê-la, nos seus detalhes de confecção, no material com que ela foi confeccionada, etc. Já existe um pequeno grupo de pessoas, que num simples e rápido olhar são capazes de analisarem em poucos segundos, todo o complexo processo de criação daquele móvel, um móvel tão primitivo que provavelmente deve acompanhar o homem desde que ele se pôs de pé (segundo a teoria da evolução) e precisou descansar desta posição agradável, porém muito mais cansativa.
Você olha o móvel e vê na sua frente o trator de esteira fazendo o carreador no mato, a moto serra cortando a imensa árvore de Angelim ou outra qualquer, a tora sendo cortada em diversas partes para ser transportada até a serraria, sendo serrada e carregada até a região da indústria que nunca é no local nativo da madeira, todo o processo industrial sendo processado desde o corte desenhado e em série das partes, até o acabamento final no fino trato da madeira pelos marceneiros, embalada para o comércio, novamente carregada e embarcada para o outro setor que irá fazer com que esta simples cadeira chegue até a sua casa para o seu conforto e comodidade.
Em todo este processo produtivo, existe um custo, que também poucas pessoas se dão conta disso pelo simples fato de o objeto em questão ser uma cadeira, um móvel primitivo, rústico, praticamente sem nenhuma importância nas nossas vidas. Poderíamos viver tranquilamente sem as cadeiras. Voltando ao custo das cadeiras, o custo ambiental é irreparável, o custo social é inadmissível num país detentor das maiores reservas florestais do mundo, não termos uma política sensata para a exploração sustentável deste bem maravilhoso que possuímos e, finalmente o custo econômico, onde os impostos gerados em todos os diferentes processos de produção são mal usados e mal aproveitados pela máquina arrecadadora. É por todos estes custos, que custa tão caro uma cadeira!
Eu cresci ouvindo o meu pai dizer, que ouviu do pai dele, que provavelmente deve ter ouvido também do pai dele..., que chegaria o dia em que teríamos fome e mesmo tendo o dinheiro no bolso, não teríamos o que comprar. O dia imaginário está muito próximo, todos os setores somente estão contabilizando os lucros e não estão levando em conta os custos totais dos seus atos.
A exaustão deste sistema econômico que só visa os lucros e direciona todo o potencial produtivo para onde eles estão fluindo com fartura, não é novidade para nós. Cronologicamente podemos verificar os diferentes ciclos econômicos perpetrados ao longo da nossa história e veremos que em cada um deles um pequeno grupo obteve vantagens e do outro lado à maioria só colheu prejuízos e perdas. Foi assim no ciclo da cana-de-açúcar, no ciclo do café, da borracha e agora recentemente com esta extração desenfreada da madeira.
Agora estamos nos direcionando novamente para um novo horizonte econômico, o ciclo do etanol do álcool. O mundo inteiro focaliza os seus holofotes para as nossas terras férteis e nosso potencial produtivo. Os recursos advindos para a produção deste importante combustível renovável em grandes escalas produtivas, devem aquecer a nossa economia e dar a sensação de que estamos no caminho certo do desenvolvimento, porém, como nos outros ciclos econômicos, os custos também serão muito altos e os danos irreparáveis. A cultura da cana fadiga o solo, contamina e enterra as nascentes de água e obriga a retirada de tudo o que obstrui o sistema mecanizado de operar, além de conduzir inevitavelmente pelos apelos econômicos a monocultura. Para que exploremos esta nossa potencialidade com sensatez, é preciso que os nossos administradores criem regras e parâmetros para que possamos colocar na balança os custos e os benefícios reais deste ciclo que prospera sem que cause um desabastecimento ou um desaquecimento dos outros setores produtivos que necessitamos para o equilíbrio das nossas necessidades. Já importamos arroz do Uruguai, trigo dos argentinos. Será que teremos que comprar milho e feijão também para nosso consumo interno?
O meu pai me ensinou a teoria e por alguns anos eu vivenciei a prática. O adubo químico é composto de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), podendo ainda ter na sua composição outros micro elementos como zinco, bório, etc., todos com ação sistêmica definida. Milho se planta de sete a dez grãos de semente por metro quadrado e o padrão universal para a medida entre as ruas é de noventa centímetros para que possa ser colhido por máquinas colheitadeiras. A mandioca deve ser enterrada a uma profundidade aproximada de dez centímetros e com no mínimo quatro brotos de caule na horizontal, pois só os índios enterram o caule de pé.
E o seu pai, já lhe ensinou como fazer para você obter o seu sustento com as suas próprias mãos? Sem cadeira você vive, porém sem comer..., em breve você precisará saber!
Ps: Antes que me questionem sobre o título, para os que estão entre os trinta e os cinqüenta, não é novidade. Para os mais jovens, é um épico do cinema americano exaustivamente assistido pela minha geração, estrelado por Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Deam, contando a saga de duas gerações de uma família texana, centrada nos personagens de Bick Benedict (R.Hudson) e Leslie (E. Taylor), tentando a todo custo manter a fazenda da família (Reata) na tradicional atividade da criação de gado texana e, não ceder aos apelos econômicos que a então recente indústria da extração do petróleo vislumbrava.
Escrito por roberto.lamparina às 11h34
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