O PARAÍSO É AQUÍ,...NA SUÍÇA
Uma pequena notinha na coluna “Ponto de Vista” do jornal de domingo, me chamou a atenção para a divulgação de uma notícia de que o governador José Serra estaria tentando usar a conservação das estradas vicinais da região como moeda de troca na tentativa de uma possível privatização da malha rodoviária da Rodovia Euclides da Cunha, transferindo a obra de duplicação para a iniciativa privada, que por sua vez executaria a obra de duplicação e implantaria o pagamento de pedágios.
Os senhores disseminadores desta forma cruel de abusar da boa vontade pública, já não nos basta os que os senhores nos obrigaram a engolir nestes anos todos de desmando que os senhores emplacaram no estado e, agora novamente se achando a poeira assentada, novamente vem com este papo. Será que os senhores não aprenderam absolutamente nada com os seus erros passados e que nós estamos pagando até hoje? Os senhores não só inviabilizaram toda a economia do maior estado da federação, como também deram mostras reais de toda a vossa incompetência administrativa, pois antes dos senhores se perpetuarem no poder, também passaram outros tantos incompetentes iguais ou piores e não precisaram privatizar nada em nome da conservação pública.
Rodovias como a Washington Luiz, o complexo Anhanguera/Bandeirantes e Imigrantes/Anchieta, o pedágio não foi invenção dos senhores, porém foram os senhores quem fizeram destes complexos viários a maior máquina de fazer dinheiro no estado de São Paulo. Dinheiro, não é TDP, nem cheque pré-datado, sequer cheque é aceito. E toda esta máquina sugadora está nas mãos dos empreiteiros amigos e financiadores das campanhas políticas. A população que não possui nenhum laço de amizade com os senhores e vice-versa paga a conta altíssima, representando hoje, o custo da vossa insensatez, cerca de vinte por cento do custo do transporte bruto, este que está sendo pago por você quando adquire comida e bens de consumo. Pra vocês que não sabem ou que não conhecem, uma carreta de cinco eixos, carregada com 28 toneladas de soja destinada a exportação, pagará a absurda quantia de R$ 246,00 até R$ 270,00 dependendo da variação da rota, para chegar com sua carga até o destino final nos terminais portuários de Santos/Guarujá. Este quadro torna-se ainda mais grave, quando estradas de altíssimo padrão de qualidade foram entregues a estes vampiros da iniciativa privada que estão arrecadando dinheiro com rastelo em cima de uma malha rodoviária dos quais as únicas despesas foram, implantar um bom sistema de atendimento de socorro e roçar e recolher o lixo dos canteiros laterais e centrais. Logicamente a maior despesa é a propaganda e a publicidade. Gastam uma verdadeira fortuna para implantarem na cabeça do usuário que hoje ele está no paraíso. O problema é que o paraíso deles é igual ao de Adão e Eva, coberto apenas por uma folha de parreira, pois até as roupas de baixo eles nos surrupiaram.
Ao invés de inventar novas técnicas e novas formas de investir no bolso da população sem dó e nem piedade, o governador deveria decretar a suspensão temporária da cobrança das atuais praças de pedágio até que uma tabela de custos reais seja implantada e remeta as atuais tarifas para um valor justo e honroso. A sociedade e o poder judiciário, deveriam mobilizarem-se no intuito de embargarem judicialmente estes postos de furto já existentes e não permitir a implantação de novos. Se ninguém fizer nada, provavelmente eles nos contemplarão com mais uns dois pontos de furto. Os paraísos fiscais não agüentam mais receberem dinheiro das concessionárias de pedágios brasileiras. Dizem que os bancos Suíços só aceitarão dinheiro das mesmas, se seus cofres passarem por uma ampla reforma para aumento de capacidade.
Escrito por roberto.lamparina às 15h49
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EU, MECENAS?
Aproximou-se aquele rapaz, jovem, tinha no máximo uns doze anos:
_Senhor, meu nome é Theodoro Carlos, o senhor não poderia me ajudar comprando um CD e colaborando para que eu possa gravar outro e divulgar o meu trabalho? Eu não sei se o senhor me conhece, mas eu já me apresentei no programa do Leão Livre...
_Olha meu jovem, eu não assisto esse tal Leão..., eu nem tenho aparelho que toque CD, o meu aparelho é ainda um toca-fitas e eu não estou interessado, a grana está curta e ...
_Háa, que pena, o senhor pareceu-me ser um incentivador das artes. Eu jurava que o senhor era um mecenas.
_Rapazinho, você precisa ter um pouco mais de respeito para com os mais velhos, que estória é essa de que eu pareço um mecenas! Seu pai não lhe deu educação? No meu tempo, se eu desrespeitasse uma pessoa mais velha, o meu pai me lavava a boca com sabão de soda!
_O senhor não entendeu...
_Eu entendi tudo, você disse claramente que eu parecia um mecenas!
_E não parece? Respondeu o rapaz já arrependido pelo comentário.
_É claro que não. Você já viu um mecenas de perto? Você teria coragem pra afirmar que eu sou um mecenas?
_Coragem, coragem..., tipo certeza, eu não tenho, mas tudo indica que o senhor é um mecenas.
_Rapaz, você está redondamente enganado comigo. Eu jamais fui e jamais serei um mecenas. E tem outra coisa, se um dia, por acaso eu me transformar em um mecenas, não permitirei este tipo de intimidade comigo.
_Senhor, por favor, me desculpe, o senhor deve estar fazendo confusão. O senhor sabe o que é um mecenas?
_Agora você está insinuando que além de mecenas eu também seja um ignorante?
_Não senhor, de forma nenhuma, talvez o senhor só esteja confuso!
_Confuso eu? Eu sei muito bem o que é um mecenas e, eu não desejo isso nem pro meu pior inimigo!
_Calma senhor..., mecenas é só uma pessoa que admira e colabora financeiramente com as artes. Historicamente, o termo mecenas resultou do nome de Caius Maecenas, um cidadão romano rico do tempo do Império, foi um grande político, estadista e patrono das letras, perpetuando assim o termo aos burgueses ricos da época do Renascimento, que, patrocinavam o trabalho de artistas e escritores, em busca de glória e prestígio.
_Háaa táaa, não eu pensei que fosse ..., nada não. É eu sou um mecenas. Quanto custa o CD?
Escrito por roberto.lamparina às 15h09
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NEM SÓ OS DIAMANTES SÃO ETERNOS
Poucas são as pessoas que têm a oportunidade de terem as suas vidas descritas e marcadas pelas lembranças de todos os que fizeram parte das diversas fases em sua existência. Artistas, escritores, jogadores de futebol, personalidades de sucesso reconhecido e que em algum momento, efêmero ou duradouro, se tornam públicas e notórias, tendo todos um fato ou uma história em comum para serem contadas ou lembradas. A professora do Ronaldinho “gorducho”, por exemplo, lembra orgulhosa do aluno péssimo em sala de aula, que gostava de cabular aulas para jogar futebol e que mais tarde se tornou um dos mais bem pagos e dos mais bem sucedidos entre os jogadores de futebol do mundo. Orgulho para os brasileiros aficcionados pelo futebol e nem tanto motivo de orgulho para a classe dos professores, que não conseguiram cumprir com o seu papel e despertar em um garoto pobre do subúrbio do Rio, o interesse em se tornar um cidadão culto e instruído e de quebra, ainda ser um dos melhores jogadores do mundo.
Quando criança, cursei o primário e o ginasial, como eram descritos na época, em uma pequena escola de periferia chamada E.E.P.G. MIMO, reduto de alunos pobres e carentes, onde me enquadrava na classe dos pobres. Sempre fui um bom aluno, não o suficiente para tornar-me célebre, somente o necessário para naqueles tempos onde o ensino era diferenciado e direcionado com o intuito único de realmente estimular o aprendizado, ter consagrado todas as progressões, sem nunca ter ficado para a recuperação e com certa sobra. Se hoje por qualquer motivo eu me tornasse uma pessoa reconhecidamente pública, poucos teriam algo a dizer ou a ressaltar sobre os meus já quase quarenta verões, pois sempre tentei me manter invisível ou parcialmente longe das vantagens e desvantagens que estão sujeitas as pessoas que são mais notórias.
No entanto, existem pessoas que esta invisibilidade seria certamente impossível. Tive o imenso privilégio de cursar o primário sendo educado e alfabetizado por “Mestres” do porte da professora Cida Gil Raia, da saudosa professora Neide Tonani Marão, que entre outros tantos gestos de carinho, atenção e amor ao ofício escolhido, todos os anos no período da Páscoa, na impossibilidade de presentear os seus alunos com um ovo de Páscoa cada um, simbolicamente comprava do próprio bolso e distribuía em sala de aula, um bombom para cada aluno seu. Impunha a educação sem precisar se impor, jamais alterando o tom de voz e a classe que lhe era peculiar. Minha modesta iniciação nos difíceis e complexos labirintos da Língua Portuguesa se deu pelas mãos da professora Sílvia Mazzaferro, que além da excelência consagrada na matéria, era uma mulher extremamente bela, já me permitindo a este elogio respeitoso e tardio, mesmo não me tornando um discípulo virtuoso de todo o seu conhecimento na matéria. Professores como Aírton Silvério, Edgar Máximo e Abílio Calile, completaram o meu ciclo básico de conhecimentos no ginasial. Já no colegial, transferi-me para o IE, ou E.E.P.S.G. dr. José Manoel Lobo para iniciar o segundo grau e novamente fui um privilegiado, pois fui orientado por professores como Valdir Basaglia, Uelinton Garcia Peres, entre outros grandes professores e dirigidos pelas mãos fortes e seguras da Dona Olga. Eram anos de mudanças políticas e sociais, fim de um regime militar autoritário que se impôs pela força das armas e da crueldade para aqueles que descumpriam os seus desígnios e onde tudo indiretamente estava implícito esta característica incômoda. Tempos autoritários, sociedade insatisfeita, mudanças, eleições diretas já e, eles não resistiram. Os opressores entregaram o comando da Nação novamente a um civil, não que isto tenha sido uma conquista somente positiva, pois todos ali estavam comprometidos com aquele ciclo infame de poder e sufocados pelas técnicas usadas para o adestramento e para o controle das massas. Até a própria população já não sabia pensar por si só e precisava recriar os caminhos e os horizontes. Nesta busca pelos caminhos certos, nada era seguro, tudo poderia ser passível de erros e equívocos. Foi neste clima de liberdade vigiada pelos próprios ranços autoritários que eu cometi um dos maiores equívocos da minha vida e aqui estou pedindo perdão depois de mais de vinte anos. Professor Uelinton, aquela crítica anônima emitida naqueles conselhos criados para o aluno avaliar a atuação do professor, e que reclamava da sua enérgica atuação em sala de aula dizendo “ser enérgico não é sinônimo de falta de educação”, foi equivocadamente emitida por mim e agora devidamente reparada. Somente o passar dos anos e a experiência de vida como pai e como cidadão me fizeram rever os meus conceitos. O senhor estava completamente certo como professor e como cidadão, cumpriu com o seu papel e se a sua forma e a sua maneira de ser, alcançou os objetivos, então o senhor cumpriu com o seu papel de educador e sendo assim, também de cidadão.
Eu gostaria de dedicar este breve relato do tempo a velhos amigos de infância e de juventude que o tempo, os afazeres e os diferentes caminhos traçados, se encarregaram de nos distanciar, porém estarão sempre presentes nas lembranças da minha humilde existência. Márcio Nobuioshi Nosse (Tuti), Sidimar Franham, Sérgio Marchiori Baptista, Marcos Mestieri, Aparecido Donizete de Almeida, entre outros inúmeros amigos que estão por aí, vivendo suas vidas, certamente marcada pela dignidade e pela simplicidade que tiveram como exemplo. Um grande abraço a todos!
Escrito por roberto.lamparina às 15h07
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MALHAÇÃO DO JUDAS
Malhar o Judas, sempre foi uma prática normal em sábados de aleluia, porém esta prática, quando ignora os limites do calendário e antecipa de sábado para terça-feira, ultrapassa todos os limites da ignorância humana e faz de um simples ato de repúdio uma violência incoerente e um ato covarde contra uma pessoa real, verdadeira, de carne e osso, talvez mais osso do que propriamente carne, é uma covardia inadmissível, sem falar em um crime bárbaro que envergonhou e envergonha a todos os moradores desta nossa bela e pacata cidade.
A figura de Judas ao qual me refiro é a do ser humano que teve 60% do seu corpo queimado criminosamente e que o algoz ou algozes, ainda não teve a coragem de assumir a autoria da sandice. Como podemos acalentar no seio da nossa sociedade pessoa (s) que cometem uma barbaridade dessas? O que teria feito o Sr. Aparecido Longuinho Brito de tão grave assim, que merecesse tamanho ato punitivo? Será que o seu crime é ser morador de rua e a sua sentença definitiva seria a morte decretada pelos seres superiores que estão entre nós e que a qualquer momento podem decretar uma sentença definitiva para qualquer um de nós que não se enquadre no perfil definido por eles e pelas suas doentias ações. O que passa pela cabeça de uma pessoa que comete uma covardia dessas com uma pessoa completamente indefesa? Só Freud explicaria isso, pois a nossa incapacidade de entender o que passa na cabeça das pessoas que cometem este tipo de barbárie nos torna tão doentes quanto ele(s), pois nos vem à mente um desejo cruel e constante de vingança.
A banalização deste tipo de covardia tem se tornado rotina por todas as partes do Brasil, é fogo em indigentes, em índios, em velhos, será que não somos suficientemente punidos diariamente com a pobreza e a miséria advinda da inconseqüência e da incapacidade dos nossos representantes na administração pública? Será que já não basta sermos obrigados a assistirmos pasmamente à violência proveniente de todo este caos administrativo retratada diariamente nas manchetes dos jornais por todas as partes do país? Agora vem este(s) boçal (is) a nos envergonharem aqui em nosso terreiro.
O Judas desta vez é um homem de sangue e não um boneco de pano que poderia ser espancado a pauladas e a pontapés e ao final atear fogo nos seus restos. O senhor, vítima desta crueldade, a vida provavelmente já teria feito e lhe aplicado todos estes castigos, porém ninguém tem o direito de atear fogo nos seus restos.
Resta-nos, portanto, a agonia de esperarmos pelo nosso próprio julgamento, onde sem defesa, sem direito algum, poderemos também ter o corpo incinerado, ou um braço amputado, a cabeça degolada do resto do corpo, por pura obra de um tribunal demente que por nos julgar diferente ou destoar das suas características ou convicções nos decrete uma sentença final. Esperamos que a polícia e o poder judiciário haja duramente obedecendo todos os rigores da lei e puna severamente o(s) responsável(is) por este ato indigno da conduta humana.
Escrito por roberto.lamparina às 15h04
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