UMA COISA, PUXA A OUTRA
Não existe negócio que cresceu e se expandiu mais do que o ramo de comércio varejista de móveis e eletro-eletrônicos nos últimos vinte anos.
Com o aumento real do poder aquisitivo do trabalhador medido pelos índices de pesquisas e a estabilidade da moeda, deu-se uma falsa impressão de que os juros praticados pelo comércio, que são altíssimos e na maioria das vezes estão ocultos e propositalmente disfarçados em meio aos longos prazos para pagamentos, são razoáveis. Então, estas combinações de fatores, despertaram o instinto consumista da população de forma voraz, tão voraz que tem empresário do ramo que não sabe mais o que fazer com os lucros astronômicos que estão tendo. Os líderes de mercado construíram e estão construindo os tais CDs (Centros de Distribuição), em proporções faraônicas, obras monumentais em tamanho e em recursos, destinados a armazenarem e distribuírem os produtos pelas lojas espalhadas por todo o país. A grandeza do setor não se resume apenas na imponência dos prédios e sim em toda a estrutura de logística, com frota própria e novíssima, além de equipamentos de última geração.
Quem alimenta este próspero comércio, é o povo, o povo assalariado, de menor poder aquisitivo, que não pode pagar à vista e por isso tem como única forma de adquirir os produtos do seu sonho de consumo através do crediário facilitado e, que na maioria das vezes é um péssimo negócio para o comprador.
O sujeito é tomado pelo ímpeto consumista e na maioria das vezes não se dá conta do prejuízo que está amargando. O cara quer comprar uma televisão nova, destas de tela plana que custam em média à vista R$ 550,00 a 600,00. Se ele fizer um esforço e economizar R$ 100,00 por mês, no sexto mês de sufoco ele já pode ir até a loja e sair com a sua TV pretendida pago à vista. Aí então ele entra na loja e impulsionado pelas condições a perder de vista e pela perícia dos vendedores hábeis e escolados no ofício, o sujeito leva a TV na hora e junto aquele carnezinho de vinte prestações de R$ 59,90. Resumindo, ao final da quitação do bendito carnê, ele pagou por dois bens e só levou um.
O turco lá das “Casas Ceará”, ou a dona Joaquina lá do “Magazine Joaquina”, ficarão cada vez mais ricos e o pobre, bom, este não tem mais como retroceder, então só resta-lhe a miséria.
Aí então o sujeito, agora proprietário de uma nova TV de 40”, chega em casa todo eufórico com a aquisição. Reúne a família em torno daquela magnífica criação do homem e liga o aparelho. Sintoniza aquele canal da líder de audiência e assiste toda aquela programação interesseira, banal, boçal e sem nenhum comprometimento com o consumidor. Assiste ainda aqueles comerciais repetitivamente exaustivos da rede de lojas daquele comerciante de quem ele comprou a televisão nova – uma coisa puxa a outra e as duas arrastam multidões, uma verdadeira legião de lesados.
Não adianta trocar de canal, pois a fórmula do sucesso já está enraizada em todas as emissoras, resta-nos portanto somente um consolo, somos livres para assistirmos o que quisermos e esta liberdade nos custou um alto preço, ou custa...
Depois ainda dizem os defensores deste capitalismo imoral praticado hoje, que esta ideologia é a mais justa forma de congregar todos as vertentes da sociedade. Enganam-se os senhores hipócritas e astutos defensores eternos da burguesia, porque o Capitalismo que vocês pregam jamais servirá aos dois lados, um lado ele serve, o lado do turco da loja, outro ele escraviza, o lado do Zé Mané que se enterra no crediário. Sempre foi assim e sempre será.
Ps; para que sejam preservadas a integridade moral e comercial dos personagens e livrar o autor de possíveis sanções penais, os nomes são fictícios, porém todos sabem de quem se tratam, qualquer semelhança será mera coincidência.
Escrito por roberto.lamparina às 19h46
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ZÉ POVINHO TEM POBRECARD?-TEM SIM SENHOR!
Eu sou pobre, porém tenho que confessar que estou tomando fobia de pobre. Você entra na lanchonete, come um salgado, toma um refrigerante e vai pro caixa pagar. Na sua frente entra um pobre, todo cheio de si, abre aquela bendita carteira de velcro e no meio de uma meia dúzia de cartões de crédito, retira um para pagar a conta de cinco paus que acabara de consumir. O caixa passa o cartão naquela maquininha, o sujeito digita a senha e o que deveria ser uma operação rápida e rotineira se transforma em tortura, pois a resposta da engenhoca é cartão cancelado. Ele saca outro, outro e outro, todos darão a mesma resposta – cartão cancelado.
A fila já está tumultuando o boteco, os outros clientes se entreolham recriminando e condenando com o olhar aquele que não consegue quitar o seu débito. O cara começa a suar e a dizer – acabei de passar estes cartões ali na loja ao lado, eu não sei o que está acontecendo! O caixa então vendo a agonia do freguês, sugere que ele vá até o banco 24 horas ali na esquina e retire o dinheiro no caixa eletrônico. O sujeito vai e depois de alguns minutos, volta ainda mais desapontado. O cartão do banco também está bloqueado e não consegue sacar. Enfim, o caixa terá que fazer aquela velha e medieval notinha do “pindura” e esperar que o cliente tenha o bom senso de retornar para efetivar o pagamento.
Não é que o cartão de crédito do rico de vez em quando também não dê xabú, mas é que o rico, tem outra atitude quando o cartão dele pipoca, vai logo intimidando o caixa com aquele ar de superioridade que lhe é peculiar, chamando o patrão do caixa pelo apelido que ele odeia e dizendo – fala pro Zé Ruela fazer a notinha e passar lá no meu escritório pra receber sexta-feira, é sexta hein, eu só faço pagamentos de sexta, depois das 16:00 horas preferencialmente.
E o pobre, coitadinho, fica ali cabisbaixo, sussurrando – e agora, o que é que eu faço? Completamente constrangido pelo julgamento silencioso dos outros clientes que até poderiam sacar hum conto cada um do bolso e fazer uma vaquinha para liberar o caixa, porém também permanecem ali com as víceras em cólicas a debochar intimamente da desgraça alheia.
A fila anda e novamente outro pobre on line saca o cartão da carteira. Os outros clientes suspiram, vai começar tudo de novo!
A impressão que dá, é que alguém que administra os tais cartões de crédito adora pregar uma peça nos clientes, preferencialmente nos pobres e, de vez em quando bloqueia um, só por farra.
Outra modalidade de pobre que eu estou tomando fobia é aquele que vive pendurado naqueles intermináveis carnês da loja do turco, libanês ou sei lá, aquele lá dos lados do oriente-médio que eu não posso citar o nome, que começou como mascate e hoje é o dono da maior rede de varejo de móveis e eletro-eletrônicos do Brasil, mais esta já é outra história.
Escrito por roberto.lamparina às 19h45
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MALA PESADA PARA CARREGAR (Parte II)
Continuando ainda na miserável existência de alguns seres humanos frente à importância e imponência de outros, deixando os trocadilhos de lado e já passando a mensagem de forma clara e nítida, temos nós os cidadãos razoavelmente esclarecidos e isentos de qualquer interesse, caucionar as políticas que possam imediatamente ou em médio prazo amenizar a dívida social que a Pátria, esta “Mãe Gentil”, que se apresenta madrasta para os seus filhos esquecidos e mais necessitados. Eu não sou político, não estou pleiteando nenhuma indicação pública, não sou candidato a nada, então – por que será que eu tenho que insistir tanto com este assunto tão antigo, tão velho quanto à própria existência do homem? Eu insisto neste assunto chato, porque tem gente insistentemente e com muito mais poder de fogo do que eu, que vivem a lhes apregoar o contrário, implícito é claro, porque publicamente, todos somos defensores dos fracos e oprimidos. A Rede Globo, um monstro da mídia mundial vive implicitamente na forma de programas a exaltar as belezas das periferias e das favelas das grandes cidades, contudo sentiu na pele a violência incontida delas, quando um dos seus jornalistas foi morto, esquartejado e teve espalhado os seus membros depois de um julgamento sumário por um tribunal de facínoras e toda a vez que precisa subir o morro carioca para filmar este mar-de-rosas aparente, precisa pedir permissão a criminalidade local, para fazê-lo. Dentro de um contexto prático, até alguns vermes intestinais são os responsáveis pelo bom funcionamento do órgão, este é o papel da Rede Globo, apregoar que naquele mar de pobreza, injustiça e igualdade social, pois todos ali, estão no mesmo barco e se identificam com os seus pares, também existe beleza, harmonia e talentos promissores.
Se os administradores deste colossal império da mídia tivessem mesmo comprometimento com o seu povo e a sua gente, estariam empenhados incansavelmente na solução dos problemas que prendem aquelas pessoas nos morros submetidos a todos os tipos de mazelas e injustiças. Enquanto ficam os incautos ali presos aos morros, figuram a desfilar pela órla de uma das paisagens mais lindas do mundo os imponentes corsários do poder a esbanjar a prata em seus carrões, agora blindados, para livrá-los dos infames favelados que eles próprios transformaram em “bicho solto”.
Não precisa enviar a talentosa Regina Casé no morro pra afirmar que as pessoas lá também possuem talentos extraordinários, pois todos nós independentemente de onde e como moramos, rico ou pobre, branco ou preto, possuímos totais condições de desenvolvermos as nossas potencialidades igualmente, sem que para isso precise haver esta discriminação aparente.
Se você como eu, já esteve diante ou dentro de um grande complexo favelário, sabe que lá, além das fronteiras do carnaval, dos barracões das escolas de samba, existem poucas belezas que predominam por trás da arquitetura de folhas de zinco, papelões e compensados e o cheiro que predomina é o da sujeira causada pela falta de instrução dos moradores e o mau cheiro causado pela geografia do local, que apesar de toda a facilidade geográfica, não possuem redes de esgoto encanado para escoarem os mesmos.
Desculpem-me pela realidade, pois não sei contar estórias, somente histórias e fatos, estão lá pra quem quiser ver. Agora se você prefere acreditar na mentira programada e interesseira da Rede Globo que abrange todo o território nacional e parte significativa do mundo, a favela é “linda” , o papa é pop e Deus, quem diria, é brasileiro e vive fumando um baseado num cafofo lá no Dona Marta!
Escrito por roberto.lamparina às 23h57
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