A CONTA DA TRISTEZA
Vergonhosamente este é o verdadeiro retrato da segurança pública no Brasil, quem conhece o Brasil e principalmente o Estado de São Paulo, sabe que alguma coisa terá que ser feito para frear esta sensação de descaso e incoerência.
Com todos os clamores por justiça em face dos últimos acontecimentos, a sociedade tem sido alagada por uma enxurrada de teorias, estudos e opiniões, às vezes até inconseqüentes, emitidas por possíveis e supostos especialistas, que na verdade não acrescentou ou não ajudou em absolutamente nada no alavancar de uma série de medidas que já deveriam ter sido tomadas no sentido de se retomarem as rédias e o controle da segurança pública que hoje está nas mãos da criminalidade.
O assunto da moda e do momento, por si só, não resolverá a questão da “insegurança pública”, pois diminuir ou não a maioridade penal, não é o foco da questão. A sensação de abandono da população por parte das autoridades que estão muito mais preocupadas com a sua própria proteção, das suas instituições e a do seu bom nome e histórico, esta sim é a questão, então vejamos. O crime organizado habilmente manifesta a intenção de um grande ataque em massa aos poderes constituídos e ao invés de sofrer uma retaliação a altura pela ousadia, tendo suas lideranças severamente sufocadas pelo regime disciplinar penitenciário, têm seus privilégios penitenciários cedidos e ainda conseguem sufocar e amedrontar todo o efetivo da segurança pública, enquartelando-os e os obrigando a adotar uma postura defensiva enquanto que todo mundo sabe que “a melhor defesa é o ataque” e tudo deveria ser feito para tornar a polícia mais presente, mais ostensiva e não prisioneira da sua própria instituição.
Os supostos especialistas em segurança pública que assessoram o Estado cometeram e permitiram uma política tão incoerente com relação à construção dos tais Presídios de Segurança Máxima e, que culminou com o aumento e a distribuição dos poderes da criminalidade, tornando os criminosos administradores do seu cárcere. O cara está preso lá em Piracicaba e fica sabendo que tem um “parceiro seu” que está preso lá em Presidente Bernardes. É só colocar fogo em alguns colchões e liderar uma pequena insurreição e pronto, o diretor da instituição gentilmente o convida para uma conversa em seu gabinete e prontamente o seu pedido de transferência é atendido. Aí então é organizada uma pequena escolta com quinze ou vinte policiais distribuídos naquelas viaturas econômicas adquiridas pelo Estado do tipo Blazer, que faz na média, bem regulada, que não é o caso, quatro ou cinco kilômetros com um litro de gasolina e o comboio parte no sentido a rodovia Raposo Tavares com toda aquela euforia, com os policiais que fazem a segurança do comboio com as armas em punho, sirenes ligadas, batendo nas portas da viatura para pedirem passagem para o comboio, como se estivessem levando alguma carga perigosa ou valiosa, ou algum membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), que esteja passando muito mal e precise de socorro urgente. E o ilustre passageiro é apenas um simples criminoso que está mobilizando todo este aparato pago com o seu, o meu, o nosso dinheiro público. Oras senhores especialistas em segurança pública, não seria muito mais fácil se ao invés de terem sido construídos presídios em diversas regiões do estado e distribuído os criminosos em diversas células criminais, tivesse sido escolhido um único endereço e construído em uma única área penal pavilhões que abrigassem separadamente os criminosos de acordo com os seus delitos e que não precisaria mobilizar o efetivo policial toda a vez que o detento seja intimado pelo judiciário ou que não esteja satisfeito com as suas mordomias. O judiciário iria até o preso e não esta vergonhosa carreata de presidiários que se verifica hoje em todas as estradas do país.
É revoltante saber que este sistema todo equivocadamente implantado é irreversível e continuaremos a assistir este tipo de descaso mais uma vez em meio a uma briga de instituições e especialistas e, que a conta, quem pagará novamente, será o povo.
Escrito por roberto.lamparina às 11h49
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