SAPOS & PERERECAS

Você está dormindo tranquilamente em sua casa, na sua confortável cama e do nada, descobre que a sua casa está sendo inundada por uma enxurrada de lama tóxica e que você nada poderá fazer para detê-la. Esta é a terrível situação por que passam os moradores de Laje do Muriaé-RJ, um pequeno município entre os estados de MG e RJ. O pior de tudo é que esta não é a primeira vez que este crime ecológico acontece, os responsáveis por este flagelo regional são reincidentes.
Quem conhece o município de Laje do Muriaé como eu, sabe que por lá o tempo passa bem devagar. Pequeno município que ainda respira os ares do passado açucareiro dos tempos da escravidão, margeado pelo rio Muriaé, seguem seus moradores uma pacata rotina típica e interiorana, a não ser quando chega o período das chuvas.
Depois do primeiro acidente ocorrido com a ruptura de uma represa que armazenava resíduos tóxicos de bauxita no ano passado, o povo de Laje do Muriaé já não é mais o mesmo. Os homens têm sofrido mutações genéticas e estão aparecendo traços anfíbios na constituição corpórea. Dedos das mãos e dos pés estão sendo ligados por uma espécie de película envolta, que mais se parecem seres da ordem Anura da família dos Bufonidae do que propriamente seres humanos. As guelras estão aparecendo do nada e é inevitável a comparação. As mulheres estão sofrendo o mesmo processo de mutação genética, porém com leves modificações, as membranas interdigitais são menos desenvolvidas e a pele mais seca e rugosa.
O efeito da mutação genética já pode ser detectado por toda a cidade, pois com a lama que está correndo solta novamente, somente os seres que passam por esta mutação poderão sobreviver a esta catástrofe. Novamente o homem impõe as mudanças à natureza e ela responde com sua benevolência costumeira, reorganizando e adaptando o indivíduo ao meio em que vive. É incrível como a natureza tem esta capacidade de adaptação, por exemplo, você fica parado, quietinho na sombra do sol do meio-dia em Cuiabá e como bom paulista depois de cinco minutos, estará todo molhado de suor, enquanto que os cuiabanos trabalham o dia todo naquele sol escaldante e nem suor apresentam. Você fica ao entardecer à beira do Rio Madeira em Porto Velho e, provavelmente sairá de lá incubado com uma malária daquelas brabas que o levará depois de uns dias direto para um hospital e para algumas doses de quinino, enquanto que os nativos do local passam à vida toda morando à beira do Rio e lá vez por outra, contraem uma malária.
Mas, voltando ao estranho processo de mutação de Laje do Muriaé, à noite, no silêncio das madrugadas, as mudanças poderão estar mais nítidas aos ouvidos desavisados. COACH, COACH, COACH..., é o som predominante em todas as madrugadas. Os cientistas já não sabem mais o que fazer para deter esta terrível mutação. O que será que estão fazendo as autoridades do poder público em todos os níveis para conter esta ameaça? – COACH, COACH, COACH..., novamente comendo mosquitos e esperando que a natureza faça a sua parte.
Escrito por roberto.lamparina às 18h21
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