MENINO DE ENGENHO
Ainda entranhado no assunto de ecologia, progresso e desenvolvimento, temos que ressaltar que toda e qualquer medida tomada no sentido de frear este progresso avassalador pelo qual ansiamos nós todos, ainda será muito pouco, diante da complexidade e da falta de um projeto estabelecido com mecanismos de controle que pudessem auto-gerir esta máquina de progresso e acelerá-la ou freá-la, se necessário.
Tomemos por exemplo, o estado do Pará. O governo federal vem tentando com austeridade burocrática e fiscal, coibir a venda e o transporte de madeira serrada, dificultando ao máximo as empresas que não estejam devidamente registradas nos trâmites burocráticos que regem a extração da madeira (medida que deveria ter sido tomada por governos anteriores e não foi). Suponhamos então, que só por meio desta austeridade burocrática implantada, mais da metade dos madeireiros que exerciam suas atividades na região, tiveram que diminuírem ou praticamente estacionarem suas atividades nas serrarias, pois tocavam os seus negócios burlando e entremeando os entraves burocráticos. Entretanto, uma questão lógica insiste em nos questionar – do que viverão os empregados diretos e os indiretos de todo este setor decadente e que eram os únicos impulsionadores de cidades como Dom Eliseu, Rondon do Pará, Ulianópolis, Paragominas, Tome-Açú, Goianésia, Jacundá, Pacajá entre outras tantas localidades que a extração da madeira foi o único impulsionador da economia regional. Esta falta de um projeto que substituísse esta extração desenfreada é hoje o grande desafio dos que governam em todos os níveis estas regiões. Como garantir a sobrevivência de milhares de famílias, pois a cadeia produtiva dos grandes latifúndios consiste em de acordo com as tendências regionais, encerrado o ciclo da extração das madeiras que dão margem de produção nas serrarias, entram os famigerados tratores de esteira atrelados a um correntão e, em parelha arrepiam todo o percurso e voltando nos mesmos rastros, decretam o fim de uma floresta de milhares de anos sem que sejam esgotadas as possibilidades de exploração de milhões de espécies vegetais que o homem nem tem conhecimento das suas benesses. Aí então é só enleirar, atear fogo e posteriormente semear o capim, em seis meses terá milhares de hectares com uma forma de pasto que servirá de alimento para pelo menos três reses por hectare. Enquanto o homem cede o seu espaço para os bovinos, pois um homem sozinho (vaqueiro ou campeiro) toma conta de dois ou três mil hectares de pasto destinados à pecuária, este cada vez mais se embrenha na mata a procura do seu sustento, sem planos e nem projetos, armado apenas da companheira moto-serra que lhe garantirá uma renda de R$ 150,00 o metro cúbico de Angelim Pedra derrubado, ou R$ 100,00 por outras madeiras de menor valor comercial, este decreta não só o fim da floresta, como também a sua própria extinção.
Poucos homens decidem o progresso de uma eminente população de bovinos e consequentemente os lucros rápidos e prósperos para si, enquanto que aquela população de seres humanos despossuída de projetos que lhes garantam uma sobrevivência digna e baseada no manejo das riquezas naturais existentes e que se auto-sustente, está desamparada e totalmente entregue as mazelas humanas. O homem como os animais, é um predador por instinto, esgotadas as possibilidades de um convívio digno e pacifico, este se transforma e tem que enfrentar sua maldição. Devido a isto, estamos enfrentando tempos de tanta violência, criminalidade e desespero.
Ps: Uma serraria serra em média 18 metros cúbicos de madeiras por dia e necessita de um quadro funcional de 12 a 15 funcionários internos por período, fora os mateiros que derrubam as árvores e os motoristas para o transporte de toras.
Cidades como Sinop-MT e Paragominas-PA, já tiveram legalmente registradas mais de trezentas, a primeira e duzentas fitas registradas respectivamente. Daí se supõe o desespero por que passam estas regiões.
Escrito por roberto.lamparina às 12h08
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AS SOMBRADO
Esta crônica é a única forma que eu tenho para manifestar a minha insatisfação pessoal quanto ao que fizeram com as nossas árvores, até os mortos do cemitério Municipal estão revirando-se em seus túmulos com esta atitude criminosa da prefeitura.
... e para onde quer que se andava, todos os zumbis vagavam a procura de uma sombra que lhes refrescasse a brisa quente dos dias de novembro. Subiram a Avenida da Saudade, arrastavam-se pelo chão, uns não tinham braços, outros não tinham cabeça, os corpos já em franco progresso de decomposição e aquele dia para piorar a situação estava quente, 39 graus, marcavam os termômetros – quem será que deu esta maldita ordem. Marcharam juntos para a Prefeitura Municipal, o zumbí mais antigo, o mais velho inquilino do cemitério municipal, tomou a dianteira. Chegaram, aos gritos exigiam a presença do prefeito e este já avisado da manifestação, escondeu-se em seu gabinete enquanto os manifestantes aos bérros gritavam – há, há, há, um dia você também estará lá! há, há, há, um dia você também estará lá! Por horas permaneceram defronte a prefeitura exigindo responsabilidades e nada, uns se perguntavam – por que será que ele mandou que cortassem também aquelas duas árvores defronte o velório municipal, elas não estavam atrapalhando nada, ninguém se manifestou, ninguém disse nada, nem por que. Então os manifestantes retornaram a sua última morada, onde permanecem de prontidão à espera que as árvores cresçam e eles possam finalmente descansar em paz.
_Seu Carlão, seu Carlão... acorda, o senhor tem uma reunião agendada com o secretário de meio ambiente pra resolver o problema da poda das árvores!
_Diz que eu tô doente, diz que eu enlouqueci...
_Isso, não precisará nem dizer, todo mundo já está dizendo, seu Carlão!
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Escrito por roberto.lamparina às 10h42
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QUANDO OS HOME PINTOU NO TERREIRO...
Alguém precisa urgentemente avisar ao presidente Lula que a campanha acabou. O tempo do discurso falacioso já se esgotou. Não mais se faz necessário este hausto de demagogia, pois o povo já lhe conferiu mais quatro anos e se o povo estivesse saudoso dos dotes administrativos do Itamar ou do FHC, teriam elegido o Alckmin que sempre marchou por aquelas fileiras. Esse papo de conselho de ex-presidentes dando palpites e passando suas experiências em outros mandatos, só pode ser brincadeira ou papo de sala de espera de sanatório, porque, o que será que tem de tanto valor a opinião do Itamar Franco - só se for para trazer de volta a linha de produção da VW o velho fusca novamente, totalmente remodelado, com quatro portas, motor dianteiro e ao popular preço de R$ 28.000,00, sem direção e nem ar. E o FHC então, que já está até estabelecido em seu governo paralelo, tendo um escritório montado em SP, onde tem como secretário particular por meio período o ex-ex-Geraldo Alckmin. É por meio período, porque o outro meio ele está fazendo uma reciclagem do curso de medicina para poder voltar a atender no SUS de Pindamonhangaba, trinta anos sem exercer o ofício, haja reciclagem para atualizar uma mente por trinta anos deturpada.
Se for realmente uma experiência factível, gostaria de sugerir que as reuniões sejam marcadas no terreiro de Pai Xexéu do Oribró da Bahia, porque assim também poderão ser emitidos convites para os generais Ernesto Geisel, pro João Figueiredo, pro Médici, pro Castelo Branco, quem sabe até poderemos ter a opinião e a presença do Jânio, do Jango, do Juscelino, ou até do próprio Getúlio, nos elucidando os muitos pontos obscuros do seu suicídio patriótico.
Agora se for pra convidar todos sem contingências, é melhor que cada um leve um segurança particular a tiracólo, pois é bom lembrar que entre os memoráveis ex-presidentes estará o Collor e onde estiver o Collor, é bom que os demais segurem muito bem as carteiras, principalmente se lhe permitirem envocar também à presença do seu ex-comparsa, o distinto sr. Paulo C. Farias.
Para que se evitem embaraços legais, é melhor que se avise a PF da hora e local das reuniões, pois o pobre Pai Xexéu não merece ser enquadrado em crime de formação de quadrilha.
Escrito por roberto.lamparina às 13h17
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SACRO, OU PROFANO?
Os resultados das urnas mostraram um Brasil diferente daquele que nós nos acostumamos a ver nas últimas décadas. A divisão do eleitorado entre pobres e ricos mostrou claramente que o povo não tolerará tanta desigualdade e tanto descaso por parte dos governantes.
Dizem os críticos, que esta divisão entre pobres e ricos pode ser negativa, porém era inevitável que isto acontecesse diante de tamanha desigualdade e tanta concentração da renda nas mãos de poucos em detrimento de uma miséria hermética concentrada na classe pobre. Esta luta é tão antiga quanto à humanidade e está longe o seu fim. Com estes sinais visíveis do descontentamento popular do proletário com a burguesia, a tendência é que os próximos governos assimilam este recado e sinalizem com políticas de melhor distribuição da renda e de oportunidades para que possam ser amenizadas as dissonâncias existentes entre as classes.
Afora esta velha luta, notamos o surgimento de uma força que estava adormecida, porém com a pujança do agronegócio se espalhando por todas as partes do Brasil, presenciamos o surgimento de uma nova ordem, de um novo contrapeso na balança dos interesses classistas e que agora pela força esmagadora que mostrou ter, não dá mais para ser desprezado ou ficar de fora da mesa de negociações. O agricultor acompanhado de toda a cadeia produtiva que gira em torno do agronegócio, acordou e também está à procura de um lugarzinho ao sol. Os interesses classistas se fazem notados, pois um gritando não é ouvido, porém todo um setor já se faz notar, contudo a sociedade necessita ter o conhecimento de que nem tudo entoado é fruto da real necessidade do setor e, portanto é factível. O setor se agigantou propriamente não por um projeto de desenvolvimento governamental, mas sim pelos eminentes interesses das grandes empresas multinacionais que operam e controlam o setor. Financiando e investindo no aumento da produção e em novas técnicas produtivas, o salto foi dado e agora eles querem um verdadeiro apoio governamental para o setor.
Quem conhece bem as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste como eu, sabe o salto que deu a agricultura nos últimos vinte anos. O desenvolvimento voraz que abriu o norte do MT, onde há vinte anos atrás, depois de Cuiabá nada havia a não ser o serrado catingueiro típico dos arredores cuiabanos e subindo a Serra da Caixa Furada em direção ao Nortão, o mato fechado já predominava e cobria todo o norte do estado. Hoje vinte anos passados, todo o cenário virou um imenso campo de soja e algodão que se arrasta desde o Diamantino até Guarantã do Norte. Floresceram pequenos lugarejos que em poucos anos se tornaram grandes cidades como Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Alta Floresta, encurralando a floresta cada vez mais em direção a reserva do Xingú ao leste, e emendando o progresso e o desmate que vem do Norte com a divisa do PA e a oeste com a divisa com RO.
Todo este progresso foi gerado mesmo diante de tantas dificuldades como falta de políticas de créditos e juros mais acessíveis para financiar a transformação da terra bruta em terra produtiva, processo caro, empreendendo grandes investimentos com o desmate, a destoca e todo o processo mecanizado de preparo da terra, finalizando com os custosos processos da calagem e da adubação para correção do solo extremamente ácido, típico das regiões de floresta.
Se por um lado temos que reconhecer os esforços que a agricultura fez nos últimos vinte anos sozinha e desamparada da ajuda governamental, por outro lado, temos com o que nos afligir, pois se este progresso pujante se desenvolveu por si, se o governo o tivesse amparado não teríamos mais uma única árvore de pé na região amazônica, tudo já seria um imenso campo de soja. Sendo assim, o progresso, sacro ou profano, cobrará um dia o seu preço.
Escrito por roberto.lamparina às 19h34
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DUUNVIRATO
Passado o fervor das campanhas eleitorais, voltamos novamente ao andar lento e desordenado dos dias normais. É tempo de coordenar e alinhavar as alianças que irão nos governar e supostamente nos representarem (há controvérsias quanto a esta representação neste modelo democrático), porém as costuras políticas já estão em andamento e pelo que se apresenta, parece que alguns companheiros do PT terão mesmo que cederem seus espaços para viabilizar uma aliança mais comprometedora com o PMDB em favor da tal governabilidade (reforma agrária de poder), pela qual espera ansiosa a parte peemedebista que não participou do primeiro governo do Lula.
O PMDB realmente é uma grande agremiação política e como tal, têm em seus quadros elementos que jogariam em quaisquer posições. Se ganhasse o Alckmin, comporiam o governo dele com toda a certeza e, como ganhou o Lula que já tinha o apoio de uma parte dos peemedebistas e pleiteia agora acompadrar a outra banda, é bem possível que o governo federal se torne um “duunvirato”, que em bom português quer dizer, governo exercido por dois homens, Renan Calheiros e Michel Temer.
Neste duunvirato, resta-nos saber quem supostamente seriam os seus vices. Do lado do Calheiros, com toda certeza marcharia o Sarney e do lado do Temer quem sabe, talvez o Luiz Henrique ou o Puccinelli, quem sabe o Requião acumularia esta função.
Como política é a arte de se fazer alianças, teremos que engolir estas, mesmo sabendo que desta duplicidade não poderá vingar absolutamente nada fértil e muito menos sustentável.
E o Jader Barbalho, o que fará o pobre Lula para agraciar todo o empenho que o novo aliado lhe depositou. Se eu fosse o Lula, eu ressuscitaria a SUDAM e entregava a chave para ele, assim a máxima de que o criminoso sempre volta ao local do crime se confirmaria mais uma vez, pois com o desmonte da SUDAM, este dito continua em aberto e é preciso concluir um ciclo para que se comecem outros. Do jeito que o Lula voltou bonzinho, não se espantem se o Arthur Virgílio e o Bornhausen também ganharem uma estatalzinha para pendurarem o paletó na cadeira. Não, acho que aí já é demais, o Lula não cometeria este despautério. Se desovar estas duas criaturas em estatais, com toda a certeza eles as privatizam.
Escrito por roberto.lamparina às 19h43
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CUMPADE INFRUENTE
Entre tantas curiosidades e folclores regionais, às vezes nos surpreendemos com algumas passagens históricas que nem sempre são relatadas com a devida clareza pela mídia dentro de um contexto paralelo do histórico cultural deste imenso caldeirão de raças e de herança cultural da qual se compõem esta farta miscigenação racial do povo brasileiro.
O outro dia, eu conversava com um senhor maranhense lá em Pastos Bons-MA. Quando se é estranho em uma terra, você mais escuta do que fala e em meio a uma discussão de como teria sido o óbito do Tancredo Neves, eu teimando que o Tancredo teria sido vítima de uma infecção generalizada causada por uma inflamação no apêndice e ele retrucando que não foi nada disso, a afirmação dele e que é compactuada por quase todos naquela região, surpeendeu-me:
_Rapaz, não é nada disso! Quem matou Tancredo não foi uma inflamação no apêndice. Quem matou o Tancredo foi Bita do Barão a mando do Sarney!
Fiquei intrigado com aquela afirmação, porém sem saber quem era este tal de Bita do Barão, fiquei a imaginar que seria um pistoleiro destes que nunca perdem um tiro e cumprem os seus contratos fielmente até a morte se for preciso. Naquela região ali do sertão maranhense, berço de pistoleiros e que a lei ainda impera pela vontade dos poderosos, achei por bem não discordar e nem perguntar quem seria esse tal Bita do Barão.
O assunto foi se estendendo e aquela afirmação teimava em exigir-me um esclarecimento, porém eu poderia estar errado, eram tempos de início da redemocratização, nada do que se dizia oficialmente poderia ser totalmente verdade. E se o Tancredo foi mesmo morto por este tal de Bita do Barão com um tiro certeiro a mando do Sarney - será que naquele momento de transição alguém ousaria dizer isto em rede nacional? É claro que não, muito menos que o seu vice seria o mandante.
Fiquei a imaginar então que seria só uma lorota daquelas que o imaginário popular inventa para destacar os personagens mais ilustres do folclore regional.
Num determinado momento da nossa conversa, o nome Bita do Barão volta à pauta como sendo o padrinho da Roseana, filha e herdeira política do Sarney. Então a minha súbita curiosidade não se conteve e eu tive que perguntar quem era esse pistoleiro que até compadre do Sarney se tornou!
_Pistoleiro! Disse o senhor espantado – não ele não é pistoleiro não, Bita do Barão é um pai-de-santo famoso daqui da região. Sarney vive no terreiro dele e ele ainda é padrinho espiritual da Roseana. Dizem por aqui, que Tancredo morreu no dia em que foi eleito no Colégio Eleitoral por mando do Sarney e que já tinha encomendado a morte espiritual do Tancredo ao Bita do Barão.
Aí então eu fui entender o conturbado processo de transição nebuloso na política brasileira. O Colégio Eleitoral condenou e o Bita do Barão executou a condenação. Por hora, deixemos como está escrito na História e como foi divulgado pelo Planalto. Esperamos que o tal Bita do Barão não tenha exercido nenhum ministério importante no governo Sarney, caso contrário, estaria explicado todo o fracasso desta era política brasileira.
Escrito por roberto.lamparina às 18h45
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...AINDA SOMOS OS MESMOS E VIVEMOS COMO OS NOSSOS PAIS
A América Latina, após um ciclo de exploração colonial que a história ratifica desde o seu descobrimento e se prolongou até os dias atuais, continua a ser o filão das riquezas e do progresso dos países desenvolvidos da Europa e dos EUA e seus protegidos. Condenam-nos a uma existência em um submundo de desenvolvimento pré-estabelecido e a uma condição humana de seres de segunda classe. Não é de hoje que isto tem sido assim e não sabemos até quando ainda será, pois nossos algozes dominam não só o cenário comercial como também articulam as diretrizes que irão nos submeter num futuro próximo.
Nossos colonizadores levaram a exaustão praticamente quase todas as nossas riquezas minerais no período colonial, se apropriando também de parte das nossas riquezas naturais como madeiras nobres e apoderando-se também do controle comercial dos nossos ciclos produtivos, tornaram-nos produtores da matéria bruta que serviu de combustível para o desenvolvimento comercial e depois industrial da Europa. Foi assim com o ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste onde produzíamos em grande quantidade e barato, o açúcar bruto que seria refinado e consumido pelos europeus com lucros fantásticos para a máquina capitalista daquele continente. Da mesma forma ocorreu com o ciclo da borracha na região amazônica, que impulsionou a revolução industrial na Europa e o início da arrancada da indústria automobilística nos EUA.
Poucas forças se levantaram contra este domínio e sendo sufocadas de imediato, continuamos a sermos a carne preferida do banquete deles.
Os anos 70 e 80 foram marcados pela incursão dos nossos “senhores” na Região Amazônica, que apostando na nossa incapacidade de administrarmos as nossas riquezas naturais e a biodiversidade da nossa Floresta Amazônica num sistema de desfrute sustentável, estão aos poucos assumindo o controle e a exploração da Floresta. Se for para se explorar sem nenhum controle e nem regras, então deixemos nossos senhores devastarem, pois nisso eles são diplomados.
Quem conhece portos de ligação como o de Porto Velho-RO e o de Belém-PA, sabe bem do que eu estou falando. Você fica alguns minutos observando o carregamento das balsas e fica imaginando para onde será que vai tanta madeira serrada já devidamente aparelhada e embalada para exportação. Por curiosidade você vai até qualquer membro da tripulação e pergunte, a resposta será Europa e EUA.
Eles aniquilaram as suas riquezas naturais em nome de um capitalismo voraz e agora estão exterminando as nossas em favor do vosso conforto e bem viver, sem termos nenhuma grande compensação em troca, só os baixos preços pagos pela madeira bruta. Foram montadas indústrias de beneficiamento da madeira na região amazônica, ligadas diretamente aos nossos exploradores ou em parceria com empresários inescrupulosos tupiniquins, que só visam os lucros imediatos e sem nenhuma responsabilidade futura, pois à medida que são devastadas áreas imensas de floresta, todo o cenário vai adquirindo proporções impensadas pelo homem, o clima se altera completamente, as vocações regionais são impactadas e o próprio homem é o responsável pela sua decadência.
As áreas que são demarcadas e estão sob o controle das tribos indígenas, são facilmente negociadas a sua exploração pelos madeireiros e também estão submetidas à devastação e a exploração, retiradas às madeiras que estão no campo dos interesses do explorador, ficam os indígenas capitalistas, que pelo homem branco tomou gosto pelo capital e pelas benesses que ele pode representar, a usufruir da miséria recebida pela venda da madeira e condenando o seu próprio futuro e o da sua espécie, a extinção.
Desta forma, não existem maneiras de se romper o ciclo escravagista que se constitui desde o descobrimento até os dias de hoje. Eles nos exploram, nos escravizam e nos mantêm fiéis consumidores das suas manufaturas, enquanto destroem, corrompem e exterminam indiretamente os seres humanos de segunda classe que aqui vivem em nome do vosso capitalismo de resultados para eles e do escárnio para os seus colonizados. Esperaremos o dia em que outros redentores como o cacique Túpac Amaru, o camponês Miguel Hidalgo, o sacerdote José Maria Morelos, o alferes Tiradentes e o guerrilheiro das Américas Che Guevara, insurjam na alma de cada cidadão latino-americano e promova uma libertação histórica e definitiva.
Escrito por roberto.lamparina às 17h04
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