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Blog de roberto.lamparina
 


1 1 1 O NÚMERO DA BESTA

          Com a morte do cel. Ubiratan Guimarães, muitos dos mistérios e segredos que envolvem aquele fatídico dia em que os seus comandados invadiram o Carandirú em São Paulo e executaram um massacre de detentos em que os números divulgados oficialmente somaram cento e onze cadáveres, sepultados foram com ele.

          O cel. da reserva e atual dep. estadual candidato à reeleição, foi assassinado em seu apartamento na av. 9 de Julho no centro de São Paulo em circunstâncias ainda não desvendadas pela polícia, ao que tudo indica supostamente um caso passional.

          Ubiratan Guimarães ficou nacionalmente conhecido pelo episódio ocorrido no Carandirú e independente do julgamento do seu mérito ou da sua culpa na atuação do comando da operação que desencadeou o massacre, o cel. agora na sua vida civil, elegeu-se deputado estadual e tentava a reeleição.

          Uma estranha coincidência envolveu a trajetória política do cel. Ubiratan, o número 14lll que era o seu número de candidato, nos parece um tanto macabro o cel. ter usado este número mórbido no seu currículo e principalmente ainda explorar esta seqüência numérica em seu marketing eleitoral. Logicamente que jamais existirá uma unanimidade em relação ao julgamento da conduta do cel., mas pelo que se pode presumir, além de ser inocentado judicialmente no episódio, o cel. também contava com o perdão da população que o elegeu para representá-los na Assembléia Legislativa.

          Livre da justiça dos homens, que DEUS possa perdoá-lo pelos seus atos.

 

 

         



Escrito por roberto.lamparina às 12h29
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FIADOR IMORTAL II

Esta crônica é a saga de um mentiroso incorrigível e que também é baseada em fatos reais.

          Continuando a saga do mentiroso incorrigível, Zé Lino definitivamente não se emendava. Era só dar espaço e ele já vinha com uma daquelas suas “cabeludas”.

          Josias, seu cunhado, casado com sua irmã Rosenilda, era uma daquelas pessoas que desenvolveram um verdadeiro asco por Zé Lino por conta deste seu pequeno desvio de caráter. Viviam se estranhando e se alfinetando mutuamente.

          Josias então, teve uma idéia de como ele daria uma lição no cunhado que ele jamais se esqueceria, talvez até perdesse este hábito horrível.

          Certa vez Josias convidou o cunhado Zé Lino para participar de uma pescaria com mais alguns amigos. Arrumaram à tralha e se foram. Quinze ou vinte quilômetros depois e já estavam na barranca do rio, isca no anzol, trato no rio e aí era só esperar a primeira fisgada. O Zé Lino então já começou a contar uma das suas de pescaria. Como já estava combinado, Josias e os amigos foram se distanciando de Zé Lino para procurar os melhores “poços” e sorrateiramente entraram novamente no carro e foram embora, deixando o Zé Lino na beira do rio pescando sozinho.

          Voltaram então para a Vila Josias e os seus companheiros, fazendo uma parada num boteco alguns quilômetros antes de chegarem na Vila para tomarem um “controla purso” e se desmancharem de tanto rir do malfeito merecido ao mentiroso.

          Pit stop feito, seguiram em direção à Vila. Chegando na Vila, mais uma parada no boteco costumeiro para a saideira. Quando entraram no boteco a surpresa, adivinhem quem estava lá sentado no balcão saboreando uma geladíssima? É isso aí mesmo, o próprio Zé Lino, pacientemente saboreava uma cerveja gelada com muita satisfação. Foi um susto, de imediato Josias perguntou-lhe como ele havia feito para vir embora se eles o abandonaram ali na beira do rio e sozinho sem condução para retornar.

          Zé Lino então sem pestanejar lhes contou que após saírem ele iscara o anzol e jogara no rio e que para o seu espanto a linha puxou de imediato e quando ele enrolou a carretilha, para a sua surpresa havia fisgado uma bicicleta novíssima. Aí então foi fácil, foi só pedalar até a Vila.- Ainda digo mais, quando cheguei aqui o filho do Zé Pedro me ofereceu R$ 300,00 pela bicicleta, passei nos cobres e se vocês não acreditam em mim, pode perguntar pro finado compadre Orestes!

          Aquele dia, se ninguém tivesse apartado, com certeza eles teriam linchado o Zé Lino!

         

 



Escrito por roberto.lamparina às 22h35
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NEGÓCIO DE OCASIÃO

Esta é uma história real e a comprovação de que neste mundo cada um nasce com o dom de fazer alguma coisa, já pensou se esta moça exercesse um cargo político?

          Existem pessoas que nasceram com o dom de vender. Eu como não consigo nem vender uma nota de R$ 10,00 por R$ 5,00, fico admirado quando estou diante de um grande vendedor de talento e de argumentos deveras perspicaz

          Outro dia me deparei com uma destas “almas comerciais”. Ela me abordou em companhia de sua mãe e me ofereceu um CD pra eu comprar, destes CDs gravados particularmente sem nenhum apoio significativo de ninguém e vendido pessoalmente de mão em mão por todos os cantos deste nosso Brasil. Insistiu, insistiu, argumentou e nada, estava difícil colocar a mão nos bolsos deste espanhol e ainda com tendências socialistas.

          Quando ela percebeu que seria difícil efetuar a venda pelos meios convencionais, inesperadamente ela mudou de atitude e teve a genialidade de me propor um acordo. – Você compra este meu CD por R$ 10,00 eu lhe autografo ele e quando eu ficar rica e famosa eu lhe pagarei R$ 1.000.000,00 por ele de volta, certo...

          Pensei na proposta e ela me pareceu tentadora. Lembrei-me das vezes em que me encontrei com a caravana da Banda Calypso e de outras pequenas bandas que em poucos anos se transformaram em fenômenos de vendas e de público. Muitas vezes encontrei-me por aí em minhas andanças pelo Brasil com este pessoal mambembiando por todas as regiões, com pouca ou quase nenhuma estrutura e hoje com tudo o que eles merecem e muito mais.

          Negócio feito. Ela me dedicou o CD e autografou-o. Até então eu ainda não havia escutado o mesmo. Cheguei em casa e resolvi escuta-lo. – Pai desliga esta tortura, suplicou meu filho já aos espasmos. Aí então percebi que talvez eu não tivesse feito lá um grande negócio, mas então me lembrei da saga de vida do Cafú, aquele velho lateral da seleção brasileira que foi reprovado em diversos clubes do Brasil e depois se tornou ídolo nacional e capitão na conquista do Penta. Não é só pelo talento que se vence, então me animei novamente. Esperarei pacientemente o dia do resgate da minha aplicação de longuíssimo prazo e de rendimentos astronômicos. Definitivamente eu sou um péssimo vendedor, mas talvez eu não seja um comprador assim tão ruim!

         

 



Escrito por roberto.lamparina às 12h00
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OS GRILHÕES QUE NOS FORJAVA

          Outro dia andando por São Paulo, uma propaganda eleitoral me chamou a atenção. Pintado em um grande muro branco, grandes letras garrafais continham a frase P I T T A  bem claramente definido, porém o restante não dava para se identificar o conteúdo devido a outras pinturas e pichações posteriores. Estranhei, porém imaginei ser um resquício da propaganda eleitoral de uma antiga eleição para prefeito onde o sr. Celso Pitta sagrou-se vencedor nas urnas. Porém, mais adiante observei outra propaganda e novamente continham as mesmas inscrições. Mais não há de ver que o sr. Celso Pitta é candidato novamente a um emprego público! Para aqueles que não se lembram ou que por ventura estiveram nos últimos dez ou doze anos em estado de coma, ou que talvez tenha sido abduzido por ETs e só agora tenha sido devolvido nesta galáxia, Celso Pitta foi aquele ex- prefeito de São Paulo, apadrinhado publicamente pelo sr. Paulo Maluf e que foi denunciado pela ex-mulher e mergulhado num mar de lama e de denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, improbidade administrativa e tantos outros termos jurídicos que nós pobres mortais nem sabemos pronunciar. Agonizou até o fim do seu mandato amparado por medidas e manobras jurídicas impetradas providencialmente.

          O fato concreto é que o elemento está de volta. Que tipo de justiça eleitoral é esta que permite o registro da candidatura de um elemento que possui um passado político com uma ficha desta?

          Aí então, certamente você dirá: - mas se restringirem os registros das candidaturas mediante apreciação do passado político dos candidatos, terá pouquíssimos candidatos, talvez até mais vagas do que candidatos.

          Será que não é o momento para revermos estas leis e estes conceitos de justiça?

          Eu trabalho com transporte de alto risco e valor. Periodicamente minha vida particular é revirada a procura de qualquer deslize que possa ser interpretado como um risco para as empresas que gerenciam o risco, meu nome é consultado nas instituições de proteção ao crédito e bancárias, meus vizinhos são sabatinados via telefone e indagados sobre a minha conduta social e tudo isto para que eu esteja apto a prestar serviços a eles. Por que será que para se candidatar para um cargo público são tão brandas as exigências e tão contornáveis os obstáculos necessários para o registro das candidaturas? – Será que o Brasil não merece um sistema melhor e mais apto de segurança eleitoral que possa nos defender dos riscos de empregarmos bandidos, corruptos e picaretas já identificados nos nossos poderes constituídos?

          .

         

 

 

 

 

 

 



Escrito por roberto.lamparina às 09h33
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FIADOR IMORTAL

Esta também é uma história real, porém qualquer semelhança será mera coincidência...

          Em todo o lugar, existem aquelas pessoas que se destacam por serem diferentes das demais. Zé Lino era uma destas pessoas. Morador de um pequeno vilarejo do interior paulista, família de retirantes do flagelo da seca nordestina, Zé Lino e família vieram em busca de esperança, viram e ficaram neste rico chão do interior paulista.

          O sotaque de nordestino ele nunca perdeu, mesmo já estando a tanto tempo em São Paulo, mas voltando a sua peculiaridade que o tornou conhecido e às vezes até odiado, Zé Lino era um mentiroso incorrigível.

          Os mais passivos levavam aquele seu pequeno defeito de caráter na brincadeira, um pândego diziam. Já alguns não toleravam este desvio de Zé Lino.

          Frequentemente ele era intimado a passar as madrugadas em velórios, estimulando e animando  a última noite daqueles que sempre ficam com a missão de velar o defunto a noite toda, é claro que este tipo de velório é só para aqueles defuntos onde á morte não foi uma circunstância traumática, são pessoas de muita idade e que já viveram tudo o que havia para ser vivido e a morte é só o prêmio pela longa vida.

          Como nas teorias da Física, pólos opostos se atraem. Zé Lino, sempre falante, falava alto como se o seu interlocutor estivesse a uns cem metros de distância e seu melhor amigo e parceiro de todas as horas Orestes, tímido acanhado, daqueles que pagam pra não conversar e ainda cúmplice de todas as mentiras do amigo. O Zé Lino contava uma lorota e dizia: - Pergunta pro compadre Orestes! – E o Orestes sempre confirmava as mais escabrosas das lorotas de Zé Lino.

          Esta parceria supostamente teria um fim. Um dia Orestes foi vítima de um acidente de trânsito e faleceu. No velório, lá estavam todos os amigos e familiares e o parceiro  Zé Lino. Foi um choque, todos muito consternados com o acontecido tão inesperado. Na hora da última despedida, Zé Lino foi incumbido pela família de dar o seu testemunho de amizade e as despedidas finais. Foi à chance para que Zé Lino sapecasse uma daquelas suas mentiras contada como se tivesse sido ensaiada por toda uma vida. No final, como antes ele sempre mandava confirmar a estória com o compadre Orestes e por força do hábito ele disse: - Se vocês não acreditam em mim, pode perguntar... pro finado compadre Orestes! E a partir daquele dia, mesmo depois de morto e enterrado, Orestes continuaria a ser o seu fiel fiador nas suas mentiras.

 



Escrito por roberto.lamparina às 11h13
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CAUSOS ELEITORAIS & RAMOS DE ARRUDA

Por incrível que pareça esta é uma história real, vai aí...

          A política é uma ciência que possui inúmeros caminhos para o convencimento e para o doutrinamento do eleitor. Tem políticos que falam, falam e falam, tentando quem sabe convencer o seu possível eleitor pelo cansaço. Outros esbravejam e gesticulam muito, tentando convencer o seu eleitor com sua veemência e indignação. Há também aqueles que não falam muito, não esbravejam e muito menos se indignam, estes são os que têm muita “pórva na aguia”, são os políticos que tem caixa de sobra para as suas campanhas e aí é só aplicar o dinheiro na hora certa e pronto, é só esperar a diplomação, que o diga um certo político famoso aqui da nossa região.

          Há alguns anos atrás, inusitadamente um candidato a vereador de um pequeno município da região de Jales, chegou à vitória nas urnas de uma forma digamos diferente e com muitos méritos, diga-se de passagem.

          Para que continue anônimo, chamaremos nosso personagem da vida real de Mané Mandú. Pois bem, Mané Mandú é um caboclo semi-analfabeto, lavrador que criou seus muitos filhos com o trabalho braçal diário na roça. Nas suas poucas horas de descanso e de folga, era “benzedor respeitado”, graças às crendices populares que vão se popularizando de boca em boca, Mané Mandú ficou muito conhecido pelo dom do benzimento herdado de sua mãe e algumas estórias que circulavam lá pelas redondezas.

          Dizem, que certa vez, um sitiante ali da região que não gostava de dar carona, passou por Mané Mandú com sua caminhonete pela estrada, foi quando o caboclo acenou-lhe com o chapéu pedindo uma carona. O sitiante virou-lhe o rosto fingindo que não o vira e seguiu em frente. Ao chegar à vila, o sitiante parou com sua caminhonete defronte ao posto bancário. Quando abriu à porta para descer, lá estava o Mané Mandú descendo da carroceria e para a perplexidade do sitiante, foi até ele e o agradeceu pela carona. Pasmo, o sitiante não teve palavras para questionar o acontecido.

          Esta e outras tantas estórias, são contadas por qualquer criança do pequeno vilarejo, entre outras tantas estórias de descrentes que habilmente e para o vexame do incrédulo, Mané Mandú colocava para botar e depois chocar os ovos que botara.

          Com seu trabalho quase que social benzendo crianças e todo o tipo de enfermidade daqueles que acreditam, Mané Mandú resolveu candidatar-se a uma vaga no legislativo local. E não é que o matuto foi o vereador mais votado do vilarejo, também pudera, se o Mané Mandú lhe pedisse o voto, você ousaria negar-lhe. Vai que ele lhe coloca para botar e depois chocar uma dúzia de ovos!

           

 



Escrito por roberto.lamparina às 11h08
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