SABONETE FINO
Eu estou tomando muito ódio do tal de Valdomiro Lopes. Esse cara apareceu na televisão com aquela musiquinha sonoricamente indecente para acabar com o meu sossego. E tem outra coisa, é desleal um cara massacrar a mente das pessoas com uma campanha absolutamente perfeita como aquela. Tem tudo que precisa pra enganar as pessoas desatentas. Trilha sonora perfeita, letras que se encaixam completamente no perfil que ele está querendo deixar a mostra, um homem bem postado, fala pausadamente diante das câmeras com aquela calma de monge budista e, naturalmente. Ele não se porta como os nossos candidatos daqui que deixam bem claro que estão lendo alguma coisa no mural ali na sua frente e, na busca por uma pronúncia correta, perdem aquela nossa naturalidade de caipira.
É lógico que candidato tem que mostrar saber e conhecer tudo e, nesta de ser “o cara”, às vezes o Valdomiro derrapa nas curvas. Eu não voto em Rio Preto, mas se eu votasse lá, seria obrigado a votar nele, pelo meu lado artístico que de vez em quando aflora. O cara é perfeito, um artista completo combinando com o melhor marketing eleitoral da região. Na cara de pau, ele só perde pro Edinho Araújo, ali é “sabonete fino”.
A parte de nossas vidas que estão entrando em conflito é no que diz respeito a algumas tarefas domésticas que eu não consigo encontrar tempo pra executar. Tem um soquete no quarto que entrou em curto e derreteu, um vazamento em uma das torneiras que precisa ser sanado, um chuveiro que está entupido e não sai água, os azulejos da cozinha que estão caindo, o terreno do lado que está tomado pelo mato, etc. Eu me vejo ilhado por todos esses problemas e não consigo resolver nenhum. Aí eu ligo a televisão e vejo aquele projeto de gordo barbudo e sacana, todo certinho, resolvendo tudo que é problema de todo mundo. Minha mulher chegou ao cúmulo de me dizer que preferia ser casada apenas por um dia com o Valdomiro Lopes do que viver amasiada com um imprestável como eu há tantos anos. Isso porque ela sabe que a palavra casamento pra mim é o mais feio dos palavrões.
Mas nessa eu não vou levar a pior, vou lutar com as próprias armas do inimigo. Deixa ela vir com aquela conversa – E o soquete derretido, o vazamento da torneira, o chuveiro entupido, o azulejo caído, o terreno cheio de mato? Aí então, está na ponta da língua o que eu vou responder – Chama o Valdomiro, ele é quem faz!
Os marketeiros do Valdomiro descobriram o segredo do sucesso. Músicas, versos e rimas, esta é a magia da campanha dele.
Eu gostaria de gravar uma letra que eu fiz pro Valdomiro e obrigar ele a ficar ouvindo assim como ele faz comigo. Seria mais ou menos assim:
E o soquete derretido? – Valdomiro trocou.
E o vazamento na torneira? – Valdomiro concertou.
E o chuveiro entupido? – Valdomiro limpou.
E o azulejo caído? – Valdomiro assentou.
E o terreno cheio de mato? – Valdomiro carpiu.
Ao final, eu terminaria em prosa, pois a palavra carpiu e o lugar pra onde eu pretendo enviar o nobre parlamentar, não costuma dar boa rima.
Escrito por roberto.lamparina às 00h15
[]
[envie esta mensagem]

P. Q. PARIU PISA NO FREIO ZÉ!
As pessoas normalmente desenvolvem um dispositivo de contenção próprio para os seus ímpetos, baseado nas suas próprias fraquezas e incapacidades. Esta teoria é facilmente verificada nas experiências do nosso cotidiano. Eu mesmo desenvolvi este mecanismo ao longo dos meus muitos anos vivendo nas estradas. No começo, eu me revoltava com aquela perseguição policial em cima dos caminhoneiros. Dava vontade de voar pra cima do corrupto e rasgar ele na unha, se não desse pra ser de outro jeito. Aí então eu pensava – Depois serei espancado pelos seus companheiros, que normalmente usam da superioridade numérica como fator de desigualdade. Destas técnicas covardes, até aí eu sobrevivo, o problema é a prisão, que também dá até pra puxar uma cana legal, mas o que eu não consigo me acostumar, é com o fato de ter que fazer o número dois com os companheiros de martírio olhando, já que latrina de prisão não tem porta. Isso eu já não tenho capacidade, provavelmente eu ficaria lá uns quinze dias empachado e, depois teria que ser levado para um hospital e fazer todo aquele processo desumano de desentupimento, o da mangueirinha colocada no..., é melhor esquecer! Então, quando me deparo com o elemento corrupto, dou a ele o que ele quer, ele me deseja boa viagem e eu o desejo bom trabalho, como se a partir daquele momento, eu pudesse ter mesmo uma boa viagem e, se aquilo que ele está fazendo, fosse um trabalho.
Ainda seguindo esta teoria, outro dia meu celular tocou e era um amigo meu, desses que não perdem uma oportunidade de fazer uma piada e, quando ela surge, seja onde ele estiver, me liga pra dar o recado – Eu só te liguei pra falar que têm umas menininhas bem novinhas e jeitosas aqui no trevo de Cardoso e eu até pensei em dar uma carona pra elas, porém pensei melhor e lembrei do caso daquele comerciante antigo da cidade, aquele que teve suas iniciais do nome freqüentando as páginas policiais por estar acompanhado intimamente de uma menor... Agora, provavelmente desfrutando da notoriedade obtida, ele até é candidato a vereador. Até aí estava tudo normal, é uma ocorrência que pode acontecer com certa freqüência. A piada estava contida no dito popular que vinha em seguida – É... , porque homem quando perde a vergonha na cara, ou vira “”pulícia” ou vira “pulítico”! Quem será que estabelece estes parâmetros tão próximos da realidade!
Um outro amigo, mais íntimo com o ambiente carcerário, me colocou a par das últimas regras que norteiam o ambiente deveras restrito. Disse-me ele, que quando o sujeito vai fazer o número dois, por precaução, é melhor enrolar um pedaço de papel higiênico em forma de nó, do jeito que a gente faz quando vai acender a churrasqueira e, atear fogo. O papel queima em cinzas feito um incenso e, esta medida simples pode dissipar todo o péssimo odor exalado naquele ato comum a todos e não despertar a ira do chefe da cela, mantendo a sua integridade física intacta e não te fazendo escravo daquelas tarefas desagradáveis como; lavar e passar as roupas do chefe, inclusive às cuecas; providenciar material de higiene pra todos na cela e a conservação diária da latrina, além de outros préstimos ainda mais degradantes da conduta humana.
Apenas por precaução, não tente fazer isso em casa, pode ser perigoso, quando você estiver ao ar livre num momento de reflexão caipira, experimente, os resultados são altamente satisfatórios.
Ainda bem que a nossa perfeita constituição humana desenvolve estes mecanismos de freio, senão..., olha em nossa frente o tamanho dos buracos que estão em nossos caminhos, só esperando pra nos engolir!
Outro dito popular e que virou até recurso poético, exprime fielmente o significado prático deste nosso freio instintivo – Quem tem c´..., tem medo!
Escrito por roberto.lamparina às 00h12
[]
[envie esta mensagem]

...ANOS DE QUATRO
Trocadilho infeliz este do título, porém infelizmente verdadeiro. O publicitário que criou aqueles apelos publicitários sobre as eleições 2008 para o TSE é um verdadeiro gênio. Eu gostaria de saber de onde saiu tanta criatividade pseudoeleitoral. Aquele sujeito que sapateia quando fica nervoso, é algo hilário e tão surreal que até parece possível à existência de tal comportamento motivado por aquela situação sugestionada. O cara da abelha no ouvido, bem que poderiam ter dado aquele papel pro Dunga. O pobre ficou ouvindo tanta conversa pra formar a equipe olímpica..., ordem do Ricardo Teixeira pra escalar este e aquele, do patrocinador pra ressuscitar garoto propaganda em fase terminal..., depois aquele fracasso horroroso em campo. Ele deve ter mesmo uma abelha dentro do ouvido, o problema é que a abelha dele não vai durar quatro anos. Talvez até esteja com óbito decretado para depois dos dois próximos jogos das eliminatórias.
Mas, voltando ao criativo publicitário que criou aquelas pérolas, poderia ter descolado também um papelzinho pro Roberto Carlos, não o rei cantor, mas aquele ex-lateralzinho esquerdo da Seleção que ficava arrumando à meia, enquanto o adversário avançava pelas suas costas e marcava gol. Na narrativa, ele apareceria com aquele sotaque de espanhol de butiquim misturado com italiano de cabaré, que ele mascaradamente adquiriu nos muitos anos que desfrutou dos prazeres do Velho Mundo – Quatro anos..., eu tenho um problema que vai durar quatro anos. Toda vez que o adversário vai cobrar uma falta pra dentro da grande área, eu tenho que me abaixar pra arrumar a meia e, eles fazem gol. Quatro anos..., é o tempo que vai levar pra esquecerem de mim!
Os apelos são realmente muito criativos, pena que para uma finalidade imutável. Não representa absolutamente nada no contexto do eleitor que se deixa levar no bico pela enxurrada de promessas falsas e pela fortuna não declarada e sabe-se lá de onde amealhada, que os candidatos estão gastando pra chegar ao sonho de serem dignos representantes do povo. Por que será que o candidato gasta sempre mais na campanha do que irá receber de salário no período do seu mandato? Deveria ser por aí que o TSE começaria a moralizar as eleições, resolvendo esta equação vergonhosa.
É..., período eleitoral é realmente uma época em que os brasileiros esbanjam criatividade. Deveria ter uma eleição todos os anos, assim nós não teríamos crises disso ou daquilo, só aquela eufórica sensação de paraíso decretada pelo período eleitoral.
Outro dia eu estava no MT e um amigo me passou uma mensagem dizendo – não precisa se preocupar mais, a saúde pública vai se igualar aos planos privados, vamos entrar em um período onde sobrará postos de trabalho, aquela área de esportes e lazer pública que ninguém teve coragem de construir na Vila Marin, logo estará pronta e, se prepara pra última..., quando li estas afirmações, até pensei que eu tivesse sofrido um surto catatônico desses em que a pessoa dorme por muitos anos e depois acorda em outra realidade. A última, era que o Meidão não tinha sido eleito. Aí que eu percebi que este meu amigo estava me passando um trote eleitoral. O Meidão não ser eleito..., só pode ser trote, o Meidão é meio igual ao Zagalo na Seleção, membro vitalício. Se por algum desses acasos da vida, o Meidão não for eleito pra algumas dessas legislaturas futuras, teremos que mandar fazer uma estátua dele e entronizar na Câmara, só pra que não pareça que a Casa esteja vazia. Guardadas as devidas diferenças, o Meidão é meio igual marido que bate na mulher, mas não deixa faltar nada em casa. Ruim com ele, pior sem.
Ano eleitoral é um grande primeiro de abril que dura até o dia da apuração, depois tudo volta à rotina, falta verba pra isso, pra aquilo, não é desta alçada, estamos buscando os recursos... Antes da eleição, todos sabiam de onde viriam os recursos, porém depois, é uma incógnita. Tudo precisa ser muito bem planejado e organizado, afinal o cara tem quatro anos pra levar o povo no bico, pra que a pressa.
Eu tento não pensar naquela campanha publicitária do TSE, mas não consigo. Ela é muito forte e obsessiva. Com a devida licença poética, eu preciso mandar um recado pra uma pessoa – Quinze anos..., eu tenho um problema que já dura quinze anos. No começo, o problema era jovem e bonita e, estes atributos escondiam os defeitos. Agora parece bicicleta de pedreiro, toda chapiscada de reboco, enferrujada e remendada. Quinze anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem como deveriam!
Escrito por roberto.lamparina às 00h07
[]
[envie esta mensagem]

SARCÓFAGO ELEITORAL III
As maravilhas prometidas pelos políticos aqui da região ultrapassaram as fronteiras da noroeste paulista. Colaboradores diretos do presidente Lula afirmam que o presidente ficou tão satisfeito com as maravilhas noticiadas pelos passarinhos fofoqueiros de Brasília sobre todas as maravilhas que estão prometendo os nossos políticos, que até sugeriu para alguns ministros que por hora seria melhor dar uma parada nos projetos das obras de transposição do São Francisco – Caso o Valdomiro Lopes e o Juninho Marão ganhem e, cumpram um terço das promessas de campanha, seria muito mais barato levá-los até a nascente do São Francisco na Serra da Canastra e descer pelo leito operando o milagre até o Oceano Atlântico. Economizaríamos os dividendos públicos e resolveríamos os problemas da seca centenária do Nordeste, logicamente consultando antes São Carlão e São Edinho Araújo, os dois milagreiros antecessores que diante do poder dos novos milagreiros, mais parecem dois vídeo games ultrapassados e obsoletos, daqueles que as crianças só lembram da existência quando o moderno está quebrado.
O presidente Lula, fanático por futebol e pelo Corinthians, atentou para a possibilidade de um pedido especial aos dois milagreiros:
_Me lembrem de quando eu estiver naquela região, pedir uma graça especial pra ver se eles conseguem trazer de volta o Timão pra primeirona!
Escrito por roberto.lamparina às 23h30
[]
[envie esta mensagem]

AME OU ODEIE
Em período eleitoral todos vendem o peixe como sendo fresco, mesmo sabendo que peixe é peixe, não dá pra avaliar pelo cheiro, somente pelos seus aspectos específicos. Se estiver fedendo, não só não está fresco, como possivelmente estará podre.
Você vai até o postinho de saúde do seu bairro e procure por um médico que possa atendê-lo com alguma urgência. Você descobrirá que o peixe além de não ser fresco, é podre, não precisa nem cheirar.
O sistema A.M.E implantado é até bom, se ele funcionasse. Na teoria, o usuário passaria por um atendimento onde teria diagnosticado o seu caso e seria encaminhado de acordo com a gravidade da sua situação para um exame mais apurado e conclusivo. Aí é que o peixe começa a feder. Em primeiro lugar não existem profissionais em número suficiente e dentro das devidas especializações para esta tarefa. Em segundo, feito esta triagem e o usuário do sistema sendo encaminhado para uma seqüência clínica, a agenda é muito longa e a espera é absurda. O sistema de saúde batizado sugestivamente como AME, a partir do momento em que você passa a precisar dele, muda o nome para ODEIE. Os milhares de atendimentos e exames verificados nos balanços do sistema, vira retórica política diante das necessidades não supridas da população e, a certeza de que tudo ainda está por fazer.
Senhores administradores do serviço público de saúde, o que os faz pensar que um paciente possa esperar trinta ou quarenta dias para ser atendido e ainda estar satisfeito com esta baderna que vocês conseguiram fazer na saúde pública? Saúde pública não é política, o povo não se importaria em ser atendido debaixo das mangueiras lá da vila América se fosse por um profissional respeitado, qualificado e na hora da sua necessidade.
Uma pessoa me procurou dizendo ter procurado dias atrás um oftalmologista com urgência no postinho do seu bairro e, lá foi informada de que não havia um oftalmologista para atendê-la. A atendente do postinho ligou para todos os outros e, não conseguiu atendimento para a paciente. No AME, só poderia ser agendado um atendimento para trinta dias depois e, diante desta situação a paciente teve que se sujeitar a ser atendida por um clínico geral que naquele momento estava atendendo no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Sem estar qualificado para o atendimento, o clínico receitou um remédio que a paciente não teve confiança para sequer adquiri-lo, já que este medicamento não estava disponível gratuitamente como deveria no posto. A paciente, não se sentindo segura em usar um medicamento receitado por um médico que não possui especialização na área, no dia seguinte procurou um médico particular e pagou uma consulta, onde foi devidamente medicada e já está recuperada da moléstia que a atingira.
Eles contam com esta nossa passividade para continuar com esta lambança na saúde pública – não tem médico..., ninguém quebra nada, ninguém faz um escândalo como deveria, ninguém tem um surto psicótico, uma atuação digna de “Um dia de Cão”, só abaixa a cabeça e vai ao médico particular, muitas vezes aquele mesmo que ganha para atender lá no postinho, mas por ser uma quantia irrisória a recebida pelo Estado, não se mobiliza para fazê-lo pelo serviço público e, condena o usuário do sistema público a pagar duas vezes pelo mesmo serviço ou a virar vítima de cabresto nas mãos de politiqueiros (vereadores e aspirantes a tal), que vivem da péssima gestão dos serviços de saúde pública e, exploram as suas ramificações políticas e o seu trânsito articulado no sistema, para arrumar, descolar, encaixar um atendimento médico. Eu estou louco para deixar escapar as iniciais de pelo menos dois ou três desses vermes, porém a ética me impede. A função do vereador é tentar mudar isso tudo que está aí, na tribuna, denunciando e exigindo os devidos reparos das autoridades competentes e não se aproveitar desta situação para semear um fértil campo eleitoreiro driblando as agruras do sistema com esperteza ensaboada.
Todo este papo que a gente ouve em épocas eleitorais, é uma tremenda canalhice por parte daqueles que fazem da saúde pública uma retórica que abastece o jugo eleitoreiro – Médico de família? Você já ouviu falar de uma trapaça maior do que esta? Que médico de família é este, se nós não temos sequer um disponível para cuidar das nossas necessidades coletivas. O médico tem que estar disponível lá no postinho e não lotado nas planilhas de pagamento da secretaria de saúde, exercendo uma função que ninguém vê o resultado prático.
O AME, jamais poderia ter um agendamento que ultrapassasse o limite de três dias, três e não trinta. Nós pagamos os nossos impostos e se não temos médicos disponíveis, que o Estado os contrate e os disponibilize.
Saúde, educação..., são plataformas muito difundidas nas campanhas políticas, porém, depois de eleitos, os políticos tendem a esquecer dos seus planos e das suas promessas de campanha e dar uma bela banana para o eleitor. Assim tem sido e pelo jeito, assim continuará a ser.
Escrito por roberto.lamparina às 15h15
[]
[envie esta mensagem]

ZECA PIMENTEIRA
Definitivamente eu cheguei à conclusão de que o Galvão é um “Zeca Pimenteira”. Todas as narrações em que ele está presente, o(s) representante(s) do Brasil inexplicavelmente perdem. É fato lamentável e facilmente verificado nos Jogos Olímpicos, se o Galvão narrar, é certeza de derrota.
Além do Ronaldinho Gorducho e do Gaúcho, a mais nova vítima do Galvão nas Olimpíadas de Pequin, foi o Giba da Seleção de Vôlei do Brasil. Foi só o Galvão começar a exaltar o nome dele com aquela eloqüência que lhe é característica e o cara foi secando igual galho de arruda na mão de pessoa que está carregada de malfeitos. Aliás, se o Comitê Olímpico tivesse observado esta barreira espiritual atravancando os caminhos das equipes brasileiras, certamente teria encomendado uma coroa de arruda para cada atleta em disputa e com certeza teria trazido pra casa muitas coroas de louro. Mas, se não foi desta vez, quem sabe na próxima, se as autoridades competentes reconhecerem esta barreira, quem sabe da próxima, nossas equipes trarão muitas glórias e ouro para o Brasil, basta um gesto simples, quando o pessoal da intendência carregar todo o equipamento atlético e os tarecos todo dos atletas, basta encher os containeres de pequenos galhinhos de arruda anti-Galvão.
A coitada da Marta da Seleção Feminina de Futebol, bem que tentou quebrar esta corrente maligna e romper esta ameaça na marra, mas o olho do Galvão realmente tem muito poder na encruzilhada, sim, porque aquela bola que ela limpou da zagueira e bateu de bico a queima-roupa, não foi a goleira dos EUA quem defendeu, foi o olho ruim do Galvão quem secou aquele gol certo. Como pode uma goleira defender uma bola daquela? Nem o Nkono, aquele goleiro espetacular de Camarões que jogou três Copas do Mundo e fechava o gol como ninguém, além de sair jogando com as mãos e os pés numa perfeição nunca mais alcançada por goleiro nenhum no mundo, conseguiria defender uma bola batida daquele lugar com tanto reflexo.
Na fórmula 1, aí nem se fala, você lembra do Rubinho, aquele outro que o Galvão acabou com a carreira dele a ponto de virar piadinha em todas as emissoras nacionais e internacionais. Você liga a televisão e vê o pessoal do Pânico dando uma tartaruga de presente pro Rubinho. No Programa do Tom, aquela piadinha do engarrafamento em São Paulo por causa da chegada do Rubinho na cidade. No Casseta, esses não perdem uma oportunidade de avacalhar o pobre corredor, até faturaram uma nota preta com a versão de uma música desmoralizando o pobre.
As outras vítimas constantes do Galvão são os seus colegas de jornada esportiva, o Falcão e o Arnaldo. O Falcão até tira de letra e sai da saia-justa que o Galvão o coloca constantemente, só no sapatinho. O Arnaldo, pobre juiz aposentado, acostumado com todo mundo o xingando e a sua pobre mãe recebendo aqueles adjetivos típicos de mãe de juiz, achou que iria gozar de tranqüilidade na sua aposentadoria, arrumou emprego molezinha na Globo – Só comentar arbitragem, não precisa marcar falta, nem cartão vermelho, nem puxar pro time do coração, nem agüentar semi-analfabeto suando e falando palavrões aos berros na sua cara. Pra complicar toda esta molezinha, colocaram-no junto com o Galvão. Tem dias que eu sinto que o Arnaldo está com uma 765 carregadinha só esperando o momento para descarregá-la em público por debaixo da bancada de transmissão, bem nos culhões do Galvão.
O Casão, sobreviveu a tudo, a democracia corintiana, as perseguições da mídia nos seus tempos de centroavante rock’n’roll, aos zagueirões sedentos de sangue, aos altos e baixos que estão sujeitos os jogadores de futebol que são reféns das suas fases, porém quando se viu cercado profissionalmente e assediado constantemente pela língua do Galvão, teve uma recaída nas drogas e está passando esta fase difícil que todos nós estamos presenciando.
Na internet, o Galvão só perde pro Bush em hostilidade, todo mundo odeia o Chris, digo o Galvão. Em meio a tudo isso, uma boa notícia sobre o Galvão está sendo anunciada no submundo da internet. Dizem..., ainda envolvido em sigilo absoluto, que o Galvão assinou um pré-contrato com uma emissora Argentina para a próxima Copa e irá narrar os jogos da Seleção Portenha durante a competição. Diante desta afirmação, só podemos lamentar pelos nossos hermanos argentinos e termos uma única certeza, se não formos hexa, eles também não serão tri, o que já é algum consolo. É, eles vão descobrir o que nós já sabemos, o Galvão seca... Que vaya com Dios Galvão!
Escrito por roberto.lamparina às 18h17
[]
[envie esta mensagem]

VOCAÇÃO SICILIANA
Nossa cidade, talvez pela grande influência da colônia de italianos existentes, segue firme com o domínio econômico e político como nas antigas confrarias mafiosas da Sicília ou de Chicago. Estamos vivendo sob a influência de um grupo que exerce o seu poder de forma absoluta e dominadora. Os nossos Alphonse Capone mudam de tempos em tempos e respondem pelos sobrenomes da meia dúzia dos senhores confrades ou que pelas “Famílias” foram abençoados com as dádivas do poder. São quase quarenta anos de uma direção em que por apenas dois mandos ficaram de fora do poder municipal, justamente pelo grande poder empreendedor do Sr. Mário Pozzobon e que depois também conseguir eleger o seu filho, que na época elegeu-se somente baseado na boa gestão do pai, sem nenhuma experiência e nem envolvimento político relevante. Depois da saída do Dr. Atílio Pozzobon do poder, novamente as Famílias arrebataram o poder municipal e imperam soberanas, espalhando e ramificando a sua influência no sistema municipal de gestão.
A cidade por sua vez cresceu e cresce independente das ações deste ou daquele grupo. Cresce por pura vocação de crescimento, pela boa geografia, pela ótima localização regional, entre outros bons motivos. Nos últimos quinze anos, empreendemos um crescimento diferenciado, graças aos bons momentos da economia brasileira e aos recursos extras advindos da garimpagem dos poderes estadual e federal, que com a sedimentação do regime democrático na estrutura política do país, permitiu esta distribuição mais efetiva através dos poderes legislativo e executivo, vindo estes recursos pararem nos cofres dos municípios.
Os senhores confrades fazem propaganda enganosa quando atribuem o bom crescimento somente as suas ações de governo ao longo desta longeva administração, pois contam com o desconhecimento geral da população. Digam-me eles, quantas foram às empresas de porte médio ou grande que eles instalaram no município nos últimos oito anos? Nós não vamos muito longe com as comparações. Na vizinha Aparecida do Taboado-MS, ali depois do rio Paraná, aquela dos sessenta dias apaixonado, foram mais de vinte empresas entre médias e grandes, inclusive uma grande empresa do ramo de fabricação de colchões e várias metalúrgicas, de galvanização de metais, fábrica de confecções em geral.
Seguindo com as comparações, um pouco mais longe, chegamos até Três Lagoas-MS, onde este número é duas vezes maior e tendo no seu parque industrial se instalado uma grande indústria de biscoitos, sendo esta uma das maiores do Brasil, indústrias de fibras e tecidos, um curtume de grande porte, uma indústria de papel e celulose que está em adiantada fase de construção, indústria e montagem de geladeiras e freezers, além de ter aumentada à capacidade de produção de uma das maiores empresas do ramo da indústria da soja que já está a tempos na cidade e, da crescente demanda aumentada na atividade de extração e serra de madeiras reflorestadas, vocação regional já explorada há muitos anos e agora muito presente nas necessidades industriais.
Ainda seguindo o caminho do desenvolvimento perseguido, a nossa currutela vizinha Valentin Gentil, tem sido muito mais atraente e empreendedora do que a nossa cidade, tendo agigantado o seu parque industrial pelo menos umas três vezes nestes últimos anos, atraindo as empresas do ramo de móveis e metalurgia usada no setor.
Então nos perguntamos, fora aquela grande empresa de equipamentos rodoviários local que empreende grande desenvolvimento, quantas foram as empresas que se instalaram aqui no município? Cadê aquela grande fábrica de suco prometida pelo prefeito viúva Porcina (o que foi, sem nunca ter sido), por que não conseguimos atrair o empreendedorismo e os nossos vizinhos conseguem? Até Tanabí, terra que não consegue ter disponível a luz do sol, pois fica metade do dia sob a sombra dos prédios de Rio Preto e a outra metade sob a sombra de Votuporanga, conseguiu empreender mais do que nós. Sem falar é claro que perdemos uma unidade daquela grande indústria de laticínios que depois de muitos anos de atividade na cidade, fechou e foi embora.
Então, chegamos à conclusão que o nosso bom desempenho é factício, artificialidade gerada pelos recursos advindos da politicagem e, nisto o desempenho dos nossos confrades, temos que admitir, foi perfeito. Só não podemos nos esquecer que os recursos oriundos da garimpagem política, não produzem o bem estar que os advindos da produtividade gerada pelos diversos setores da economia de forma sustentável, pois as obras, equipamentos e serviços contratados com o dinheiro da política, podem ser até necessários e por algum tempo alimentar as necessidades econômicas, porém com prazo pra acabar, dependente de novos direcionamentos políticos, refém das barganhas e negociatas, enquanto que o gerado pela produtividade, tende a se sedimentar e se prolongar na cadeia econômica local e regional.
As gerações que foram se multiplicando dentro do poder municipal, aumentaram ainda mais o poder econômico pessoal de cada um dos membros da confraria e distribui estas benesses entre eles, não admitindo sequer em pesadelo, a hipótese de perderem este poder. Com a máquina pública ao seu dispor, o poder econômico persuasivo e a opressão direta em cima dos seus próprios funcionários, fica difícil dar errado, porém lá na solidão da urna, naqueles seus poucos segundos de verdadeira liberdade, você é o senhor dos seus atos e pode decidir se quer continuar nesta velha receita programada de sucesso para poucos, ou tomar parte na receita que irá confeitar um bolo onde todos terão a possibilidade de abocanhar um pedacinho. Lá é certeza que não sobrará absolutamente nada pra você!
Escrito por roberto.lamparina às 17h22
[]
[envie esta mensagem]

SARCÓFAGO ELEITORAL II
Estão dizendo por aí as péssimas línguas, que o consórcio do Grupão vai levar esta fácil, porém levaria muito mais fácil ainda e sem desgastes políticos, se ao invés de ter lançado a candidatura do Juninho para prefeito, tivessem resguardado o “pobre” rapaz e lançado o cb. Valter aos tubarões como prefeito e, o Juninho a vice. É que o rapaz não sabe mastigar, na casa dele tinha uma empregada que mastigava e colocava a comida pronta para engolir na sua boca. Na prática, depois de eleito os papéis se inverteriam depois da posse.
Não seria esta a primeira vez que alguém iria pro sacrifício em nome do bem maior da confraria, afinal lembram do Pedrão, o que foi prefeito “viúva Porcina”, (aquele que foi sem nunca ter sido), também foi prefeito de araque pro Dr. Joaquim governar...
Escrito por roberto.lamparina às 22h00
[]
[envie esta mensagem]

O DONO DA BOLA
Nestes dez anos em que me permitem devanear sobre diversos assuntos no Jornal mais tradicional e tão importante para o crescimento e o desenvolvimento de Votuporanga e região, muitas vezes usei este veículo para expressar o meu amor pela cidade. Desta vez, sei que não será possível usá-lo, pois as minhas palavras pareceriam propaganda eleitoral e seria crime, mesmo não sendo, é apenas relato de um nativo que ao expressar as suas experiências, demonstra o amor e o respeito pela sua cidade e por todos que aqui residem.
Aqui nasci, na mesma casa onde ainda moro até hoje, aqui me alfabetizei na escolinha de bairro, no velho MIMO, cinco quarteirões da minha casa, onde nos meus primeiros dias na escola, todo dia era abordado pelos “maloqueiros da rua’, como se chamavam naquela época, a molecada que se criava a solta pelas ruas, meio igual cachorro vira-latas, de lixo em lixo e, roubavam o pão com alguma coisa que eu levava na lancheira para comer no intervalo. Alguns dias de aula e aprendi a desviar daqueles meninos e fiquei até amigo de alguns deles. Alguns..., muitos até já morreram, cumpriram penas por pequenos delitos e outros não tiveram a minha sorte e, são vítimas das drogas e de outras desventuras que cercam a vida dos menos favorecidos. Graças a minha criação rígida, principalmente pelo meu pai, fui desviando também de todos estes descaminhos que estavam traçados pra mim na mesma medida e proporção dos que se perderam neles.
Tínhamos um time de futebol aqui no nosso lado da Vila e o nosso estádio era no campinho dos funcionários da Móveis Cacique que era de propriedade do seu Adauto Lupo. Naqueles tempos, o esporte da molecada pobre era só o futebol. Pobre normalmente era raquítico e baixinho (o contrário de hoje), não dava pra jogar nem vôlei e muito menos basquete, então o futebol era a nossa praia. O nosso time era muito bom e andávamos por todos os bairros e campinhos da cidade jogando contra os times das outras localidades. Na estação, na Vila América, no Café, aqui mesmo na Vila Marin, tínhamos um arquirival que sempre estávamos em guerra pra ver quem era o melhor da Vila.
Um dos nossos adversários aqui na Vila, era um timinho da molecada que morava ali perto da São Bento. Jogamos contra eles algumas vezes, ora futebol de campo, ora futebol de salão, numa quadrinha toda com as fissuras abertas no concreto do piso, já com o mato nascendo e que ficava do lado da velha paróquia no Largo São Bento.
O nosso time era de molecada criada na rua, sem camisa e todo queimado do sol, de pé no chão, ou no máximo um par de Kichute nos pés (calçado popular da época). O nosso jogo de camisas, cada um pintava o seu número nas costas e quando o jogo terminava, levava pra mãe lavar, o que me custou muitos cascudos da minha. O time deles era da molecada que morava ali por perto da praça e, normalmente de um poder aquisitivo melhor, tendo até alguns riquinhos no escrete. Camisas limpas e da última moda esportiva, bons tênis, mas no futebol..., só dava “nóis”!
Bola era um problema, pois ninguém tinha, uma oficial então, nem pensar. Os que possuíam uma bola eram titulares nos seus times, independente de terem qualidade para tal.
Neste timinho que jogamos contra algumas vezes, tinha um menino branquinho, ele era um pouco mais novo do que o resto da molecada, cabelo sempre bem cortado, sempre com bons tênis nos pés, aplicado e muito bem educado. Vinha sempre com uma bicicleta daquelas de marchas que na época era o sonho de todo menino, apesar de morar em uma das casas mais bonitas do bairro e bem ali defronte do Largo. Ele era muito ruim de bola, hoje seria figura certa no quadro “bola murcha” do irmão do Oscar. Um dia eu presenciei um desentendimento entre os moleques do mesmo time, onde um deles se revoltou contra a péssima atuação daquele menino branquinho e o xingava acintosamente com aqueles nomes que moleque tem na ponta da língua, enquanto um deles mais centrado e com espírito de liderança repetia desesperadamente – fulano, não fala assim com ele, ele é o dono da bola, depois ele vai embora , leva a bola e o jogo acaba! A crise interna passou depois desta recomendação e o jogo continuou. Bem à tardinha, vinha sempre uma moça com uniforme e o chamava pra ir embora e, ele pegava a bola, a sua bicicleta e ia pra casa na companhia daquela moça.
Nós nunca fomos amigos e, depois de revelar esta verdade sobre as suas habilidades, ou a falta delas na bola, provavelmente nunca seremos, porém eu o conheço e acompanhei todo o seu desenvolvimento humano em todas as fases da sua vida, o que certamente não foi recíproco pela minha própria invisibilidade.
Mais tarde, eu já motorista profissional e sócio proprietário de um ônibus de turismo fretado para levar os estudantes até a faculdade de Direito em S.J. do Rio preto, novamente os nossos caminhos se cruzaram e ele desta vez, estava prestes a se formar no curso de Direito e viajava comigo no ônibus. Ele era um daqueles poucos que realmente freqüentava as aulas, pois muitos dos senhores doutores advogados que exercem o ofício hoje, foram exímios artistas numa mesinha de bilhar que tinha no boteco em frente à FADIR e se especializaram mesmo foi em enrolar o pai e a marijuana, além é claro de praticarem assiduamente o “triatlon” - cerveja, bilhar e se sobrar um tempinho entre a garrafa e a mesa, as belas universitárias que desfilavam oferecidas pelos arredores da faculdade.
Novamente muitos anos se passaram e aquele menino branquinho de boa índole e ruim de bola, mas que tinha uma bola, agora é candidato a prefeito da nossa cidade..., minha, dele e de toda aquela molecada daqueles tempos, que estão ainda espalhados por aqui e por ali, na bela cidade que Votuporanga se tornou.
Eu não tenho absolutamente nada contra a sua candidatura, pelo contrário, eu o conheço de toda a vida e, o acho uma pessoa totalmente do bem, porém é notória a sua falta de preparo e de sensibilidade para conduzir nossos desígnios, transitando pelas diversas camadas sociais que compõem a nossa cidade, características estas que um prefeito precisa ter para poder governar para todos os membros da sociedade. Ele até pode, nestes dias que faltam para o pleito, melhorar o seu trânsito junto aos mais pobres e até se tornar popular no meio deles, porém como água e vinho não se misturam, será apenas uma estratégia de campanha que terminará na festa da vitória. Os caminhos políticos estão todos abertos pra ele, porém não é possuidor desta sensibilidade popular.
Quase trinta anos se passaram e aquele menino branquinho ainda é o dono da bola e, eu gostaria de ver esta bola rolando em outros pés, pois governar a minha cidade não tem a mesma importância daquelas peladas descomprometidas e disputadas no cair da tarde lá no Largo, onde para o nosso time era ótimo que ele ficasse com a bola, pois ele era tão ruim que quando pegava na bola todo mundo murmurava – esse não precisa marcar, é copo de leite, deixa que a natureza marca!
Escrito por roberto.lamparina às 12h37
[]
[envie esta mensagem]

OS COLECIONADORES DE OSSOS
Nós estamos vivendo momentos históricos na televisão brasileira. Com a ascensão de um segundo grande grupo de mídia no setor televisivo público, a emissora que era a toda poderosa e grande formadora de opinião praticamente sozinha, já não tem mais todo este poder de convencimento e está obrigada a dividir a tarefa com um outro grande império da mídia que se formou também de maneira nada ortodoxa do ponto de vista moral, porém já está produzindo frutos positivos para toda a nossa sociedade brasileira, compondo a sua função do ponto de vista prático.
Nos moldes da primeira, a segunda já descobriu o fascínio do brasileiro pelas novelas e montou rapidamente também uma fábrica de ficção aos moldes da grande indústria empreendida pela primeira. Emprega a mão-de-obra especializada e excedente da primeira e, faz da venda do horário nobre novelístico, o seu carro-chefe financeiro, tornando-o impulsionador das suas outras linhas de programação, como programas jornalísticos descomprometidos e de alto nível, sem meias palavras. A divulgação das teorias religiosas coordenadas pelo mandatário supremo da emissora, virou o pano de fundo nos interesses extras da emissora.
Enquanto uma emissora vai até a África falar de como vivem os herdeiros de uma raça de macacos que sobrevivem e se adaptam as transformações do mundo por centenas ou milhares de anos, a outra sobe um dos morros cariocas entregues a própria sorte e mostra a realidade dura dos descendentes evoluídos dos macacos, os homo sapiens, aqueles que até já conseguem ficar de pé, porém abrem mão da postura ereta para viverem agachados nas quatro patas para não serem alvejados por balas perdidas, vida dura de seres humanos que dizem ter passado por um período de evolução, porém vivem exilados do mundo das belas paisagens das selvagens savanas florais africanas e sim, vivendo nos “Alpes Cariocas”, complexos favelários indignos da existência humana, em meio a tiroteios freqüentes nos morros, na guerra entre traficantes, milícias e poderes constituídos.
Nesta guerra pela audiência, os fins justificam os meios e, os meios com que a segunda se baseia para compor o seu cenário, é a realidade nua e crua como se apresenta no momento.
No outro lado, a primeira é submissa e passiva, levemente aborda os assuntos corriqueiros do dia-a-dia das grandes cidades sitiadas pela violência fora de controle e pela guerra declarada entre facções do mundo do crime que usam esta população completamente desprovida de qualquer tipo de proteção, como escudo vivo nesta guerra pelo poder. Esta primeira preferencialmente se especializou em alimentar a fogueira política que arde entre os dois principais grupos que se revezam no poder, a espalhar no ventilador todo o odor fétido que exala desta relação, além do sensacionalismo jornalístico que rendem os casos passionais e as tragédias familiares geradas pela louca existência humana e motivadas pela exaustiva vida moderna, como no caso Isabella Nardoni e outros já mais remetidos pra dentro das gavetas do esquecimento, tudo fruto é claro, do financiamento político do lado que sustenta financeiramente as renegociações das dívidas da emissora com os sistemas financeiros público e privado, podendo assim, manter o padrão de qualidade atingido e se manter entre os gigantes da mídia mundial.
A segunda ainda não se acostumou com a grandeza adquirida, sabe-se lá de onde, nem como, ou que fingimos não saber, porém está usando esta grandeza, por enquanto, em prol do povo brasileiro. Suas novelas são os retratos fidedignos do cotidiano brasileiro, mergulhado na violência, corrupção social, policial e dos valores que estão transformando os brasileiros nestes seres transparentes e, manipulados de acordo com os interesses do grupo que está no poder no momento. Aproveita-se da fraqueza da primeira no quesito comprometimento com a verdade e não tenta criar um mundo paralelo fictício. Suas favelas são sujas e malcheirosas, assim como as verdadeiras, suas prostitutas são banguelas esqueléticas pela fiçura em crack e contaminadas de HIV e, não como aquelas gurias gauchinhas top model da casa da cafetina Sirene da novela das oito, ou do cafofo do cáften Jojo na novela passada. Raparigas iguais àquelas são tudo de bom, é tudo que a minha mãe sonhou como nora a vida toda e só deve existir de verdade nos cabarés que rondam o poder em Brasília. Nos prostíbulos da vida real, as vítimas são quase analfabetas, desestruturadas emocionalmente, viciadas em drogas e álcool e sequer têm completa noção de proteção da própria saúde, não sabendo usar corretamente os preservativos que as protegem e aos seus clientes não só da AIDS, como de uma infinidade de outras doenças.
A batalha pela audiência é uma guerra diária, motivada pela condição de atrair e representar os milhões de espectadores que se tornaram consumistas em potencial, onde agora com o dinheirinho que está sobrando mais fácil no bolso, são os alvos do assédio de quem precisa lhes estimular a consumir mais e mais, para alimentar está máquina chamada televisão, máquina esta que nos ensinaram no passado a sermos totalmente dependentes dos seus conceitos e dos valores a nós impostos pelos que mandavam naquela época. A diferença está só nos valores dos que mandam agora, do resto, nada mudou verdadeiramente e esperamos com esta real concorrência, assistirmos as verdadeiras mudanças em um futuro breve.
Escrito por roberto.lamparina às 20h49
[]
[envie esta mensagem]

SARCÓFAGO ELEITORAL I
Novamente estou eu aqui para dar contas do que andam dizendo por aí alguns sádicos eleitores que se divertem com a desgraça alheia, sim porque ser candidato a alguma coisa, principalmente esta coisa sendo pública, é um fardo pesado pra qualquer um, até mesmo um político profissional, que dirá um médico urologista.
Do doutor Zambon, estão falando por aí que o consórcio contrário protocolou no TRE uma denúncia contra ele por possíveis ameaças de levar a público um registro médico que deveria ser confidencial e de uso restrito ao consultório. É..., vejam só, dizem que pessoas estão sendo procuradas em nome do consórcio do doutor e sendo instruídas a votarem nele, sob pena de terem divulgadas informações confidenciais de ações e reações íntimas no momento do “toque retal’, aquele examezinho sem vergonha que vez por outra um urologista se vê obrigado a aplicar em seus pacientes. O problema é que dizem que o doutor tem uma cadernetinha onde ele anotava todas as reações dos pacientes, como sorrisinhos amarelos, ou durões que na hora h amoleciam mais do que deveriam e outros discretos, porém incapazes de esconder o prazer que estavam sentindo naquele momento e, logo que terminava aquele exame, já iam perguntando se iria precisar fazer outro na semana que vem. Já estão chamando o caso por aí de Gaygate e se for comprovado que a cadernetinha está sendo mesmo usada com fins eleitoreiros, as vítimas terão direito a lavar a sua honra no horário destinado a propaganda gratuita do candidato na televisão. Duvido muito que o caso vá adiante, porém em ano eleitoral, tudo pode acontecer e, bicha adora purpurina. Não duvide se alguma destas bichas velhas que foram molestadas clinicamente pelo dedo clínico do doutor, o acusarem em horário nobre da propaganda eleitoral, de terem sido iniciadas na prática anal pelo dedinho do médico candidato.
Do candidato Junior Marão, pouco se tem dito e, indagado sobre a tal cadernetinha, ele jura que só esteve no consultório do doutor com pretextos eleitorais, jamais tendo um contato assim tão íntimo – Como se pudesse escapar do anular do doutor!
O fdp que batizou este dedo com um nome desses, é mesmo um grande sacana.
Ainda bem que a minha vez está longe, faltam ainda dois anos, noventa e dois dias, quatro horas, quarenta minutos e vinte e dois segundos. Quando chegar a minha vez, vou negociar com o doutor um extra e ver se dá pra ele alugar uma fantasia de Batman pra ele e Robin pra mim. Será que com fetiche é mais caro?
Escrito por roberto.lamparina às 02h28
[]
[envie esta mensagem]

SARCÓFAGO ELEITORAL
Mal começaram de fato as campanhas eleitorais e o bom humor popular já está dando as suas primeiras alfinetadas nos candidatos. Eu como sou invisível e estou em todos os lugares, vos dou contas do que está dizendo o povão. Do candidato Junior Marão, tem gente dizendo que ele nunca se deixou fotografar ao lado de pobres e, nem agora quando é candidato, abriu uma exceção. Nos seus santinhos eleitorais novinhos em folha que já estão por aí nas ruas, onde ele figura ao lado dos seus companheiros de chapa postulantes a vereança, ele está sorridente ao lado dos mesmos, porém em uma montagem gráfica. Pura maldade de gente desocupada que tem tempo para se ater há estes detalhes tão sórdidos e insignificantes! Mas, a campanha está só começando e ele terá tempo de se acostumar com esta tarefa sacrificante, pois dar tapinhas nas costas, freqüentar os botecos obscuros e degustar aquele churrasquinho de gato agüentando os pingaiadas que ficam gritando vivas e em seguida o nome do candidato que está pagando, será rotina diária até o dia do pleito.
Ao candidato Zambon, estão lhes atribuindo uma estranha semelhança com o Homer Simpson. Pensando bem, talvez seja até um pouquinho parecido, um parente bem distante!
E tem mais fofocas quentinhas das ruas, prometo que exumo o cadáver a semana que vem!
Escrito por roberto.lamparina às 22h13
[]
[envie esta mensagem]

RESPONSABILIDADE + COMPETÊNCIA = LUCROS
Normalmente as empresas que trabalham com produtos químicos que se enquadram na lista de produtos classificados pela ONU, tentam disfarçar aquele risco iminente de contaminação disso ou daquilo a qualquer momento, com uma aparência transparente de excessiva normalidade.
Você pode observar, nestas empresas a grama está sempre verdinha e aparada, muitas árvores e plantas decoram, desde a fachada até os ambientes internos e a limpeza é total, tudo devidamente limpinho e de aparência agradável. Lá dentro talvez, não esteja devidamente nesta ordem, porém o externo é que sugere esta aparente ordem.
Não sendo a empresa uma usuária ou produtora de nenhum destes materiais classificados, a coisa muda de figura, nem sempre precisam ostentar aquela imagem de politicamente ecológica e o gramado da fachada está completamente seco nesta época do ano, parecendo até os imensos gramados de Brasília. Nas outras áreas, também existe o risco de estarem como Brasília, um imenso mictório.
As empresas modernas de hoje em dia, tentam vender a imagem de estarem sempre em harmonia com o meio ambiente (mesmo que o produto industrializado seja a base de urânio enriquecido), de estarem adequadas às técnicas de segurança no trabalho e afinados com as medidas de desenvolvimento sociais e humanas. Tudo parece uma maravilha, mais quem gerencia toda esta farsa é um ser humano, falho e na maioria das vezes despreparado e incompetente.
Eu estava um dia desses no interior da unidade da Coca-Cola em Campo Grande-MS e, observava atentamente todo o conjunto das medidas que regem o bom ambiente no trabalho. Funcionários equipados com óculos de segurança, capacetes e luvas, instrutores de educação física que coordenam pequenos períodos de alongamento para que os funcionários tenham um melhor desempenho físico no trabalho, entre outras ações positivas. Depois de passar pela segurança da empresa, fui autorizado a entrar na unidade armazenadora onde eu iria efetuar o descarregamento. Antes haviam duas áreas marcadas com sinalização no chão que percebi serem destinadas ao desenlonamento do veículo. Estacionei em uma das áreas descritas e fiquei aguardando o funcionário capacitado para usar o material de segurança e executar o serviço. O material consistia no uso daquele equipamento de segurança que se veste feito um pára-quedas e que possui um dispositivo amarrado em cabos de aço pra no caso de uma queda, ficar pendurado. Esperei por quase uma hora e ninguém apareceu para fazer o serviço. Procurei saber então o que estava acontecendo e, fui informado de que eu é que teria que vestir o equipamento e fazer o serviço. Toda a imagem positiva daquela empresa que eu fazia até o momento, foi por água abaixo. Será que a pessoa que determinou esta ordem não sabe que todo este equipamento em poder de quem não está preparado para usá-lo de nada serve e, que no caso de me acontecer um acidente no interior da empresa, as responsabilidades são ainda maiores do que as que estariam submetidos se o serviço estivesse sendo executado por um funcionário da mesma?
É este conceito de onipotência que precisa ser mudado nas empresas brasileiras. A imagem de responsável e de responsabilidade tem que ser real e não somente a mercê dos seus próprios interesses.
Eu tenho dedicado um bom tempo para espalhar para os quatro cantos os nomes das empresas que não cumprem com o seu papel e não respeitam nem os seus próprios funcionários, muito menos os seus prestadores de serviços e colaboradores eventuais.
Desta vez, estou aqui para enaltecer a conduta de uma empresa que cumpre com as suas obrigações em todos os seus âmbitos sociais, humanos e com certeza, reflete esta perfeição na sua marca e nos seus produtos. A CARBINOX de Mogi das Cruzes-SP, é o exemplo de que uma empresa pode obter a perfeição nos seus procedimentos desde a portaria até a sua estrutura fabril. Ao chegar à portaria você é recepcionado por atendentes educados e profissionais que de imediato lhe avisam do procedimento de entrada e já te encaminham para a sala de espera. Lá tem banheiros limpos a disposição do visitante, água gelada, café e um suco que está à vontade pra quem quiser se servir. De imediato você já é informado de que o horário do almoço é a partir das 11:00 h, o jantar a partir das 19:00 e uma merenda noturna que será servida as 23:00 h, tendo como único passaporte, passar um cartão magnético que lhe é dado como crachá, na cancela eletrônica. A comida é algo de muito digno e preparada por profissionais de muita competência.
Esta é uma versão de empresa que cumpre com as suas obrigações verdadeiramente, não aquelas que não conseguem sequer disponibilizar um sanitário digno aos seus próprios funcionários, colocando a saúde deles em risco. Imaginem o que não fazem com os produtos que produzem e estão diariamente com você e dentro da sua casa, sendo usados pela sua família!
Escrito por roberto.lamparina às 14h53
[]
[envie esta mensagem]

VOTEM EM MIM
Eu estou pensando em me candidatar à presidência da república no futuro, talvez agora em 2010 e para tal, já comecei a rabiscar algumas medidas que seriam primordiais nos meus planos para uma boa administração, para não fazer como os políticos tradicionais que deixam tudo para a última hora e depois quando interrogados sobre as suas intenções de governo, eles só sabem dizer que vão investir na educação, na saúde na geração de empregos..., só não dizem como!
Meu primeiro grande ato depois de empossado seria nomear o Garotinho como meu gestor das contas do caixa-dois da campanha, sim porque político que se preze tem que ter um caixa-dois pra alimentar às políticas inomináveis. Pra sanar eventuais dúvidas de como eu cheguei ao nome do Garotinho, que fique bem claro que aquele programa dele na televisão, onde ele aparece cinicamente vendendo tarecos evangélicos pelo correio e pela internet a preços sempre módicos e diz ele, simbólicos, o credencia ao cargo. Empossado, o meu Delúbio se encarregaria de levantar das formas mais diversas e possíveis, à quantia necessária pra que eu possa alimentar em minhas mãos aqueles senhores que verdadeiramente fariam as transformações que o meu país necessita e, democraticamente como todos nós, ou a maioria de nós queremos. Com o Legislativo comendo da minha mão, eu enviaria um projeto desses qualquer e decretaria fim do Poder Judiciário, decretando a prisão imediata da alta toga e perfilando-os no “paredão”. Com esta medida eu eliminaria dois problemas, a desordem que eles causam com as suas multi-interpretações das leis e os seus refúgios legais deliberando entre um e outro de acordo com o suntuoso ego de conhecedor das leis e o principal e mais interessante, é que eliminando-os, eliminaria a concorrência desleal na picaretagem, pois os picaretas de lá, só podem ser julgados pelos outros picaretas de lá. Parece esquisito isso, então vou acabar com todos os picaretas de uma só vez.
Com o Legislativo dominado e o Judiciário enterrado bem fundo, só resta uma medida a tomar pra que esta Sodoma vire uma Nação..., a prática conduz a perfeição e, no paredão da toga, eu aproveitaria a artilharia e colocaria bem juntinho pra aproveitar também a munição, os senhores representantes das dez maiores fortunas que certamente não possuem um único níquel ganho de forma lícita e honesta neste país, não se esquecendo é claro, da questão humanística da ação, a doação de órgãos. Todos estes infelizes teriam seus órgãos retirados e doados aos verdadeiros brasileiros que deles necessitem e que desta forma purgariam um pouco dos seus pegados por terem sugado o sangue do povo brasileiro a vida inteira. Esta seria provavelmente a única coisa de bom que estes renegados teriam feito em toda a sua existência. Eu não sei se seria de muito proveito para alguém, pois um fígado curtido muitos anos em barril de carvalho, certamente ocasionaria uma rejeição no transplantado. Eu fico só imaginando o Zé da Silva, o João de Oliveira e o Mané Pereira que estavam na fila de órgãos e com as esperanças de vida reduzidas a nada, enxergando com os olhos do filho da piii do AEM, ou respirando com o pulmão do SA, ou então filtrando os líquidos com os rins do AB.
Resumindo, com a desintegração dos formadores da má conduta, o que resta são apenas os pequenos girinos que com o tempo acabariam por entender que o país não é mais o mesmo e, que aquele velho ciclo do é dando que se recebe, ou de uma mão que lava a outra, acabou e, nunca virariam sapos. Talvez alguém já tenha tentado algumas destas medidas, mas não executou o pacote todo, por isto não obteve os resultados almejados.
Democracia é o regime ideal pra nações em que a população possui altivez e poder de reação para combater os excessos da retórica democrática, assim como na Argentina, aonde a população vai pras ruas e faz “panelaço”, na França, berço de tantos movimentos sociais ao longo da história em que a população submetida às desvantagens sociais se revolta e põe pra quebrar, não ficando pasmada e perplexa diante dos desmandos e dos desvios de caráter do poder, que é comum a todas as nações, não é nossa exclusividade, o que nos é exclusivo, é a passividade com que aceitamos os fatos e aguardamos o desenrolar de joelhos.
Vocês que não conhecem os estados da região Nordeste, não sabem o que é estar de cócoras, mas vou tentar lhes explicar. Você passa pelo sertão do Ceará com destino a Fortaleza e no vilarejo, o sertanejo está à beira do caminho de cócoras, com uma das mãos estendida pedindo um trocado e a outra escorando a face. Você volta três dias depois e ele continua lá, naquela mesma posição, não consegue mais se levantar. Esta é a situação real do povo brasileiro, não consegue mais se levantar, chegamos no limite. O que será que falta acontecer pra que alguém tome alguma atitude?
Eu tomei a atitude de revelar os meus desejos mais sinceros e secretos e, torna-los minha plataforma de governo, agora basta que votem em mim!
Ps; E para que serve a Justiça, senão causar injustiça. O meu avô veio da Espanha e foi morar em Potirendaba, depois em Tanabí e em seguida veio para a Prata (Simonsen), de onde estabeleceu moradia e ajudou no parto da recém-nascida Votuporanga. Solidificou aqui a sua família e ajudou a construir a nossa cidade. Ele usava um 38 Schimidt Wesson com cabo de madre-pérola niquelado que descanhotava no meio, na cintura e, respeitava as leis e os outros homens. Morreu de velhice e isto é Justiça, você poder criar os seus filhos como pessoas de bem e enxergando no seu semelhante este mesmo desejo. Os que não possuem este desejo, não são dignos de viver.
Escrito por roberto.lamparina às 00h58
[]
[envie esta mensagem]

PODER... PRA QUE TI QUERO?
Com os candidatos já praticamente definidos, a corrida eleitoral para a prefeitura em nossa cidade sai dos bastidores sombrios das agremiações políticas e dos pensamentos mais secretos dos sempre atuantes senhores que coordenam este processo de escolha dos candidatos, logicamente cada qual retirando e colocando para a apreciação pública o melhor dentre os da sua espécie.
Seguindo esta teoria, certamente teremos a eleição mais tranqüila da região. Os dois possíveis combatentes de primeira grandeza, já estão em campanha há muito tempo e estamos muito bem representados, diga-se de passagem. O que está fazendo a diferença é o restante dos soldados que estão perfilados de cada lado.
Um, talhado pelo grupo que hoje representa o poder municipal, há muito tempo se prepara para assumir o Paço. Do seu lado estão todas as velhas raposas políticas locais dispostas nos clubes de serviço, algumas entidades de classe e em muitas entidades assistenciais, a se digladiarem entre si para ver quem colocará ou indicará quem para qual cargo na vitória praticamente certa que já vislumbram. Vão com tanta sede ao pote que até pecam na retórica dos discursos quando tentam antecipar os fatos, ao invés de lograrem êxito primeiro nesta guerra que se inicia, já começaram a gastar munição no embate mais adiante para o Planalto, onde ideologicamente o consórcio é oposição. Os senhores da política acostumados com as falácias da época, estão a distribuir por aí, quase que em regime de lavagem cerebral que a alternância de poder é fator indispensável para a gestão límpida do governante e do bom andamento da “coisa pública”, porém esquecem que este pequeno detalhe também deveria se aplicar ao nosso terreiro, já que a atual administração vem de uma reeleição e se prepara para passar por cima de quem quer que ameace este poder que julgam soberano. Fechará um ciclo de oito anos no poder com possibilidades muito reais de amealhar o poder por mais quatro, no mínimo. Aí a alternância de poder não é vista com bons olhos e, eles se escondem por trás da máxima de que é o povo quem escolhe. Certamente se não estivessem satisfeitos com os resultados atuais, escolheriam a outra opção.
O outro, embalado pela boa votação obtida no último pleito para a Assembléia Legislativa, onde mesmo tendo uma ótima votação, não conseguiu cadeira. Já tendo experiência administrativa comprovada e experiência no legislativo, agora tenta o executivo municipal. Preparado, capaz, idôneo, assim como o primeiro, porém os que perfilam ao seu lado, nem chegam perto do poder de convencimento dos alinhados ao primeiro. A missão é difícil, quase impossível, somente com uma estratégia muito acertada para reverter esta desvantagem, aproveitando ao máximo o carisma e a dedicação profissional de médico popular e humano, adjetivos que o “doutor” sempre usou como arma em política.
A campanha do jovem empresário se baseia na continuidade da situação atual de prepor em um ritmo muito forte para agregar recursos oriundos de todos os corredores da estrutura política e aplicar estes recursos, embasado na forte publicidade de uma gestão capaz e transparente. Foi esta a estratégia aplicada no primeiro mando do Carlão que sufocou a mídia local com a imagem diária do prefeito estampada nas manchetes e escrito em letras garrafais, os resultados práticos das suas viagens e ações. Em uma pequena pesquisa, eu descobri que não passou um único dia sem que a figura do prefeito não aparecesse estampada em um veículo de mídia local no seu primeiro ano de governo. Nos seguintes, baixou a freqüência, mas a massificação continuou. O segundo mando lhe foi conferido pelo povo como presente. Na falta de um adversário a altura, não precisou esforço da máquina política, nem recursos de cena. O grupo fechado que concentrou o poder da máquina municipal e com isso conseguiu muitos bons resultados, está a serviço do jovem candidato.
A campanha do doutor vem com abre-alas de orçamento participativo e governo popular, práticas políticas e administrativas adotadas em alguns lugares e com bons resultados obtidos, além de prepor o oposto do seu oponente, uma distribuição de poder mais popular e abrangente. Certamente partirá para o corpo-a-corpo, não tendo efetivo com capacidade de massificar a sua figura, terá que cativar o eleitorado, se preciso um por vez. Aquela coisa mais pessoal, conhecer o rebanho pelo nome, organizar e freqüentar as reuniões com os simpatizantes e lá demonstrar as suas intenções de governo - Tomar hóstia na missa da manhã, comer do pão e beber do vinho no culto da noite e na madrugada, se embriagar na cachaça, dando uns tapas no “bagulho” que seria oferecido aos santos mais matreiros nos terreiros, além é claro de invocar no consultório os trabalhos do Dr. Fritz. Será que o doutor está preparado fisicamente para esta maratona? Se quiser competir em igualdade, terá que se condicionar. Adversário a altura, ele é.
As boas intenções partem dos dois lados, nós é que temos que ficar atentos e verdadeiramente encararmos o âmbito municipal como o da nossa realidade, onde nós vivemos, trabalhamos e nos realizamos como pessoa e como cidadão, não permitindo que aquela falácia emitida pelos senhores da política local se torne uma realidade bem debaixo dos nossos narizes. A alternância de poder com a finalidade específica de coibir as práticas corruptas e dificultar a instalação das engrenagens lesivas ao sistema, é uma necessidade dentro dos três níveis de poder e não só naquele que se almeja no momento.
As necessidades da nossa comunidade precisam ser supridas, seja pelo grupo A ou B, executar este poder com honestidade e responsabilidade, é o que esperamos dos nossos governantes.
Escrito por roberto.lamparina às 01h02
[]
[envie esta mensagem]

|