Meu perfil
BRASIL, Sudeste, VOTUPORANGA, VILA MARIN, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Esportes, Informática e Internet
MSN - roberto_lamparina@hotmail.com




Arquivos
 08/11/2009 a 14/11/2009
 01/11/2009 a 07/11/2009
 25/10/2009 a 31/10/2009
 18/10/2009 a 24/10/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 20/09/2009 a 26/09/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 23/08/2009 a 29/08/2009
 16/08/2009 a 22/08/2009
 09/08/2009 a 15/08/2009
 02/08/2009 a 08/08/2009
 26/07/2009 a 01/08/2009
 19/07/2009 a 25/07/2009
 12/07/2009 a 18/07/2009
 21/06/2009 a 27/06/2009
 24/05/2009 a 30/05/2009
 10/05/2009 a 16/05/2009
 03/05/2009 a 09/05/2009
 26/04/2009 a 02/05/2009
 12/04/2009 a 18/04/2009
 05/04/2009 a 11/04/2009
 22/03/2009 a 28/03/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 01/03/2009 a 07/03/2009
 22/02/2009 a 28/02/2009
 15/02/2009 a 21/02/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 01/02/2009 a 07/02/2009
 25/01/2009 a 31/01/2009
 18/01/2009 a 24/01/2009
 11/01/2009 a 17/01/2009
 28/12/2008 a 03/01/2009
 21/12/2008 a 27/12/2008
 14/12/2008 a 20/12/2008
 07/12/2008 a 13/12/2008
 30/11/2008 a 06/12/2008
 16/11/2008 a 22/11/2008
 09/11/2008 a 15/11/2008
 02/11/2008 a 08/11/2008
 26/10/2008 a 01/11/2008
 19/10/2008 a 25/10/2008
 12/10/2008 a 18/10/2008
 05/10/2008 a 11/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 21/09/2008 a 27/09/2008
 14/09/2008 a 20/09/2008
 07/09/2008 a 13/09/2008
 31/08/2008 a 06/09/2008
 24/08/2008 a 30/08/2008
 17/08/2008 a 23/08/2008
 10/08/2008 a 16/08/2008
 03/08/2008 a 09/08/2008
 27/07/2008 a 02/08/2008
 20/07/2008 a 26/07/2008
 13/07/2008 a 19/07/2008
 22/06/2008 a 28/06/2008
 08/06/2008 a 14/06/2008
 25/05/2008 a 31/05/2008
 11/05/2008 a 17/05/2008
 04/05/2008 a 10/05/2008
 27/04/2008 a 03/05/2008
 20/04/2008 a 26/04/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 30/03/2008 a 05/04/2008
 16/03/2008 a 22/03/2008
 24/02/2008 a 01/03/2008
 17/02/2008 a 23/02/2008
 03/02/2008 a 09/02/2008
 30/12/2007 a 05/01/2008
 09/12/2007 a 15/12/2007
 25/11/2007 a 01/12/2007
 04/11/2007 a 10/11/2007
 21/10/2007 a 27/10/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 09/09/2007 a 15/09/2007
 02/09/2007 a 08/09/2007
 19/08/2007 a 25/08/2007
 05/08/2007 a 11/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 08/07/2007 a 14/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 06/05/2007 a 12/05/2007
 29/04/2007 a 05/05/2007
 22/04/2007 a 28/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 blog do josias de souza
 blog da Denize Gonçalves
 blog da rosely sayão
 blog da soninha
 blog do artur
 blog do paulo cosmo
 Blog da Renatinha
 rricardo
 Lara Permegiani
 Câmara Municipal de Votuporanga
 Diário de Votuporanga
 Prefeitura Municipal de Votuporanga
 SAEV Votuporanga
 UNIFEV Votuporanga
 Jornal A cidade
 Blog do dr. Bibiano
 TCE-SP
 TRE-SP
 TSE
 Blog da Mariely
 Blog do Professor Hari Prado
 Blog do Azenha
 Conversa Afiada do Paulo H Amorim
 Observatório da Imprensa
 Oleo do Diabo
 Blog do Eduardo Guimarães
 Escrevinhador do Rodrigo
 Carta Capital
 Vermelho
 Novo Jornal do Poeta Gibim
 Blog do Luciano Viana
 Blog do Fábio Balaguer
 Blog da Esther Alkimin
 Transparência Brasil




BLOG DO ROBERTO LAMPARINA
 


OFÍCIO ENVIADO AO MAQUINISTA DO TREM DA MORTE

Ao

Exmo. Senhor Governador do Estado de San Paul

Dr. José Chuiça Chirico Feio por Fora e por Dentro Pedágio Abusivo Civita Frias Marinho

 

 

          Venho por meio deste, mui encarecidamente, pedir que Vossa Excelência retome em regime de urgência urgentíssima, o projeto de duplicação da Rodovia Euclides da Cunha, trecho compreendido entre as cidades de Mirassol até Santa Fé do Sul.

          Sei que muitos têm manifestado efetivamente este desejo perante Vossa Excelência, como os nobres Deputados Estaduais que representam a região Noroeste, o Rodrigo Rosachiclete Gracinha e o Vaiz Embora pra Lima e Não Volte, além de prefeitos e vereadores regionais, como nosso ex-baconiano Cherano e Bebeno Pinga na Tari dos Outros é Refresco.  Sei também que a nossa estimada “mestra das mestras”, Órca Baba com Frieiras na Frente, também enviou uma pequena missiva à Vossa Excelência, evidenciando as nossas necessidades e deixando claras as possibilidades imensas de dividendos políticos que o Senhor auferiria com esta obra.

          Decidi então reiterar o clamor popular, haja visto que, como o Senhor deve saber, sou trucker dos bons, e infelizmente não sou adepto das práticas tão sutilmente sugeridas pelo Bonner e a Fátima (lúcido e sóbrio, como alguém pode viver assim num mundo destes!), aquela dos 40% que são viciados em álcool e drogas, fazem pipi em pneus, comem de marmita e em movimento, não tomam banho, não bebem leite e nem freqüentam a missa de domingo, porém nesta semana, vinha eu conduzindo o meu veículo pela referida rodovia, absolutamente sóbrio - há que se deixar claro novamente -, quando mais ou menos, a uns cem metros da entrada de Santa Salete, uma depressão decorrente entre a faixa de rolamento e a terceira faixa, por muito pouco não causou o tombamento lateral do veículo que eu dirigia, onde por agravante, ainda estava carregado de pluma de algodão, carga esta de alta periculosidade, pois pela altura máxima permitida, o veículo e o condutor referido, torna-se uma vítima em potencial, incapaz de qualquer ato de defesa prévia. Sei que o Senhor é homem muito ocupado e eu não quero que sejas obrigado a se ausentar das suas funções palacianas e se deslocar até aqui na barranca do Rio Grande, nas barras das três divisas, para declamar o meu epitáfio, nesta minha remota partida abreviada pelos percalços da Euclides da Cunha. Sei que eu não poderia ter honra maior, mas temo que outros pleiteiam tomar à dianteira para lavrar este epitáfio em profunda lucubração, mas deixo claro e sob testamento na expressão da minha vontade neste ato, que a minha preferência é pela sua oratória.  Sugeriria até que começasses pela exaltação da minha postura cidadã e pela minha busca constante do ideário liberal na fé inabalável em São Serapião, assim como Vossa Excelência, e terminasse com aquela célebre e modesta frase de minha autoria – “Para cada pobre e nordestino que tem a sorte de nascer morto, São Serapião acende uma vela no céu e deposita um dólar na conta de um capitalista em algum paraíso fiscal”. É por isso que crise nenhuma nunca conseguirá descapitalizá-los.

          Sei que Vossa Excelência é leitor assíduo daquele “bloguinho” que tento manter atualizado na Internet a duras penas, o http://ro.lamparina.zip.net, e que tens acompanhado a minha campanha ostensiva para espantar daqui do nosso feudo, aqueles comunas vermelhos que ora, bem momentaneamente, usurpam do poder federal pelas mãos do molusco novedediano Ébrio Paraíba da Silva. Está difícil manter a nossa superioridade intelectual, desde a popularização desta diabólica Internet e destes vermes virtuais que se multiplicam, digo vermes, mas não é verídico, pois até as bactérias e vermes conseguem, em pouco tempo, encontrar resistência para as drogas que as aniquilam. No entanto os pobres levaram centenas de anos pra descobrirem quais as drogas que os consumiam, qualificando assim os vermes, como seres mais evoluídos do que estes deprimentes pobres.

          E é com este credenciamento que empenho à Vossa Excelência e reitero o pedido de tão ilustres personagens locais como a Dona Órca Baba, mesmo não estando eu ainda à altura de tamanha grandeza e expressividade intelectual.

          Gostaria também de colocar a vossa inteira disposição, aquela nossa empreiteirazinha local que o senhor ajudou a fundar e que, se possível, pudesse “mexer os pauzinhos” para que ela ganhe nesta sua concorrência armada, algum trecho da obra, ou no mínimo, entre como sub-contratada das vencedoras nesta empreitada, haja visto que tanto tem nos ajudado nas obras do Rodoanel, descolando-nos sempre alguns biquinhos aqui e aculá.

          Excelentíssimo maquinista da Locomotiva da União, se não fosse pedir demais, gostaria também que o senhor desse aquele jeitinho que só o senhor sabe, e incluísse o nome desta nossa empreiteirazinha no consórcio que ganhará a concorrência para explorar as praças de pedágio que, certamente serão edificadas neste nosso trecho, tendo a certeza de que sempre saberemos lhe ser gratos, como de costume, basta que mandes o número da conta.

          Peço encarecidamente, que o Senhor Governador mantenha vigilância constante aqui neste meu bloguinho e que ao menor sinal de contaminação pela “peste vermelha” aqui neste espaço, aperte o botão de start dos mísseis nucleares que apontam na direção do humilde endereço deste servo de Vossa Excelência, não permitindo jamais que eu me torne um abduzido das hostes vermelhas, pois antes disso, preferiria à morte.

          Gostaria também de confirmar a minha presença para que meu nome conste nas listas do Plano Emergencial de Segurança Pública Vip, aquela que garantiria a segurança e imediata evacuação de membros expressivos da sociedade, no caso de uma nova e remota revolta por parte dos dirigentes do PCC e, que eu possa ir para um abrigo subterrâneo seguro, juntamente com o Senhor e sua digníssima família enquanto os “rapazes” fazem a faxina. Depois do desmoronamento das resistentes muralhas do PIG, não sei ainda por quanto tempo poderemos suportar tamanha pressão.

          Sem mais delongas e certo de contar com Vosso apreço e consideração, despeço-me com os singelos votos de otimismo e apoio irrestrito deste seu criado, nesta caminhada que faremos juntos ao Planalto em 200000000010, pois se eu pudesse lhe dar mil votos, mil vezes retornaria à urna e apertaria o confirma para o Senhor Chirico. Nosso mestre supremo viverá eternamente, por isso, despeço-me com nossa saudação oficial – Hei Hitler!!!

          Atenciosamente,

 

ROBERTO LAMPARINA MARTINS – Cidadão de Bacon City – San Paul - Brazil

Visitem meu Blog / http://ro.lamparina.zip.net – o Governador eu sei que visita, mas esta é pra vocês estafetas e lacaios dos Bandeirantes.

 

 

 

 



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 13h27
[] [envie esta mensagem
]





ENTRE FORMIGAS E CIGARRAS

 

          Um dia desses entrei num boteco, bem precário desses que tem lá no Maranhão - onde a cerveja ruim de Itu, custa R$ 4,00 a garrafa e nem aparece ninguém pra sentar no colo da gente, porque cerveja nesse preço, só em z... -, acompanhado de um amigo. Sentamos e gaiatamente meu amigo pediu ao botequeiro que nos servisse a mais gelada da casa, àquela que ele tinha guardado pro vereador. Imediatamente então, emendei – Se é pra tomarmos cerveja de autoridade, traga logo a que o senhor guardou pro prefeito!!!

          O senhor agachou-se debaixo do balcão da espelunca e pegou uma garrafa do engradado e com o abridor em punho, foi logo ameaçando em sotaque carregado de maranhense do Azeitão:

          _ Querem que eu abra?

          _ Mas, esta está quente, o senhor pegou ali da caixa, retrucou meu amigo.

          _ Pois é, mas vocês pediram a que eu guardei pro vereador e pro prefeito e aqui no meu estabelecimento, se algum desses cabras entrarem porta adentro, é dessas que irão beber. Olha pro povoado e vê se eles merecem coisa melhor.

          De fato, a coisa por lá estava visivelmente precária.

          Bom, mas deixando os causos de lado e entrando na realidade... Na semana passada aconteceu um evento maravilhoso em nossa cidade, onde infelizmente eu, apesar de estar convidado, não pude comparecer, pelo simples motivo de ser um estradeiro, um viajante, um cigano, ou ainda como diria o meu amigo Karlos, apenas um “trucker”.

          Mas, mandei um representante ao evento, pois contratei os serviços de um profissional em colunismo social, devidamente credenciado e com acesso livre a todos estes eventos, somente para que nos coloque a par do que andam fazendo e pensando, os mais ricos e mais famosos e os que não são, mais adoram servi-los e servir de platéia para eles e depois, longe das vistas, acabam botando algum ossinho no bolso, pra levar pra casa e servir aos cães.

          Segundo meu informante e colunista Fala Mansa, a festa foi um sucesso. Marcaram presença por lá diversas autoridades, como o deputado gente deles, o prefeito e boa parte da nossa estimada câmara legislativa baconiana, além é claro do estafeta do deputado e do serviçal-mor do prefeito, esses dois últimos, presenças obrigatórias, devido ao encargo do ofício.

          Entre uma deliciosa costela que o tacho consumia sua graxa em fogo brando, uma cervejinha bem gelada e a missão oficial de traçar planos para legalizar um loteamento irregular, onde os que providenciaram a recepção aguardavam ansiosamente pela palavra amiga que colocaria fim a esta agonia. O fato é que o prefeito, devidamente acompanhado pelo empresário que loteou o local indevidamente, pediu paciência aos presentes e garantiu que a “coisa” vai andar, mas logicamente terão que desembolsar mais algum...

          O estranho nisso tudo, é que o atual prefeito não tem nada a ver com o loteamento irregular, pois não se deu na sua gestão e o empreendedor responsável pela irregularidade estava bem ali na frente de todos os presentes – Então, por que será que todos cobram providências do prefeito e não do loteador? Este assistia tudo, como se a coisa não fosse nem com ele.

          Outro fator curioso é o nosso legislativo se fazer presente em uma reunião onde estarão reunidos interesses contrários aos da representação popular, pois deveriam tomar a frente dos prejudicados e exigirem a devida reparação legal e imediata do loteador, e não ficar fazendo número, nem servindo de platéia para discursos inflamados de pústulas.

          O fato é que “fizeram” vistas grossas e o cara picou os lotes, vendeu caro (embolsando uma pequena fortuna em cima de uma área que nada valia em teoria), sem nenhuma infra-estrutura obrigatória e a área valorizou rapidamente, muito, devido a sua localização comercial privilegiada as margens da EC. Então, os proprietários estão contentes com a aquisição irregular, porém querem regularizá-la. Todo mundo ganhou dinheiro, porém o prefeito está com a bomba no colo.

          As formigas estavam ali tentando a regularização dos seus imóveis, pois são trabalhadores que compraram e pagaram por algo que deveria estar devidamente dentro da lei e não está. As cigarras estavam ali tentando encobrir as pistas deixadas pelo caminho, pois podem ser responsabilizadas (quem loteou e quem permitiu lotear irregularmente) – E o legislativo baconiano, o que fazia ali? Temo que a pergunta ficará sem respostas.

          Mas o ponto alto da festa foi o discurso comovente do deputado gente deles - já meio inebriado pelo combustível que abastecia o evento e com as palavras deslizantes devido a graxa da costela -, explicando como são acachapantes as peregrinações conjuntas que fazem na Capital Federal, ele e o prefeito, entrando de gabinete em gabinete (de bar em bar), estendendo o chapéu na busca pelos recursos que estão fluindo para nossa Bacon City. Depois se seguiu um discurso emocionante sobre a conduta memorável e irrefutável que o patriarca da família do prefeito sempre ostentou no seio da sociedade, sua liderança e seu espírito de cooperativismo. As palmas então fluíram, feito as lágrimas espontâneas que sempre brotam em nossos olhos quando assistimos a saga de Scarlet O’ Hara, ou a reunião dos irmãos separados pelo cientista maluco em Irmãos Gêmeos, aquela magnífica obra estreladas pelo Devito e Schwarzenegger.

          O Fala Mansa me relatou que contrataram até mestre de cerimônia, que puxava... as palmas e era seguido pelos demais, vai ser bom assim lá em Cardoso.

          Eu não estava lá, mas posso afirmar que o calvário deve mesmo ser grande, pois esses deputados conseguem falsificar tudo e para conseguirem algum lucro espúrio, certamente aqueles maltes que oferecem pelas mãos macias daquelas gostosas secretárias de gabinete, deve ser mesmo coisa horrível, produto de destilarias made in Ponte da Amizade, ainda por cima, quente né..., pois gelo nessa época do ano em Brasília, somente nos gabinetes dos deputados com voto no “conclave”, porque deputado do baixo-clero, nem pensar..., é cowboy mesmo. E aqueles petiscos que sempre servem em gabinete de deputado, têm cara de ser coisa vencida que iam jogar fora, ou restos do cardápio oferecido pelas companhias aéreas. Porém alguém, comovido com a penúria legislativa que atravessa a casa, deve ter doado para o repasto dos incômodos visitantes. Aposto a unha encravada do meu dedão do pé, que é coisa daquele sabonete do Nenê Constantino.

          Mas a pior e mais maçante parte desta súplica obrigatória em Brasília, são aqueles deputados e senadores boêmios que, passam as noites intermináveis no cabaré da Margô, ali na Quadra 910, conjunto F, Asa Norte, Brasília-DF. Um antro de ostentação, luxúria e perdição, onde tais legisladores insistem em arrastar seus convidados para demonstrarem ali seu poder e sua glória e, entre cálices e mais cálices do néctar de Baco, tudo devidamente pago com os recursos de alguma verba parlamentar disponibilizada para a atuação legislativa (porque não existe coisa pior do que puta cobrando cheque devolvido na porta da casa da gente). O imprevisível então, pode acontecer, até revelações importantes...

          Solidarizei-me com o suplício dos dois, apenas pelo relato choroso do Fala Mansa, ainda mais, quando o deputado gente deles, referiu-se como sendo um “caipira da terra”, atuando na Capital Federal do poder, em pról do nosso município. Aí foi o ápice do evento e segundo me reportou ainda o Fala Mansa, a platéia não se conteve e foi um chororô danado.

          Deputado..., o senhor tem muitas virtudes, mas esta sua modéstia ainda acabará por lhe prejudicar. O senhor é da terra sim, isso é inegável, mas caipira..., somos nós!!!

          Não posso perder a próxima de jeito nenhum, estas festas são bem melhores do que um show do Ari Toledo, ou mais emocionantes do que a temporada toda de Lost.

          Espero que o senhor prefeito, o deputado gente deles e os demais vereadores presentes no evento, nunca entrem no meu boteco para tomar uma gelada, pois possivelmente conhecerão a fúria de um botequeiro descontente e beberão daquela gelada no micro-ondas!

 

Ps: Espero também, que o ex-quebrando o sigilo do caseiro Palocci não me processe por plagiar parcialmente o título do seu livro, mas este título não poderia ser outro. E além do mais, este texto é muito mais revelador do que o livro todo do Palocci, que certamente deve ter muito mais coisas interessantes a contar, do que aquelas que contou na edição seu livro de pós-ministério. Esperávamos algum segredo mais cabeludo, mais alcoviteiro das vísceras do poder federal.



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 13h34
[] [envie esta mensagem
]





ENTREVISTA FEITA COM O CÉLIO DO SURDO

 

          Aproveitando de uma proximidade que tenho com um membro importante da diretoria de um grêmio recreativo e esportivo de um dos bairros da zona norte da capital paulista, consegui extrair dele em entrevista, algumas informações importantes sobre a vivência nas grandes cidades, que servirão de parâmetros para nos exemplificar também, dos métodos utilizados em campanhas políticas hoje em dia. Como pessoas que não possuem atuação e, nem engajamento social e comunitário, conseguem se eleger para cargos eletivos com os votos de pessoas de uma determinada região e com interesses pré-estabelecidos.

          Na impossibilidade de revelar o seu verdadeiro nome, chamarei meu entrevistado pelo nome de Célio do surdo, aprisionado na informalidade, músico pretensioso, preto e pobre, mais um invisível morador de uma comunidade carente da cidade de São Paulo, criado na escuridão e nas fogueiras dos guetos paulistano, um típico subproduto dos bolsões de pobreza.

 

          Célio, pra começar, daria pra você resumir a sua vida em algumas poucas palavras?

 

          Você já disse na introdução quase tudo de importante. Músico, preto, pobre, abandonado pelo pai com mais cinco irmãos aos oito anos, sobrevivente das drogas, segundo grau incompleto e vivendo há mais de dez anos de serviços diversos, inclusive este de tomar conta e fazer a segurança de caminhões aqui nas imediações do Rodoshoping. A inclusão como membro ativo aqui da nossa associação comunitária do bairro, mudou a minha perspectiva de vida e acredito, que a partir desta mudança, ter contribuído para a transformação na vida de muitas pessoas que tiveram a mesma trajetória que eu tive.

 

          Célio, há quanto tempo você faz parte da diretoria desta associação comunitária e qual a finalidade dela junto à comunidade?

 

          Bem, já estou na diretoria há três biênios, mas antes disso, passei por diversos cargos dentro da associação, vivendo uma experiência associativa de mais de quinze anos e que começou com o carnaval. Uma pequena escola de batuque que mobilizava a comunidade em torno dos desfiles carnavalescos. Em seguida veio às atividades esportivas com o time sênior de futebol que se apresentava disputando torneios amadores pela cidade e assim foi se expandindo para estes dois lados, o carnavalesco e o esportivo, assim mesmo, como um lazer de um bairro de operários e que tem nestas atividades, a sua forma de lazer e de expressão.

 

          Qual a atuação da associação junto aos membros da comunidade e até que ponto vocês conseguem atingir os objetivos traçados com tamanha precariedade de recursos e possibilidades?

 

         

          Hoje a integração da associação junto aos nossos moradores é total. Tentamos estar presente ativamente na vivência das pessoas da comunidade, seus problemas, suas dificuldades, suas restrições, tudo acaba virando pauta nas nossas reuniões e procuramos, de alguma forma, encontrar maneiras de auxiliar naquilo que for possível. Ex: um membro estava encontrando dificuldades para conseguir tocar um pequeno comércio informal que mantém o seu sustento e dos seus familiares em uma rua movimentada aqui do nosso bairro e, volta e meia os fiscais da prefeitura o estava incomodando, querendo a sua remoção e do seu barraco (pequeno comércio de salgados e refrigerantes) do local. Acionamos então os nossos contatos políticos na Câmara Municipal de São Paulo e o fiscal parou de incomodar e perseguir o pequeno comerciante informal. Isto gera uma confiança total por parte dos moradores, que sempre nos depositam confiança e nos procuram para a solução dos seus problemas, até mesmo os pessoais de foro íntimo. Eles acreditam que podemos resolver o problema e, nós tentamos e fazemos tudo que está ao nosso alcance para tal.

 

 

          Quais os recursos financeiros que vocês possuem e como fazem a capitação destes recursos?

 

          Conseguimos angariar recursos com as promoções dentro da comunidade, às festas na quadra da escola e as atrações que conseguimos trazer e se apresentar para a nossa gente. Isso tudo com outras pequenas receitas auferidas aqui e ali, como doações de comerciantes e de empresas da região, além de gente que “pode” mais e se solidariza com o trabalho que desenvolvemos. É assim que vamos conseguindo manter a dignidade aqui na nossa comunidade. É muito problema e muita falta de recursos para resolvê-los, o que nos coloca em uma condição de priorizar as necessidades absolutamente mais básicas possíveis. Problemas de saúde, como exames e remédios que não estão disponíveis no sistema de saúde pública, é uma prioridade absoluta, assim como a manutenção de idosos e mulheres que não possuem convivência com parceiros e tem que arcar com as despesas da família, a associação acaba por ajudar com a distribuição de cestas básicas e tudo o que for possível, dentro das nossas precárias possibilidades.

 

          Então, a associação é uma parceira de todas as horas, presente nos bons momentos e nos momentos difíceis também?

 

          Exato, estamos presentes nas festas e no choro dos velórios em que enterramos nossos mortos, com a devida dignidade que todo ser humano deveria ter. Acompanhamos todo o processo de recuperação das famílias traumatizadas por brigas e separações conjugais, problemas com tutela de filhos, questões muitas, que vão desde o reconhecimento de paternidade, até a assistência total e acompanhamento jurídico para tratar da burocracia do pós-morte, como recebimento do auxílio funeral, legalização de pensões junto ao INSS, entre outros assuntos. Estamos tentando desenvolver um trabalho de esclarecimento dos nossos jovens sobre drogas, sobre aids e sobre métodos contraceptivos, através de palestrantes e cursos desenvolvidos aqui na sede da associação, mas é uma estrada de difícil acesso e estamos ainda na busca pelo melhor caminho.  Na verdade o melhor caminho passa pela ocupação do jovem, na sua evolução e desenvolvimento da sua capacidade produtiva e das suas potencialidades, como aprendizado de uma profissão, mas aí já entra em um terreno que não temos como atuar ativamente, pois são questões que deveriam estar nas prioridades das políticas públicas.

          Outra missão difícil é você conseguir embutir conceitos de cidadania, dignidade, honestidade, entre outros valores positivos, tendo o jovem inexperiente, o exemplo negativo do traficante que mora ao lado da sua casa, que anda de moto, tênis bacana e roupa de grife, enquanto ele, embalado por todos aqueles conceitos positivos, anda de pé, com tênis surrado da China e comprado numa pechincha no brechó, tendo ainda adquirido o resto do vestuário na banca da cigana aqui da vila.

 

          Qual a ajuda que vocês tem recebido do poder público para continuar com esta missão social?

 

          Do poder formal e na forma da lei..., nenhuma, pois os políticos só aparecem na comunidade em época de eleição e isso deve ser em todos os lugares, inclusive na sua cidade, que você já me descreveu como sendo de porte médio. Mas, quando eles aparecem por aqui, tentamos tirar o máximo de proveito da visita, pois não sabemos se, e quando voltarão. Temos nos comprometido com políticos que nos ajudam, que conseguem coisas para a comunidade e que sabem exatamente o valor que estipulamos pelos nossos votos, pois falar em política como uma forma espontânea de representatividade democrática, é a maior mentira que um político já inventou, pois o sistema político que presenciamos hoje no Brasil, se alimenta das pequenas necessidades de pessoas carentes de tudo (nosso caso), onde podem comprar, bem baratinho, a votação básica necessária para uma vitória em urna. Os interesses dos poderosos são saciados com a representatividade política maciça bancada com o dinheiro dos interessados e a nossa subsistência humilde, também precisa valer alguma coisa, já que só agregamos este valor em tempos de eleição. Temos conseguido muito material esportivo, muitas cestas básicas, alguns remédios, bem como algum dinheiro para fazer carnaval e conseguimos eleger todos os políticos com quem fizemos negócio, inclusive temos hoje um vereador representando os nossos interesses na Câmara Municipal. Este nosso vereador é membro da nossa comunidade e possui compromissos com nossa gente, porém os outros, em outros níveis, apenas pagaram pelo nosso contingente eleitoral e terminou aí o nosso compromisso, não nos representa e nem aos nossos interesses, é puro negócio, negócio este que mantém as nossas ações imprescindíveis para o bom andamento da nossa comunidade.

CONTINUA...



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 03h29
[] [envie esta mensagem
]





...CONTINUAÇÃO

          Então, você definiria as ligações políticas existentes hoje, como sendo um negócio bom para ambos os lados? Tenho um companheiro lá em Votuporanga que possui um termo mais apropriado - ele diz que temos que ter os cascos vazios para que possamos trocar pelos cheios.

 

          Esta é a mais pura verdade, pois eles querem algo que nós temos e nós queremos algo que eles podem facilmente conseguir. Eleição, democracia, representatividade, são meras palavras sem nenhum sentido na boca de políticos que aparecem por aqui claramente no interesse comercial dos nossos votos e, são muitos, não pense você que seja um ou outro não. Aparece gente querendo comprar o voto da comunidade toda e que eu nunca vi, nem mais gordo e nem mais magro. Não é só aquele político que está estampado todo dia na mídia não, é o sujeito que está montado em um caixa para exercer a função pública a serviço de terceiros, o sujeito que quer ingressar na vida pública, mas não tem o reconhecimento público necessário e por aí vai...

 

          E como funciona o trabalho de gerenciar e canalizar estes votos da comunidade para o comprador – Quem garante que na urna, cumprirão o trato?

 

          Esta é uma questão simples, pois presenciam diariamente os nossos esforços para melhorar a vida deles, sabem que sem estes recursos angariados com a venda dos votos, seria impossível desenvolver os trabalhos em todas as frentes em que atuamos. Nós temos um colégio eleitoral que comparece e sempre nos dão o respaldo necessário para a concretização do negócio realizado, com uma margem bem próxima do número total de votos vendidos aos nossos clientes. Não se espante com o termo, mas é exatamente este, clientes... Eles ficam satisfeitos com o resultado da apuração e nós seguimos com nossas vidinhas medíocres, contornando as dificuldades que insistem em aparecer sem convite prévio. É o Zé da Vila que caiu, quebrou a perna e não pode nem fazer os biscates que fazia, tendo a associação de arcar com as responsabilidades e seguir provendo o pão para o Zé e família. A dona Maria Auxiliadora que não está mais conseguindo lavar roupas pra fora, porque está tendo que cuidar dos seus três netos, não conseguindo mais trabalhar e ganhar o seu sustento, a Valdíria que está “nóia” de novo no crack e seus filhos estão passando necessidades extremas jogados pra todo lado, e por aí vai...

 

          E como é feita a prestação de contas, esta contabilidade tão informal, perante os membros da comunidade?

 

          Rs, rs, rs... Nós pobres estamos tão acostumados com a informalidade em nossas vidas que é algo mecânico, natural. Um caderno, uma caneta e algumas anotações com os valores das transações e a contabilidade normal, baseada nos créditos e débitos do período. O que vai sobrando, vamos tentando aplicar nas nossas necessidades e dentro da nossa modesta visão de utilidade futura. Ex: adquirimos recentemente uma perua que está nos ajudando muito nos deslocamentos e nos trabalhos comunitários. Temos muitas outras necessidades, porém a grana está curta e eleição, só no ano que vem. Além do que, nós pobres, não temos muito no que amparar os nossos possíveis desvios de conduta, afinal todos sabem quem somos e como ganhamos a vida. Se você aparece comprando e ostentando algo que o seu padrão de vida não lhe permitiria, sempre alguém notará e saberá que ali tem...

 

          Pra encerrar, o que você está achando do governo do presidente Lula e, certamente já deve ter tido algum contato com o nosso atual governador José Serra, então, como vê a possibilidade da sua candidatura e as pesquisas que mostram a sua arrancada nas intenções de voto?

 

          Falar do Lula é algo que seria suspeito, pois minha mãe me contou que meu pai trabalhou com Lula quando ele era metalúrgico em São Bernardo e acompanhei a sua trajetória política até os dias atuais, então o descreveria como sendo o brasileiro do momento, o homem que todos gostariam de estar perto e no convívio, o cara que deu certo e certamente entrou para a história política deste país, por representar o povo no poder. Conseguiu algumas vitórias e outras derrotas, porém ninguém nunca poderá acusá-lo de não ter tentado. Quando todos tentavam de todas as formas desacreditá-lo e lhe atribuir diminutivos, ele seguia persistindo na missão de olhar somente para frente e hoje chegou lá, conseguiu atingir números, que como ele mesmo sempre diz, “nunca antes na história desse país”, um presidente conseguiu. Pra mim, Lula é mesmo “o cara” e sabe desfrutar desta condição confortável.

          Já o Serra é pessoa com quem estive reunido algumas vezes, sempre representando a associação. Sempre frio e perseguidor implacável das suas metas, principalmente na campanha para prefeito de SP, que foi a sua ressurreição política, depois da derrota para Lula em 2002. Não negocia nada diretamente e a palavra não, não existe no seu dicionário. Pra mim é surpreendente os números destas pesquisas que estão divulgando, apesar de a sua possível rival, a Dilma, ainda não ser conhecida do grande público e o Serra já ter perambulado pelo Brasil na busca dos votos para presidente. Acho que o Serra terá o fantasma do Lula como adversário em 2010 e será um páreo duro, pois o que tiver as bênçãos do Lula, terá o grande apoio de uma massa que teve a vida transformada pelas ações concretas do governo Lula.

          Você não me perguntou, mas como estou louco pra dizer..., aí vai. O Kassab é um canalha, pois esteve aqui na nossa comunidade quando assumiu a prefeitura na vaga do Serra, firmou algumas parcerias com a comunidade e nunca cumpriu nenhuma. Esse, nem pagando leva mais o nosso tesouro.

         

          A saideira - Qual o partido político mais presente, atuante e o da sua preferência?

 

          Essa é fácil, aquele que facilita as negociações e nos paga o preço que precisamos para continuar ajudando a nossa gente na sobrevivência digna nesta selva de concreto chamada metrópole, aonde a justiça não chega pra pobre, a polícia só vem pra invadir, prender, matar e discriminar, nunca estando presente para orientar ou ensinar e, os políticos que deveriam nos representar democraticamente, na verdade, só querem possuir temporariamente os nossos votos. Eles se dividem em grupos de interesses e nenhum deles se interessam por pessoas pobres, desajustadas socialmente, doentes do corpo e da alma. Esta é a nossa missão.

 

          Parabéns Célio, pelo trabalho desenvolvido e pela oportunidade dada, para que eu possa mostrar para a minha Votuporanga, uma pequena comunidade lá do interior de São Paulo, que apesar de tudo o que está acontecendo, com o endurecimento das pessoas diante de tantas necessidades, os fins sempre justificam os meios e, se foram estes os meios que vocês vislumbraram para tornar a vida das pessoas necessitadas e humildes, mais digna, há que se justificar, sempre enaltecendo as vitórias e procurando minimizar as derrotas.

          Afinal, se os direitos constitucionais se revelam uma farsa ajuizada, o Estado possui todas as ferramentas em condições de fiscalizar e normalizar a conduta dos políticos e não o faz, abrindo brechas para os maus gestores e manipuladores do eleitorado diante das suas necessidades tão básicas, é perfeitamente justo e possível que tentemos atingir um objetivo nobre, mesmo vindo desta imunda relação de dependência política.

 

          Obrigado pela oportunidade de falar para fora das nossas fronteiras, aquilo que os daqui, estão cansados de saber. Espero um dia ter a oportunidade de conhecer a sua Votuporanga e encontrar uma realidade diferente daquilo que me acostumei a ver por aqui.*

 

 

 

 

         



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 03h22
[] [envie esta mensagem
]





DE GRÃO EM GRÃO, SEGUEM ENGANANDO O POVÃO

Gostaria de agradecer ao Poeta Gibim, por ter publicado este artigo na edição do dia 27/10 na página do seu JORNAL DO POETA GIBIM. Sendo este Jornal bastante lido pela nossa comunidade, acredito estar prestando um serviço de utilidade pública, abordando um tema que nos afeta diretamente e que seria de fácil solução, somente apostando no bom senso dos donos de supermercados locais.

 

          Eu vivo tentando encontrar um tempo para pegar o gerente do Porecatu de jeito, mas ele tem conseguido escapar da minha inquisição. Eu digo Porecatu, pois é o supermercado onde faço regularmente as minhas despesas essenciais do mês, mas o que eu gostaria mesmo, era de estender esta inquisição calórica para todos os supermercados da cidade.

          Acontece que sou cliente do Porecatu da Avenida Brasil, desde que se iniciou ali sua atividade e como sempre faço, não utilizo para pagamento das minhas despesas, qualquer outra forma, senão dinheiro. Aí então você paga lá suas despesas no valor de R$ 321,44 e a pobre operadora do caixa têm que se desdobrar em dez para fazer o troco milimetricamente dentro da quantia especificada. Leva quatro ou cinco minutos para o ajudante-empacotador correr no balcão do controlador de fluxo de troco e, trocar alguns tostões em moedas e miúdos, depois levar para a operadora de caixa novamente que, passará o seu troco em suas mãos, exatamente o restante correspondente daquela quantia descrita pelo cupom fiscal. Ao final, quando o empacotador volta ao seu posto, você próprio já acondicionou as suas compras naquelas desprezíveis sacolinhas plásticas, tão úteis e tão inimigas da humanidade.

          Num segundo exemplo, chega o sujeito em seguida, passa todas as suas mercadorias e para saldar o débito, emite aquele checão pré que, pode até ser estendido o pagamento para sessenta dias, dependendo da necessidade comercial e do calendário festivo. Não paga um único centavo sequer pelos juros e consegue efetuar esta manobra em menor tempo do que aquele que pagou as suas despesas com dinheiro, aquele papelzinho comercialmente seguro e ali na bucha, onde é só dar uma espiadinha na luz para verificar a autenticidade do papel-moeda e pronto, o valor troca imediatamente de mãos.

          Aí você se pergunta – Mas, não tem uma regra básica em economia que, adverte que nas relações comerciais, todo dinheiro possui um custo diário e aquele cheque pré, só se tornará dinheiro depois de cumprido o prazo entre este relacionamento de confiança estabelecido entre comerciante e cliente? Então, se todo dinheiro tem um custo e que este custo aparecerá ao final do prazo estabelecido nesta relação de confiança – Por que será que quem compra e paga com dinheiro e a vista, não tem o devido desconto em suas compras e ainda é punido pela demora no troco? Afinal não é só o custo provável até que o cheque seja compensado, como também o custo que esta relação acordada com emissão de cheque poderá causar, no caso de uma devolução, ou até de uma possível execução judicial para recebimento do mesmo.

          Então, os 1, 2 ou 3 por cento variáveis nas taxas de juros praticados no comércio, sobre os desprotegidos tomadores de crédito involuntários, podem se transformar num pesadelo e num prejuízo incalculável, no caso de devolução ou inadimplência deste cheque. Por isso, e pela solidez na operação, acredito ser correto pensar em um desconto pronto na ordem de 5 por cento para aqueles que efetuam o pagamento  em dinheiro, premiando-os com a sinalização de satisfação por esta transação absolutamente segura e sem riscos futuros.

          No entanto, isto não acontece, pois o dinheiro daqueles que pagam por suas compras em espécie é usado para financiar o prazo daqueles que emitem o checão pré, esses sim, são agraciados com o custo zero do financiamento do prazo (zero é maneira de dizer, pois este custo já está devidamente embutido no preço das mercadorias e todos nós pagamos um pouco, logicamente sem saber).

          Além do mais, a operadora de caixa não possui sequer autonomia para dar qualquer desconto, nem mesmo o mínimo para facilitar o troco, sem que isto lhe renda descontos no fechamento do seu período. Bastava um talonário de Debite-se, discriminado os centavos descontados na operação e estaria tudo facilitado para ambos os lados. Mas não, eles recebem até os míseros centavos do pobre cliente que é punido por pagar suas compras em dinheiro.

          Os disparates destas pequenas armadilhas resultam em diferenças gritantes nos preços finais efetuados pelos nossos supermercados locais, se comparados a outros que tenho verificado pelas minhas andanças por todo o Brasil, onde as vendas são efetuadas somente a vista, na solidez e segurança garantida dos cartões de créditos, ou qualquer outra das modalidades garantidas pelos agentes financeiros, não existindo aquela insólita viagem do cheque pré (aquele que o gerentão do banco só garante se o sobrenome oferecer robustez), bancada pelo consumidor que honra suas compras a vista e em dinheiro.

          Tomando como exemplo o meu consumo, gasto algo próximo de R$ 400,00 por mês no Porecatu. Nunca lhes passei um único cheque sequer e se estivessem me beneficiando com o meu desconto possível, economizaria R$ 20,00 ao mês, R$ 240,00 ao ano, número bastante expressivo, se multiplicado pelo número de clientes que efetuam suas compras usando esta medieval e mais eficaz modalidade de pagamento.

          Aí então se explica os sorteios de veículos, brindes e etc...

          É por isto que precisamos abrir nossas portas para a inclusão dos grandes varejistas no comércio local, pois carregam consigo infinitas possibilidades comerciais, sem o apego arcaico de velhas tradições comerciais regionais. Além do que, despertariam uma concorrência contínua, certamente culminando com a diminuição dos preços finais ao consumidor, pois dinheiro bom é dinheiro no bolso do consumidor e não financiando as promoções de comerciantes que iludem os seus clientes com este marketing enganoso das premiações, onde somente existe um único ganhador e o resto, todos somos perdedores potenciais.

          Mas, não permitam que estes comentários cheguem aos ouvidos dos donos da cidade, pois eles recebem benefícios para que esta modalidade comercial permaneça sob esta estrutura do século passado, além é claro das generosas doações para as entidades assistenciais que grupos políticos coordenam sob cabresto curto e sempre pensando nos dividendos eleitorais futuros.

          Além do mais, eles acham bacana torturar as operadoras de caixa com aquela pergunta – Você não sabe quem sou eu? Naquele momento em que as pobres moças pedem o número do telefone para anotar no verso do cheque. Eles acreditam que todo mundo tem obrigação de saber quem são, mais precisamente, o cargo que ocupam, ou ainda, o que ocuparam um dia.

          Nas grandes redes de varejo não tem esta canja, não tem xiximinhanega, você paga, oferece as garantias necessárias e ninguém quer saber quem é você, de onde veio, o que acha do movimento EMO, se esteve participando do desfile no dia do orgulho gay e etc...

          Sozinho, não posso mudar muita coisa, mas se todos os clientes exigissem este desconto devido, certamente teriam que mudar esta condição caipira do tapinha nas costas com a mão direita, enquanto a esquerda, nos revela uma suave passadinha por entre as nádegas.

 

 



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 10h05
[] [envie esta mensagem
]





FUNCK DO MORDE E SOPRA

 

          No boletim informativo do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Votuporanga, editado no dia 17/10/2009, com respeito às manobras efetuadas pela administração municipal no sentido de levar na “lábia” os servidores e as suas justas reivindicações quanto ao valor do crédito em cartão magnético referente a cesta básica, é claríssima a postura da atual administração, onde se recusou a negociar com o sindicato, alegando austeridade econômica nas ações administrativas. Porém isso, não o impediu de no momento seguinte, criar 18 cargos de divisão e 19 de chefia de setor, ficando claro assim, que desde a sua posse, está fabricando e mobilizando todo o seu “estafe pensante”, no sentido de produzir cargos que possam atender ao contentamento da corja, digo os aliados políticos.

          Quando assumiu em Janeiro, o prefeito estava ciente das dificuldades gerenciais que enfrentaria, principalmente pela possível queda de arrecadação que se vislumbrava em decorrência da crise mundial. Então, o correto seria ter pisado no freio e enxugado a máquina, e não tê-la agigantado ainda mais. Cadê o tal choque de gestão que tanto pregam os atucanados da boa índole e da excelência em administração? Certamente foi sufocado pelas necessidades políticas.

          Por mais que tente assentar todo este pessoal na máquina, isso ainda não foi possível e tem sempre alguém esbravejando pelos corredores pela promessa eleitoral ainda não cumprida. Mesmo esparramando todos os aliados em tudo quanto é lugar possível, inclusive no setor privado amigo, como UNIMED, gráfica de editais e coisa e tal, já existe uma extensa lista de bajuladores esperando para a segunda chamada no segundo biênio. Eles estão se escalpelando para ver quem sairá e quem ficará nos solavancos e sacodes da máquina.

          Mas, isso não é nenhuma novidade, são só os espinhos de uma aliança avassaladora que não poderia perder a eleição de forma alguma, devido ao sórdido comprometimento da gestão passada. Explicar o fenômeno é fácil, é aquele dito popular que afirma que onde um morde, depois haverá sempre alguém encarregado de soprar. O ex mordeu tudo o que foi possível e agora o atual, vai passar os seus quatro anos soprando.

          As estórias se repetem. Lembram do Quércia, ele mordeu tudo. Depois veio o Fleury e ficou soprando por quatro anos. Lembram do Maluf, aconteceu quase o mesmo. Depois das dentadas do mandrião, veio o Pitta e..., quis ditar outro rítimo no funck do morde-sopra, querendo morder também, mas não era a vez de morder, ele estava ali pra soprar e então, se fu...

          Aqui, no momento atual, também é tempo de soprar. Caso o prefeito decida não seguir as regras, certamente terá o mesmo fim do Pitta.

          Mas, falando em ambientes apertados e insalubres, quando jovem, tive a honra de me debutar no selvagem mercado de trabalho, no pioneiro Escritório Contábil Líder, de propriedade do Senhor Miguel Gossn. Éramos em mais de vinte pessoas amontoadas em meio aquelas velhas máquinas de descrever Olivetti e ainda algumas daquelas máquinas calculadoras que tinha que apertar as teclas e puxar aquele ferrolho lateral.

          Naquele tempo, já havia uma postura ecológica por parte do Seu Miguel, que nos mandava enrolar as fitas das máquinas calculadoras já utilizadas, pelo outro lado, para que pudéssemos usá-las novamente. Não sei se era mesmo postura ecológica, ou era o fato de ele ser turco...

          Mas, o ambiente era apertado, meio que igual a PM hoje. Imaginem uma acomodação pequena, com velhas máquinas, velhas escrivaninhas e velhos arquivos jogando papel fora para tudo quanto é lado e, vinte e tantas pessoas espremidas naquela bagunça. Quando tava tudo bem, beleza, mas, mais de vinte pessoas num ambiente desses, é impossível todo dia estar bem. Sempre tinha aquele que estava desarranjado. Criamos então, uma lei oposta a da Princesa Isabel, a lei do “ventre preso”. Era a única forma de organizar e minimizar os efeitos colaterais daquela zona. Quem liberasse o ventre inadvertidamente, ficaria obrigado a fazer a faxina no banheiro à tarde.

          Bons tempos aqueles, velhos amigos que, mesmo apesar de não vê-los nunca, sempre estarão guardados em minha memória. Às vezes passo por lá e sinto até saudades, principalmente porque, muitos daqueles da minha época, ainda estão trabalhando lá, olha que já faz vinte e sete anos que eu comecei por ali. Ao Flávio Damião Curti, Paulo César da Silva, Maria Lúcia Sfoza, Alexandre Sereno Colato e se esqueci de alguém da velha guarda, que me perdoe. Meus sinceros parabéns pelo feito, pois passar tantos anos assim num único emprego, é realmente algo digno de muita comemoração e tenho certeza de que foi uma árdua jornada, pois nos quatro anos que estive ali, certamente me proporcionaram muitos dos meus cabelos brancos de hoje.

          Pela minha experiência vivida, recomendo então ao prefeito atual, que a única maneira de se organizar uma bagunça fora de controle, é prender o ventre. Identifica-se então o local onde está nítido o vazamento da biodigestão e lacra-se o reator. Deixe que as bactérias se digiram até o fim. Caso contrário, as bactérias fortificadas que ali habitam, estando alimentadas a gosto, produzirão tanto gás que o reator explodirá.

          Ainda um último conselho, preste muita atenção nos seus aliados mais próximos, e não se esforce para satisfazer todos os seus desejos, pois ainda assim, terá sempre alguém desarranjado. Serão estes que irão fortificar as bactérias para que possam explodir o reator.

          E se nada disso funcionar, lembre-se da sua origem turca e ordene-os a enrolar as fitas de máquina do outro lado. A única coisa que é imprescindível sua unilateralidade, é o papel higiênico, esse não dá pra ficar querendo fazer média em cima dele, senão acaba-se com as mãos sujas.

          Aos infratores, que se resignem as suas insignificâncias e os coloquem de castigo à faxinar os banheiros.

         

          



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 17h05
[] [envie esta mensagem
]





PORCO DIO

          O pobre Lamparina desta vez pirou o cabeção, onde já se viu aparecer com aquela equação de doido e nos enfiar goela abaixo. Tá mais louco que a Veja e o Batman juntos!!!

          Até que a receita faz sentido. Umas piadinhas ridículas (piadas envolvendo o Zé Mayer, o Ronaldo e o Rubinho, deveriam ser terminantemente proibidas, pois estes são hors concours), um amontoado de informações, seguidas rapidamente por uma estória de um lendário grileiro local, digo, impoluto empreendedor do campo, para ilustrar e tumultuar o quadro de informações. Depois se segue com a equação alucinante e alucinógena, que de tão descabida e impossível, marcada pelo acréscimo indevido de três dígitos no resultado final, certamente já nos daria mostras de pretensões outras. Segue-se borrifando água benta nas aberrações bestiais e termina com certo requinte de crueldade, onde o amalucado sai disparando sua metralhadora carregada de extrato de alho e estacas de madeira contra figuras discriminadamente descritas por seus indesejáveis adjetivos inocultáveis. Ao final e quase desapercebido, uma apunhalada na autoridade policial parcial (provavelmente será o motivo de um novo convite) e novamente, mais estocadas naquele que, por determinação de tamanho e por ocupar mais lugar no espaço, acaba por ser o alvo preterido, tudo devidamente encoberto pela atrofia de pensamentos causada pela equação impossível, praticada absurdamente como ação normal e corriqueira.

          É aquela brincadeira inocente de quando éramos criança, aonde se chegava no amigo que estava com o copinho de sorvete na mão e dizia – Olha lá o avião??? Quando o distraído amigo olhava para ver, dava-se uma lambida em seu sorvete, daquelas bem babadas, que era pra ver se ele desistia e voluntariamente te entregava o resto.

          Esta é só uma mostra daquilo que fazem conosco, em nossa manipulação diária por parte daqueles que retiram interesses deste escravizante domínio.

          Do texto do Lamparina, facilmente podemos separar o joio do trigo, mas das mentiras divulgadas diariamente pela grande mídia, ninguém volta no dia seguinte para desmenti-las, semeando assim um amontoado de mentiras destoantes implícitas, sempre muito bem misturadas em meio as verdades insignificantes, ou sendo ainda escondidas as verdades potenciais, vergonhosamente no lamaçal de mentiras que são jogadas todo dia no massacre da mídia, pois algumas verdades estão tão visíveis, que precisam ser minimizadas.  Esta técnica é a prova concreta daquilo que nos fazem diariamente e como fazem. As fórmulas são muitas, onde qualquer pessoa conhecedora da técnica pode direcionar o foco para uma situação e sempre tentando passar esgueirando-se por entre a lacuna deixada pelo direcionamento contrário. Imaginem o que não fazem os grandões da mídia com telejornais, novelas, e programas outros, tudo devidamente se encaixando no perfil e nas intenções daqueles que operam o sistema sempre em causa própria, ou dos grupos que alugam os seus serviços.

          O comportamento e a resposta ao estímulo pretendido das pessoas é algo ainda mais lamentável, pois poucas se dão conta das verdadeiras intenções a que estão sendo submetidas, ou possuem uma percepção aguçada e mais abrangente ao seu redor, podendo ter uma ampla ou até múltiplas visões possíveis da mesma ação. No caso do texto do lunático Lamparina, dentre um universo reduzido de meia dúzia de leitores, no entanto, uma única leitora conseguiu captar as verdadeiras intenções na sua plenitude, fazendo parte daquela mínima porcentagem dos que realmente estão entendendo o filme que estão assistindo. O mesmo texto estava à disposição e na mesma configuração para todos, porém somente uma captou a mensagem e a interpretou na pretensão do autor.

         Apenas para ilustrar, há uns oito anos atrás eu trabalhava agregado em uma empresa que fabricava derivados de milho em Primavera do Leste-MT. O ICMs do transporte, naquele tempo, era recolhido somente depois que o veículo estava carregado e a NF emitida, pois não havia recolhimento pela Internet ainda naquela época. Então, se o caminhão terminasse de ser carregado à tarde, provavelmente o veículo só seria liberado para viagem no dia seguinte, depois que a empresa fizesse o recolhimento do imposto. Outra possibilidade seria se o transportador se comprometesse em fazer o pagamento diretamente no posto bancário 24 hs, que funcionava no posto fiscal da divisa em Barra do Garças-MT e na viagem seguinte, apresentando a guia de pagamento devidamente autenticada, seria ressarcido do valor pago. Acontece que este pagamento só poderia ser feito em espécie e dinheiro, na estrada, já era algo muito complicado. Então quando tínhamos muita urgência em seguir viagem na mesma noite, abastecíamos no posto em Primavera e fazíamos a reserva dos quinhentos ou seiscentos Reais que seriam suficientes para o pagamento do ICMs, conforme tabela pautada pelos agentes fiscais, levando em consideração o peso e a distância a ser percorrida pelo transportador.

CONTINUA...



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 11h59
[] [envie esta mensagem
]





...CONTINUAÇÃO

          Uma ocasião, eu com muitos problemas pessoais (meu filho havia sido atropelado por um irresponsável menor, que pilotava com o devido consentimento dos pais - já que seus colegas na escola, atestaram que ele comparecia todos os dias de moto nas aulas -, uma motocicleta) e precisando estar em casa no dia seguinte, carreguei e não deu tempo para fazer o pagamento do imposto no horário bancário. Apelei para o dinheiro no posto, porém o gerente me informou, que por medida de segurança, não estava mais disponibilizando altas quantias nos caixas e não poderia me arrumar mais do que trezentos Reais. Diante da minha necessidade extrema, fui embora mesmo assim e nos trezentos e quarenta kilômetros que separam Primavera da divisa fiscal em Barra do Garças, fui pensando em uma maneira de passar pela barreira fiscal sem ficar retido para fazer o pagamento no dia seguinte, ainda obrigatoriamente, tendo que  encontrar alguma maneira de sacar dinheiro para fazer o pagamento do imposto devido.

          Chegando na barreira fiscal, de longe, tentei procurar por entre os atendentes, uma alma que me pudesse parecer accessível de alguma forma, quem sabe até a falta de pagamento pudesse passar desapercebida pelo agente fiscal. Para minha má sorte, entre o grupo da recepção naquela noite, nenhum deles compunha o perfil do funcionário público típico, aquele senhor já bem passado da meia idade, óculos com graus bem elevados e de visão dificulta, com sonolência visível e perfeitamente contaminado pelos filmes que passam na madrugada. Todos ali ligados e serelepes, só esperando a vítima passar e a vítima em questão, seria eu.

          Cheguei ao guichê e tinha uma pessoa na minha frente para ser inspecionado o documento fiscal. Notei que um dos servidores do guichê usava um pequeno broche com o distintivo do Palmeiras. Aquele era o meu..., santo porco, ou “porco dio”, como dizem os italianos, era o que eu precisava. Acontece que na hora do almoço eu assistira no programa esportivo a reportagem da vitória por 4 a 1 do Palmeiras sobre a Ponte Preta no campeonato paulista e aquele broche no servidor, me indicava o caminho mais curto. Esperei pela vez de ser atendido por ele, no momento em que o colega ao lado vagou, eu disfarcei e fui até o bebedouro tomar água. Quando voltei para a fila, ele estava livre e me chamou ao guichê batendo com a caneta no vidro. Aproximei-me e entreguei o documento fiscal já falando – O nosso verdão ontem heim..., não teve pra ninguém!!! O servidor abriu um sorriso de orelha a orelha e respondeu-me – É..., ontem nós comemos a bola!!! Bateu o carinbasso na NF, me desejando uma boa viagem e saudações palmeirenses. Dá-lhe verdão, o único problema é que sou são-paulino desde criancinha.

          Desta forma, na procura pelo presumível e, identificando-o e me colocando em situação de visível identificação também, consegui passar desapercebido pelos olhos atentos de um servidor que, definitivamente, não compunha o perfil dos distraídos, ou daqueles que não mais enxergam outro caminho, senão o da aposentadoria próxima, completamente a sombra, bem na beira do Araguaia. Naquele momento éramos sublimes e cúmplices no amor ao verdão, solidários na mesma causa e entre aliados, não pode haver rupturas e quebra de confiança.

          Assim, estudando o nosso perfil e as nossas reações presumíveis, grupos interessados em permanecer nos ditando ordens e guiando as nossas vidas por caminhos por eles estabelecidos, fazem este estudo detalhado e se aparelham das ferramentas necessárias para esta dominação.

          Se você não quer mais ser um dominado, o caminho mais curto seria desligar a tv, porém, como isso hoje é quase impossível, sugiro que possamos começar então analisando as intenções daqueles que sempre nos analisaram e comecemos assim a nos perguntar – O que será que ganharão com isso? Porque estas pessoas não disputam nada pelo sabor natural da disputa, somente se motivam pelo prêmio e o prêmio deles é se divertirem com as nossas agruras. Sentem um imenso orgasmo com o nosso sofrimento.

          Se vocês se perguntarem então o que eu estaria ganhando tentando abrir-lhes os olhos para o óbvio, eu responderia facilmente – Aliados..., para que possamos travar a grande batalha anunciada desde do dia em que o homem pisou na terra. A esperada guerra do “bem” contra o mal.

         



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 11h56
[] [envie esta mensagem
]





PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

          Eu também quero reclamar, afinal, como alguns servis me acusam de que eu só reclamo, desta vez, estou em profundo lamento com as coisas que andam fazendo.

          O Raul fazia música, o Pelé fazia gols, o Maradona esticava carreiras, o Ronaldo se inebriava com dois travestis em motel e depois alegava inocência - como se desse mesmo pra confundir -, mas ele brilha muito no “Curintia”, então tudo se torna perdoável. Julgo-me no direito de reclamar, afinal, pra puxar saco e babar em ovos, já existe a Câmara de Vereadores que “está” especializada na função e que me perdoem aqueles que não compartilham desta visão e que tentem provar o contrário.

          Parem este mundo, pois não dá pra ligar a tv de bordo e ver as notícias que estão correndo a praça.

          Se banqueiro ladrão invade terras da União, o caso vai para o Judiciário e certamente passará toda a eternidade por lá, mas se os trabalhadores do MST invadem as terras de um grileiro que usurpa nas terras da União, a mídia julga e condena, emitindo a sentença imediatamente.

          Faz-me lembrar do caso de um grande agropecuarista local, lendário senhor que abriu muitas glebas de terras no MT, um pouco compradas no tempo do muito barato, quase de graça e outros tantos, griladas e anexadas a gleba legal. Dizem os mais antigos, que fantasmas locais assombram aquela região de Juara-MT, pois foram muitos que pra lá partiram, para trabalharem no desmate da fazenda e nunca retornaram.

          Assim se fizeram muitos outros grileiros, na maioria, gente com muita influência e que se aproveitaram desta influência para dominar uma área e impor o terror e o pânico a pequenos proprietários e posseiros mais antigos.

          Aqui, o senhor grileiro foi pessoa impoluta, até imortalizaram o seu nome em homenagens póstumas concedidas, mas por lá, era só mais um grileiro na força da jagunçada, milícia que o ajudava a garantir a posse indevida da terra. A fazenda ainda está lá e pelas minhas últimas informações, os herdeiros estão tendo dificuldades para a manter a unidade da posse toda, já que não possuem documento de boa parte dela. Eu conheço muito bem a região e sei que vale uma boa fortuna, mas está custando muito caro manter a propriedade, haja visto que um dos herdeiros está morando na região, apesar de estar muito doente.

          Juara é região onde se fixaram muitos votuporanguenses que partiram pra lá nas décadas de 70 e 80, em busca da largueza de terras e um futuro que já não mais se vislumbrava aqui e, volta e meia alguém sempre vê a placa da terrinha e chega-se para perguntar os ventos que rumam nas Brisas Suaves. Não tenho lhes poupado e tenho dito sempre a verdade – Lá como cá, terra de meia dúzia de grileiros e de aproveitadores, com um povo trabalhador e dócil rodando a engrenagem no meio de toda esta trama.

          Mas então, se são evidentes as irregularidades nos grandes lotes de terras – Por que ninguém consegue impor uma revisão agrária e fazer justiça no campo? Não repitam estas palavras em voz alta, pois senão, amanhã poderão estar convidados a comparecerem ao meu velório, pois a palavra Reforma Agrária, ainda cheira defunto e ainda existe uma meia dúzia tentando se valer pela força bruta para que consigam manter a unidade agrária do pequeno grupo de grandes latifundiários que se apropriaram das terras do povo brasileiro. Eles possuem senadores, deputados, magistrados e um grande bloco de mídia aos seus serviços, tentando fazer você pensar que a propriedade é um direito sagrado – Mas, que propriedade é esta, se eles grilaram e foram incorporando aos poucos com as brechas das leis e a ajuda dos graduados do Judiciário? A propriedade é um direito sagrado, desde que esta tenha se dado de maneira legal e não por grilagem e anexação indevida.

           Os grandes grileiros atendem por sobrenomes conhecidos do público, São Vilelas, Caiados, Almeida Prados, Junqueiras & cia., se escondem por trás de uma bancada chamada ruralista e fundaram o PIG (Partido da Imprensa Golpista – centenárias famílias midiáticas, incansáveis na arte de defenderem inimigos do povo brasileiro), um conglomerado de mídia para dominarem as opiniões e exterminarem o senso crítico das pessoas, fazendo com que elas se tornem simpatizantes voluntárias da causa deles, ou seja, para que continuem donos de tudo e de todos.

         Assim o PIG fez do movimento mais legítimo na reivindicação da terra e que tem ações em todas as partes do mundo, um grupo de baderneiros e arruaceiros que querem acabar com o regime democrático e com o direito a propriedade. Assim também o PIG fez de Daniel Dantas, um banqueiro metido em tudo quanto é sujeira que existe neste país, inclusive grilagem, um gênio incompreendido, segundo o próprio grão-mestre tucano afirmou em uma entrevista. 

          A bancada constituída nas esferas de poder inventam as leis e criam os atalhos do grupo, os magistrados participantes, com poder de julgo, as fazem cumprir e o PIG as tornam aceitáveis na opinião pública. Este é o Tripé da covardia e da subserviência que impuseram ao povo brasileiro, tudo debaixo da devida saga pessoal e empresarial que encobrem estes bandidos.

          É lógico que os latifundiários não querem dividir os grilos, é mais lógico ainda que o MST não poderia comprar um conglomerado de mídia para fazer uma campanha positiva das suas ações, então cada um no seu quadrado, com os ruralistas se dizendo vítimas de baderneiros da foice e do martelo que invadem suas terras e na defesa das suas grilagens, contratam pistoleiros e jagunços que de vez por outra, acabam entrando em conflito direto com estes baderneiros e matando um aqui e outro ali. Às vezes este número sobe um pouco mais, quando alguém decide eliminar o foco contaminado todo de uma só vez e ordena uma chacina coletiva, como em Eldorado dos Carajás-PA.

         Descobriram - os latifundiários que já conseguiram regularizar os grilos -, que podem vender estes grilos legais para o INCRA, para fins de Reforma Agrária e conseguirem um preço muito melhor do que o de mercado. Então se infiltram no Movimento e direcionam as invasões para as suas áreas. Alguns têm conseguido êxito.

          Então senhores leitores, não acreditem em tudo que passa na tv, pois 99% daquilo que diz a mídia golpista do PIG, é mentira e unicamente interessada em fazer de vocês, testemunhas passivas do descaramento deles, além de já estarem atuando com interesses próprios dentro do MST.

          Nas outras ações do PIG, continua tudo bem. Em Honduras, os golpistas e ideólogos desta nova versão de ditadura-democrática, continuam tentando convencer o mundo de que isso é possível.

          Aqui em nossa cidade, a versão local do PIG, tenta por toda forma, avalizar as ações de bicudos corruptos que estão com todo um esquema montado em regime de linha de montagem, pois este sistema todo de corrupção partiu dos bicudos maiores da Capital e foi implantado ao longo de duas jornadas dentro da nossa PM. Convictos de que a corrupção não tem cura, se especializaram em aliviar as arcas em proveito próprio. Assim, já que não dá pra evitar, que a grana venha a ser canalizada para um bicudo da elite.

Continua...



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 16h48
[] [envie esta mensagem
]





...Continuação

          No meio de todos estes interesses, estamos nós, os que consolidam e fomentam o caixa de todos essas transações com a tributação do nosso consumo e de tudo a nossa volta. Pagamos impostos e taxas de tudo e deveríamos ter como contrapartida o amparo de um Estado que, pelo custo, deveria ser absolutamente perfeito e a contento, porém com o advento da corrupção e de péssimos administradores, o Estado é uma máquina lenta e ineficaz. Só para que tenhamos uma vaga idéia desta inoperância, somente do governo federal, de 01/01/1996 à 13/10/2009, foram liberados para o município de Votuporanga - segundo o Portal da Transparência Brasil -, a quantia de R$ 15.253.851,91. Dinheiro este que se fosse rateado entre os 80.000 moradores, aproximadamente, colocaria no bolso de cada um a absurda quantia de R$ 190.673,13. No caso da minha família, com três membros, teríamos um caixa de R$ 572.019,39 à disposição.

          Neste período todo, eu proporcionei um gasto em assistência médica no nosso PS municipal de uns R$ 20,00 ou 30, referente a uma injeção analgésica e anti-inflamatória que tomei para o nervo ciático, conforme comprovariam o meu trânsito pelo hospital nos seus prontuários em arquivo. Meu filho também esteve em visita ao PS e também tomou um analgésico para problemas digestivos e lhe foi aplicado um gesso no pé torcido durante as atividades de judô - esporte este, que devidamente arquei com as mensalidades junto ao Clube Cerejeira -, o que não deve ter custado mais do que uns R$ 200,00. Minha esposa sempre usou o plano de saúde privado da empresa em que trabalhava, pois teve alguns problemas de saúde e não podendo assim, ficar a mercê dos mercenários do serviço público de saúde.

          Meu filho cursou o primário em escola particular, porém devido a minha impossibilidade em continuar pagando por este estudo particular, tivemos que colocá-lo no ensino público para cursar o ginasial e já no segundo ano do segundo grau, o que dariam sete anos de ensino público, ao custo de R$ 400,00 ao mês, daria algo bem próximo de R$ 35.000,00, já devidamente acrescido do custo do material didático necessário.

          Graças a Deus, jamais tive meu nome ou de qualquer membro da minha família ocupando os autos do Judiciário, cumprindo pena, ou coisa parecida, classificando assim o meu débito neste setor, como sendo “zero”, mas coloquemos aí uma taxa de R$ 50.000,00, pois mesmo não usando, ele esteve à disposição.

          Segurança pública, este quesito não existe pra mim, pois eu abriria mão deste aparato ineficaz do Estado, se eu pudesse usar o equipamento que verdadeiramente me protegeria e a minha família, já que fui preparado pelo Exército Brasileiro para servir a minha Pátria e defendê-la, se preciso fosse, com a minha própria vida, porém para portar uma arma e defender a minha integridade e a da minha família - coisa que até as leis de DEUS na Bíblia Sagrada nos garante este direito -, aqueles que nos querem dóceis e desarmados para que não coloquemos o cano dentro das suas bocas e apertemos o gatilho, não nos permitem. Então, não devo pagar caro pelo que eu poderia fazer bem feito e a um custo muito mais barato.

          No resto das outras coisas, tudo que nos é oferecido como essencial, é devidamente tributado, como IPTU, escoamento de esgoto e saneamento básico, energia elétrica e água tratada.

          Resta então a conta da diversão, do lazer – Mas que lazer é este se eu fui criado na Vila Marin, tenho quarenta anos e até hoje, prefeito safado nenhum teve coragem de construir um centro de esportes no bairro mais antigo da cidade? Quando trazem uma atração nacional para se apresentarem na cidade, é pra que os grupos que gerenciam a política, se afirmem publicamente como promoters e aufiram um caixa para ser usado lá na frente, no próprio gerenciamento da política.

          Fazendo as contas bem por cima então, descobri que está faltando dinheiro no meu caixa federal, pois se dos quinhentos e tantos mil que me cabem, só proporcionei um gasto de oitenta e poucos mil – Já sei com que dinheiro aqueles gordões safados e aquele peruquinha penteada de lado, andam comprando aquelas caminhonetes invocadas e fazendo tanta pose com aquele braço de fora, enquanto permaneço trabalhando duro, dezoito horas por dia e com aquele fietinho véio, ainda com o imposto atrasado.

          Dê uma boa olhadinha na sua contabilidade e descubra onde está o furo no caixa – Será que a fazenda de Cocalinho também não foi comprada com o vosso dinheiro?

 Ps: Desculpem minha falha, esqueci de adicionar o custo da iluminação pública na minha contabilidade. Então veremos: a conta de iluminação pública do município deve estar em algo próximo de R$ 80.000,00 mensais (que me corrijam aqueles que possuem tempo hábil para uma consulta em números inteiros), o que divididos pelos 80.000 habitantes, daria uma taxa de R$ 1,00 por habitante, tendo eu que honrar com a parcela de três habitantes por cada mês. Mas, bem que a aquele gordão escroto tentou a exaustão repassar esta conta da iluminação pública diretamente para os consumidores naquele plebiscito regulador, ainda com o aval de outros enganadores da cidade. Ainda bem e para nossa sorte, que esta sacanagem não pegou. Seriam mais R$ 3,00 mensais se esvaindo no ralo da coisa pública!!!

          Quase ia esquecendo... Um dia desses o aparato de polícia civil foi mobilizado para me entregar uma intimação em que o senhor Delegado de Polícia exigia a minha presença em sua delegacia para esclarecimentos sobre um artigo que escrevi sobre o estoque indevido de inseticidas em uma sala dentro da Secretaria de Saúde. É curioso o fato, pois ao invés de intimarem os responsáveis pela irresponsabilidade, intimaram aquele que aponta a desordem. O agente policial foi até minha casa umas duas ou três vezes para entregar o convite, perfazendo assim as despesas entre combustíveis, efetivo e etc..., acho que uns dez paus deve dar pra pagar todas estas despesas. Continuo ainda com muito crédito em haver. Por favor, parem, quero descer da nave e me reembolsem minha quantia devida já.

                  

         

 

        



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 16h43
[] [envie esta mensagem
]





MOTORISTA DE FOLGA

 

          Obrigado pelas circunstâncias, domingo, fui arrastado para viver um dia de capitalista em exercício. É que como minha esposa teve que ir pra Rio Preto para prestar o concurso de “carteiro do judiciário” - o entregador de cartas mais caro do Brasil -, fui obrigado a fazer a função de chofer particular e levá-la até o local da prova.

          Carro 1000 véio, pneus meia-vida, documentos atrasados e sem ar condicionado, ainda por cima, aquele barulho de fanfarra de lata de lixo que os porta-malas de uno, costumeiramente fazem.

          Eu estou tomando uma algerisa (desculpem minha imperdoável falha, mas acabei de saber por um boió..., digo um catedrático leitor que é ogerisa. Apaga tudo pois o catedrático se revelou mesmo um boióla e na verdade é ojeriza) de pobre, porque pobre é mesmo uma raça abusante. É Só falar que vai pra algum lugar e já fica todo mundo logo pronto e a postos. Filho, sobrinho... Sempre alguém sugere – Vamos levar também a cachorra, coitadinha...! A “pobre” vai ficar o dia todo aqui em casa sozinha?

          Entra todo mundo dentro do automóvel (se é que dá pra chamar esses populares de automóveis) e depois de alguns kilômetros, alguém já começa com a palhaçada de soltar aqueles fuduns urubulentos dentro do veículo. É um atrás do outro, ninguém sabe de onde vem, mas percebe-se, pelo cheiro, que o corpo já foi e o que resta, é encomendar a alma da vítima. Também, não podem ver um posto ou uma barraquinha na beira da estrada, que já estão com fome.

          Que falta faz um veículo equipado com ar condicionado, daqueles que chega levantar os cabelos para trás! Mas, pobre, mesmo que o carro seja equipado com o ar, ele não pode ligar, que é pra não aumentar o consumo de combustível do veículo.

          Uma das grandes inovações da indústria automobilística nos últimos tempos foi acabar com aquele cheiro de gasolina que os carros tinham em seu interior, porém pobre sempre dá um jeitinho de estragar tudo. O pobre coloca no tanque só o extremamente necessário para o percurso, enchendo aquele terrível tubo de cotubão 2 lts, de gasolina e deixando no porta-malas, como reserva. Não atarraxa a tampa direito e alguns pingos de gasolina derramados no carpete, é o suficiente para levar todos a náuseas intermináveis.

          Pela pura graça de DEUS, superando todas as dificuldades impostas pela precariedade do veículo e a péssima conservação asfáltica em que se encontra a Euclides da Cunha (coisa que membros estimados da nossa sociedade, já estão dando um jeitinho com o nosso governador Zé feio por fora e por dentro pedágio), conseguimos chegar em Rio Preto com duas horas de antecedência da prova – O que fazer então nessas duas horas? Alguém logo sugere uma passadinha no shopping, aquele lugarzinho fdp, onde tudo é comprado em Serra Negra, na 25 de Março, na Rua Oriente e adjacências (eu trabalhei como motorista de ônibus e levei muitos comerciantes de grife aí nesses lugares, inclusive daqui, mas podem ficar tranqüilos que eu não citarei os nomes). Estendido numa vitrine de shopping, passa a custar cinco vezes mais do que vale, somente para que os comerciantes possam pagar o aluguel das salas aos capitalistas espertalhões que o construíram e o administram. Mas, pobre vai lá e compra, nem sentindo o cheiro dos costureiros bolivianos (imigrantes clandestinos) que vivem a se espremerem nos porões de velhas confecções do Brás, em condições subumanas e trabalhando quinze horas por dia atrás de uma máquina de costura, para dar produção aos turcões do comércio popular mais disputado da América Latina.

          Perambulando aqui e ali - pelo hiper que espanca os novos negros da geração Lula, só porque passeiam em seus carros próprios, com aquela pose do tradicional cotovelo de fora -, comprando aquelas coisinhas encalhadas que estão nas bancas da promoção – Nossa que achado, esta toalha custa o olho da cara lá na Bacon, aqui é só R$ 4,99. Pega logo umas cinco, pra aproveitá a oferta – Mas, não tem rosa? Como se pobre se amparasse nestes conceitos pequeno-burguês – Pobre é tudo daltônico, pega logo qualquer cor!!!

          Uma passadinha defronte a praça de alimentação... e algum lombriguento logo diz que está com fome. Nem parece que acabaram de comer todo o estoque de croquete e esfirra que havia na vitrine do Zeca Gão, aquela barraquinha que fica debaixo das seringueiras de Bálsamo. Depois de um breve footing pela praça, alguém diz que quer a “roasted potato”. Certamente só sabe que é batata pela fotografia, porque pobre só lida bem com o inglês, quando é pra repassar aqueles fuck you de filme americano – Mas, batata a gente come em casa??? Não precisa pagar 10 contos por uma batata enlameada de coisas, que provavelmente, aumentará ainda mais o piriri na volta.

          Como bom adepto do regime democrático, vencido pela maioria, todo mundo come aquela batata nojenta, que na minha humilde visão socialista, deveria ser proibida a sua comercialização, haja visto, que não existe nada que se coloque dentro de uma batata que a faça valer 10 paus, ou mais, dependendo da porcaria que se mete dentro dela.

          O primeiro que sugeriu a batata é o que não consegue digerir a dele. Também pudera, onde já se viu pedir uma batata com estrogonofe de frango e carregada de catupiry. Isso é pior que um coquetel molotofe – Pai..., tô com dor de barriga, onde fica o banheiro? – Agora agüenta, não mandei comer esta porcaria. Eu bem que sugeri que nós fôssemos ao Martinelli e comêssemos um pf-motorista, daqueles que vem até ovo em cima do bife. Mas não..., vocês quiseram a roasted potato, esta batata recheada de ouro, este símbolo capitalista que alimenta a inutilidade consumista da pobreza desvairada. Come então esta dádiva do Adam Smith e vamos logo embora desta Sodoma!

          Fora daquele profano local, a pessoa sente-se até aliviada, também o bolso já está nas últimas. Conta-se os tostões que ainda restam. Talvez ainda até dê para um sorvetinho daqueles italianos, mas é melhor não dar o alarme, senão alguém é capaz de topar.

          Quatro horas de espera pela despreparada candidata que está tentando uma vaga de entregadora de correspondência judiciária, e a tortura chega ao fim. Novamente todos dentro do popular veículo, a se revezarem na emissão daqueles insuportáveis gases naturais. Com tanto pobre no mundo, não sei porque ainda vivemos este dilema interminável do temor do esgotamento dos recursos energéticos.

          Parece que o passeio chega ao fim, mas com pobre, a coisa nunca é simples assim – Pai, dá uma passadinha no aeroporto pra gente vê uns aviões?

          Ainda bem que não encontrei ninguém conhecido nesta aventura. O que eu diria aos camaradas na reunião mensal da SSCSP - Sociedade Secreta dos Cavaleiros de São Petersburgo!!!             

    



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 18h01
[] [envie esta mensagem
]





MAN AND WOMAN IN WHITE

          Eu detesto gente de branco, principalmente os (as) dentistas. Não a pessoa em si, mas aquela figura que invade sua boca de forma permissiva e vai escarafunchando tudo lá dentro, sempre nos passando a idéia de que, como são conhecedores de todas as técnicas e segredos bucais, jamais teriam suas bocas invadidas por uma cárie, ou quem sabe um tártaro.

          Eu acho que tenho este trauma desde criança. Meu primeiro grande trauma odontológico veio ainda muito cedo, no tempo dos terríveis trailers odontológicos que ficavam estacionados periodicamente nas escolas e o temível homem de branco, ia engolindo um a um, lá pra dentro daquele centro de tortura, até que passasse em revista todos os alunos. Naquele tempo o carrasco chamava-se Dr. Asis de alguma coisa que, já não mais me lembro.

          Pra minha infelicidade geral, ainda tinha que me chamar Antonio e ser logo um dos primeiros da classe a ser deflorado odontologicamente na ordem alfabética pelo sádico carrasco, que certamente como todo carrasco que se preze, devia ter um orgasmo a cada vez que notava na vítima um espasmo muscular de dor.

          Hoje em dia o profissional da boca tem todo um preparo técnico e também psicológico para transparecer tranqüilidade ao paciente, porém a trinta e poucos anos atrás, acho que as técnicas eram outras. Além do que, o tratamento odontológico hoje é bastante indolor, na maioria das práticas odontológicas, porém naquele tempo, para uma criança de sete anos, sentar naquela cadeira era um calvário inominável. A técnica do Dr. Asis era meio de desafiar a masculinidade do indivíduo. Ele enfiava aquela agulha que ia parar lá dentro do cérebro e quando você manifestava involuntariamente aquele espasmo muscular de pânico, ele dizia – Um homão desses com medo de agulha!!! Não vai doer nada. Continuava a enfiar aquela agulha até que se sentia a boca virar uma bola murcha.

          Eu tinha sete anos e nunca havia estado na presença de um dentista, daí imaginem o tanto de trabalho que eu dei ao carrasco. Foram umas quatro ou cinco obturações e duas ou três extrações, todas devidamente acompanhadas das terríveis hemorragias, pois o carrasco advertia para os cuidados pós-extração, como não ficar ao sol e movimentar-se o mínimo possível, porém eu não podia deixar de atender ao chamado dos peladeiros da escola e com o cair da noite, chorava e passava a noite toda com febre, fazendo bochechos com vinagre e sal.

          Na minha primeira hemorragia, meu pai assustado, levou-me ao consultório de um outro dentista, que examinou o serviço do carrasco primeiro, receitando um analgésico e uma boa quantidade de sorvete para ajudar no estancamento da sangria. A dor era horrível, mas pelo menos poderia sorver uma boa quantidade de sorvete em contrapartida.

          Recuperado deste terrível trauma, voltei ao dentista lá pelos meus treze anos, aí eu já era um adolescente. O dentista era primo do meu pai, aqui da nossa vizinha Tanabí, um senhor já com muita experiência e muita paciência, com todos os truques e malandragens da profissão, com todas aquelas técnicas de desviar a atenção do paciente e ficar fazendo perguntas que, como você está com a boca cheia de tarecos, só dá pra responder com uma negativa ou afirmativa, levantando e abaixando o polegar. Foi menos traumático, porém ainda com aquelas lembranças do meu deflorador carrasco, uma câmara de pânico, parcialmente elevada ao grau médio.

          Lá pelos meus vinte, fui obrigado novamente a fazer uma visita ao dilacerador de bocas por conta de um dente duplicado que aparecera na arcada inferior e mais algumas pequenas revisões. Novamente outro trauma. A dentista desta vez era uma mulher e ainda por cima, estava grávida, já em estado adiantado de gestação. Na hora da extração do dente duplo, depois de anestesiado, começou a puxar com aquele boticão e o dente nada de amolecer. Escarafunchou ao redor do dente afastando a gengiva e puxava - meio que rodando para amolecer -, com toda a sua força. Buscou por várias posições diferentes e não conseguiu extrair o dente. Achei que ela daria a luz naquele momento, a moça suou e gemeu e, com a aflição dela, nem senti a pressão psicológica do momento. Ela desistiu, disse que eu deveria procurar um outro profissional especializado naquele tipo de extração, que fizesse o serviço através de uma intervenção cirúrgica. Quando passou o efeito da anestesia, senti muita dor, tanta dor que tenho este dente duplo até hoje em minha boca e ai daquele que disser que eu devo extraí-lo.

          Depois disso, passei a freqüentar mais ativamente os consultórios odontológicos e entre bons e não tão bons profissionais, tive a boca invadida por diversos outros seres de branco. Entre extrações de sisos, restaurações e tratamentos de canal em molares outros, sofri várias vezes da terrível dor de dente, dor esta que nada cura, nada desvia a atenção e nada faz passar. Lembro-me de uma vez em que o dentista abriu-me um molar para tratar o canal. Fazendo o primeiro curativo, fechou-o com massa e me disse – Se doer, me liga a qualquer hora que eu venho no consultório e abro. Cheguei em casa e conforme foi passando o efeito do anestésico, a dor aumentava, até o ponto em que não havia mais espaço pra mim na casa. Minha esposa ligou pro dentista e ele mandou que eu fosse direto ao consultório, pois ele já estava indo. Quando minha esposa foi pegar a chave do carro pra me levar, eu já estava indo a pé, eu não tinha parada. Cheguei ao edifício onde se localizava o consultório do dentista e o ascensorista veio ao meu encontro e se ofereceu para acionar o elevador, mas a dor não me permitia ficar parado, peguei logo a escada e fui subindo impacientemente os degraus. Pra minha sorte, quando cheguei na porta do consultório, o dentista acabara de entrar e já foi logo providenciando a abertura do dente, não antes de me perguntar sadicamente se estava doendo muito. A resposta foi curta e grossa – Só dói quando respiro. Não existe coisa pior do que dor de dente.

          Contudo, ainda acho que os dentistas são sádicos perfeitamente satisfeitos com as agruras do ofício. Eles se deleitam quando empunham aquele motorzinho diabólico, suas almas são alimentadas com aquela baba sugada por aquele aspirador de saliva, mas os orgasmos múltiplos, só acontecem quando são premiados com aquele dentão envolto por aquele terrível instrumento de tortura chamado boticão e eles o atiram naquela bacia de metal que sempre está ao lado da cadeira odontológica, fazendo questão de mostrar aquela aberração toda cheia de raízes e resquícios de sangue. Neste momento você olha para a feição do sádico e sente que ele acabara de ter um orgasmo, não um orgasminho normal desses com dez ou doze contrações anais não, mas um longo e duradouro orgasmo, com mais ou menos uma centena de contrações consecutivas.

          Outra coisa pavorosa no interior de um consultório odontológico é a espera interminável. Porque eu entendo que hora marcada, deveria ser hora marcada e não hora marcada para quinze ou vinte minutos depois da hora marcada. Então você chega lá no consultório cinco minutos antes da sua hora marcada e provavelmente só será atendido pelo menos meia hora após àquela sua hora marcada. Aí você pega aquela revista, quase sempre uma Veja (aquela que tenta esconder tudo – Então por que se chama veja?) ou uma Caras (onde todas as artistas gostosas aparecem na ilha de Caras mostrando as bundas), duas revistas absolutamente desnecessárias a qualquer individuo parcialmente com algum intelecto, ainda por cima datadas do ano passado. Pra mim este problema da data não faz muita diferença, pois pouco tempo tenho para este tipo de leitura, porém..., não daria pra disponibilizarem uma revistinha melhor, quem sabe uma Carta Capital..., no mínimo uma Isto É, ou então colocar logo à disposição, aquelas pornográficas mais famosas, estampando o Vampeta se amparando naquela bengala – Será que aquilo era mesmo uma bengala? Pras crianças, deixa uns gibis do Tio Patinhas e outros dos Irmãos Metralhas, que é pra eles irem se acostumando com a realidade do nosso município.

          Estressado com as revistas, você presta atenção na tv, pra não ficar olhando com a visão periférica para as outras vítimas que estão ao seu lado na sala. Olha só o que está passando na tv na Sessão da Tarde, Irmãos Gêmeos, aquele filme quase inédito, com o Danny Devito e o Arnold Schwarzenegger. Dá vontade de ir embora, mas dentistas têm um sério problema da ordem dos direitos do consumidor, gostam de receber adiantado e fazem pressão para tal. Eu, um velho socialista convicto, não só na coesão ideológica, mas também na maneira de viver independente daquilo que escraviza o ser, não possuo contas bancárias e nem cartões de crédito, só lido com dinheiro em espécie e geralmente só o gasto quando o tenho. Sendo assim, quando estou lá pra executar os reparos, certamente é porque já paguei pelo tratamento todo e não dá nem pra sair correndo. Esta prática já me rendeu prejuízos, pois uma vez, depois de já ter pago pelo tratamento todo, tive péssimas referências do profissional e em algumas sessões percebi a imperícia do mesmo. Abandonei o tratamento e nunca mais voltei lá, nem pra tentar reaver o meu crédito.

          Mas, a natureza é perfeita e descobri um dia desses que dentistas também têm dentes. Cheguei ao consultório de um dentista e não tinha ninguém na recepção, somente aquele sensor que toca um alarme quando alguém passa pela porta. Como ninguém apareceu na sala de espera, fui entrando corredor adentro e abri a porta de uma das salas. Deparei-me com uma cena absolutamente indescritível, o dentista estava sentado na sua cadeira de tortura, com a boca aberta e uma senhora de branco estava lhe escarafunchando o “portal do inferno”. Quase tive um orgasmo.

          Pena que muitos dentistas casam-se também com mulheres do mesmo ofício e isso atrapalha um pouco a nossa sensação de vingança, mas mesmo assim, é muito prazeroso assistir a execução de um carrasco. 



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 14h07
[] [envie esta mensagem
]





DITADURA-DEMOCRÁTICA

            O mundo está virando um lugar esquisito de se viver.

          O atirador de elite se prepara, faz mira e atinge um bandido que ameaçava a vida de uma mulher. Tiro certeiro, desta vez a vitória foi do atirador, que às vezes passa a vida toda treinando e se preparando para aquele tiro e, se aposenta profissionalmente, sem que seja necessário fazer uso daquele disparo. Desta vez foi preciso e o policial foi certeiro, a ameaça caiu morta e estrebuchando ao solo. A vítima está salva. Parabéns ao atirador, ele cumpriu com a missão da qual foi preparado, talvez também fosse necessária uma promoção de patente para que o seu trabalho seja merecidamente recompensado de forma material e verdadeira, afinal abraços e obrigados, não põe à mesa.

          Mas não..., o comando permitiu o encontro da vítima com o atirador sob os holofotes da mídia. Não bastava um encontro de agradecimento de forma discreta, tinham que expor o profissional e colocá-lo publicamente na tv – Mas, não seria mais seguro se os carrascos permanecessem sob a proteção do capuz? Afinal, aquele que precisou ser eliminado era bandido, porém devia ter amigos, companheiros, comparsas, quem sabe até familiares, irmãos, primos e etc... Ainda mais no Rio. Pobre policial, agora terá que viver o resto dos seus dias se escondendo e se imaginado vítima de uma ação traiçoeira retalhadora da parte daqueles a quem, por ofício, teve que ceifar a vida de um ser.

          As coisas estão acontecendo de forma tão assustadora que você não consegue mais se situar no universo seguro das ações e intenções. Será que ninguém pensou que expondo este policial estariam também expondo as suas relações, inclusive a parte mais frágil do indivíduo que é a família? O policial está preparado para todos estes acontecimentos possíveis - pelo menos deveria estar -, porém sua família e todos que o rodeiam – Será que estão preparados para esta exposição desnecessária?

          Ainda continuando com as esquisitices que a mídia usa para comercializar seus produtos e suas intenções, um leitor me chamou a atenção para um fato – Por que será que o Golpe de Estado que estão dando em Honduras, está sendo tão protegido e amenizado pela Globo? Fiquemos ligados então nesta política nazista global, pois ao embutir este conceito de ditadura-democrática, estão novamente nos condicionando ao papel de pleiteantes a esta nova invenção ideológica, criada justamente por esta direita desesperada e ainda detentora de todo este arsenal midiático que está aos seus serviços. Esta então é a nossa preocupação, pois depois de esgotadas todas as possibilidades possíveis no terreno ideológico, o próximo arsenal a entrar em campo, é o bélico.

          Alguns alienados políticos dirão – Mas o mundo desenvolvido jamais aceitaria novamente esta intervenção armada de ditadores plantados pela elite interesseira, em um universo democrático constituído.

          O exprobro deveria ser total, porém o mundo move-se por interesses maiores que na maioria das vezes nem ficamos sabendo quais são. Assim, os Aliados invadiram o Iraque e o Afeganistão, a China mantém uma supremacia militar absoluta sobre o Tibet, desde 1950 e ninguém mais se lembra dos motivos usados para estas apropriações indevidas.

          Não esperemos que as Nações do mundo corrijam as injustiças, pois na maioria das vezes, são elas quem planejam, financiam e proporcionam a existência destas injustiças, tudo devidamente sedimentada em interesses outros. Tenhamos sempre em mente as injustiças e as manobras usadas para usurpar as riquezas no Continente Africano. São dois séculos de guerras e guerrilhas étnicas promovidas por aqueles que querem usurpar seus legítimos donos das suas riquezas, desestabilizando-os e renegando a uma existência miserável, em um território cercado de riquezas infinitas.

          Honduras sofre na atualidade um golpe em sua frágil democracia. Alguns grandes formadores de opinião pelo mundo, ao invés de buscarem a divulgação verdadeira das ações que lá estão acontecendo, buscam esconder este golpe por trás de termos inexistentes, como este de intitular golpista como Presidente em exercício, criando assim esta atual democracia ditatorial, como se no termo democracia, estivesse incluído uma margem para a imposição fomentada pela força de ações que visam um regime totalitário.

          No verdadeiro estado democrático, o Presidente é eleito por sufrágio direto e universal, não sendo este o termo dedicado ao golpista Roberto Micheletti, que se apoderou do poder por manobras políticas outras, caracterizando assim, a ruptura do estado democrático e entrando na classificação de estado totalitário, devidamente até cabendo-lhe o termo de Presidente, porém o termo seguinte, deveria ser obrigatoriamente “golpista”.

          Para nós que já estamos acostumados com esta linguagem e estas colocações levianas levadas todos os dias ao ar pela Globo e pelos seus também parceiros golpistas daqui (PIG), está tudo certo, porém estão levando esta leviandade pelo mundo todo através das agências de notícias e telejornais internacionais.

          Como se já não bastasse aquela outra classificação que renomeou a ditadura militar brasileira como “ditabranda”, pelo braço escrito do PIG nacional, a líder do braço televisivo tenta imputar ares de normalidade em um golpe de estado em Honduras.  É histórico que este grupo sempre nutriu acalento por ditadores e usurpadores que promoveram o seu crescimento, porém com esta visibilidade, jamais.

          Será que não estariam criando lacunas para estabelecerem esta ditadura democrática também em solo brasileiro? Se a ditadura de vinte anos que levou milhares de pessoas para os porões de torturas e cemitérios clandestinos, foi branda, bem que poderiam inventar uma democrática aqui também!!!                

         



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 20h10
[] [envie esta mensagem
]





A MENOR DISTÃNCIA ENTRE DOIS PONTOS

          Mais uma novela se foi e a outra já está aí com tudo. Mal digerimos ainda os conceitos que nos foi gentilmente passados pela que terminou e temos que misturar tudo com o inicio da nova trama, digo, nova armadilha. Esta está bem suavezinha, o Maneco gosta das realidades urbanas do Rio poético e boêmio dos tempos da sua juventude, das classes A, B e C sempre se misturando - como se isso fosse possível na prática -, das suas Helenas, dos seus doutores Morettis e o seu Leblon do meio do século passado, aquele que é bem longe da realidade atual, cercado pela bandidagem que insiste em manter toda a orla carioca em estado permanente de sítio, melhor dizendo, de exceção. Normalmente só policiam os limites de domínio, porém vez por outra resolvem que barbarizar é a forma de se sustentarem no poder e o fazem com pavor.

          Mas, voltando à velha que acabou de acabar... Aprendemos coisas indispensáveis com esta última lição, tais como: descobrimos que o berço do capitalismo mundial e o parque de diversões dos mais ricos e mais famosos mudou-se para os Emirados Árabes, mais precisamente em Dubai. Todo mundo deu um pulinho em Dubai o tempo todo. Ninguém deveria morrer sem antes ter a oportunidade de visitar Dubai (vou mandar um e-mail pro Lula e sugerir para a campanha da sua Dilma em 2010, o bolsa-Dubai) Nos foi ensinado também que, apesar das duas culturas - que se contrastaram o tempo todo -, apresentarem diferenças gritantes, no fundo, bem lá no fundinho, as duas buscam as mesmas pretensões, ou seja, lá, que os das castas superiores continuem dando as ordens e os dalits continuem cumprindo-as rigorosamente dentro das tradições, com a crença espiritual assinando por este sacrilégio. Aqui, como não se consegue a persuasão por este apelo espiritual incondicional, mandam mesmo, aqueles que possuem mais dígitos depositados em suas contas bancárias e o resto, obedecem pacificamente, dominados por diversos outros meios e fatores. Por fim, a nossa grande lição de vida nos foi revelada nos capítulos finais, onde tivemos a oportunidade de nos revelarmos e as verdades ocultas que povoam as aspirações em nossas relações humanas mais íntimas. Os homens só querem mesmo é serem felizes e nada mais, não se importando com a traição adultera dos seus parceiros, pois o amor fala mais alto do que os seus impulsos animalescos da carne, mera herança maldita dos resquícios da sua recente evolução – Você não vale nada, mas eu gosto de você e pronto!!!

          Resumindo, Miami já era, pobre é pobre e é lixo aqui ou na Índia e a monogamia está completamente fora da nossa realidade, pelo menos parcialmente, afinal você pode viver com um sujeito e dividir com ele as suas angustias e todos os outros momentos da vida, sempre se esfregando com o resto da vizinhança. Se um dia ele perceber alguma coisa, convença-o de que você não vale nada, mas o ama e fica tudo certo. Se isso tudo não funcionar, ferva bastante água quente e leve sempre consigo em uma garrafa térmica a tiracolo, para quando você estiver andando tranqüilamente pelas ruas e se deparar com a sua cadela “engatada” num beco escondido com algum qualquer, jogue a fervura bem nos seus costados. Costuma desgrudar - pelo menos funciona sempre com os cachorros -, desfazendo a possessão demoníaca, em seguida, leve-a para casa e a envolva em seus braços protetores, lhe curando de todas as feridas.

           Os ricos e afortunados já praticam este conceito há muito tempo e tem dado certo, agora querem fazer com que os pobres percam o mínimo da dignidade e decência que ainda possuem. Pelo jeitão, logo tentarão ressuscitar a “jus primae noctis”, uma leizinha fdp que vigorou na Idade Média, onde o Senhor Feudal, por direito, tinha a prioridade de inaugurar todas as noivas do seu feudo. Dizem que no sertão nordestino brasileiro a lei ainda vigora e a coronelada insiste em manter a tradição, porém não se preparam mais com aquelas garrafadas de antigamente, com nó-de-cachorro, pau-de-resposta, unha de cateto, carqueja, cipó da Jane, ginsengue, ginkobiloba, marapuama, catuaba e pau de macaco torrado, tudo devidamente curtido em vinho branco barato, com uma pitadinha de noz-moscada. Hoje vão logo na farmácia e pedem o azulinho do Pelé, o efeito é mais rápido e duradouro.

          A nova das nove já veio ditando a moderníssima fórmula da felicidade. Um milionário que não se sabe bem de onde vem toda a sua gastosura, deve ser lá do pessoal do consórcio demo/tucano, aqueles que ficaram milionários vendendo as nossas estatais na década de 90. Um luxuoso iate, carrões velozes e potentes, vôos a qualquer tempo de helicóptero e jatinho fretados... Não há dúvida nenhuma, o gastosão é dá turminha do Daniel Mendes, digo, Gilmar Dantas, opa, misturei tudo..., aquele brilhante senhor que ganhou dinheiro mole, as custas do pobre e idiota zé povinho.

          O Maneco só está cometendo um pecado, as pretinhas não são de casar, são para outras finalidades, no máximo para povoar uma garçoniere no Leblon para um alívio vespertino. Tem sido assim durante muitos anos, precisamente desde os tempos em que as negrinhas vinham das senzalas para servirem os seus senhores à mesa e acabavam servindo-os por obrigatoriedade, também na cama. Por que será que ele está querendo mudar as regras agora?

          O resto das intenções, somente assistindo aos próximos capítulos, mas vou logo dando algumas pistas – Preto parado é suspeito, correndo é ladrão e dirigindo no estacionamento daquela rede de hipermercado gigante..., é melhor falar logo que é o motorista e que a madame já está vindo, senão a borracha come no lombo.

         Todos sabemos que a menor distância entre dois pontos é uma reta, porém se esta reta for percorrida de carroça, demora-se um pouco mais a chegar. Partimos então de Dubai a bordo do jatinho fretado pelo nosso milionário gastosão multirracial e veremos onde nos levará mais esta tendenciosa saga. O povo em geral está vindo de carroça, certamente demorarão alguns anos mais para entenderem as verdadeiras intenções. Quem sabe quando assistirem novamente no vale a pena ver de novo!!!

         



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 15h32
[] [envie esta mensagem
]





COXINHAS DE FRANGO

 

          Os quarenta anos do JN que estão sendo comemorados este ano, demonstra claramente a vitória daqueles que inventaram este audacioso plano de domínio sobre toda a população de uma Nação – Parabéns senhores, vocês venceram novamente e já são quarenta anos de domínio massivo e absoluto, onde vocês determinam e ditam todas as regras e valores por onde querem que percorram todos os caminhos da nossa sociedade, para que os senhores retirem deste adestramento o máximo de dividendos possíveis. Vocês possuem muito que comemorar. Nós, apenas podemos nos lamentar por este domínio absurdo.

          Vocês conseguiram montar a estrutura social desejada, uma classe A, que sempre está unida em torno do ideal maior que é o de escravizar as demais. Uma média dita B, que responde aos vossos estímulos obrigatoriamente - completamente alienada -, consumindo e freando o consumo quando lhes seja conveniente e as vossas necessidades e, finalmente as C, D, E, etc..., que apenas ocupam os espaços, é enchimento nas vossas intenções. Assim fabricam crises e manipulam interesses, como esta última, em que tentaram pintar o monstro muito maior do que era, para desestruturar o governo constituído com vossas ações espúrias paralelas.

          Criaram e mantêm cativas esta grande maioria de invisíveis, que por assim serem, não possuem direitos e nem tempo para entoar a voz e exigir a parte que lhes cabem nesta grilagem criminosa das riquezas nacionais, que os senhores sabiamente acumularam ao longo destes quarenta anos. Como pode um sujeito que não tem um lugar digno para morar, vive a passar a vida nas filas do inoperante serviço de saúde pública, leva três horas para chegar ao trabalho e mais três para voltar pra casa e neste intervalo que sobra entre este domínio escravocrata, fica calmamente diante da tv - com o prato de arroz e feijão com alguma besteirinha por cima e copo de Coca-Cola ao lado -, assistindo passivamente as notícias sempre tendenciosas e interesseiras ditadas pelo JN? Depois a lavagem cerebral continua com a novela das nove, mas no mesmo tom, sempre ditando as lições de casa que a corporação pretende fixar na mente e no cotidiano dos dominados. Depois de algumas horas de sono, tudo volta a ser novamente como no dia anterior, levanta-se cedo, transporte público lotado e inoperante, dez ou doze horas de trabalho, muito mal remuneradas (e que não falte, senão toda esta precária estrutura vai pelos ares) e novamente o dia se encerra na frente da tv, assistindo as lições “imparciais” do JN e se preparando para a fictícia vida das novelas, que certamente será a nossa realidade de amanhã, pois vestimos o que se veste nas novelas, comemos o que se come nas novelas, falamos o que se fala nas novelas e obrigatoriamente então, pensamos como eles querem que pensemos.  Somos a essência da sociedade obediente, consumista por necessidade e fartamente tributada nestas nossas necessidades mais básicas. Daí se subentende os porquês da necessidade desta nossa existência completamente desnecessária. Nos tributam as nossas básicas necessidades para que possam aliviar a tributação nas altas fortunas auferidas na grilagem.

          A única diversão é o futebol, que logicamente eles também mandam e retiram seus dividendos desta brincadeira, que deveria ser algo primário e inocente, apenas o relaxamento das nossas tensões.  Porém fabricam rivalidades, inventam clássicos e verdadeiros duelos entre pessoas que só queriam estar ali se divertindo e brincando. No entanto a tv, para que possam vender horários e os produtos dos anunciantes, é quem joga a pitada de ódio e o semeia aos quatro cantos – Quem sugere que corintianos e palmeirenses não podem ser amigos e freqüentarem o mesmo metrô, os mesmo ônibus ou as mesmas calçadas nas entradas dos estádios? A tv está a todo o momento jogando esta pimenta em nossos olhos e alimentando esta rivalidade que deveria ser esportiva apenas, porém apresentadores e repórteres esportivos se especializaram em criar factóides e fofocas para alimentarem esta fábrica de discórdia, onde aquele pai de família que citei ali atrás, com toda a carga social que o anula, sai de casa no domingo para buscar um alívio para todo este stress e é covardemente barbarizado, espancado e assassinado por um membro da torcida rival, outra vítima do mesmo mal que assola a primeira, pois fazem parte da mesma classe, aquelas que rotularam de C, D, etc..., se é que exista alguém com níveis de humanidade assim tão baixos e com tanta barbárie ainda recolhida e implícita. Poderia ter sido o contrário, pois os dois lados fazem parte da mesma moeda e estão no bolso dos senhores afortunados midiáticos.  Meche-se os cordões e o mamulengo responde com as ações.

          O que interessa aos senhores midiáticos, noticiam à exaustão, o contrário, até noticiam para não perderem a pretensa auto-sugestão de imparcialidade, porém ao acaso, pra dentro, em uma linguagem ou de alguma maneira que ninguém note o noticiado. Assim fabricam crises, disseminam pestes e pandemias, fabricando heróis e bandidos, exatamente como fizeram com o ex-Collor, que virou caçador de marajás de um dia para a noite e na outra, já estava eleito presidente. No momento seguinte, quando houve a ruptura de intenções, virou corrupto e foi exilado em Miami numa mansão com torneiras de ouro que adquirira com o produto da corrupção, pelo menos foi isso que disse a reportagem – Então, por que ele não está na cadeia e foi eleito Senador da República? Alguns dizem que o povo o absolveu – Mas que povo, se o povo não possui vontades, respondendo apenas aos estímulos daqueles que os manipulam? Então, isso quer dizer que o Collor somente teve uma trégua por parte daqueles que o condenaram.

          O que diríamos então do maravilhoso mundo neoliberal, que pintaram como a perfeição pretendida na década de noventa. Uma coisa absolutamente necessária que livraria o Estado do peso excessivo das dinossauricas estatais e o deixaria livre para agir em prol do cidadão, sem as amarras da burocracia e o peso das investidas dos políticos.

          A década seguinte se encarregou de mostrar que era mais uma propaganda enganosa. Venderam tudo o que foi possível, passando o encargo para a brilhante iniciativa privada, que estão retirando destas transações o combustível que alimenta o capitalismo pelo mundo, sucateando e enterrando em incompetência e inoperância todos os sistemas que operam, sistemas estes, que já necessitavam de um plano audacioso de expansão para atenderem a demanda crescente, porém sob batuta privada e tendo como obrigação primeira, auferir altos lucros, não servem a dois senhores, não conseguindo ser altamente lucrativa e exiguamente competente ao mesmo tempo, vide o sistema telefônico, entre outros. Confiram tudo no http://virgiliofreire.blogspot.com, é a palavra de um técnico.

          E cadê o dinheiro destas transações? O que fizeram com o nosso dinheiro que deveria ter voltado para o nosso bem estar?  O Daniel Dantas poderia responder parte destes questionamentos se..., não tivesse uma alta autoridade do Poder Judiciário lhe servindo como advogado de defesa, o JN e todo o complexo midiático da corporação, fazendo pano de fundo e desviando as atenções e tirando o foco de todo um grupo criminoso que foi montado para fazer a transição da coisa pública para o setor privado.

          Ótimo..., o que representamos então nesta complexa engrenagem? Somos só os animais de sela, em que os poderosos nos montam e nos guiam com rédias curtas e cabrestos bem apertados para onde querem. Trabalhamos para que eles passeiem e descansem pelos paraísos do mundo, para que pilotem suas Mercedes, lanchas e seus aviões. Enquanto travamos batalhas ferozes pelas nossas preferências futebolísticas, pelas nossas diferentes convicções religiosas e alguns poucos que ainda não foram abduzidos pelo sistema, ainda conseguem ver com retidão as tramas ideológicas sendo montadas claramente. Eles só querem que a desportividade dos esportes se lichem, desde que continuem auferindo os lucros. Que as religiões se destruam no debate e nas dúvidas da nossa existência e a do Supremo Ser, pois não possuem a pretensão de uma outra vida, elegeram esta como prioritária e estão tirando o máximo proveito dela. DEUS pra eles não existe, é só o cozinheiro incompetente que a qualquer momento inundará a cozinha com aquele óleo sujo proveniente da fritura das terríveis coxinhas de frango. Éeeeca!!!

          Então..., como estão tendo sucesso total nas suas ações, parabéns JN, parabéns Globo, o povo humilhado, escravizado e dominado, continua a serviço de vocês. Que venham os próximos quarenta e o produto desta sociedade vazia que construíram, possa mesmo acabar com este mundo aos moldes de uma enchente de óleo sujo de coxinhas de frango.

          Infelizmente, ou felizmente, eu também tenho quarenta e assisti vossa montaria de perto, continuo desacreditado em vocês, acreditando em DEUS e na possibilidade de construirmos uma vida justa e digna para “todos”, mas todos mesmo. Comigo não funciona!!!

 

Ps: Por favor, mantenham o Willian Bonner encoberto atrás da bancada do JN, não permitam que ele se exponha como fez no Faustão domingo passado, pois assim, o povo não reconhece o xarope e antipático que ele é. Lá na bancada ele transparece competência e seriedade, com aquele grisalho nos cabelos dando afirmação, porém fora dela, deixa cair à máscara da hipocrisia que o encobre, deixando sua arrogância e empáfia de âncora do JN em tempo integral, falar mais alto. Você pode mentir e enganar profissionalmente, é seu ofício e você tem que se sujeitar às regras, se você não fizer, outro fará. Porém quando você próprio começa a acreditar e se torna devoto das mentiras que prega por obrigação, comprova fielmente a confiabilidade das técnicas do adestrador!!!

 



Escrito por ROBERTO LAMPARINA às 13h12
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]